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Foto: reprodução/Rodrigo Lopes

Entrevista | Helga Nemetik celebra a própria trajetória, em momento intenso da carreira, e abraça a força de suas personagens

Entre novos desafios, risadas e emoção, a atriz vive a força feminina em diferentes papéis e se prepara para viver Fafá de Belém nos palcos

No teatro, rir e chorar costumam vir do mesmo lugar de verdade. Helga Nemetik parece ter encontrado esse ponto de equilíbrio, onde emoção e técnica se encontram naturalmente. Com uma trajetória longa, mas nunca acomodada – dos grandes musicais à entrega íntima do monólogo autoral Não Conta Pra Ninguém –, ela vive um momento intenso nos palcos cariocas: três produções em cartaz no Rio, ensaios para dar vida a Fafá de Belém em 2026 e uma disposição admirável de seguir se reinventando.

Atriz, cantora, comediante, cineasta, dubladora, culinarista, Helga segue movida pela simplicidade de estar inteira em tudo o que cria. E é dessa entrega que nasce a potência reconhecida há décadas. Entre novos desafios e emoções, ela revisita a própria trajetória, reafirmando a força feminina, a facilidade de cativar o público e encontrando, em cada personagem, diferentes forças.

Nascida em Madureira, a atriz carrega as cores da Verde e Rosa e a alegria da cultura popular como memória afetiva e combustível criativo. Essas e outras vivências atravessam sua arte de forma intensa, refletindo, de alguma forma, na entrega de cada personagem. Atualmente, ela convida o público a se emocionar e refletir com três obras distintas, mas unidas por um mesmo eixo: o afeto e a força feminina. Em cena, irradia uma presença magnética – uma combinação de confiança, domínio de palco e amor pelo ofício –, como se a arte fosse o fio que costura e alinha sua caminhada desde sempre e um mantra que a acompanha pela vida.

Foto: reprodução/Andy Santana/ Brazil News

Em meio à correria de ensaios e apresentações, há nela um brilho, de quem ainda se surpreende com as próprias conquistas. Uma artista completa que sabe da própria força, mas não perde o encanto pelo processo. Vive seu sonho de olho no presente. E, entre tantas entregas, guarda até um desejo simples e bonito: voltar ao piano que aprendeu brevemente no internato, onde estudou na adolescência. 

O curioso é que Helga acha que não sabe tocar muito bem só porque precisaria olhar a partitura. Para alguém que vive a cena com tanta naturalidade, depender de um papel parece quase um descompasso, como se não fizesse parte dela. Diferente dos textos, que decora com precisão, o piano pede outro tipo de entrega. E talvez seja justamente isso que a encanta: a possibilidade de reaprender algo sem pressa, só pelo prazer de sentir a música voltar pelas mãos.

Mas, por enquanto, ela segue onde seu coração bate mais forte: nos palcos. Depois de passar por montagens como Beetlejuice, Cassia Eller, o musical, Company e outros sucessos do teatro musical brasileiro, Helga vive uma temporada especialmente movimentada. Às terças e quartas, ela se apresenta no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, com a peça Aos Sábados, uma história sobre família e a união de três mulheres. De sexta a domingo, no Teatro das Artes, atua ao lado de Jéssica Ellen, Maria Bia e Giovana Zotti no espetáculo Mães – O Musical, que provoca risadas e identificação ao retratar as muitas facetas da maternidade com humor, música e sensibilidade. Além disso, nos dias 17 e 18 de Dezembro, em Campinas, Helga leva ao palco o monólogo Não Conta Pra Ninguém, projeto idealizado por ela e baseado em uma vivência pessoal – um trabalho que evidencia, mais uma vez, sua coragem artística.

Foto: reprodução/Rodrigo Lopes

A rotina intensa dos palcos é familiar para a atriz, que construiu uma carreira sólida entre a televisão e o teatro musical. Desde os tempos em que conquistou o público no Zorra Total com sua versatilidade, destacando-se em esquetes e números musicais, ela se firmou como uma atriz completa, capaz de transitar entre humor, drama, canto e dança. 

E, apesar da experiência acumulada, há nela algo de profundamente fresco: uma alegria evidente em estar ali, como se cada novo trabalho reafirmasse que está vivendo um sonho. Essa vibração chega ao público com força. Tanto que se destacou também em realities de celebridade, sendo vice campeã do Popstar 2019, por exemplo, onde o voto do público era importante.

