Cultura e entretenimento num só lugar!

Fonte: reprodução/ achona

De Closer ao filtro de cachorro do Snapchat: por que 2016 virou o ano mais lembrado da cultura pop, e por que a gente só percebeu isso agora?

As músicas que a gente ouvia no fone do celular, os filtros do Snapchat, os filmes que davam treta no Twitter e as séries que a gente fingia que odiava, mas não perdia um episódio

Se você abriu o TikTok ou o Instagram nos últimos dias, já percebeu: 2016 voltou com força total. Fotos em baixa qualidade, vídeos com moldura rosa e gente confessando que sente saudade até das legendas toscas que colocava nas fotos do Tumblr. Mas não é só um flashback estético: a real é que todo mundo está começando a entender que aquele ano foi especial de um jeito difícil de repetir.

Estamos em 2026. Já passaram dez anos desde que a gente ouvia Work, da Rihanna, no ônibus, fazia coração com a mão para o Justin Bieber em Love Yourself, surtava com o erro do Oscar entre La La Land e Moonlight, e usava filtro de cachorrinho no Snapchat como se fosse o auge do glamour. A cultura pop estava em modo turbo, os fandoms estavam sedentos e o K-pop começava a deixar de ser nicho para virar tópico de grupo da escola.

O mais doido é que 2016 não parecia tão especial na época. A gente só estava vivendo. Mas agora, olhando para trás, fica óbvio: o ano teve hits que grudaram no ouvido, filmes que deram o que falar, séries que organizaram nossa rotina e trends que hoje parecem quase vintage. É como se tudo tivesse acontecido na velocidade certa, o suficiente pra marcar.

As músicas que todo mundo ouviu até cansar (e depois ouviu mais um pouco)

2016 foi o ano em que a gente ainda fazia download para ouvir música no celular, porque o 3G não dava conta. E, mesmo assim, as músicas estavam em todo lugar: nas caixas de som da escola, nas versões acústicas mal gravadas do YouTube, nos edits dramáticos que todo fã de K-pop ou de casal de série adolescente já fez.

Rihanna lançou ANTI e simplesmente redefiniu o que era ser pop. Work virou hino com aquele refrão enrolado que todo mundo fingia que entendia. Needed Me e Love on the Brain mostraram que ela não estava mais ali só para fazer número 1. Enquanto isso, Adele parava o mundo com Hello, música de chorar no banho mesmo quando nada estava acontecendo.

Drake ficou meses no topo com One Dance e Hotline Bling, que ganhava dancinha, paródia e remix. Ele era o dono do som ambiente de 2016. Já o Justin Bieber deixava o cabelo platinado, virava meme por respiração e entregava uma sequência de faixas em Purpose que estavam em todos os rankings, rádios e vídeos de casal no YouTube. Sorry, Love Yourself, What Do You Mean… não tinha pra ninguém.

Ariana Grande entrava na era Dangerous Woman com figurino, atitude e vocais que até quem não curtia pop tinha que respeitar. E, enquanto isso, The Chainsmokers e Halsey colavam na cabeça com Closer, que virou a trilha de fundo oficial do Instagram Stories de todo mundo que tinha um coração partido.

No K-pop, BTS explodia com WINGS, com Blood Sweat & Tears, deixando todo mundo intrigado com teorias e MVs que pareciam filme. TT, do TWICE, começava a viralizar fora da Coreia e BLACKPINK fazia o debut com Boombayah e Whistle, entregando tudo já na estreia.

Outros nomes que dominaram o fone de ouvido: 7 Years, do Lukas Graham, Pillowtalk, do Zayn, Starboy, do The Weeknd, This Is What You Came For, do Calvin Harris com a Rihanna de novo, Cheap Thrills, da Sia, Stressed Out, do Twenty One Pilots… se você viveu esse ano, com certeza ouviu todos, mesmo sem querer.

