Descubra quais obras combinam com a personalidade e com os segredos dos professores mais memoráveis de Harry Potter
[Contém spoiler]
O Dia dos Professores é uma data para celebrar quem dedica a vida a ensinar, inspirar e transformar. Mais do que transmitir conhecimento, os mestres são guias que despertam curiosidade, ampliam horizontes e nos lembram de que aprender é uma forma de magia.
No universo de Harry Potter, os professores de Hogwarts cumprem exatamente esse papel. Entre feitiços, poções e profecias, cada um deles ensina muito mais do que o seu conteúdo: compartilham coragem, sabedoria, humor e, até mesmo, falhas humanas que os tornam inesquecíveis. São figuras que moldam não apenas bruxos e bruxas, mas também leitores que cresceram sonhando com aquelas salas de aula cheias de mistério.

Pensando nisso, o Entretetizei preparou uma lista especial com quinze livros que os professores de Harry Potter provavelmente leriam. De clássicos da filosofia a poemas sobre flores e renascimentos, essas escolhas refletem suas personalidades, seus dilemas e suas paixões. Porque, no fim das contas, todo bom professor – bruxo ou trouxa – é também um eterno aprendiz.
Remo Lupin

Publicado em 1886, O Médico e o Monstro é um dos grandes clássicos da literatura gótica. A trama acompanha o respeitável Dr. Jekyll, que cria uma poção capaz de libertar o seu lado mais obscuro: o temido Sr. Hyde. O romance explora, com maestria, o conflito entre razão e instinto, civilidade e brutalidade, revelando que o verdadeiro horror pode habitar dentro de cada um de nós.

Lupin certamente se veria nas páginas de Stevenson. Assim como Jekyll, ele vive dividido entre a sua natureza racional e o monstro que carrega dentro de si. Sensível e introspectivo, o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, no livro Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (1999), encontraria na leitura uma reflexão profunda sobre identidade, controle e aceitação – temas que o acompanham desde a infância.
Rúbeo Hagrid

Em O Guia das Criaturas Mágicas: Desbravando Terras Brasileiras, Thaís Câmara (2019) recria o imaginário do folclore brasileiro com um olhar naturalista e um coração de sonhadora. Entre as páginas ilustradas, o leitor descobre seres fantásticos da fauna e flora nacionais, assim como entidades protetoras das matas e criaturas que desafiam a lógica. O livro mistura pesquisa, imaginação e afeto por um Brasil mágico e selvagem.

Para Hagrid, que foi professor da disciplina Trato das Criaturas Mágicas em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (1999), essa seria uma leitura obrigatória. Ele se apaixonaria instantaneamente pelas criaturas do folclore brasileiro e se dedicaria a aprender cada detalhe sobre seus hábitos e habitats. O livro o inspiraria a embarcar em uma nova aventura – talvez um intercâmbio com o Ministério da Magia brasileiro ou um curso inédito em Hogwarts: Trato das Criaturas Mágicas Tropicais.
Dolores Umbridge

Escrito em 1532, O Príncipe é o tratado mais famoso sobre poder e política já produzido. Maquiavel analisa como os governantes conquistam, mantêm e ampliam sua autoridade, discutindo virtude, fortuna e moralidade com impressionante frieza e lucidez. Tanto tempo depois de sua publicação, o livro continua a provocar debates sobre ética e liderança.

Umbridge, que foi professora de Defesa Contra as Artes das Trevas em Harry Potter e a Ordem da Fênix (2003), leria Maquiavel com entusiasmo e faria marcações com a sua inseparável caneta rosa. Convencida de que o autor apenas confirma suas crenças, veria, nas páginas do livro, uma validação para suas práticas autoritárias e seu amor pela hierarquia. Enquanto Maquiavel propõe reflexão, ela leria instruções.
Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore

Clássico da educação e da filosofia humanista, Pedagogia do Oprimido (1968) é uma das obras mais influentes de Paulo Freire. O autor propõe uma educação libertadora, baseada no diálogo, na consciência crítica e na transformação social. Para Freire, ensinar é um ato político e aprender é um processo coletivo de emancipação.

Dumbledore, que foi professor de Transfiguração e de Defesa Contra as Artes das Trevas antes de se tornar diretor de Hogwarts em 1956, certamente se encantaria pelas ideias de Freire. Como educador, ele sempre acreditou que o conhecimento deve libertar, não dominar. Sua postura diante dos alunos e da própria comunidade mágica reflete o espírito freireano: empatia, escuta e fé no potencial de cada ser humano (ou bruxo).
Mais do que um livro sobre ensino, Pedagogia do Oprimido é uma reflexão sobre poder, justiça e coragem moral, temas que ecoam nas decisões e dilemas de Dumbledore. Ele o leria não apenas como um manual de educação, mas como um espelho de sua própria missão: formar mentes críticas e corações livres, mesmo diante de uma época tomada pelas trevas.
Madame Hooch

No romance Eu Fui Amelia Earhart (1998), Jane Mendelsohn conta a história da lendária aviadora Amelia Earhart, desaparecida em 1937, na costa da Nova Guiné, com o navegador Fred Noonan. Entre o real e o mítico, a autora transforma o mistério em poesia, em uma narrativa sobre liberdade, coragem e o desejo de ultrapassar fronteiras, sejam elas geográficas ou interiores. É um livro para quem gosta de sonhar sem tirar os pés do chão.

