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Foto: reprodução/Wikipedia

Nova exposição em São Paulo reflete sobre a relação do Japão com a água

Com entrada gratuita, a mostra Fluxos – o Japão e a água entra em cartaz no final de outubro na Japan House

Sendo um país insular, as águas do Japão são compostas por inúmeros rios e lagos. A água, que não apenas sustenta a vida cotidiana, mas também exerce grande influência sobre a economia, a tradição, a ciência e a tecnologia, bem como o desenvolvimento da espiritualidade das pessoas, é tema na mostra Fluxos – o Japão e a água.

A exposição da Japan House São Paulo (JPHS) apresenta esse elemento a partir de diferentes perspectivas: seu desenvolvimento junto da economia e infraestrutura das cidades e do meio ambiente; seus avanços tecnológicos e aprimoramento de sua qualidade e abastecimento; sua importância para a cultura e tradições japonesas; e sua influência por meio da arte. 

Com curadoria de Natasha Barzaghi Geenen, Diretora Cultural, a mostra traz o movimento centrífugo das águas para a expografia, que convida o público a explorar um ambiente de formas arredondadas com texturas e iluminação que parecem deixar o segundo andar da Japan House São Paulo submerso.

Foto: reprodução/O Globo

Pela perspectiva da infraestrutura, a mostra destaca o Canal Subterrâneo de Escoamento da Área Metropolitana de Tóquio, considerado a maior edificação de desvio subterrâneo de inundações do mundo. O canal foi projetado para auxiliar parte da cidade durante as estações chuvosas e em casos de tufões, armazenando temporariamente a água excedente para posterior bombeamento abaixo do nível do solo ao invés de transbordar.

Outra abordagem são os festivais e rituais que têm a água como elemento central: Uchimizu, em que os japoneses espalham água pelos jardins e ruas como forma de higienizar os espaços, mas também cumprindo uma função ritualística e contemplativa; Temizu e Mizugori, rituais de purificação realizados, geralmente, na entrada de templos e santuários no Japão, em que as pessoas lavam mãos e boca em água corrente com a ajuda de uma concha hishaku; Takigyō, treinamento budista milenar que consiste em meditar embaixo  de uma cachoeira para purificar e fortalecer corpo e mente; Mikumari Jinja, santuário xintoísta ligado à divindade da água, que simboliza a distribuição e o compartilhamento desse recurso; e o festival Okinami Tairyō, realizado anualmente na cidade de Anamizu, na província de Ishikawa, onde os moradores rezam por segurança no mar e por sorte na temporada de pesca. 

Foto: reprodução/Mirando hacia Japón

Como pontos focais, a curadora selecionou três obras de arte que evidenciam essa relação profunda da sociedade japonesa com a água: a primeira e mais antiga delas é uma gravura no estilo ukiyo-e (em japonês, imagem do mundo flutuante) feita pelo artista Hiroshige Utagawa, em 1857, como parte de uma série de 119 gravuras que retratam cenários da capital Edo, atual cidade de Tóquio.

O estilo é conhecido por representar temas cotidianos, paisagens e atores de teatro Kabuki a partir de impressões feitas em blocos de madeira esculpida. A xilogravura apresentada nesta exposição pertence ao acervo do Instituto Moreira Salles (IMS) e mostra o lago Kawaguchi, próximo ao templo Zenkoji, muito utilizado para travessias de barco na época.

Foto: reprodução/MeisterDrucke

Já a artista contemporânea Tomoko Sauvage apresenta a obra Buloklok, instalação que retoma a ideia de uma clepsidra (relógio de água considerado o instrumento de cronometragem mais antigo do mundo), com esculturas submersas em um grande aquário enquanto um motor estimula a formação de bolhas. A obra reflete sobre a fluidez da temporalidade, empírica e íntima, assim como todos os seres vivos possuem diferentes frequências respiratórias, ritmos e ordens de respiração. 

A terceira obra em destaque é a instalação Sans room, da artista Shiori Watanabe, que desenvolveu um ecossistema artificial de circulação microbiana por meio da água. O projeto apresenta uma estufa hidropônica de cultivo de arroz, conectada a tanques de água por meio de tubos em uma sala com iluminação de cultivo ultravioleta, trazendo uma reflexão sobre espaços isolados, considerados vazios, mas que concentram vida em seus interiores. 

Foto: reprodução/TimeOut

“Concebemos essa exposição justamente pensando que os debates sobre o uso consciente de recursos naturais estariam ainda mais em pauta no momento da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) em novembro. Nossa ideia é estender essas discussões, apresentando hábitos e soluções que o Japão tem encontrado para gerenciar recursos hídricos há anos. Além de muito conteúdo informativo, as obras de arte ocupam o centro da exposição e reforçam com poesia o simbolismo e importância da água. A própria expografia foi pensada a partir do movimento do pingo de água ressoando.  Esperamos que esta mostra seja um convite à reflexão e à contemplação”, comenta a curadora Natasha. 

Ao longo de todo o período expositivo, a Japan House ainda promoverá palestras, seminários e oficinas ligados às temáticas abordadas na mostra. A exposição integra o programa JHSP Acessível, que oferece recursos táteis, audiodescrição, vídeos em Libras e conteúdo em japonês, inglês e espanhol para proporcionar mais acessibilidade aos visitantes.  

Foto: reprodução/ArchDaily Brasil
Serviço

Exposição: Fluxos – o Japão e a água

Período: 21 de outubro de 2025 a 1° de fevereiro de 2026 

Local: Japan House São Paulo, térreo – Av. Paulista, 52, São Paulo – SP 

Horário de funcionamento: terça à sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h

Entrada gratuita. Reservas online antecipadas (opcionais) no site.

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz @anadodll

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