Os filmes que causaram briga, crush e crise existencial

2016 foi um daqueles anos em que dava para sair do cinema, abrir o Twitter e ver que já tinha gente surtando, explicando, xingando ou defendendo um filme com unhas e dentes. Era a época em que ver um filme era só o começo,  o verdadeiro entretenimento começava nos comentários, nas tretas de opinião e nas threads com emojis de alerta e caps lock.

Começando pelo caos: o Oscar de 2016 virou história antes mesmo de a cerimônia acabar. La La Land foi anunciado como vencedor de Melhor Filme, o elenco subiu no palco, agradeceu, e só depois descobriram que o prêmio era, na verdade, de Moonlight. Foi confuso, constrangedor e virou meme eterno. O mais doido é que os dois filmes representavam lados opostos: um musical nostálgico com Emma Stone e Ryan Gosling todo em tons pastel, e um drama indie, íntimo e potente, que falava de identidade de um jeito que a academia raramente reconhecia.

Mas 2016 não foi só cinema-cabeça. Foi também o ano em que Deadpool chegou com um marketing agressivo e zoeiro que quebrou tudo. O filme era +18, cheio de piadas internas, metalinguagem e cenas que faziam qualquer fã de super-herói rir alto. Enquanto isso, o universo DC tentava se estabelecer com Batman v Superman, que dividiu o mundo entre “genial” e “horrível”, e Esquadrão Suicida, que foi massacrado pela crítica, mas arrasou na bilheteria e virou referência de figurino (a Arlequina, da Margot Robbie, estava em 10 entre 10 fantasias de Halloween naquele ano).

O universo Marvel, claro, entregou um dos filmes mais falados do estúdio: Capitão América: Guerra Civil. O mundo estava dividido entre #TeamCap e #TeamIronMan, e até quem não ligava para herói entrou na discussão. Foi o tipo de filme que rendeu fanfic, camisetas, debates e edits no Tumblr, com I Found, da Amber Run, de trilha sonora.

Entre os mais fofos, Zootopia surpreendeu geral. O filme animado parecia simples, mas fez todo mundo refletir sobre preconceito, sistema e empatia usando coelhinhos e raposas. Já Procurando Dory entregou o combo nostalgia + emoção e fez todo mundo querer reencontrar a própria infância. Moana também estreava e apresentava uma nova princesa da Disney, sem príncipe, com muito carisma e músicas grudentas (Saber Quem Sou tá tocando na sua cabeça agora, né?).

Também teve sci-fi cabeça com A Chegada, com a Amy Adams falando com alienígenas usando linguagem visual e mexendo com a linha do tempo, deixando muita gente saindo do cinema meio confusa e tentando entender se o filme era sobre ET ou sobre maternidade. Rogue One, da saga Star Wars, também causou: era sombrio, triste, bonito, e entregava um final que ninguém esperava. Mesmo quem não era fã da franquia saiu impactado.

E, no meio disso tudo, Como Eu Era Antes de Você fazia adolescentes chorarem com a história de amor entre a Emilia Clarke e o Sam Claflin, com aquela trilha de Photograph, do Ed Sheeran. Muita gente assistiu, se emocionou, passou raiva e foi atrás do livro no dia seguinte.

As séries que organizaram a nossa semana (e o nosso Twitter)

Antes dos algoritmos decidirem tudo, existia um tempo em que as séries eram assistidas por todo mundo ao mesmo tempo. Em 2016, o streaming já existia, mas o episódio da semana ainda mandava no calendário. Tinha série que virava evento, episódio que parava o Twitter e fandom que criava código próprio. E quem perdia um dia, perdia o assunto.

A maior estreia do ano foi sem dúvida Stranger Things. Lançada quase de surpresa pela Netflix, a primeira temporada conquistou geral com crianças nerds, Demogorgon e aquela estética 80s que fez todo mundo querer andar de bicicleta e ouvir synthpop. A Millie Bobby Brown virou ícone com o look careca + camisa florida + waffles, e a gente começou a desconfiar que a Netflix estava vindo com tudo.