A instrutora de voo e árbitra dos jogos de Quadribol em Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997), se veria em cada página de Amelia. Ela admiraria o espírito livre da aviadora e a forma como Mendelsohn transforma o voo em metáfora da própria vida: uma jornada de risco, descoberta e beleza. A leitura seria, para ela, um lembrete de que quem vive nas alturas nunca se contenta com o chão.
Sibila Trelawney

Com humor e sensibilidade, Italo Calvino conta, em O Visconde Partido ao Meio (1952), a história do Visconde de Terralba, um homem literalmente dividido em duas metades – uma boa e outra má – depois de um acidente em batalha no qual ele é atingido por um tiro de canhão. A partir dessa fábula absurda e encantadora, o autor reflete sobre a dualidade humana e o desafio de ser inteiro em um mundo de extremos.

Trelawney, que é professora de Adivinhação em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (1999), certamente se encantaria com um personagem dividido entre o bem e o mal – e provavelmente veria nisso um presságio do futuro de algum aluno. Seu gosto pelo excêntrico e pelo simbólico encontraria eco no humor metafísico de Calvino. Afinal, se uma Trelawney já é capaz de deixar todos confusos, imagine duas.
Pomona Sprout

Na coletânea de poemas ilustrados o que o sol faz com as flores (2018), rupi kaur fala sobre crescimento, cura e pertencimento. Dividido em cinco partes – murchar, cair, enraizar, crescer e florescer –, o livro celebra os ciclos da vida e o poder regenerador do amor e da natureza. Uma leitura delicada e luminosa sobre encontrar beleza mesmo após as tempestades.

Como boa guardiã das estufas de Hogwarts, a professora de Herbologia, em Harry Potter e a Câmara Secreta (1998), se identificaria com a poesia de kaur e suas metáforas botânicas sobre renascimento. Veria, nas flores da autora, a mesma força que encontra em suas mandrágoras e heras encantadas: a capacidade de brotar mesmo depois de um inverno difícil. Ler esse livro seria, para ela, um exercício de esperança.
Severo Snape

Em uma cidade tomada por uma epidemia de treva branca, os habitantes perdem a visão e mergulham no caos. Com uma prosa hipnótica e reflexiva, José Saramago transforma essa fábula sombria em uma parábola sobre a fragilidade da civilização e a necessidade de enxergar com o coração. Ensaio Sobre a Cegueira (1995) é um clássico moderno sobre humanidade, lucidez e compaixão.

Snape, que foi professor de Poções desde Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997) e de Defesa Contra as Artes das Trevas em Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2005), se veria nesse romance como alguém que, em meio à escuridão moral, ainda consegue ver e agir. Assim como a protagonista do romance, ele habita as zonas cinzentas da ética, movido por um amor silencioso e uma coragem invisível. Para ele, Saramago não seria apenas leitura, mas espelho.
Minerva McGonagall

Escrita no século V a.C., Antígona é uma das tragédias mais intensas da Grécia Antiga. A peça narra o embate entre Antígona e o rei Creonte. A protagonista de Sófocles quer enterrar o irmão, desafiando as leis da cidade em nome da moral e da família; e o líder de Tebas representa a ordem e o dever do Estado. O confronto entre os dois revela o eterno dilema entre justiça e obediência, consciência e poder.

Poucos livros refletiriam tão bem o espírito de McGonagall, a professora de Transfiguração do trio principal desde Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997), quanto Antígona. Firme, ética e guiada por um senso inabalável de dever, ela compreenderia o peso das escolhas morais e a coragem necessária para enfrentá-las, mesmo quando isso significasse desafiar seus superiores. Leria Sófocles como quem revisita a própria aula sobre honra e integridade.
Horácio Slughorn

Ambientado na efervescência dos anos 1920, O Grande Gatsby (1925) retrata o milionário misterioso, Jay Gatsby, e a sua busca desesperada por amor, status e reconhecimento. Narrado por Nick Carraway, o romance é um retrato brilhante da ilusão e do brilho superficial da alta sociedade americana. Um clássico sobre vaidade, nostalgia e ambição.

Slughorn, que tornou-se professor de Poções em Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2005), se veria perfeitamente à vontade nas festas de Gatsby. Cercado de pessoas influentes e movido por um certo fascínio por estar rodeado de pessoas com grandes feitos, ele leria Scott Fitzgerald como quem reconhece velhos conhecidos. Ao mesmo tempo, perceberia, na solidão de Gatsby, um alerta: o prestígio pode ser encantador, mas a lealdade é um luxo ainda mais raro.
Fílio Flitwick

Grande Sertão: Veredas (1956) é a obra-prima de Guimarães Rosa. Um romance-labirinto narrado por Riobaldo, jagunço que rememora sua vida, suas guerras e seu amor por Diadorim. Em prosa poética e inventiva, o autor explora o sertão como território físico e existencial, onde se travam batalhas entre o bem e o mal, o humano e o divino, o real e o mágico.

