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Filmes clássicos: 12 obras que marcaram o século XX

Produções que inspiraram gerações e ajudaram a construir a identidade do cinema

Quando falamos em filmes clássicos, não nos referimos apenas às produções em preto e branco. O conceito vai muito além: são obras que marcaram épocas, seja pela grandiosidade da narrativa, pelos nomes icônicos no elenco ou pela forma como revolucionaram a indústria cinematográfica, muitas vezes, mesmo sem grandes investimentos de produção.

Esses títulos atravessam gêneros como terror, romance, drama e comédia, e se tornaram referências para inúmeras produções posteriores. Mais do que simples entretenimento, eles representam marcos culturais que ajudaram a moldar o cinema como o conhecemos hoje e continuam encantando gerações, permanecendo atemporais.

O Mágico de Oz 

É um dos maiores clássicos do cinema mundial, lançado em 1939, chamou atenção ao utilizar o Technicolor, tecnologia inovadora que trazia cores vibrantes às telas. O filme foi inspirado no livro de L. Frank Baum e no sucesso recente da Disney com Branca de Neve e os Sete Anões, e conquistou dois Oscars, se consolidando como uma das produções mais influentes da cultura pop.

A história acompanha Dorothy Gale, uma menina órfã de 11 anos que vive no Kansas com seus tios. Após uma discussão familiar, ela sai de casa com seu cachorro Totó, mas um ciclone arrasta sua casa até a terra mágica de Oz. Nesse novo mundo, ela embarca em uma jornada fantástica repleta de personagens icônicos, com o grande desejo de voltar para casa.

Além da narrativa encantadora, o filme se destacou por suas inovações técnicas, principalmente no contraste entre as cenas em tons marrons no Kansas e o colorido intenso em Oz. A canção Somewhere Over the Rainbow, interpretada por Judy Garland, tornou-se um marco na música moderna e ajudou a eternizar ainda mais a obra, que continua sendo amada por gerações de pais e filhos.

Foto: reprodução/Aventuras na História
Carrie, A Estranha (1976)

Filme que marcou o cinema de terror e mudou para sempre a carreira de Stephen King. Em meio a monstros clássicos e tramas sobrenaturais da época, a história de uma jovem pálida e isolada tornou-se um dos maiores ícones do gênero, abrindo caminho para uma nova tendência no terror.

O filme acompanha Carrie White (Sissy Spacek), uma adolescente reprimida pela mãe fanática religiosa e alvo constante de bullying na escola. Ao ser convidada para o baile de formatura, acredita ter a chance de viver como uma garota comum, mas eventos traumáticos despertam nela poderes telecinéticos que transformam a noite em uma tragédia devastadora.

O sucesso da obra gerou diversas tentativas de adaptação ao longo das décadas, dois remakes, uma sequência e até um musical na Broadway em 1988, que durou apenas cinco apresentações e se tornou um fracasso histórico. Apesar das tentativas, nenhuma versão alcançou o impacto do original, mas o legado de Carrie permanece vivo, alimentando até hoje expectativas de uma nova adaptação da icônica narrativa de King.

Foto: reprodução/Ranker

Juventude Transviada (1955)

James Dean tornou-se um dos rostos mais icônicos da história do cinema, símbolo de uma juventude marcada por dúvidas, descontentamento e falta de sentido. O filme foi dirigido por Nicholas Ray, onde Dean interpreta Jim, ao lado de Judy (Natalie Wood) e John, apelidado de Platão (Sal Mineo). A trama, que se desenrola em apenas um dia, apresenta o encontro dos três jovens em uma delegacia durante a madrugada: Jim é detido por embriaguez e desordem, Judy é encontrada vagando sozinha e Platão havia atirado em cachorrinhos. Esses personagens refletem a crise existencial de adolescentes de uma sociedade aparentemente próspera, mas marcada por conflitos familiares.

O filme também dialoga com as transformações sociais mais amplas dos Estados Unidos na década de 1950. Período onde a suburbanização levou famílias de classe média branca a deixarem os centros urbanos em busca de casas mais amplas e confortáveis nos subúrbios, cenário que reforça a sensação de deslocamento e vazio vivida pelos jovens. Assim, Juventude Transviada tornou-se um retrato simbólico de uma geração em busca de identidade, consolidando James Dean como mito cultural.

Foto: reprodução/Cinema em Cena
A Noviça Rebelde (1965)

Decidida e ousada, Maria, protagonista de A Noviça Rebelde (1965), tornou-se um ícone do cinema. Interpretada por Julie Andrews, a noviça questionadora se destaca em um musical que conquistou cinco Oscars, incluindo o de Melhor Filme. Ambientado na Áustria, o longa, dirigido por Robert Wise, retrata não apenas o romance e a música que transformam a vida da família Von Trapp, mas também o pano de fundo das tensões que antecederam a Segunda Guerra Mundial.

