A autora possui diversas falas transfóbicas, e chegou a ficar de fora do reencontro de 20 anos de Harry Potter após desaprovação do elenco
Durante mais de uma década, o nome J.K. Rowling foi sinônimo de magia, esperança e representatividade. A autora da saga Harry Potter, que marcou uma geração, escreveu sobre um dos universos literários mais amados do século. Seus livros venderam mais de 500 milhões de cópias, foram traduzidos para dezenas de idiomas e ganharam adaptações para o cinema que também se tornaram sucesso de público.
Mas, a partir de 2019, o brilho da imagem de J.K., que era adorada de forma quase unânime, começou a ser ofuscado por um novo capítulo, que transformou a autora em uma das figuras mais controversas do debate público: suas declarações envolvendo identidade de gênero, consideradas transfóbicas por muitas pessoas, fizeram com que ela construísse uma nova imagem e movimentasse um diálogo entre arte, autor e público.
A ascensão de Harry Potter
Rowling tornou-se um símbolo clássico de superação. Escrevendo Harry Potter e a Pedra Filosofal em cafés enquanto enfrentava dificuldades financeiras e pessoais, lançou o primeiro livro em 1997 e a saga se tornou um sucesso instantâneo. Ao longo dos sete livros seguintes, acompanhados de adaptações para o cinema, peças de teatro, parques temáticos e produtos licenciados, a história se tornou um produto extremamente lucrativo.
Um dos motivos da saga manter um legado tão sólido se deve ao fato de que a obra não se restringe apenas ao entretenimento: amizade, o enfrentamento de regimes autoritários e o direito de ser diferente sempre estiveram presentes na obra.
Sendo assim, quando, em 2019, J.K. Rowling começou a publicar em suas redes sociais uma série de comentários criticando o uso de linguagem neutra e o reconhecimento de mulheres trans como mulheres, chocou todos os Potterheads. Uma de suas primeiras grandes polêmicas foi a defesa pública de Maya Forstater, uma pesquisadora britânica que perdeu o emprego após fazer declarações discriminatórias contra pessoas trans. Desde então, a autora passou a se posicionar com frequência sobre o tema, afirmando defender os direitos das mulheres cis e a definição biológica de sexo.
Em uma de suas declarações mais recentes a escritora celebrou a decisão da Suprema Corte do Reino Unido que estabeleceu que ser mulher é definido pelo sexo biológico, chegando a postar uma foto no X bebendo e fumando um charuto. Na legenda ela escreveu: “Adoro quando um plano dá certo”.

Suas postagens especialmente no X (antigo Twitter) geram uma onda de críticas. Grupos LGBTQIAPN+ acusam a autora de usar sua influencia para promover ideias que reforçam discriminação e exclusão de pessoas trans, comunidade que já enfrenta altos índices de violência e vulnerabilidade.
Reações dentro e fora do mundo de Harry Potter
As reações vieram de todos os lados, inclusive de dentro da própria franquia que ela criou. Diversos atores dos filmes se manifestaram publicamente contra as opiniões da autora. Emma Watson (Hermione) e Rupert Grint (Rony) expressaram solidariedade à comunidade trans e se distanciaram das opiniões de Rowling, assim como Daniel Radcliffe, que publicou um comunicado afirmando:
“As mulheres trans são mulheres. Qualquer declaração em contrário apaga a identidade e a dignidade das pessoas trans e vai contra os conselhos dados pelas associações de profissionais de saúde”, disse o ator que deu vida a Harry Potter nos cinemas.
Após as declarações dos protagonistas da saga, Rowling chegou a dizer nas redes sociais que possuía “três grandes arrependimentos”, o que levou o público a interpretar que ela falava sobre os três atores.
Apesar das críticas, a escritora manteve sua postura, publicou um ensaio em seu site, e escreveu sobre esses temas em suas obras, como no romance Troubled Blood (2020), que lançou com o pseudônimo Robert Galbraith, livro que também gerou polêmica por retratar um assassino que se disfarça de mulher.

Separar a obra do autor?
O debate em torno de J.K. Rowling evidencia uma das discussões mais difíceis da cultura atual: é possível ou ético separar a obra do autor? Milhares de fãs cresceram com Harry Potter, e muitos fazem parte justamente das comunidades que se sentiram mais atingidas pelas declarações da autora. Assim, surge um dilema que mistura memória afetiva e ideais.
Alguns fãs tentam ressignificar o universo de Hogwarts, se distanciando da figura da autora; outros preferem se afastar completamente do legado da série, enquanto há ainda quem continue consumindo os produtos da franquia, mesmo desaprovando as opiniões pessoais de Rowling.
Suas falas e atitudes são amplamente desaprovadas, algo que ficou ainda mais claro quando ela não foi convidada para o reencontro do elenco promovido pela MAX, que celebrava os 20 anos da estreia da franquia nos cinemas em 2022.
Toda a polêmica também levanta questões sobre liberdade de expressão e a responsabilidade de figuras públicas. No entanto, para muitos as declarações da autora não são simples opiniões pessoais, mas contribuem para discursos de ódio que tem impacto real e direto na vida de pessoas trans.
Hoje, J.K. Rowling permanece uma das autoras mais lidas e conhecidas do mundo, mas seu nome deixou de ser visto com bons olhos por muitos. O universo mágico que construiu continua vivo na cultura pop, com novas produções ganhando vida até hoje, como a série Harry Potter baseada em seus livros que tem estreia prevista para 2026.
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Texto revisado por Alexia Friedmann










