Mostra do Centro Cultural Coreano no Brasil celebra os 10 anos do reconhecimento das Haenyeo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO
Quando se fala em cultura coreana, muita gente pensa imediatamente em K-pop, K-dramas ou gastronomia. Mas a Coreia do Sul guarda tradições centenárias que continuam fascinando o mundo até hoje. Uma delas é a das Haenyeo, as famosas mergulhadoras da ilha de Jeju, que serão homenageadas na exposição Sopro do Mar – Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade, em cartaz no Centro Cultural Coreano no Brasil a partir de 12 de junho.
A mostra convida o público a mergulhar na história dessas mulheres que, há gerações, desafiam o mar para coletar frutos marinhos em apneia, sem o auxílio de cilindros ou equipamentos de respiração. Mais do que uma atividade profissional, o trabalho das Haenyeo representa um modo de vida baseado na cooperação, no conhecimento compartilhado e na força da coletividade.
Com curadoria de Jinhee Park, a exposição reúne fotografias, vídeos, objetos tradicionais e elementos que ajudam a recriar o cotidiano das mergulhadoras da ilha de Jeju. A iniciativa acontece em parceria com o Jeju Haenyeo Museum e conta com apoio da Associação das Jeju Haenyeo.

Uma tradição feminina que atravessa gerações
As Haenyeo ocupam um lugar único na história da Coreia. Organizadas em comunidades, elas mergulham juntas em águas geladas e enfrentam condições desafiadoras para garantir o sustento de suas famílias. Ao longo dos anos, desenvolveram técnicas próprias e criaram uma forte rede de apoio baseada na confiança e na ajuda mútua.
Essa cultura coletiva foi justamente um dos motivos que levaram a UNESCO a reconhecer a tradição como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Em 2026, a conquista completa uma década, tornando a exposição ainda mais significativa.
Uma viagem à ilha de Jeju sem sair de São Paulo
Um dos grandes destaques da mostra é a recriação do bulteok, espaço tradicional construído com pedras próximo ao mar. Um lugar de descanso para as mergulhadoras, para trocas de roupa, compartilhar histórias e se aquecer ao redor do fogo antes e depois dos mergulhos.
O ambiente ajuda a transportar os visitantes para Jeju e oferece uma visão mais íntima sobre o cotidiano das Haenyeo, mostrando que a força dessa tradição vai muito além do trabalho no mar.
Outro elemento central da exposição é o sumbisori, o som característico produzido pelas mergulhadoras ao retornarem à superfície após longos períodos submersas. Considerado um dos símbolos mais marcantes dessa cultura, o som aparece em registros audiovisuais que ajudam a construir uma experiência sensorial imersiva.

Exposição também destaca produções audiovisuais sobre as Haenyeo
Parte do material apresentado foi cedida pela diretora Lygia Barbosa e pelo fotógrafo Luciano Candisani, responsáveis pelo documentário Haenyeo, A Força do Mar, exibido pela TV Cultura e pela National Geographic.
Os registros ajudam a apresentar ao público brasileiro uma tradição que continua despertando interesse internacional por sua relevância histórica, cultural e social.

Programação inclui bate-papos e atividades especiais
Além da exposição, o Centro Cultural Coreano preparou uma programação complementar dedicada ao universo das Haenyeo.
No dia 14 de junho, o público poderá participar de um encontro com Carlos Gorito, Embaixador Honorário do Turismo de Jeju, e a curadora Jinhee Park. A conversa abordará a história das mergulhadoras, os valores comunitários que sustentam essa tradição e curiosidades sobre a ilha de Jeju, um dos destinos turísticos mais conhecidos da Coreia do Sul.
A agenda também contará com painéis temáticos e oficinas culturais inspiradas nos costumes da ilha. Entre as convidadas confirmadas estão Yoo Yong-ye, presidente da Associação das Jeju Haenyeo, e a jornalista Koh Mi, que há mais de 20 anos documenta a vida dessas mulheres.
Mais do que apresentar uma tradição centenária, a exposição propõe uma reflexão sobre pertencimento, solidariedade e comunidade em um mundo cada vez mais individualista, como sugere o conceito da mostra: nenhum sopro é solitário — uma mensagem que atravessa o mar e chega ao público brasileiro através das histórias dessas mulheres extraordinárias.

Serviço
Exposição: Sopro do Mar – Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade
Período: 12 de junho a 30 de agosto de 2026
Local: Centro Cultural Coreano no Brasil – Avenida Paulista, 460, São Paulo
Entrada: Gratuita
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Texto revisado por Thaís Figueiredo @tinapalooza