Inspirado nas memórias de Maria von Trapp e na peça The Sound of Music (1959), o filme acompanha a chegada da jovem à casa do capitão viúvo Georg von Trapp (Christopher Plummer), pai de sete filhos. Com sua espontaneidade, ela desperta no lar disciplina, alegria e amor pela música, consolidando a obra como um clássico que marcou gerações.

O Poderoso Chefão (1972) 

Vencedor de três Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Marlon Brando. O filme, dirigido por Francis Ford Coppola, é considerado por muitos como o maior clássico da sétima arte. Com elenco afinado, trilha sonora marcante e fotografia impecável, o filme consolidou um novo padrão para o cinema.

Embora baseado no romance de Mario Puzo, lançado três anos antes, foi a adaptação cinematográfica que realmente marcou a cultura popular. Até então, a ideia da Máfia e do estereótipo do mafioso eram apenas esboços no imaginário coletivo. A partir de sua estreia, O Poderoso Chefão redefiniu não só a representação da máfia no cinema, mas também a própria imagem do “sujeito durão” na cultura.

Psicose (1960)

Em 1960, Alfred Hitchcock revolucionou o cinema de terror com Psicose, um filme que permanece atemporal e continua a provocar medo e tensão mesmo décadas após sua estreia. A icônica cena do chuveiro, em que Marion Crane (Janet Leigh) é brutalmente assassinada, tornou-se um marco cultural, amplamente referenciado e parodiado, mas também deixou cicatrizes emocionais na própria atriz. A partir desse momento, a narrativa desloca o foco para Norman Bates (Anthony Perkins), o misterioso dono do Bates Motel.

A trama se intensifica quando o detetive Arbogast (Martin Balsam) começa a investigar o desaparecimento de Marion, contratado por seu chefe para recuperar o dinheiro que ela havia desviado. Ao desconfiar do comportamento de Norman e tentar confrontar sua mãe, o investigador também é morto. Em seguida, Lila (Vera Miles), irmã de Marion, e Sam (John Gavin), namorado dela, decidem investigar por conta própria. Fingindo ser um casal, hospedam-se no Bates Motel, onde Lila descobre o cadáver da mãe de Norman, pouco antes de ser atacada por ele, travestido como a própria.

Apesar de algumas cenas hoje parecerem artificiais, gerando até certo humor, a maioria dos alunos na discussão em sala destacou o filme como uma obra impactante, com um plot twist memorável que consolidou Psicose como um clássico absoluto do cinema de terror.

Foto: reprodução/UOL Splash
Dirty Dancing — Ritmo Quente (1987)

Dirty Dancing — Ritmo Quente tornou-se um dos filmes românticos mais icônicos dos anos 80, mas sua origem foi marcada por desafios. A roteirista Eleanor Bergstein e a produtora Linda Gottlieb enfrentaram resistência de grandes estúdios, que consideravam a trama ousada demais por abordar questões sociais pouco comuns no cinema comercial da época. Foi apenas com a pequena produtora Vestrom e sob a direção do estreante Emile Ardolino que a história de Baby (Jennifer Grey) e Johnny Castle (Patrick Swayze) ganhou vida.

O resultado foi um sucesso estrondoso de crítica e público, que se eternizou tanto pela narrativa envolvente quanto pela trilha sonora inesquecível. As coreografias, a química entre os protagonistas e a atmosfera sensual transformaram Dirty Dancing em um clássico atemporal, lembrado por gerações, seja nas sessões da tarde, seja nas pistas de dança, onde a famosa cena final segue sendo celebrada como um dos momentos mais marcantes da história do cinema.

Um Sonho de Liberdade (1994)

O filme parecia reunir todos os elementos para o sucesso, era baseado em uma obra de Stephen King, um dos autores mais populares do mundo, e vinha na esteira de outra adaptação de destaque, Conta Comigo (1986), também retirada da coletânea Quatro Estações (1982). Apostando no potencial cinematográfico da história, o diretor e roteirista Frank Darabont adquiriu os direitos do conto em 1987 para transformá-lo em filme.

A trama acompanha Andy Dufresne, um banqueiro condenado pelo assassinato da esposa e do amante dela, que encontra em Ellis “Red” Redding uma amizade capaz de ajudá-lo a suportar as condições brutais da Penitenciária de Shawshank. Mais do que um drama carcerário, o filme aborda temas como esperança, resistência e a capacidade humana de superar adversidades, o que o tornou uma obra marcante e atemporal.

Stephen King, por sua vez, consolidou-se como um dos escritores mais adaptados da história. Desde Carrie (1976), dirigido por Brian De Palma, sua estreia literária gerou dezenas de versões para o cinema e televisão. Ao todo, já são cerca de 60 filmes e inúmeras séries inspiradas em sua obra, reforçando a força de seu universo narrativo e a relevância de suas histórias para diferentes gerações.

