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Crítica | Eu e Você na Toscana é uma comédia romântica sem medo dos clichês

Longa estrelado por Halle Bailey e Regé-Jean Page transforma a Toscana em palco para um romance divertido e acolhedor 

Comédias românticas ambientadas na Itália parecem existir dentro de uma fórmula muito específica do cinema: paisagens ensolaradas, famílias barulhentas, comida irresistível e protagonistas emocionalmente perdidos tentando encontrar algum sentido para a própria vida. É um tipo de narrativa confortável justamente por abraçar o exagero e o escapismo sem vergonha alguma. E Eu e Você na Toscana (2026) entende perfeitamente esse apelo.

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Dirigido por Kat Coiro (Case Comigo, 2022), o longa acompanha Anna Montgomery (Halle Bailey), uma jovem que abandonou o sonho de se tornar chef de cozinha após a morte da mãe. Perdida entre decisões impulsivas e trabalhos temporários, ela vive cuidando de casas luxuosas em Nova York até ser demitida depois de fingir levar uma vida sofisticada usando pertences das clientes. 

Sem dinheiro, sem moradia e emocionalmente estagnada, Anna conhece o italiano Matteo Costa (Lorenzo de Moor) em uma noite regada a álcool, confissões e frustrações compartilhadas.

A conversa desperta nela algo que parecia enterrado há muito tempo: a vontade de recomeçar. Impulsivamente, Anna decide viajar para a Toscana usando suas últimas economias (literalmente 500 dólares) e acaba chegando justamente durante o maior festival da cidade, quando todos os hotéis estão lotados. 

Sem ter para onde ir, ela invade a casa vazia de Matteo acreditando que ninguém aparecerá por lá. O problema começa quando Gabriella (Isabella Ferrari) e a Nonna Alessia (Stefania Casini) surgem inesperadamente. Então, em meio ao nervosismo, Anna deixa escapar uma mentira que rapidamente toma proporções absurdas: a de que é a noiva de Matteo.

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Contudo, o verdadeiro caos começa com a chegada de Michael (Regé-Jean Page), filho adotivo da família Costa e irmão de Matteo. Antes mesmo de descobrirem quem realmente são dentro daquela confusão familiar, Anna e Michael já protagonizam um primeiro encontro digno de comédia romântica clássica: entre um quase atropelamento por um caminhão verde de procedência duvidosa e a perda da última schiacciata disponível, Anna conhece o homem que imediatamente parece destinado a acabar com seu tão idealizado “sonho italiano”. A implicância instantânea entre os dois rapidamente se transforma em uma dinâmica divertida e carregada de química, funcionando como o coração emocional da narrativa. 

A fórmula clássica das rom-coms 

Eu e Você na Toscana segue praticamente todos os clichês possíveis das comédias românticas, e talvez seja justamente por isso que funcione tão bem. O filme nunca tenta fugir da previsibilidade, nem transformar sua história em algo mais complexo do que realmente precisa ser. Kat Coiro entende exatamente o tipo de experiência que deseja entregar: uma narrativa leve, divertida e extremamente confortável, daquelas que parecem feitas para desligar a mente por algumas horas.

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A mentira criada por Anna vai se tornando cada vez mais caótica conforme a família Costa passa a abraçá-la como parte daquele núcleo familiar intenso, barulhento e exageradamente apaixonado. E quanto mais a situação sai do controle, mais divertida a narrativa se torna. A chegada de Matteo intensifica ainda mais esse caos, criando situações absurdas que abraçam completamente o espírito exagerado das rom-coms clássicas.

ItaliAnna, Toscana, caos e carboidratos 

Grande parte do charme do filme também está na maneira como a Toscana é utilizada não apenas como cenário, mas como elemento essencial da narrativa. Os restaurantes familiares, as pequenas ruas da cidade, os vinhedos, o festival local e toda a atmosfera acolhedora ajudam a construir aquele sentimento quase fantasioso, típico das comédias românticas ambientadas na Itália.

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A trilha sonora de John Debney também contribui significativamente para a construção dessa atmosfera acolhedora e escapista. As faixas românticas e os clássicos italianos, como Sarà Perché Ti Amo, de Ricchi e Poveri, reforçam a identidade do longa e ajudam a transportar o espectador para aquele imaginário apaixonadamente italiano que o filme busca construir. 

