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Entrevista | Entre nuances e verdade: Velson D’Souza revisita a própria trajetória ao encarar o desafio de Oleanna

Do humor das novelas infantis aos conflitos intensos do teatro contemporâneo, o artista fala sobre amadurecimento profissional e o desejo antigo de levar Oleanna aos palcos

Ao longo da carreira, Velson D’Souza construiu uma trajetória marcada pela versatilidade e pela capacidade de transitar entre diferentes linguagens sem perder a essência do trabalho artístico: a busca pela verdade em cena. Em entrevista ao Entretetizei, o ator relembra personagens que marcaram sua vida pessoal e profissional, como o apresentador Silvio Santos (1930 – 2024), papel que considera um divisor de águas pela responsabilidade de interpretar uma figura tão conhecida do imaginário popular. Outro destaque é Tommy DeVito, do musical Jersey Boys, trabalho que exigiu preparo físico, vocal e emocional intenso ao longo de uma montagem desafiadora.

Agora, Velson vive um dos momentos mais complexos da carreira ao interpretar John, protagonista da peça Oleanna. Segundo o ator, o personagem o obriga a lidar constantemente com ambiguidades e contradições, sem respostas fáceis ou zonas de conforto. O texto, que conheceu há mais de dez anos, permaneceu amadurecendo até que chegasse o momento certo de tirá-lo do papel. Mais do que um desafio de atuação, a montagem representa também um passo importante como produtor e alguém disposto a insistir no teatro mesmo diante das dificuldades estruturais do país.

Na conversa, o ator também reflete sobre as diferenças entre atuar na televisão e no palco, além da relação entre interpretação e ensino. Para ele, atuar e dar aulas partem do mesmo princípio. Seja em novelas infantis, produções bíblicas ou textos contemporâneos, o artista acredita que o público se conecta quando encontra identificação genuína nas histórias. E é justamente essa escuta constante, tanto do personagem quanto das pessoas, que segue guiando sua trajetória artística.

Entretetizei: Ao longo da sua trajetória, quais personagens mais te transformaram como ator e por quê?

Velson D’Souza: Alguns marcaram mais por momentos diferentes. O Silvio Santos, por exemplo, foi um divisor de águas. Pela responsabilidade de interpretar alguém tão conhecido e pelo desafio de humanizar uma figura que já existe muito no imaginário coletivo. O Tommy DeVito, em Jersey Boys, também foi muito importante. Talvez tenha sido o trabalho mais exigente até então, pela combinação de canto, dança e atuação ao longo de quase três horas, com uma estrutura muito precisa. E agora o John, em Oleanna, entra nesse lugar também, porque é um personagem que não se resolve fácil. Ele te obriga a sustentar contradições o tempo todo. Isso mexe muito com o ator.

Foto: divulgação/Instagram/@velson.dsouza
E: Existe alguma diferença essencial na forma como você constrói um personagem para a televisão em comparação com o teatro?

V: Sim, principalmente no tempo e no tipo de construção. Na televisão, muitas vezes você vai construindo o personagem ao longo do processo, com menos ensaio e mais no dia a dia de gravação. Então exige uma resposta mais imediata. No teatro, você tem mais tempo de investigação, de aprofundamento. E a construção precisa se sustentar ao vivo, de forma contínua, do início ao fim. Mas, no fundo, o princípio é o mesmo: buscar verdade e entender como aquele personagem pensa e se relaciona. 

E: Olhando para as novelas que você já fez, quais temas ou histórias você acredita que mais dialogaram com o público?

V: Acho que histórias que têm identificação direta. No caso das novelas infantis, tem um lugar de descoberta, de formação, que conecta muito com o público mais jovem. E o humor também ajuda a aproximar. Já nas produções bíblicas, tem um outro tipo de identificação, mais ligado a valores, fé, questões morais. São registros diferentes, mas todos tocam o público quando conseguem estabelecer uma conexão verdadeira com quem está assistindo. 

E: No seu trabalho atual no teatro, em Oleanna, o que o John te desafia a explorar de novo ou diferente em cena?

V: É um personagem cheio de contradições, que escapa o tempo todo de uma definição clara. Então o trabalho é sustentar essa ambiguidade sem tentar resolver. E também me exige um nível de precisão e escuta muito grande. É um texto onde cada palavra importa, e não tem onde se esconder. 

E: Você teve o primeiro encontro com o texto de Oleanna há mais de dez anos e só agora conseguiu tirá-lo do papel. Sabendo como é difícil fazer teatro no país, como foi pra você se manter firme nesse propósito?

V: Eu nunca tratei como algo imediato. Era um desejo que ficou ali, amadurecendo com o tempo. Eu sabia que, em algum momento, ia voltar para esse texto. E acho que tem também uma coisa de momento da vida. Hoje eu me sinto mais preparado para lidar com esse material, não só como ator, mas também como produtor. Fazer teatro no Brasil é desafiador, mas também passa por escolher o momento certo e reunir as condições para fazer acontecer. 

E: Entre atuar no teatro, na televisão e dar aulas, o que você pode dizer que essas três vertentes carregam de você?