Foto: reprodução/Experimente SP
Titanic 

Titanic foi dirigido por James Cameron e é considerado uma das obras mais icônicas do cinema, unindo romance, drama e fatos históricos em uma narrativa envolvente. Inspirado no naufrágio real do transatlântico em 1912, o longa conquistou o público mundial com a história fictícia de Rose Dewitt Bukater e Jack Dawson, vividos por Kate Winslet e Leonardo DiCaprio. Embora o casal central seja criação do roteiro, a trama incorpora personagens que realmente existiram, como MargaretMollyBrown, socialite que sobreviveu ao desastre e ajudou outros passageiros durante a tragédia.

O impacto cultural do filme é inegável, tornou-se referência da sétima arte, lembrado não apenas pela narrativa, mas também pela trilha sonora marcante interpretada por Céline Dion, que se consolidou como um clássico da música. Décadas após o lançamento, tanto o enredo quanto seus personagens permanecem vivos no imaginário coletivo, tornando-se quase impossível encontrar alguém que não conheça a obra.

A produção foi um marco tecnológico e artístico. Cameron, fascinado pela história do navio, realizou expedições aos destroços para garantir autenticidade e utilizou uma combinação de cenários grandiosos, miniaturas detalhadas e efeitos visuais inovadores para retratar o naufrágio. O cuidado minucioso com o realismo e a escala de produção ajudaram a transformar Titanic em um fenômeno cinematográfico sem precedentes.

A bilheteria global ultrapassou US$2,2 bilhões, especialmente após relançamentos como o da versão 3D em 2012. Além do desempenho comercial, o longa conquistou 11 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, e entrou para a história como o primeiro a ultrapassar a marca de um bilhão de dólares em arrecadação. Mais que um sucesso de público, Titanic permanece como um clássico atemporal do cinema mundial.

Casablanca (1942) 

Em plena Segunda Guerra Mundial, no dia 26 de novembro de 1942, Casablanca fazia sua estreia em Nova York. A première foi antecipada em razão a invasão aliada à cidade marroquina de Casablanca em 8 de novembro do mesmo ano, que até então estava sob controle da França de Vichy, alinhada ao regime nazista. O episódio gerou grande repercussão e acabou favorecendo a bilheteria do longa nos Estados Unidos. No Brasil, o filme chegou rapidamente, em 7 de dezembro de 1942.

Produzido por  Hal B. Wallis para a Warner Bros., Casablanca foi rodado em menos de três meses, quase todo em estúdio. As filmagens seguiram a ordem da trama, o que é incomum em produções de Hollywood, e isso se deveu ao fato de que o roteiro não estava totalmente finalizado quando as gravações começaram. Essa produção acelerada resultou em um dos maiores clássicos do cinema mundial.

A trama acompanha Rick Blaine (Humphrey Bogart), americano cínico dono do famoso Rick’s Café, ponto de encontro de nazistas, franceses, refugiados e criminosos. Sua rotina muda quando Ilsa Lund (Ingrid Bergman), antiga paixão, reaparece ao lado do marido, Victor Laszlo, líder da resistência. O reencontro desperta lembranças e dilemas que se desenrolam em meio ao conflito da guerra. O filme conquistou oito indicações ao Oscar e venceu em três categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro.

Os Sete Samurais (1954) 

Um marco entre os filmes de guerra e referência para cenas de batalha, Os Sete Samurais consagrou Akira Kurosawa como diretor e se tornou um ícone da cultura popular, rendendo duas refilmagens. Não é possível assistir ao filme hoje como se fosse uma produção atual, pois ele pertence a um tempo específico e reflete também um período ainda mais distante, o Japão rural do século XVI.

Por isso, compreender Os Sete Samurais exige um olhar atento ao contexto histórico e artístico que o moldou. Ele é um clássico que atravessou gerações, influenciou inúmeros cineastas e permanece como um dos grandes pilares do cinema mundial. 

Foto: reprodução/Plano Crítico
Clube dos Cinco (1985) 

Lançado em 1985, Clube dos Cinco é um clássico absoluto da Sessão da Tarde e marcou gerações nas décadas de 1980 e 1990. Dirigido por John Hughes, o filme completou recentemente mais de trinta anos desde os eventos que retrata. O figurino, assinado por Marilyn Vance, que também trabalhou em outras produções de Hughes, como Mulher Nota Mil (1985) e A Garota de Rosa-Shocking (1996), ajuda a compor a atmosfera atemporal da obra.

A trama acompanha cinco adolescentes que passam um sábado de castigo na escola, obrigados a escrever um ensaio de mil palavras sobre quem acreditam ser. Confinados na biblioteca, eles acabam se aproximando e descobrindo afinidades inesperadas, apesar das diferenças. A vigilância fica a cargo do diretor Richard Vernon (Paul Gleason), a personificação do adulto autoritário e entediante. Sua aparência reforça esse estereótipo: uma camisa preta sem gravata e um paletó antiquado, de cor indefinida entre o cinza e o bege, que transmite a monotonia de sua personalidade.

Foto: reprodução/Veja SP

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Texto revisado por Cristiane Amarante

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