Professor da disciplina de Feitiços desde Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997) e fundador do Clube de Duelos, o diretor da Casa Corvinal se deixaria fascinar pela alquimia linguística de Rosa. Encontraria, no sertão, o mesmo mistério que há nas varinhas: forças invisíveis que moldam o mundo. Entre um feitiço e outro, refletiria sobre o diabo que há em cada escolha humana – e, talvez, até descobrisse a música escondida nas veredas.
Gilderoy Lockhart

No clássico de Oscar Wilde, o belo e vaidoso Dorian Gray deseja permanecer jovem para sempre e tem seu pedido atendido após fazer um pacto implícito com o seu retrato. Enquanto ele mantém a aparência intacta, seu retrato, pintado por Basil Hallward, envelhece e carrega as marcas de sua corrupção. Uma fábula sombria sobre o culto à beleza, o narcisismo e o preço da vaidade.

O professor de Defesa Contra as Artes das Trevas em Harry Potter e a Câmara Secreta (1998), devoraria O Retrato de Dorian Gray (1890) com o mesmo entusiasmo com que coleciona prêmios e fotografias autografadas. Lockhart admiraria Dorian, invejaria o retrato e talvez nem percebesse a crítica. Para ele, seria menos uma tragédia moral e mais um manual de cuidados estéticos. Afinal, um rosto bem conservado é, em sua opinião, a melhor forma de imortalidade.
Quirino Quirrell

Símbolo do romantismo alemão, Fausto (1790) conta a história de um homem erudito que, insatisfeito com os limites do conhecimento humano, faz um pacto com Mefistófeles – o diabo – em troca de sabedoria e poder ilimitados. A partir desse acordo, Goethe constrói uma narrativa grandiosa sobre ambição, culpa e redenção, na qual o desejo de conhecer tudo pode custar a própria alma.

Quirrell, que foi professor de Defesa Contra as Artes das Trevas em Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997), se identificaria de imediato com o drama de Fausto. Fascinado pela promessa de poder e incapaz de resistir à tentação do proibido, ele veria na história de Goethe um reflexo perturbador de suas próprias escolhas – especialmente a de servir Voldemort. Talvez lesse o livro em busca de compreensão… ou de justificativa para a sua escolha controversa.
Alastor Moody

Escrito há mais de dois mil anos, A Arte da Guerra é o mais célebre tratado sobre estratégia e tática militar. Em breves capítulos, o general chinês Sun Tzu ensina que vencer não depende apenas da força, mas também da inteligência, da observação e do domínio de si mesmo. Um guia atemporal sobre disciplina, planejamento e prudência.

Veterano de batalhas e mestre em vigilância constante, Moody – que foi professor de Defesa Contra as Artes das Trevas em Harry Potter e o Cálice de Fogo (2000), ainda que sob o disfarce de Bartô Crouch Jr – encontraria, nesse livro, um manual para a vida. Identificaria, nos ensinamentos do autor, o equilíbrio entre prudência e coragem, e sublinharia cada lição sobre antecipar o inimigo. Para ele, não é apenas um livro de estratégia: é leitura obrigatória em tempos de enfrentamento das forças das trevas.
Firenze

Em Cosmos (1980), Carl Sagan conduz o leitor por uma jornada poética através do espaço e do tempo. Unindo ciência, filosofia e humanidade, o astrofísico explora as origens do universo, o mistério da vida e o lugar da Terra na imensidão do cosmos. Um clássico que celebra o poder da curiosidade e a beleza do desconhecido.

O centauro, que substituiu a professora Trelawney na disciplina de Adivinhação durante a narrativa de Harry Potter e a Ordem da Fênix (2003), encontraria, nesse livro, uma ponte entre a ciência dos homens e a sabedoria das estrelas. Fascinado pelos movimentos cósmicos e pela harmonia do universo, Firenze leria Sagan como quem contempla o firmamento com reverência e esperança. Seria uma leitura que confirma o que ele já sabe: estamos todos feitos da mesma matéria das constelações.
Ao final, fica a lembrança de que professores, sejam eles de Hogwarts ou do mundo real, deixam marcas que vão muito além do que está nos livros. Cada ensinamento e cada história compartilhada, é um feitiço que transforma a vida de quem aprende. E, se alguns de nossos mestres favoritos fossem leitores assíduos, certamente suas estantes estariam cheias de obras que refletem suas paixões, dilemas e sonhos, porque aprender e ensinar são, afinal, a mesma forma de magia.
Que este Dia dos Professores nos inspire a valorizar aqueles que guiam, iluminam e encantam, seja com varinhas ou com palavras.

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Texto revisado por Ketlen Saraiva @lapidando_palavras