V: Acho que todas passam por investigação. Mesmo quando estou dando aula, não é só sobre ensinar, é sobre investigar junto. Entender o processo. Na televisão, no teatro, é a mesma coisa. O que me move é essa tentativa de entender melhor o comportamento humano, as relações. São linguagens diferentes, mas o interesse é o mesmo. 

E: Você é um ator muito versátil, já atuou em novela infantil, bíblica e contemporânea, como fez para se preparar para cada uma delas?

V: No infantil, eu estava num núcleo cômico, então tinha um trabalho mais direto, mais aberto. No bíblico, é outro tempo, outro tipo de construção. E no contemporâneo, muitas vezes tem uma busca por um registro mais naturalista. A preparação passa por entender essas diferenças sem perder a verdade. Porque, no fim, o trabalho é sempre o mesmo: construir uma relação viva com aquilo que você está fazendo. 

O que acharam da entrevista? Ansiosas para assistir a peça? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Cinema Crítica

Crítica | Eu e Você na Toscana é uma comédia romântica sem medo dos clichês

Longa estrelado por Halle Bailey e Regé-Jean Page transforma a Toscana em palco para um romance divertido e acolhedor 

Comédias românticas ambientadas na Itália parecem existir dentro de uma fórmula muito específica do cinema: paisagens ensolaradas, famílias barulhentas, comida irresistível e protagonistas emocionalmente perdidos tentando encontrar algum sentido para a própria vida. É um tipo de narrativa confortável justamente por abraçar o exagero e o escapismo sem vergonha alguma. E Eu e Você na Toscana (2026) entende perfeitamente esse apelo.

Foto: reprodução/Cinema e Séries

Dirigido por Kat Coiro (Case Comigo, 2022), o longa acompanha Anna Montgomery (Halle Bailey), uma jovem que abandonou o sonho de se tornar chef de cozinha após a morte da mãe. Perdida entre decisões impulsivas e trabalhos temporários, ela vive cuidando de casas luxuosas em Nova York até ser demitida depois de fingir levar uma vida sofisticada usando pertences das clientes. 

Sem dinheiro, sem moradia e emocionalmente estagnada, Anna conhece o italiano Matteo Costa (Lorenzo de Moor) em uma noite regada a álcool, confissões e frustrações compartilhadas.

A conversa desperta nela algo que parecia enterrado há muito tempo: a vontade de recomeçar. Impulsivamente, Anna decide viajar para a Toscana usando suas últimas economias (literalmente 500 dólares) e acaba chegando justamente durante o maior festival da cidade, quando todos os hotéis estão lotados. 

Sem ter para onde ir, ela invade a casa vazia de Matteo acreditando que ninguém aparecerá por lá. O problema começa quando Gabriella (Isabella Ferrari) e a Nonna Alessia (Stefania Casini) surgem inesperadamente. Então, em meio ao nervosismo, Anna deixa escapar uma mentira que rapidamente toma proporções absurdas: a de que é a noiva de Matteo.

Foto: reprodução/AdoroCinema

Contudo, o verdadeiro caos começa com a chegada de Michael (Regé-Jean Page), filho adotivo da família Costa e irmão de Matteo. Antes mesmo de descobrirem quem realmente são dentro daquela confusão familiar, Anna e Michael já protagonizam um primeiro encontro digno de comédia romântica clássica: entre um quase atropelamento por um caminhão verde de procedência duvidosa e a perda da última schiacciata disponível, Anna conhece o homem que imediatamente parece destinado a acabar com seu tão idealizado “sonho italiano”. A implicância instantânea entre os dois rapidamente se transforma em uma dinâmica divertida e carregada de química, funcionando como o coração emocional da narrativa. 

A fórmula clássica das rom-coms 

Eu e Você na Toscana segue praticamente todos os clichês possíveis das comédias românticas, e talvez seja justamente por isso que funcione tão bem. O filme nunca tenta fugir da previsibilidade, nem transformar sua história em algo mais complexo do que realmente precisa ser. Kat Coiro entende exatamente o tipo de experiência que deseja entregar: uma narrativa leve, divertida e extremamente confortável, daquelas que parecem feitas para desligar a mente por algumas horas.

Foto: reprodução/Cabana Geek

A mentira criada por Anna vai se tornando cada vez mais caótica conforme a família Costa passa a abraçá-la como parte daquele núcleo familiar intenso, barulhento e exageradamente apaixonado. E quanto mais a situação sai do controle, mais divertida a narrativa se torna. A chegada de Matteo intensifica ainda mais esse caos, criando situações absurdas que abraçam completamente o espírito exagerado das rom-coms clássicas.

ItaliAnna, Toscana, caos e carboidratos 

Grande parte do charme do filme também está na maneira como a Toscana é utilizada não apenas como cenário, mas como elemento essencial da narrativa. Os restaurantes familiares, as pequenas ruas da cidade, os vinhedos, o festival local e toda a atmosfera acolhedora ajudam a construir aquele sentimento quase fantasioso, típico das comédias românticas ambientadas na Itália.