Já em um dos momentos mais generosos para os fãs de romance, Let Me Love You, de Mario, acompanha a aproximação emocional entre Anna e Michael com uma doçura que funciona sem soar exagerada. É uma seleção musical coerente, confortável e perfeitamente alinhada ao tom da obra. 

Existe também um contraste divertido entre os estereótipos italianos e norte-americanos explorados pelo roteiro. Os italianos falam alto, transformam qualquer discussão em um evento dramático e aproveitam cada oportunidade para fazer uma refeição em família com a mesa farta, enquanto Anna tenta sobreviver ao caos com a energia confusa de quem claramente não estava preparada para tanta intensidade. 

O filme sabe exatamente como utilizar esses exageros a favor da comédia. Mesmo sendo características bastante conhecidas dentro desse tipo de narrativa, elas funcionam porque o longa abraça o absurdo com sinceridade suficiente para tornar tudo carismático. 

Entre schiacciatas e provocações: eu, você e a química 

Regé-Jean Page (Bridgerton, 2020-presente) entrega exatamente o tipo de protagonista romântico que o público espera dele. Michael é charmoso, provocador e emocionalmente mais vulnerável do que aparenta inicialmente, funcionando como um contraponto interessante ao caos impulsivo de Anna. A dinâmica entre os dois sustenta o filme com enorme facilidade, especialmente porque a química entre Page e Bailey é convincente o bastante para fazer o romance funcionar mesmo dentro de uma estrutura extremamente previsível.

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Halle Bailey (A Pequena Sereia, 2023), inclusive, carrega boa parte da energia do longa. Sua Anna é espontânea, divertida e imperfeita na medida certa, evitando que a protagonista se torne irritante mesmo em meio às decisões questionáveis que toma ao longo da trama. Existe um carisma muito natural na atuação da atriz, principalmente nos momentos em que Anna tenta desesperadamente sustentar mentiras cada vez mais difíceis de controlar.

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Os personagens secundários também colaboram bastante para o sucesso da narrativa. Lorenzo (Marco Calvani), o simpático motorista de táxi fã de romance, rapidamente se transforma em uma presença acolhedora e divertida tanto para Anna quanto para o público. Enquanto Francesca (Stella Pecollo), irmã de Michael e Matteo, adiciona humor e energia sempre que aparece em cena. 

Foto: reprodução/Instagram @euevocenatoscana/Entretetizei

Claire (Aziza Scott), melhor amiga de Anna, funciona como o porto seguro emocional da protagonista. Mesmo acompanhando toda a confusão à distância – e sempre demonstrando sua preocupação através de ameaças e broncas bastante sinceras –, a personagem deixa evidente o carinho que sente por Anna. Além de render momentos engraçados no filme, Claire ajuda a equilibrar emocionalmente a narrativa ao representar o único vínculo da protagonista com a vida que deixou para trás. 

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Escapismo à moda italiana e a fórmula que ainda funciona 

Até mesmo os momentos em que o italiano falado pelos protagonistas soa carregado por um sotaque claramente estrangeiro acabam contribuindo para o charme do filme. Halle Bailey e Regé-Jean Page não convencem exatamente como italianos fluentes, especialmente quando comparados ao restante do elenco, mas Eu e Você na Toscana nunca esteve interessado em realismo absoluto. O longa funciona justamente porque aposta no exagero, carisma e conforto emocional que esse tipo de história proporciona.

Foto: reprodução/Cinépolis

No fim, Kat Coiro entrega uma comédia romântica que entende perfeitamente o próprio público. Eu e Você na Toscana não quer reinventar o gênero e nem precisa disso. Entre famílias caóticas, mentiras improváveis, paisagens apaixonantes e um romance construído através do clássico strangers to lovers, o filme encontra força exatamente na familiaridade de sua fórmula; transformando tudo isso em uma experiência divertida, charmosa e surpreendentemente acolhedora.

E vale um aviso importante para o público: não saia da sala assim que os créditos começarem. O filme reserva diversos takes extras de uma das cenas mais engraçadas da trama, com falas alternativas e improvisos do elenco que deixam tudo ainda mais divertido. É aquele tipo de encerramento leve que faz valer a pena ficar até a última risada. Eu e Você na Toscana estreia nos cinemas brasileiros em 14 de maio de 2026.

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Texto revisado por Kalylle Isse

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