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Foto: reprodução/Instagram @priscilareis_

Entrevista | Priscilla Reis fala sobre carreira e as conexões que a arte proporciona

A atriz relembrou o início no teatro e compartilhou experiências marcantes  

Carioca da gema e dona de uma essência que não nega suas raízes, Priscilla Reis vem se destacando em suas participações e protagonismos em produções audiovisuais. Entre novelas, filmes, séries e webséries, a atriz coleciona personagens que ganharam o coração do público. 

Conhecida por sua autenticidade, Priscilla transita entre diversos gêneros e formatos, mostrando sua versatilidade e entrega aos novos desafios em produções como Lúcia McCartney (2016), A Porta ao Lado (2022), Stupid Wife (2022), Todo Dia a Mesma Noite (2023) e também integra o elenco da segunda temporada de Amor da Minha Vida (2024), série original do Disney+.

A artista ganhou projeção ao protagonizar a websérie Stupid Wife, onde deu vida à Luiza, personagem marcada por sua complexidade, profundidade e atitudes que dividiram opiniões do público. Com esta protagonista, Priscilla foi indicada em premiações que reconhecem artistas e produções do audiovisual brasileiro e em 2023 conquistou o título de Melhor Atriz no Apulia Web Fest, na Itália.

Em entrevista ao Entretetizei, Priscilla falou um pouco sobre sua carreira, processos artísticos e as relações que constrói com suas personagens.

Entretetizei: Você começou a atuar muito jovem, fazendo escolinha de teatro e se apresentando em escolas pelo Rio de Janeiro. Conta um pouco sobre essa experiência.

Priscilla Reis: Eu comecei no teatro quando tinha uns 12,13 anos e fiz cursos no Tablado com a Sura Berditchevsky e na CAL com a Thelma Lopes. Meu pai tinha uma loja de produtos esotéricos em um shopping do Rio e descobriu o projeto Sonho Cultural, da Luciana Coutinho, e eu comecei a participar. No projeto, apresentamos peças infantis em escolas municipais do estado do Rio [de Janeiro]. Foi uma experiência incrível poder levar teatro e cultura para tantas crianças, incentivar o lado lúdico delas – e também o meu. Fui muito feliz! Depois de um tempo participei de uma outra companhia de teatro onde apresentamos a peça Mulan em um teatro em Copacabana. Eu já amava, mesmo que criança, passar meus finais de semana trabalhando como atriz, era muito gostoso ver a reação do público com meu personagem Chifu. Viver essas experiências desde nova foi muito incrível.

E: Você já morou em 32 países trabalhando como modelo. De alguma forma, essa vivência multicultural exerce influência na sua carreira como atriz?

PR: Com certeza! A oportunidade que tive de ver o mundo com meus próprios olhos me trouxe muitas referências de comportamentos, culturas e valores. Cada país em que morei tem suas particularidades e, principalmente, as experiências pessoais que vivi, saindo de casa tão nova e precisando amadurecer e me virar sozinha tão rápido, me deram estofo de vida. Tudo isso me ajuda muito hoje na construção das minhas personagens, na hora de ler um roteiro e entender as nuances de cada história.

E: A sua presença nas redes sociais era discreta até protagonizar Stupid Wife. Com o sucesso da série, isso mudou bastante. Como foi para você lidar com essa virada?

PR: Olha! (risos) Ainda é um aprendizado lidar com essa virada. Hoje entendi que minha rede social virou parte do meu trabalho, então, sem dúvida, seleciono muito mais tudo o que posto. Tenho um olhar mais cuidadoso e direcionado. Mas confesso que, às vezes, sinto falta de compartilhar posts mais familiares ou, quando somos anônimos, algo genérico, sabe? Sem a necessidade constante de pensar em números e engajamento (risos). Mas claro que o suporte e tudo isso que venho conquistando nas redes é muito maravilhoso e surreal, não consigo nem dimensionar.

Foto: divulgação/Juan Ribeiro

E: Suas personagens mais recentes carregam um caráter representativo muito forte. Qual é a sensação de assumir a responsabilidade de transmitir essas histórias para o público?

PR: Me sinto muito honrada por poder dar vida, como atriz, a personagens tão diferentes de mim em todos os aspectos. E, sem dúvida, esse é um dos meus maiores propósitos na profissão: interpretar personagens que tenham uma missão, que provoquem reflexões e questionem a nossa sociedade. A função da arte, seja ela qual for, pra mim, é exatamente essa.

E: A Luiza era uma personagem muito complexa e vivia dilemas muito íntimos e delicados. Como foi seu processo e preparação emocional para acessar essas emoções e abraçar essa personagem com tanta profundidade?

PR: A minha personagem Luiza veio em 2022, quando ainda sentíamos os efeitos da pandemia e, na minha vida pessoal, eu também estava passando por grandes desafios. Acho que tudo isso me ajudou a entender certas dores da Luiza. Eu adoro trabalhar com música, ela me inspira muito na criação das minhas personagens. E, sem dúvida, conforme a série foi ao ar, a troca com o público através das cartas e das DMs me ajudou demais na construção dela. Fui pegando detalhes que as pessoas dividiam comigo e acrescentando às camadas da personagem. Foi um processo muito vivo e afetivo.

E: Você participou de Todo Dia a Mesma Noite, minissérie que revisita o trágico incêndio na Boate Kiss. Qual o impacto disso na sua vida pessoal e profissional?

PR: Uau! Foi muito intenso. Primeiro, pela proximidade das vítimas com a minha idade. Me fez pensar muito em todas as vezes que fui a shows, boates… e em como estamos vulneráveis nesses espaços. Lembro que fizemos a preparação de elenco para a cena do incêndio no mesmo dia do aniversário da minha mãe. Saí daquela preparação profundamente mexida, pensando em todas as vítimas e, ao mesmo tempo, ali comemorando o “aniversário de vida” da minha mãe. Foi uma sensação muito contraditória. Ao mesmo tempo, fiquei muito feliz, enquanto atriz, por fazer parte de uma série com um propósito tão importante: justiça. Um projeto que reabre o debate sobre o caso. Percebi que muitas pessoas nem sabiam que o julgamento ainda não tinha acontecido. E, claro, foi também uma honra profissional. Tive a oportunidade de trabalhar com pessoas que admiro muito, como a diretora Julia Rezende e os atores Thelmo Fernandes, Débora Lamm, Otto Jr., Paulo Gorgulho, entre outros atores que tanto me ensinam.

E: Recentemente você assumiu o papel de Clara na nova produção da Boleia. A personagem é bem diferente de tudo que você já fez até aqui. Você encontrou algum desafio para se aproximar dela e torná-la tão autêntica?

PR: Olha, eu tô apaixonada pela Clara. Cada página que leio no roteiro ressoa como uma mensagem pessoal, é como se, em vários momentos, ela falasse diretamente comigo. Mas, sem dúvida, o maior desafio tem sido aprender Muay Thai. Eu nunca tinha feito luta antes. Venho de uma consciência corporal ligada à yoga e à dança, e é completamente diferente. Estou me redescobrindo fisicamente para dar conta dessa personagem.

Saiba um pouco mais sobre o processo de construção da personagem.

Foto: reprodução/Instagram @priscilareis_

E: E a pergunta que não quer calar: Quem vai ficar com Clara?

PR: Ahhhh… (risos) isso vocês vão descobrir no primeiro episódio da terceira temporada. Mas, na minha opinião, o coração da Clara já tem dona.

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Texto revisado por Gabriela Fachin

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