Foto: reprodução/AdoroCinema

A trilha sonora de John Debney também contribui significativamente para a construção dessa atmosfera acolhedora e escapista. As faixas românticas e os clássicos italianos, como Sarà Perché Ti Amo, de Ricchi e Poveri, reforçam a identidade do longa e ajudam a transportar o espectador para aquele imaginário apaixonadamente italiano que o filme busca construir. 

Já em um dos momentos mais generosos para os fãs de romance, Let Me Love You, de Mario, acompanha a aproximação emocional entre Anna e Michael com uma doçura que funciona sem soar exagerada. É uma seleção musical coerente, confortável e perfeitamente alinhada ao tom da obra. 

Existe também um contraste divertido entre os estereótipos italianos e norte-americanos explorados pelo roteiro. Os italianos falam alto, transformam qualquer discussão em um evento dramático e aproveitam cada oportunidade para fazer uma refeição em família com a mesa farta, enquanto Anna tenta sobreviver ao caos com a energia confusa de quem claramente não estava preparada para tanta intensidade. 

O filme sabe exatamente como utilizar esses exageros a favor da comédia. Mesmo sendo características bastante conhecidas dentro desse tipo de narrativa, elas funcionam porque o longa abraça o absurdo com sinceridade suficiente para tornar tudo carismático. 

Entre schiacciatas e provocações: eu, você e a química 

Regé-Jean Page (Bridgerton, 2020-presente) entrega exatamente o tipo de protagonista romântico que o público espera dele. Michael é charmoso, provocador e emocionalmente mais vulnerável do que aparenta inicialmente, funcionando como um contraponto interessante ao caos impulsivo de Anna. A dinâmica entre os dois sustenta o filme com enorme facilidade, especialmente porque a química entre Page e Bailey é convincente o bastante para fazer o romance funcionar mesmo dentro de uma estrutura extremamente previsível.

Foto: reprodução/Terra

Halle Bailey (A Pequena Sereia, 2023), inclusive, carrega boa parte da energia do longa. Sua Anna é espontânea, divertida e imperfeita na medida certa, evitando que a protagonista se torne irritante mesmo em meio às decisões questionáveis que toma ao longo da trama. Existe um carisma muito natural na atuação da atriz, principalmente nos momentos em que Anna tenta desesperadamente sustentar mentiras cada vez mais difíceis de controlar.

Foto: reprodução/Cinépolis

Os personagens secundários também colaboram bastante para o sucesso da narrativa. Lorenzo (Marco Calvani), o simpático motorista de táxi fã de romance, rapidamente se transforma em uma presença acolhedora e divertida tanto para Anna quanto para o público. Enquanto Francesca (Stella Pecollo), irmã de Michael e Matteo, adiciona humor e energia sempre que aparece em cena. 

Foto: reprodução/Instagram @euevocenatoscana/Entretetizei

Claire (Aziza Scott), melhor amiga de Anna, funciona como o porto seguro emocional da protagonista. Mesmo acompanhando toda a confusão à distância – e sempre demonstrando sua preocupação através de ameaças e broncas bastante sinceras –, a personagem deixa evidente o carinho que sente por Anna. Além de render momentos engraçados no filme, Claire ajuda a equilibrar emocionalmente a narrativa ao representar o único vínculo da protagonista com a vida que deixou para trás. 

Foto: reprodução/Instagram @euevocenatoscana/Entretetizei
Escapismo à moda italiana e a fórmula que ainda funciona 

Até mesmo os momentos em que o italiano falado pelos protagonistas soa carregado por um sotaque claramente estrangeiro acabam contribuindo para o charme do filme. Halle Bailey e Regé-Jean Page não convencem exatamente como italianos fluentes, especialmente quando comparados ao restante do elenco, mas Eu e Você na Toscana nunca esteve interessado em realismo absoluto. O longa funciona justamente porque aposta no exagero, carisma e conforto emocional que esse tipo de história proporciona.

Foto: reprodução/Cinépolis

No fim, Kat Coiro entrega uma comédia romântica que entende perfeitamente o próprio público. Eu e Você na Toscana não quer reinventar o gênero e nem precisa disso. Entre famílias caóticas, mentiras improváveis, paisagens apaixonantes e um romance construído através do clássico strangers to lovers, o filme encontra força exatamente na familiaridade de sua fórmula; transformando tudo isso em uma experiência divertida, charmosa e surpreendentemente acolhedora.

E vale um aviso importante para o público: não saia da sala assim que os créditos começarem. O filme reserva diversos takes extras de uma das cenas mais engraçadas da trama, com falas alternativas e improvisos do elenco que deixam tudo ainda mais divertido. É aquele tipo de encerramento leve que faz valer a pena ficar até a última risada. Eu e Você na Toscana estreia nos cinemas brasileiros em 14 de maio de 2026.

