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Foto: reprodução/Editora Jangada

A Dança da Serpente conecta Inquisição e Ditadura Militar no cenário de Minas Gerais

Paulo Stucchi cria uma ficção contemporânea em seu livro, falando sobre a trajetória de Luzia Pinta, mulher escravizada e condenada pela Inquisição

O autor finalista do Prêmio Jabuti 2024, Paulo Stucchi, se prepara para lançar A Dança da Serpente, livro em que o mesmo cria um romance histórico mesclado com ficção contemporânea, no qual as vidas das gêmeas Cléo e Clarice se encontram com a de Luzia Pinta.

Ditadura e Brasil colonial se mesclam

A obra, que vai ser lançada pela Editora Jangada – um dos selos do Grupo Editorial Pensamento – traz duas narrativas separadas por quase dois séculos e marcadas pela perseguição às mulheres com dons espirituais e de cura.

O local escolhido é Sabará, em Minas Gerais, e conecta o Brasil colonial do século XVIII ao país sob o Regime Ditatorial Militar, em meados dos anos 1970.

Os tambores haviam voltado a soar. Mais forte, mais alto. Clarice ficou em pé e caminhou em direção ao centro do terreiro. Mantinha os olhos fechados e andava como se flutuasse. As duas mulheres (de cuja presença eu havia me esquecido) abriram os cestos de vime e os aproximaram de Clarice. Inclinando-se, ela enfiou os braços em ambos e, quando voltou a erguê-los, exclamações uníssonas ecoaram por todos os cantos. Ao redor de seus braços, duas serpentes deslizavam em direção ao seu rosto. Pareciam bailar ao som dos tambores.”

Foto: reprodução/Editora Jangada

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Luzia Pinta, escravizada angolana condenada pela Inquisição

Em uma das linhas temporais, A Dança da Serpente acompanha a história de Luzia Pinta, uma mulher real. Luzia foi escravizada e trazida ao Brasil, para Minas Gerais. Comprou sua alforria de seus “senhores”, João e Manuel Pinto Dias, passando a viver em seu próprio terreno, em Sabará.

Nos calundus, ela fazia divinações e práticas terapêuticas nestes rituais de origens ambudas e bacongas, nos quais cheirava os doentes para descobrir suas doenças e fabricava remédios usando farinha e raízes de pau-santo, entre outras plantas. 

Como foi denunciada à Inquisição com a acusação de praticar rituais diabólicos em 1739, ela foi deportada para Lisboa e condenada pelo Tribunal do Santo Ofício. Em 1742, Luzia foi presa e morreu em degredo, sem que saibamos como e onde aconteceu. 

Foto: reprodução/Editora Jangada
As gêmeas que herdaram dons espirituais

Na outra linha temporal, ambientada em 1977, o foco está nas irmãs gêmeas Cléo e Clarice, ligadas desde a infância por uma conexão espiritual incomum e por estranhos dons.

Após uma tragédia, Cléo foge da cidade, tentando negar os dons herdados das mulheres de sua família. Onze anos depois, ela retorna para reencontrar Clarice, que se destacou como a Sacerdotisa de Sabará, reunindo seguidores e despertando o temor das elites mineiras em plena Ditadura Militar. O reencontro força Cléo a confrontar seu passado traumático e buscar respostas para uma herança espiritual que atravessa gerações.

A Dança da Serpente investiga como o medo do desconhecido, em diferentes épocas, levou à marginalização e à punição de mulheres que desafiaram estruturas religiosas, políticas e sociais.

Com uma narrativa crua, forte e comovente, Stucchi intercala ficção e fatos históricos para mostrar as vidas dessas mulheres, cruzando um destino que as une pelos séculos em uma grande revelação.

O autor descreve um mundo patriarcal que insiste em temer e punir mulheres fortes que são perseguidas por carregarem “a chama do sagrado” dentro de si, ao mesmo tempo que dialoga com a misoginia e o feminicídio dos tempos atuais.

Foto: reprodução/Editora Jangada
Sobre o autor

Paulo Stucchi é jornalista e psicanalista. Ele trabalhou como jornalista em revistas e jornais impressos, tornando-se editor, por 13 anos, de uma publicação segmentada para o setor gráfico. Divide seu tempo entre o trabalho como assessor de comunicação e sua paixão pela literatura, principalmente por romances históricos. 

É autor das obras Um de Nós foi Feliz (2022), No Fundo do Rio (2021), Menina – Mitacuña (2013), A Filha do Reich (2019), finalista do Prêmio Jabuti 2020, e O Homem da Patagônia, finalista do Prêmio Jabuti 2024.

Sobre o Grupo Editorial Pensamento

“Mais que livros, inspiração!”, este é o lema do Grupo Editorial Pensamento, que publica livros, desde 1907, para um mundo em constante transformação. A aposta é em obras reflexivas e pioneiras. Em busca desse objetivo, construíram uma das maiores e mais tradicionais empresas editoriais do Brasil. 

Hoje, o Grupo é formado por três selos: Pensamento, Cultrix e Jangada. O grupo possui em catálogo aproximadamente dois mil títulos, publicando cerca de oitenta lançamentos ao ano. Ao longo de sua trajetória, o Grupo Editorial Pensamento aposta em mensagens que procuram expandir o corpo, a mente e o espírito. Mensagens que emanam energia positiva e bem-estar, que equilibram o ser e transformam o mundo.

Ficou curioso para saber como a história dessas três mulheres se entrelaça? Conta para a gente nas nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e, se gosta de trocar experiências literárias, venha participar do Clube de Leitura do Entretê para conversar sobre leituras incríveis. 

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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