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Entrevista | Luísa Locher fala sobre a construção humanizada da vilã Edna, em Troca de Noivos

No ar, na série vertical Troca de Noivos, a atriz reflete sobre a construção de Edna Ferraz e a liberdade criativa que as vilãs proporcionam no audiovisual

No universo das séries verticais, onde o ritmo é frenético e as emoções precisam transbordar pela tela do celular, Luísa Locher encontrou em Edna Ferraz o terreno ideal para uma exploração artística sem amarras. No ar em Troca de Noivos (Sua Novela), a atriz dá vida a uma antagonista que foge do óbvio: movida pelo desejo de reconhecimento e por um instinto de sobrevivência afiado, Edna não pede licença para ocupar seu espaço. 

Sob a direção de Gustavo Morais, Luísa mergulha em uma trama de poder e segredos de família, dando vida a uma mulher que, adotada pelos Ferraz, move montanhas e elimina obstáculos para garantir seu lugar como herdeira. O papel não apenas consolida sua versatilidade, mas também ressalta sua capacidade de dominar um formato que exige agilidade e uma entrega emocional imediata.

Para Luísa, o fascínio pelas antagonistas reside naquilo que ela define como “menor censura emocional”. Ao contrário das heroínas convencionais, muitas vezes presas a expectativas sociais de docilidade, Edna Ferraz é uma personagem que desafia estereótipos, agindo com uma convicção absoluta que beira o magnético. Longe de ser uma vilã unidimensional, a Edna de Luísa é fruto de uma construção meticulosa, fundamentada no entendimento de que a maldade, muitas vezes, é uma armadura forjada pela necessidade de sobrevivência e pelo desejo latente de controle e afirmação em um mundo hostil.

Nesta entrevista, Luísa Locher abre o jogo sobre o processo de advogar por uma personagem de moralidade questionável, revelando como evitou a caricatura para entregar uma mulher real e determinada. Ela detalha a importância da confiança estabelecida com a equipe da OTZI Studios, os bastidores de cenas fisicamente exaustivas, como sequestros e embates psicológicos, e como a experiência de viver Edna mudou sua percepção sobre a liberdade criativa na atuação.

Confira agora esta entrevista exclusiva: 

Entretetizei: Luísa, você mencionou que as vilãs proporcionam uma menor censura emocional. Como foi o processo de desconstruir seus próprios julgamentos para abraçar a moralidade questionável da Edna?

Luísa Locher: Eu, como atriz, preciso defender meu personagem e isso não quer dizer que eu concorde com as escolhas, ações e pensamentos dele. Mas é parte do meu trabalho como atriz justificar e entender de onde surgiram essas escolhas e esses pensamentos, porque para ele faz sentido a forma como pensa, age e o que defende. Com a Edna não foi diferente. No processo de construção de um personagem, procuro não classificar o personagem como certo ou errado, e sim entender o que leva a pensar daquela forma e agir do jeito que age, e principalmente porque defende o que defende.

A Edna não se vê como vilã. Ela se vê como alguém que sobreviveu, que aprendeu a se defender num mundo onde ser sensível teve um custo alto. 

Foto: divulgação/Assessoria Luísa Locher

E: Muitas vezes, a vilã é quem move a história. Como foi trabalhar a convicção absoluta da Edna para que ela não fosse apenas uma caricatura, mas uma mulher real e determinada?

L: A convicção absoluta da Edna nasce exatamente desse lugar de sobrevivência. Quando eu entendo que ela não se vê como vilã, mas como alguém que precisou endurecer para continuar existindo, essa convicção deixa de ser um traço dramático e passa a ser estrutural. 

No meu trabalho, eu procurei construir a Edna a partir de justificativas e entrei na cabeça dela para entender a fundo. Isso foi essencial para que ela não virasse uma caricatura, porque a caricatura nasce quando o ator julga o personagem ou exagera um traço sem compreender sua origem. 

A Edna se agarra às próprias convicções não só porque ela acredita fielmente, mas também porque muitas das escolhas dela são formas de defesa. Não só formas de se defender, mas defender também o que ela quer e acredita. Quando você entende o que se passa na cabeça dela e faz essa construção, mesmo discordando das escolhas, você sabe como defendê-la, e é essa força que impulsiona a narrativa.

E: Você já trabalhou com a OTZI Studios anteriormente. De que forma essa parceria prévia ajudou na liberdade para criar as nuances da Edna?

L: Ter trabalhado com a OTZI Studios anteriormente criou um terreno de muita confiança, e isso faz toda a diferença no processo criativo. Quando existe essa relação prévia, o processo flui e existe essa maior segurança. 

Eu me senti amparada pela equipe desde o início. Saber que você está em um espaço onde pode se arriscar, errar, ajustar e aprofundar sem medo cria uma liberdade rara.

E: Em Troca de Noivos, você lida com temas como traição e poder. Qual foi a cena mais desafiadora emocionalmente para você nesta temporada?

L: Nossa foram tantas (risos), mas tecnicamente acho que tiveram duas que se sobressaíram. A cena do sequestro, que exigiu um controle emocional e físico enorme, eu precisava sustentar uma intensidade muito alta, e a cena em que a Edna está bêbada conversando com o Ronaldo. Não havia álcool de verdade, então exigiu uma enorme concentração vocal e corporal.

Para ambas as cenas a concentração e foco foram essenciais. Eu precisei trabalhar muito a atmosfera da cena, a partir desse campo sensorial, o corpo começou a responder naturalmente. 

E: Depois de viver uma antagonista tão marcante, o que você busca agora em futuros papéis para continuar desafiando sua versatilidade?

L:Nesse momento o que fica para mim é a vontade de continuar me desafiando. Eu sempre busco papéis que me tirem do lugar confortável, que me permitam acessar partes diferentes de mim como artista, isso faz parte do que me move como artista.

 

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Texto revisado por Angela Maziero Santana

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