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Texto revisado por Kalylle Isse

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Por Você: tudo sobre a nova aposta das sete

Estrelada por Sheron Menezzes, Amaury Lorenzo, Alinne Moraes e Thiago Lacerda, nova novela das sete da TV Globo começa a ser gravada nesta semana no Rio de Janeiro

Nesta semana, começam as gravações das primeiras cenas de Por Você, próxima novela das sete da TV Globo, prevista para estrear no segundo semestre de 2026. As filmagens terão início com externas no Rio de Janeiro, onde a história se passa. 

Nos últimos dias, as equipes de produção e criação fizeram uma imersão no universo da obra junto com parte do elenco. Um dos pontos altos foi o workshop realizado nos Estúdios Globo, que marcou oficialmente o início dos trabalhos, promovendo encontros e reencontros, além de palestras de Cecília Pereira, médica especializada em ginecologia e mastologia, e de Ediane Ribeiro, psicóloga referência em trauma e regulação emocional – temas que dialogam diretamente com a trajetória da protagonista, Bela. Interpretada por Sheron Menezzes, a personagem é uma ginecologista e obstetra que, no início da história, perde a melhor amiga em um acidente de carro e precisa enfrentar a dor do luto enquanto tenta cumprir a última promessa que a fez nos minutos finais de vida.

Criada e escrita pela dupla de autores Dino Cantelli e Juliana Peres, que assina sua primeira obra, a novela terá direção artística de André Câmara e produção de Erika da Matta. Estão no elenco Amaury Lorenzo, Alinne Moraes, Thiago Lacerda, Lucy Ramos, Renata Sorrah, Antônio Pitanga, José de Abreu, Ana Rosa, Milhem Cortaz, Noemia Oliveira, Fernanda de Freitas, Paulo Vilhena, Cauê Campos, Laura Luz, Fabrício Assis, Kadu Spinola, Giovanna Grigio, Lucas Leto, Lívia Silva, Bia Santana, Inês Peixoto, Adanilo, Pietra Quintela, Rodrigo Lelis, Igor Jansen, Larissa Murai, Laura Chuff, entre outros.

Foto: divulgação/Instagram @sheronmenezzes
Amar é fazer escolhas: conheça a trama de Por Você 

Até onde é possível ir por alguém importante em sua vida? O quanto você estaria disposto a mudar de rota, assumir responsabilidades imprevistas e descobrir novos sentidos onde antes havia apenas certezas, pela memória de quem ama? Essas são as perguntas que atravessam a trajetória de Bela (Sheron Menezzes) e dos demais personagens de Por Você, próxima novela das sete da TV Globo. 

Ambientada em um Rio de Janeiro contemporâneo e plural, onde diferentes realidades se cruzam, a trama parte de um acontecimento trágico para narrar uma história de amor, amizade, entrega e transformação, na qual maternidade, família e afeto surgem de maneiras inesperadas, desafiando escolhas e destinos. 

Nascidas na Vila Maravilha, comunidade fictícia entranhada na zona sul do Rio de Janeiro, Bela e Juli (Lucy Ramos) cresceram como irmãs. Vizinhas desde a infância, viveram juntas a adolescência, dividiram sonhos e conquistaram a vida que desejavam, cada uma à sua maneira. Bela desafiou expectativas, rompeu barreiras sociais e se formou médica. Durante os anos de estudo, embora sempre muito focada, viveu uma intensa história de amor com Gabriel (Thiago Lacerda), interrompida quando aceitou uma residência em Londres. 

Ao retornar ao Brasil, encontra um passado que já não a espera, mas também uma carreira em franca ascensão, agora especializada em ginecologia e obstetrícia. Brilhante e obstinada, muda-se para a Lagoa, consolida sua independência e transforma a profissão no único foco de seus dias. Juli, por sua vez, permaneceu na Vila Maravilha e realizou o sonho da maternidade. Após o desaparecimento do marido, criou sozinha os quatro filhos em um cotidiano de resistência e muito afeto. 

Apesar das diferenças de percurso, a distância social nunca foi capaz de afastar as duas. Bela apoia Juli, incentiva sua formação profissional como técnica de enfermagem, e as amigas passam a compartilhar também o ambiente de trabalho. De um lado, Bela valoriza a própria liberdade e vive quase exclusivamente para a carreira, sem pensar em relacionamentos ou filhos; de outro, Juli se dedica integralmente à família. Até que, em um único instante, tudo se rompe. Em um acidente, Juli morre e deixa à amiga, que estava com ela no carro, um último pedido: que cuide de seus quatro filhos. A partir desse gesto, Por Você transforma a tragédia em ponto de partida para uma jornada de transformação.

Foto: divulgação/TV Globo

Após esse momento que muda o curso da vida da protagonista, a narrativa se desdobra em múltiplas tramas, todas conectadas por um mesmo eixo: os limites e a potência do amor. A história acompanha personagens que fazem renúncias e enfrentam dilemas em nome de quem amam, em situações que equilibram emoção, humor, romance e leveza. 