Enquanto isso, Game of Thrones ainda era a maior série do mundo. A sexta temporada trouxe a tão esperada “Batalha dos Bastardos” e o momento em que a Cersei (de vestido preto icônico) explodia tudo, virando meme, gif e reação padrão para quem estava com raiva. Cada episódio novo era um campo de guerra no Twitter: ou você assistia junto, ou ficava no vácuo, porque ninguém queria tomar spoiler por pena.

No mundo teen, Pretty Little Liars já tinha perdido o rumo fazia tempo, mas ninguém conseguia largar. A cada semana, uma nova teoria maluca surgia sobre quem era A, e a timeline era tomada por prints, zooms, piadas internas e frases tipo “já cansei dessa série”,  mas todo mundo voltava no episódio seguinte. The Vampire Diaries também tava nos seus últimos suspiros, mas ainda rendia choro, ship e fanfic.

American Horror Story teve uma temporada bem fora da curva, a Roanoke, que dividiu opiniões, mas pelo menos entregou sustos e sangue como prometido. Já How to Get Away with Murder fazia o pessoal surtar com os plot twists da Viola Davis, que tava simplesmente entregando aula de atuação toda semana. E quem curtia algo mais leve, mas com representatividade, ainda acompanhava Jane the Virgin e The Fosters, que estavam sempre nos favoritos do Tumblr.

Séries como Grey’s Anatomy e The Walking Dead estavam longe do auge, mas ainda tinham público fiel. Supernatural seguia existindo como uma entidade imortal, Teen Wolf entregava criaturas bizarras com elenco bonito, e Skam, a série norueguesa que pouca gente conhecia em 2016, começava a ser descoberta por alguns fandoms que juravam que era a nova revolução teen.

Assistir série nessa época significava mais do que ver episódios. Era acompanhar tags no Twitter, discutir no grupo, baixar reaction gifs e seguir perfis com teorias. Era uma experiência coletiva e, se hoje tudo é dropado de uma vez, em 2016 a gente ainda sabia esperar.

A moda e os apps que definiram o feed (e a vida) em 2016

Em 2016, estilo era algo construído na base do improviso. Ninguém falava em “aesthetic” como estratégia. As pessoas só vestiam o que viam no Tumblr, tiravam foto na frente do espelho com flash estourado e postavam com filtro do VSCO. Era a era das camisetas largas, calça jeans de cintura alta, tênis branco da Adidas e jaquetas bomber que todo mundo jurava que era vintage, mas comprava no shopping mesmo.

O Tumblr ainda era o oráculo visual da geração. Lá nasciam as ideias de look do dia, o conceito de “grunge suave”, os fundos com frase em Helvetica branca e a estética de fotos meio lavadas com Starbucks na mão. As meninas postavam fotos de delineado gatinho, chokers de plástico, batom escuro da quem disse berenice? e um moletom do boy (ou fingindo que era). Tudo isso com o título da música Sweater Weather em algum lugar.

@swipetoseemore

#fyp #xyzbca #tumblraesthetic #2016 #tumblrgrunge

♬ Ghost face – ⨂RAIN MISTTT⨂

No Instagram, o feed ainda era cronológico e isso mudava tudo. O que valia era a vibe do momento, não o número de curtidas. Gente usava filtro Valencia, Aden e Lark como se fosse edição profissional. E ainda tinha o hábito de colocar a @ de quem tirou a foto na legenda, porque isso era etiqueta.

@_breandkay_

You and me it’s more that a hundred miles #2016 #vibe #2016filter #sisters #viral

♬ Hundred Miles – YALL

Mas quem realmente dominava era o Snapchat. O filtro de cachorro era praticamente documento de identidade visual. Toda selfie passava por ele, às vezes até com o emoji de coração na bochecha. Vídeos com legenda branca e emojis viravam forma de flertar, mandar indireta ou só mostrar o que estava comendo. A galera usava Bitmoji, trocava “streaks” como se fosse tarefa séria e surtava quando alguém perdia o número de dias de troca.

