Atriz possui ampla experiência no teatro e era fã de outras obras de Kleber Mendonça Filho
Isadora Ruppert é atriz e está no filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. O longa estreou mundialmente no 78º Festival de Cannes, onde a obra foi ovacionada, e nos cinemas brasileiros no dia 6 de novembro.
A atriz possui uma longa carreira no teatro. Ela iniciou seus trabalhos aos 11 anos e participou de diversas montagens, entre as quais destacam-se as peças O Cálice, livremente inspirada no filme Em Busca do Cálice Sagrado (2022); Cabaré Te Vê, dirigida por Christina Streva e Juracy de Oliveira, em que contracenou com Gilberto Gawronski; e Ainda Sou Circo, dirigida por Gabrielly Vianna, em que interpretou o personagem Nino.
Nos cinemas, Isadora esteve também no longa Ainda Estou Aqui (2024), vencedor do Oscar 2025 na categoria Melhor Filme Internacional, como Laura Gasparian. Além disso, esteve em Medusa, que estreou em Cannes, em 2021. No futuro, a atriz estará no elenco da série BR 70, da Netflix.
Isadora Ruppert deu uma entrevista exclusiva para o Entretê, confira a seguir:

Entretetizei: Isadora, antes de estrear no cinema, você já tinha uma longa trajetória no teatro. Como foi o processo de migrar dos palcos para as telonas?
Isadora: Foi um movimento muito intuitivo. Era algo que eu sempre quis. Eu comecei minha trajetória no teatro, mas tinha um desejo muito forte de fazer cinema também. Sentia que precisava fazer alguns ajustes para atuar diante de uma câmera. Então fui procurar o Eduardo Milewicz, que é um grande diretor e preparador de elenco argentino. Ele me ensinou muita coisa, e eu passei a me sentir muito mais segura para entrar nesse universo do audiovisual.
E: Quando aceitou o papel em O Agente Secreto, você imaginava que o filme alcançaria tanto sucesso?
I: Eu imaginava que o filme teria uma boa projeção, até porque os outros filmes do Kleber também tiveram uma grande repercussão – Aquarius, Bacurau… Então eu acreditava que este também poderia chegar longe, mas não da forma como aconteceu. No fim das contas, a gente nunca sabe, né? Ver o filme pronto é sempre uma surpresa, porque nunca dá pra prever como ele vai ser recebido pelo público. E eu sinto que o filme só se completa mesmo quando acontece essa troca, essa interação com quem assiste. Então, pra mim, foi uma surpresa, eu esperava uma boa repercussão, mas não dessa dimensão.
E: O cinema nacional vive um de seus melhores momentos, sendo cada vez mais valorizado dentro e fora do país. Como você se sente em fazer parte desse movimento de valorização?
I: Eu me sinto muito feliz, muito realizada. É um sonho materializado. Sempre tive muita vontade de trabalhar com cinema, sempre foi algo que me moveu, uma paixão mesmo. Então poder vivenciar tudo isso de perto e participar desses filmes, Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, é algo que eu nem tenho palavras para descrever. É muito forte e mostra que podemos acreditar nos nossos sonhos, porque eles realmente têm força. E acho que nós, brasileiros, temos que estar muito orgulhosos, porque o nosso cinema tem uma potência enorme, ele emociona, provoca e é reconhecido no mundo todo.
E: O Agente Secreto conta com um elenco de peso. Como foi trabalhar ao lado de grandes nomes e o que você aprendeu com essa experiência?
I: Eu me sinto muito feliz por ter tido a oportunidade de conviver de perto com grandes talentos, pessoas que eu admiro profundamente. Pra mim, foi realmente um presente. Eu observo, aprendo, escuto e, a partir disso, vou trazendo novas camadas para o meu trabalho. Vou aprendendo ao ver como essas pessoas se portam, como conduzem seus processos. Na verdade, aprendo muito pela observação e pela escuta, e considero essa troca uma das partes mais bonitas desse caminho.
E: Você foi confirmada no elenco da série BR 70, da Netflix, que vai abordar momentos marcantes envolvendo a seleção brasileira na década de 70 na busca pelo título de tricampeão. As gravações já iniciaram? O que podemos esperar dessa produção?
I: Fiquei muito feliz em fazer parte desse projeto. As gravações já foram concluídas, e eu acredito que podemos esperar algo grande, muito preciso e que vai envolver e engajar profundamente o público. Ainda não posso falar muito sobre a minha personagem, mas acredito que é um projeto com o qual as pessoas vão se identificar e que vai realmente tocar quem assistir.
E: Isadora, você é bastante ativa nas redes sociais e o quadro Pequenas Epifanias, criado por você e sua amiga Beatriz Adler, escritora e psicóloga, chama bastante atenção ao tratar de temas cotidianos de forma sensível. Qual é a intenção por trás do projeto?
I: É um projeto pelo qual eu tenho muito carinho. A Bia escreve de uma forma muito envolvente, e a ideia surgiu também como uma maneira de me manter ativa nas redes, na atuação, e de podermos abordar temas contemporâneos que achamos importantes de conversar, sabe? Temas que estão muito presentes na nossa sociedade. Às vezes em um universo mais jovem, outras vezes em um olhar mais adulto. A gente quis trazer essas questões e criar, de fato, uma série pensada para o Instagram.
E: Quais são seus planos para o futuro? Existe algum novo projeto em andamento?
I: Eu vou estrear uma peça em dezembro, Dia de Jogo, com a minha companhia de teatro, que se chama Má Companhia. Tenho muitos planos e vontades para o futuro. Quero muito ter a oportunidade de participar de uma novela, viver esse processo mais longo, de vários meses. E também tenho o desejo de fazer algo fora do país, explorar novos horizontes, quem sabe?
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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz @analuztraduz