Além do desafio de assumir a criação de Peixe (Cauê Campos), Glorinha (Laura Luz), Ítalo (Fabricio Assis) e Samuca (Kadu Spinola), que carregam conflitos típicos de suas idades e o luto pela perda da mãe, Bela também enfrenta questões pessoais e profissionais. No Hospital e Maternidade Luz, vive em permanente embate com Vanessa (Alinne Moraes), médica anestesista não atuante e herdeira da instituição. O antagonismo entre as duas tem origem na infância: Vanessa é filha dos patrões; Bela, filha da empregada doméstica da família. Mas é na vida adulta que os conflitos se intensificam, colocando frente a frente visões opostas de mundo, poder e cuidado. 

No campo afetivo, a obstetra sente o despertar de uma paixão ao conhecer Lucas (Amaury Lorenzo), dedicado diretor pedagógico da escola onde estudam os filhos de Juli, mas se vê dividida entre esse novo sentimento e o amor do passado, Gabriel, em um triângulo amoroso que a aproxima, pouco a pouco, dos próprios sentimentos – algo a que, por muito tempo, escolheu renunciar.

À frente dessa história está a dupla Dino Cantelli e Juliana Peres, que assina em conjunto sua primeira novela após colaborar em outros projetos do canal. “A ideia de uma mulher que se torna mãe do dia para a noite, com a maternidade chegando repentinamente à sua vida, é o eixo central da novela. Bela é alguém que nunca sonhou em ser mãe, mas que, por amor e lealdade à memória de Juli, decide não deixar aquelas crianças desamparadas”, explica Dino. “A novela gira em torno da ideia do ‘por você’: histórias de dedicação profunda às pessoas que se ama. Essa entrega aparece em diferentes relações – entre pais e filhos, irmãos, sobrinhos, no trabalho e nas escolhas pessoais. Tudo fica abrigado sob esse grande tema”, acrescenta o autor.

Foto: divulgação/Vinícius Mochizuki

Diretor artístico da obra, André Câmara comenta o processo de construção visual da sinopse da dupla de autores. Em sua percepção, a ausência que marca o ponto de partida da trama não representa ruptura, mas continuidade do afeto. “O grande desafio da direção é traduzir esse texto tão bonito do Dino e da Ju para a imagem. A história começa quando a presença se transforma em ausência. Mas talvez o mais bonito dessa novela seja entender que essa ausência não é vazio. De algum modo, o luto é o amor insistindo em existir mesmo diante da falta. Essa ideia atravessa toda a obra: a dramaturgia, os personagens, a estética. Tudo nasce daquela amizade linda. E, a partir desse afeto fundador, a novela fala de memória, de amor, de comunidade, de reparação e de reconstrução”, destaca.

Entre os bairros da Lagoa e do Humaitá, onde estão o Hospital & Maternidade Luz, o Próspero Bar e o Bar do Clemente e, em suas cercanias que abrigam a comunidade da Vila Maravilha, a Escola Municipal Maria Firmina dos Reis, as academias de judô e dança e a feira livre, Por Você apresenta uma zona sul carioca onde diferentes mundos coexistem no mesmo horizonte, com igual relevância. Em sintonia com o compromisso da TV Globo de trazer narrativas que dialogam com o Brasil e o público, Por Você transforma os cenários em parte ativa da dramaturgia. Mais do que pano de fundo, os espaços refletem modos de viver, relações de pertencimento e redes de afeto, reforçando uma identidade contemporânea, reconhecível e plural. A obra amplia o olhar para além do Rio-cartão-postal e investe em um Brasil urbano, cotidiano, onde a cidade é apresentada a partir de sua vitalidade e potência humana. 

“Não abrimos mão da beleza do Rio de Janeiro, mas vamos além do cartão-postal. Nos interessa o Rio popular, contraditório e real. A comunidade onde vivem nossos personagens não é definida pela ausência, mas pela potência. É um espaço de gente que vive, que cuida uns dos outros, que tem humor e desejo de crescer, de estudar e de sonhar”, completa Câmara. É entre esses cenários que Bela tenta equilibrar carreira, amor e os desafios e aventuras da maternidade recente, descobrindo, aos poucos, que a promessa feita à amiga se transforma em um novo propósito de vida.

Produzida nos Estúdios Globo, Por Você é uma novela criada e escrita por Dino Cantelli e Juliana Peres, com colaboração de Cleissa Martins, Fausto Galvão, Mario Viana, Michel Carvalho e Natália Sambrini, e supervisão de texto de Glória Barreto. A obra tem direção artística de André Câmara, direção geral de Jeferson De e direção de Ana Paula Guimarães, Lúcio Tavares, Larissa Fernandes e Jully Irie. A produção é de Erika da Matta, a produção executiva de Lucas Zardo e a direção de gênero de José Luiz Villamarim. 

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

 

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Cultura asiática Livros Notícias

Um amor de despedida transforma luto e fantasia em romance emocionante sobre segundas chances

Adaptado para um K-drama de sucesso disponível no Brasil, livro de Seo Eun-chae mistura melancolia, amor e fantasia para refletir sobre perdas, despedidas e os laços que permanecem mesmo após a morte

A literatura sul-coreana ganha mais um destaque entre os leitores brasileiros com o lançamento de Um amor de despedida, romance de estreia da autora Seo Eun-chae, que chega às livrarias em maio pela Editora Intrínseca, uma das maiores e mais influentes editoras do país, conhecida por publicar sucessos internacionais e fenômenos da cultura pop. Misturando fantasia, drama e romance, a obra – que inspirou um K-drama de sucesso lançado em 2025 – mergulha em temas delicados como luto, culpa e a permanência do amor mesmo após a morte.

