Cultura e entretenimento num só lugar!

Foto: divulgação / Primeiro Plano

Crítica | A Queda do Céu documenta a resistência e força ancestral dos yanomami

Destaque na COP30, documentário expõe ameaças impostas aos povos indígenas pelo garimpo ilegal 

A Queda do Céu, que estreou no Festival de Cannes em 2024, foi o documentário brasileiro mais premiado do último ano. Desde a arrancada na mostra francesa, a produção já percorreu 80 festivais ao redor do mundo, conquistando 25 honrarias. Com um comentário contundente sobre a importância da valorização da mitologia dos povos indígenas, o filme chegou aos cinemas de todo o país no mês de novembro de 2025.

Baseado no livro homônimo, escrito pelo líder indígena Davi Kopenawa e o antropólogo francês Bruce Albert, o filme mergulha nas tradições ancestrais da comunidade Yanomami de Watoriki. Desse modo, ao longo de quase duas horas, nós acompanhamos o modo de vida dos yanomami, sua relação com a natureza, e sua luta contra o garimpo ilegal que os ameaça constantemente.

A direção do documentário é de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, que realizaram as gravações durante um mês no ano de 2021. O longa-metragem é um convite a conhecer um pouco do cotidiano yanomami, e refletir sobre as batalhas que eles ainda enfrentam para preservar as suas raízes, suas tradições e a terra que lhes é de direito. 

A Queda do Céu: a tradição e a ancestralidade
Foto: divulgação / Primeiro Plano

Falar sobre cultura ancestral dos povos originários é discorrer sobre um povo que resiste há mil anos, sem o qual não existiríamos como nação. Em A Queda do Céu, é mostrado ao público a vida íntima da etnia indígena yanomami, com destaque para o ritual funerário Reahu, que reúne toda a comunidade para conseguirem segurar o céu. 

Todo o filme é narrado pelo xamã Davi Kopenawa, que ensina sobre a cosmologia yanomami e os espíritos xapiri. Concomitantemente, o líder denuncia o cercamento dos garimpeiros, e também a ameaça das epidemias xawara. Chamados por Kopenawa de “povo da mercadoria”, os garimpeiros trazem doenças, morte e medo para a etnia indígena. Tudo isso é contado pelo ponto de vista dos yanomami, que veem e usam o próprio tempo de uma maneira singular, bem mais devagar e contemplativa. 

Para isso, os realizadores fizeram uso de planos longos, uma câmera que mais observa e não se move, além da presença dos sons naturais para revelar o ritmo lento inerente à vivência dos yanomami. 

O grito de resistência yanomami
Foto: divulgação / Primeiro Plano

Para um povo que sofre tantas tentativas de dizimação e mesmo assim segue forte, preservar suas tradições e honrar a sua ancestralidade é um ato de resistência. É o que o documentário A Queda do Céu tenta mostrar, ao alternar entre explicar a mitologia do povo indígena, mostrar um de seus rituais mais sagrados, representar seus hábitos diários e dar visibilidade para os estigmas que ainda precisam enfrentar. 

Um filme necessário que, em meio à crise ambiental que estamos vivendo, se coloca no cenário mundial como um grito de apelo aos direitos dos povos originários. O mundo precisa observar a natureza e pensar no passado, práticas tão cultuadas pelos yanomami. Isso, para que assim consiga se conscientizar sobre os caminhos pelos quais o planeta está se dirigindo. 

Já assistiu ao documentário A Queda do Céu? O que achou? Conta para a gente e siga o Entretê nas redes sociais (Instagram, X e Facebook) para mais conteúdos sobre entretenimento e cultura.

 

Leia também: Documentários do programa Narrativas Negras Não Contadas chegam em novembro no streaming

 

Texto revisado por Simone Tesser 

plugins premium WordPress

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Acesse nossa política de privacidade atualizada e nossos termos de uso e qualquer dúvida fique à vontade para nos perguntar!