Em O Roteiro do Amor, o leitor acompanhará o encontro quase inevitável de uma escritora e um roteirista
Escritora e roteirista, Ray Tavares se propôs, em seu novo livro, a conectar dois universos aparentemente semelhantes, mas que, segundo ela, se diferem deveras. Em O Roteiro do Amor, que será publicado no dia 26 de maio, a autora constrói um enemies to lovers que acompanha a trajetória entre dois profissionais que serão obrigados a trabalhar juntos.
Como autora, Tavares é conhecida pelas suas obras de teor mais juvenil, como Os 12 signos de Valentina, Confidências de uma ex-popular, Carta aos astros e As vantagens de ser você. Já no audiovisual, foi responsável pelos roteiros de De volta aos 15, da Netflix, Acampamento de magia para jovens bruxos, da Globoplay, e Bugados, do Gloob.
Desse modo, como têm um pé em cada área, a escritora sentiu-se extremamente confortável ao escrever seu romance mais recente. Além disso, explica que o novo livro é mais adulto, abordando temas como luto e famílias disfuncionais.
Na trama, o leitor conhecerá Verônica Nakamura, uma escritora que é bastante rígida em relação à como seus livros serão adaptados. Ela não deseja que nenhuma cena seja cortada, mas, para o seu descontentamento, surge no caminho um roteirista arrogante, Daniel Ortega, que aceita a tarefa de passar o livro para as telas. Mesmo trocando farpas, eles terão que morar juntos durante um mês em uma mansão no interior de São Paulo — local onde a história se passa.
Agora os dois estão presos entre sessões compartilhadas de escrita, provocações e drinques na piscina. E, ao conhecer quem Daniel realmente é, Verônica começa a perceber que ele é muito mais interessante do que parecia. Seguir um roteiro diferente do que já havia escrito para si, porém, pode ser um desafio grande demais.
Confira a seguir a entrevista exclusiva com a autora:
Entretetizei: O que te inspirou a criar a história de O Roteiro do Amor unindo os mundos da literatura e do audiovisual?
Ray Tavares: Existem muitos livros hoje em dia sobre os bastidores desses dois mercados, mas eu nunca tinha lido nenhum mostrando como funciona aqui no Brasil, que é bem diferente do mercado norte-americano. Então, quis usar minha experiência como autora e roteirista para contar um pouquinho de como é por aqui!

E: Como foi o processo de equilibrar as semelhanças e diferenças entre ser escritora e roteirista dentro da trama?
RT: Foi meio terapêutico (risos). Foi legal colocar minhas duas funções em perspectiva, através dos personagens, minhas angústias e felicidades com ambas as profissões.
E: Verônica e Daniel têm personalidades fortes e conflitantes. Como foi desenvolver essa dinâmica enemies to lovers?
RT: Eu adorei, porque eu adoro um bom enemies to lovers; não aqueles que os personagens ferem direitos humanos, mas aqueles que os dois personagens têm muita química, mas visões de mundo diferentes. Acho que conversa mais com um romance adulto, onde os personagens precisam chegar num consenso para ficarem juntos.
E: Você se inspirou em alguma experiência pessoal para construir os personagens e a trama?
RT: Usei mais minha experiência como autora e roteirista para construir os personagens, mas a trama foi fruto exclusivo da minha imaginação.
E: Por que escolheu Atibaia como cenário para o desenvolvimento da história?
RT: Eu tenho uma amiga que mora em Atibaia e fui ao casamento dela. Aluguei um Airbnb em um condomínio lindo, e foi lá que nasceu essa história, então, resolvi manter o cenário. E também porque adoro romances que se passam em cidades do interior, traz todo um charme para a história.
E: O que os leitores podem esperar de diferente neste livro em comparação aos seus trabalhos anteriores?
RT: Acho que é um romance mais adulto em todos os sentidos. Temas mais sensíveis como luto e famílias disfuncionais, além de cenas mais quentes. Nos meus livros jovens, as temáticas sempre giravam ao redor de coisas que eu sentia quando era jovem, como ansiedade em relação ao futuro, a busca de um amor verdadeiro, etc. Como em O Roteiro do Amor os personagens são mais velhos, eles têm mais bagagem, e a história acaba se abrindo para outras temáticas do que apenas o amor.
E: Você sentiu algum desafio em escrever para um público mais maduro, com cenas mais picantes e diálogos mais intensos?
RT: Não muito, porque mantive minha essência como escritora: ainda é um livro engraçado, ainda é um livro leve na maior parte do tempo. O que muda é a maturidade dos personagens e o encontro de duas pessoas com muita história pregressa.

O livro fala sobre adaptação de obras literárias para o cinema. Qual sua opinião sobre as adaptações que têm sido feitas ultimamente?
RT: Difícil responder essa pergunta. Temos adaptações excelentes, e temos adaptações ruins – mas isso é uma verdade há muito tempo. Um bom produto audiovisual depende de muitas coisas: liberdade criativa, direção artística, química entre os atores, o timing certo para lançar determinado tipo de história… Não existe fórmula do sucesso. Se existisse, nosso trabalho seria muito mais fácil.
E: Se O Roteiro do Amor virasse um filme, quem você imagina nos papéis de Verônica e Daniel?
RT: Ah, o Daniel com certeza seria o Wagner Moura de 30/35 anos. Acho que a Ana Hikari seria uma excelente Verônica também.
E: O que mais te fascina e o que mais te frustra nos bastidores do audiovisual brasileiro?
RT: Eu amo, amo, amo escrever roteiro e ver o que escrevi ganhar vida, não tem nada mais legal! Mas me frustra um pouco a falta de liberdade criativa; são muitas pessoas lendo, muitos notes, muitas visões. É difícil agradar todo mundo sem perder a história que a gente quer contar.
E: Que conselhos você daria para autores brasileiros que querem explorar o audiovisual?
RT: Muito estudo e muito networking. É um mercado pequeno, entrar é difícil, estar dentro não é garantia de nada. Quem quer se aventurar nesse mercado precisa abrir mão de estabilidade e organizar a vida financeira muito bem também.
E: Você se inspira em algum escritor/escritora para escrever seus livros?
RT: Muitos! E é de época. Atualmente, estou obcecada pela Emily Henry, que escreve comédias românticas muito profundas e tocantes. Mas todos os livros que li e que me tocaram deixaram uma marca na forma como eu escrevo minhas histórias.
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Texto revisado por Laura Maria Fernandes de Carvalho