A trama acompanha Heewan, uma jovem marcada pela dor desde que perdeu Ramwoo, seu melhor amigo de infância e primeiro amor, em um acidente de carro que salvou sua vida. Seis anos depois da tragédia, ela vive isolada e consumida pela culpa, incapaz de seguir em frente. Mas tudo muda quando, de forma inesperada, encontra Ramwoo novamente sob uma cerejeira. Mais velho e misterioso, ele agora é um Ceifador, responsável por conduzir almas para o outro lado.

O reencontro, porém, traz uma notícia devastadora: Heewan tem apenas sete dias de vida. Para que sua passagem aconteça em paz, ela precisa pronunciar o nome de Ramwoo três vezes. Sem acreditar que merece tranquilidade após tudo o que viveu, a jovem resiste à ideia, enquanto o antigo amor tenta ajudá-la a enfrentar seus últimos dias criando uma lista de desejos que os dois deverão cumprir juntos.

Um amor de despedida
Foto: divulgação/instrinseca

Com uma narrativa não linear e múltiplas perspectivas, Seo Eun-chae constrói uma história sensível sobre as marcas deixadas pelas despedidas e os vínculos que continuam existindo além da morte. O romance aposta em uma abordagem acolhedora e humana do luto, equilibrando momentos de fantasia com reflexões emocionais sobre perda, memória e redenção.

Nascida em 1988 em uma cidade costeira da Coreia do Sul, Seo Eun-chae publicou suas histórias de forma independente na plataforma BritG antes de conquistar o público com Um amor de despedida. O sucesso da obra levou à adaptação televisiva produzida pela CJ ENM em 2025, com elenco estrelado e episódios disponíveis no Brasil pela plataforma Viki.

Com a publicação nacional feita pela Intrínseca, editora responsável por trazer ao Brasil diversos títulos asiáticos de sucesso, Um amor de despedida reforça o crescente interesse do público brasileiro pelas narrativas sul-coreanas, especialmente aquelas que unem emoção, fantasia e reflexões profundas sobre a vida.

Entre emoções intensas, nostalgia e delicadeza, Um amor de despedida promete conquistar fãs de romances melancólicos e produções coreanas que transformam dor em poesia.

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Texto revisado por Alexia Friedmann

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Cinema Entretenimento Notícias

Top Gun: veja vídeo inédito de bastidores em comemoração ao filme que completa 40 anos

Filmes serão relançados nos cinemas brasileiros em maio 

 

Está sentindo a necessidade de velocidade? Um vídeo divulgado nesta segunda-feira (11) traz membros do elenco de Top Gun: Maverick, como Miles Teller e Glen Powell, além de Tom Cruise, comentando a importância do primeiro longa e como foi participar do segundo. 

Top Gun: Ases Indomáveis e Top Gun: Maverick retornam aos cinemas em 13 e 14 de maio, respectivamente, e permanecem em cartaz por uma semana. A exibição é uma celebração do aniversário de 40 anos do lançamento do primeiro filme. “Eu tenho muito orgulho de ter feito o primeiro Top Gun e de ter tido a oportunidade de voltar e fazer de novo”, conta Tom Cruise em gravação inédita sobre o retorno de ambos os longas ao cinema. 

Foto: divulgação/Paramount Pictures

Assista ao vídeo: 

 

Top Gun: Ases Indomáveis mostra a competição pela posição de melhor piloto da classe de elite dos aviadores da marinha. Tom Cruise interpreta Pete Maverick Mitchell no filme de 1986, que marcou uma geração. 

Já o segundo longa mostra como, após mais de trinta anos de serviço como um dos melhores aviadores da marinha, Maverick se vê treinando formandos do Top Gun para uma missão especializada como nenhuma outra já vista por um piloto vivo. Enfrentando um futuro incerto e os fantasmas de seu passado, ele é levado a um confronto com seus medos mais profundos, culminando em uma missão que exige o sacrifício supremo daqueles que serão escolhidos para voá-la.

 

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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Música Notícias

ATARASHII GAKKO!, Gorillaz e Lily Allen lideram retorno de festival internacional a São Paulo

Após dois anos sem edições no país, o evento volta ao Autódromo de Interlagos com atrações internacionais, nomes da cena alternativa e promessa de novos anúncios para 2026

O Primavera Sound São Paulo está oficialmente de volta ao Brasil. Nesta segunda-feira (11), o festival divulgou o line-up da edição de 2026, que acontece nos dias 5 e 6 de dezembro, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Entre os principais destaques estão ATARASHII GAKKO!, Gorillaz, The Strokes, Lily Allen e FKA twigs, além de artistas que transitam entre o indie, pop alternativo, rap e música eletrônica.