No meio disso tudo, o VSCO ainda era app de filtro, não de rede social. As edições com o C1, A6 ou HB2 davam aquele ar “arrumado sem querer” nas fotos de Starbucks, coturno, céu nublado e tênis no meio-fio. E o Twitter, claro, seguia sendo o espaço do caos controlado: memes, reclamações da escola, surtos por série e indiretas com letra minúscula e sem pontuação.

2016 foi o ano em que a gente não pensava se o look combinava com o grid. O foco era parecer estilosa de um jeito descomplicado. Se tivesse uma luz boa, um espelho, uma jaqueta jeans e uma pose meio sem graça com o celular na frente do rosto, já era conteúdo de qualidade.

Trends que viralizavam sem filtro nem planejamento

Se hoje tudo parece ter que virar trend forçada, com roteiro, luz e dancinha coreografada, em 2016 era diferente. As trends simplesmente surgiam. Um dia ninguém conhecia; no outro, estava todo mundo fazendo, replicando, remixando, e ninguém sabia quem começou.

Começando pelos desafios aleatórios que dominaram a internet: o Mannequin Challenge parava salas inteiras, corredores da escola, grupos de amigos no shopping e até famosos. Todo mundo congelava e tocava Black Beatles, do Rae Sremmurd, ao fundo. Simples, barato, genial. Outro que estourou foi o Running Man Challenge, com a música My Boo, que fazia geral sair correndo e dançando do nada no meio de qualquer lugar.

Os memes também estavam no auge. Why You Always Lying, Damn Daniel, Cash Me Ousside Howbow Dah, Pepe the Frog e os edits com Vine energy dominaram o Twitter, o Tumblr, o YouTube e qualquer lugar com conexão.

Teve também a era dos vídeos em formato quadrado, com legenda em cima e embaixo, quase sempre com a música Panda, do Desiigner, de fundo ou com remix de Work From Home, do Fifth Harmony. Eram vídeos de “relatable content” que hoje seriam considerados meio cringe, mas, na época, bombavam no Facebook e nos canais de humor.

Falando em humor, o YouTube Brasil vivia o boom de Felipe Neto, Whindersson Nunes, Christian Figueiredo, Jout Jout, Kéfera e os “Desafio Chubby Bunny” com os amigos. Vídeos de “resposta ao ask”, tour pelo quarto, “se arrume comigo” e “minha rotina escolar” estavam no auge. A cultura de vlogger moldava tudo, do jeito de falar ao jeito de se vestir.

Em 2016, as trends vinham com gírias que todo mundo usava até cansar: “mitou”, “crush”, “deu ruim”, “topzeira”, “meta é ser feliz”, “inshalá” e o icônico “meu deus do céu”. No Facebook, páginas como Indiretas para Crush, Razões para Acreditar e os grupos de memes eram tipo clube secreto. No Twitter, quem tweetava com “— eu, com certeza” ou “se for pra desistir, desiste de ser trouxa” já era considerado filósofo contemporâneo.

O mais curioso é que a maioria dessas trends não foi feita para durar. E, mesmo assim, aqui estamos, em 2026, revivendo cada uma com uma saudade que parece mais viva agora do que na época. Porque ninguém sabia que estava fazendo história com um filtro de cachorro no rosto e uma música do Bieber de fundo… mas estava.

Do que mais você sente falta de 2016? Compartilhe com a gente nas redes sociais do Entretê – Facebook, Instagram e X – e nos siga para ficar por dentro de todas as novidades do mundo do entretenimento e da cultura.

 

Leia também: 15 séries para quem ama maratonar dramas adolescentes durante as férias – Entretetizei

 

Texto revisado por Kaylanne Faustino

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Acesse nossa política de privacidade atualizada e nossos termos de uso e qualquer dúvida fique à vontade para nos perguntar!