Agora, em 2026, a artista dá mais um passo marcante na carreira ao interpretar Fafá de Belém no musical homônimo – uma homenagem a uma das grandes vozes da música brasileira. Fafá, com seu sorriso inconfundível e sua energia vibrante, encontra em Helga uma artista igualmente intensa e entregue. As duas compartilham essa vocação que parece ter escolhido cada uma delas. Fafá transformou a emoção em música, enquanto Helga fez do riso, da música e da vulnerabilidade uma forma de conexão com o público. Ambas fizeram da arte o equilíbrio entre sonho e realidade.

Foto: reprodução/Correio Braziliense

Em entrevista ao Entretê, Helga fala sobre os aprendizados ao longo dos anos e o prazer de estar em cena. Comenta também sobre os preparativos para Fafá de Belém: O Musical, que estreia em 2026, e já iniciou ensaios no fim de outubro. A atriz segue reafirmando a força feminina e o poder artístico de se reinventar em cena. Confira.

Entretetizei: Você está vivendo uma rotina ainda mais intensa entre as peças Aos Sábados e Não Conta pra Ninguém, o musical Mães e os ensaios do espetáculo sobre a Fafá de Belém. Como você tem se preparado emocionalmente para esses projetos que, apesar de diferentes, dialogam com temas como afeto, memória e construção de um lar físico e emocional?

Helga Nemetik: Eu estou vivendo, ensaiando e com essas peças em cartaz. É muito cansativo, mas eu tô muito feliz. São personagens diferentes, que me proporcionam sentimentos tão especiais e também a possibilidade de mostrar a versatilidade do meu trabalho. Para minha carreira tem sido muito importante.

E:  Seus trabalhos recentes celebram diferentes formas de força feminina – seja na maternidade, na valorização dos momentos ou na reconstrução de trajetórias. O que te inspira a contar essas histórias? O que essas mulheres te ensinam, tanto como artista quanto como pessoa?

HN: A peça que fala sobre maternidade me coloca no lugar da filha que enxerga a luta e a batalha da sua própria mãe, já que eu não tenho filhos e não vivi a maternidade. Fafá tem me ensinado muito sobre acreditar na própria verdade e escolher as narrativas que queremos contar, o legado artístico que queremos deixar. Aos Sábados é um espetáculo que também fala de família, do amor e da cumplicidade, mas trata também da finitude, o que faz a gente refletir muito também.

E: Vinda de uma carreira marcada por grande visibilidade em comédias e musicais, como tem sido revistar o drama com a mesma entrega? Você sente que a indústria e o público estão mais abertos a reconhecer essa versatilidade?

HN: Isso é tudo que eu queria. E está acontecendo de uma forma muito especial, desde a estreia do meu solo Não Conta pra Ninguém. Quero mais oportunidades em lugares que me desafiem como artista e que me coloquem no mercado como uma operária da arte completa.

E: De que forma suas raízes em Madureira e na cultura do samba da Verde e Rosa influenciam sua construção artística, especialmente ao interpretar personagens como Fafá de Belém?

HN: Me mantendo com os pés no chão, com humildade e muita força de vontade para realizar meus sonhos e conquistar meu espaço, assim como a Fafa fez quando saiu de Belém para o mundo.

Foto: reprodução/Rafa Marques/Blog do Arcanjo

E: A Fafá de Belém, em entrevistas, fala do sorriso dela como um superpoder. Qual você diria que é a sua marca pessoal, como mulher e artista, que mais te orgulha neste momento da carreira e da vida?

HN: Eu sou uma pessoa muito batalhadora, acolhedora e muito disponível, isso reflete muito nos feedbacks que recebo dos meus colegas de elenco, meus diretores e do público também. Me orgulho de tudo o que vivi até aqui, mesmo errando no início da carreira, quando não tinha tanta experiência, quando não tinha agentes para me orientar, nem família de artista. Foi na raça e com muita coragem e disposição e isso me dá um baita orgulho. 

E: Se pudesse dar um conselho engraçado ou inusitado para a Helga mais jovem, no início da carreira teatral, qual seria a frase escolhida para encorajar a jornada dela?

HN: O caminho é longo, mas vai com tudo, porque eu não desisti de você e sei que vamos chegar lá, no lugar que sonhamos.

 

Já foi conferir o trabalho de Helga Nemetik de perto? Tá contando os dias para a estreia do musical sobre Fafá de Belém? Conta pra gente e, para ficar por dentro de mais novidades do mundo do entretenimento, siga o Entretê nas redes sociais – Facebook, Instagram e X.

 

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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