O retorno do festival acontece após uma pausa desde 2023. Em 2024, todas as edições latino-americanas do evento foram canceladas devido a “dificuldades externas” e desafios enfrentados pela indústria de festivais, segundo comunicado divulgado pela organização na época.

Entre os nomes mais comentados da programação está o grupo japonês ATARASHII GAKKO!, conhecido pelas performances energéticas, estética colegial excêntrica e mistura de J-pop com experimentalismo. O quarteto faz uma das apresentações mais aguardadas da edição e reforça a proposta do festival de apostar em artistas alternativos e fenômenos da cultura pop global.

Primavera Sound São Paulo
Foto: reprodução/Primavera Sound São Paulo

Os headliners internacionais incluem ainda Gorillaz, que deve apresentar músicas do álbum The Mountain, e The Strokes, que chega ao Brasil com o aguardado disco Reality Awaits, previsto para junho. Já Lily Allen retorna ao país após 15 anos longe dos palcos brasileiros, enquanto FKA twigs traz ao festival sua mistura de música eletrônica, performance e dança contemporânea.

Além das atrações internacionais, o evento também terá forte presença brasileira, com shows de Duquesa, Gaby Amarantos, Johnny Hooker, Ana Frango Elétrico, Black Pantera, DJ Ramon Sucesso, Melly, Josyara e Zé Ibarra.

Confira alguns artistas confirmados no line-up:

  • ATARASHII GAKKO!
  • Gorillaz
  • The Strokes
  • Lily Allen
  • FKA twigs
  • Yung Lean
  • Cara Delevingne
  • Courtney Barnett
  • Machine Girl
  • Duquesa
  • Gaby Amarantos
  • Ana Frango Elétrico
  • Johnny Hooker
  • Black Pantera
  • Melly
  • DJ Ramon Sucesso

E vem mais aí! 

Quando começam as vendas?

Segundo a organização, os ingressos serão vendidos pela plataforma Ingresse, mas as datas de início das vendas e os valores ainda não foram divulgados oficialmente.

O festival também informou que novos artistas devem ser anunciados nas próximas semanas, além de eventos paralelos espalhados pela cidade de São Paulo durante o período do Primavera Sound.

 

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Texto revisado por Laura Maria Fernandes de Carvalho @lauramariaheart

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Entrevista Novelas

Entrevista | Kamila Amorim comenta início na atuação e fala sobre sua personagem em Coração Acelerado

A divertida Laurinha de Coração Acelerado deu uma entrevista exclusiva para o Entretê na qual fala sobre sua vocação, amizade com Isabelle Drummond e seu papel como protagonista em Leodegária

 

Kamila Amorim, atriz que dá vida à personagem Laurinha em Coração Acelerado, conversou com o Entretetizei e revelou sua paixão pela arte desde a infância. Vinda de uma família de artistas e mãe musicista, Kamila sempre sentiu que o âmbito artístico também seria seu caminho.

A atriz, que transita por áreas como artes visuais, dança e atuação, agora assume um novo desafio ao interpretar Laurinha, personagem que busca realizar seu sonho de ser artista. A goiana conta pra gente como é dar vida a essa personagem e enveredar para uma nova faceta artística, a de soltar a voz! Confira:

Foto: Reprodução/Globo

Entretetizei: Kamila, Coração Acelerado é sua primeira novela, mas está longe de ser o seu primeiro trabalho. Acredito que assim como a novela está sendo um divisor de águas na sua história, o seu primeiro papel também deve ter sido. Conte-nos um pouco do seu primeiro trabalho lá na infância. Qual foi o seu primeiro papel? Foi nesse momento que notou que queria seguir na atuação?

Kamila Amorim: A primeira peça que eu me lembro de ter feito na vida, eu devia ter menos de quatro anos, e foi uma protagonista na escola. Era uma peça religiosa, que eu estudava num colégio católico, e eu era o anjo perdido que guiava os Reis Magos até a manjedoura. Eu me lembro que a professora sussurrava as falas no meu ouvido. Essa peça eu até tenho fotos dela, que são das minhas fotos favoritas da infância; uso bastante para falar que eu já era atriz naquela época. Mas, apesar dessa familiaridade desde criança, eu considero trabalho mesmo aquilo que eu fiz depois que eu decidi que isso seria minha profissão. Eu via muitos filmes e sempre tinha um chamado muito grande para participar, então eu disse: cara, eu vou fazer isso agora ou vou fazer com 90 anos, mas não tem jeito, eu vou fazer”. Meu chamado está muito atrelado ao cinema.

E: Como está sendo viver Laurinha? Existe alguma semelhança entre a personagem e você ou a algum papel que já realizou?

Ka: Eu adoro a Laurinha, eu me divirto horrores dando vida a ela. Eu acho ela carismática, divertida, autêntica e leal. Não tem nenhum outro personagem que se parece com ela. Ela tem as próprias ideias, ela é boa, e as pessoas torcem muito para que ela consiga se desvencilhar do núcleo de vilania onde vive para realizar seus sonhos de ser artista. Eu me encontro com ela principalmente nessa lealdade, na ambição e no desejo de ser artista. Ela tem uma vulnerabilidade bonita e, embora seja uma grande ouvinte, ela também gosta de ser ouvida. Eu sempre encontro alguma semelhança com os personagens que faço, porque busco em mim os porquês que os fazem agir de determinada forma.

Foto: Divulgação/Manoella Mello/Rede Globo

E: Na novela sua personagem é a melhor amiga da Naiane, interpretada pela Isabelle Drummond. Como foi construir essa relação de amizade e cumplicidade com a Isabelle?

Ka: Para mim foi um presente maravilhoso ser amiga da Belle na vida real e amiga da Naiane como Laurinha. A Isabelle é uma atriz maravilhosa, uma profissional incrível e muito competente. A dinâmica com ela no set é sempre muito boa, e a gente até fala que dá saudade quando não fazemos cenas juntas. Eu a admiro muito, ela tem uma escuta ativa maravilhosa, atenção aos detalhes e é muito criativa. Construímos essa relação desde o começo, fazendo preparações juntas com o Diego. Nosso laço se estreitou muito no camarim, entre uma troca de cena e outra, onde sentamos e conversamos muito. Temos muito interesse na vida uma da outra e espero que essa amizade tenha vida longa.

Foto: Reprodução/Assessoria de Imprensa

E: Qual foi o maior choque cultural ou técnico que você sentiu ao pisar pela primeira vez nos estúdios da Globo para gravar a novela?

Ka: Eu cresci com a Globo muito presente no meu imaginário cultural. Quando cheguei, o principal choque foi a sensação de realidade: caramba, eles me trouxeram de Goiás para fazer uma novela com personagem fixo numa trama principal”. Andar no carrinho e ver tudo acontecendo foi realizar esse imaginário brasileiro. Tecnicamente, a estrutura me impressionou muito. A Globo parece uma cidadezinha com tudo resolvido: figurino, maquiagem, cidade cenográfica… O suporte técnico deles é de uma excelência que impressiona.

E: Coração Acelerado se passa em torno do universo da música sertaneja. Você, sendo natural de Goiás, sentiu que sua origem ajudou a trazer mais autenticidade para a construção de sua personagem?

Ka: Com certeza. Acho necessário que essas histórias sejam contadas por pessoas da região em que se passam, por conta do significado e da semiótica do “ser” de Goiás. Embora sertanejo não seja o primeiro estilo da minha vida – venho de uma família de artistas e minha mãe é musicista –, ele faz parte do cotidiano em Goiânia. O sotaque e o jeito de ser são enraizados. Minhas maiores referências para a Laurinha foram as mulheres da minha família e minhas amigas, que são essas mulheres goianas fortes.

Foto: Reprodução/Assessoria de Imprensa

E: Você é uma artista completa, já chegou a comentar que gosta de explorar diferentes linguagens e referências criativas. A sua personagem canta. Você pretende também enveredar para o lado do canto? Se lançar na música ou atuar em musicais?

Ka: Eu sempre fui apaixonada por arte: atuo, danço, luto e sou envolvida com artes visuais. O canto era o que eu menos tinha desenvolvido tecnicamente, embora minha mãe tenha me dado uma ótima noção musical. Com a novela, o feedback do público tem sido incrível e isso acende uma chaminha no coração para fazer mais disso. Quando a gente se sente validado, tem vontade de explorar mais, e a resposta das pessoas tem sido uma grande validação para mim nessa área.

E: Você está se preparando para mais um marco em sua biografia, viver sua primeira protagonista no longa-metragem Leodegária. Conte-nos um pouco sobre esse novo projeto e sua nova personagem.

Ka: Leodegária foi uma mulher maravilhosa que foi apagada da história. Ela foi a primeira mulher a publicar um livro em Goiás, muito antes da Cora Coralina. Esse filme é um trabalho de resgate dessa memória, falando sobre questões raciais e o brilhantismo dela como escritora. Ela falava vários idiomas e escrevia lindamente. O filme propõe um enredo mais feliz para uma história que deveria ter sido feliz. Eu me sentia muito preparada para esse protagonismo e estou curiosa para que todos conheçam essa história.

Foto: Reprodução/Assessoria de Imprensa

E: Para finalizar, além do longa Leodegária, existem outros projetos em andamento ou em vista? Quais novas versões da Kamila poderemos ver vindo por aí?

Ka: Minha carreira está só começando. Estou muito animada para entregar cada vez mais versões minhas para o público. Tenho recebido alguns convites, mas ainda não bati o martelo em nada porque estou focada em entregar esta novela com todo o meu coração. Quero ver os resultados desse trabalho antes de fechar a agenda com afinco. A única coisa certa por enquanto é uma Eurotrip! Assim que finalizar a novela, vou ver um pouco do mundo antes do próximo trabalho.

E: Obrigada, Kamila! E muito sucesso sempre! Amamos te assistir em Coração Acelerado e estamos ansiosas por seus novos projetos. Boa Eurotrip! <3 

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Texto revisado por Alexia Friedmann

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