Projeto reúne depoimentos e incentiva empatia em tempos de transfobia
Em um contexto no qual a violência transfóbica ainda influencia números e estatísticas, a literatura surge como espaço de resistência, acolhimento e criação de pontes. No mês em que se celebra o Dia da Visibilidade Trans (29 de janeiro), a discussão sobre o direito à existência digna encontra um importante aliado no livro O Elo da Mariposa. Desenvolvido pela ilustradora Luda Aquareluda, em parceria com a multi-artista Nambir Kaur, o título está disponível online e funciona como suporte para famílias que buscam compreender e acolher identidades trans desde a infância.

Mais do que uma obra literária, O Elo da Mariposa se apresenta como um convite à escuta. A publicação reúne depoimentos de familiares que compartilham experiências, dúvidas, aprendizados e afetos durante o processo de entendimento e acolhimento de identidades trans, muitas ainda na infância e adolescência. Os relatos evidenciam desafios cotidianos enfrentados por essas pessoas e por seus familiares, além de destacar o amor presente nessas relações em um país onde a transfobia ainda se manifesta de maneira alarmante.
O projeto teve como ponto de partida a transição de gênero da irmã de Luda Aquareluda, responsável também pelas ilustrações em aquarela. “Fui a primeira a saber que Rapha era minha irmã, e não meu irmão. Surgiram novas perspectivas, conceitos foram decapitados. Em família, aprendemos muito e, nas crises e tristezas do caminho, expandimo-nos. Surgiu a ideia de editar um livro ilustrado que inspirasse outras pessoas que também estavam passando por este processo. Muitas aquarelas foram fluindo entre lágrimas, manifestando pinturas que são de acolhimento e de amor”, relata.

As entrevistas e a organização do conteúdo ficaram a cargo da antropóloga e multi-artista Nambir Kaur, que priorizou uma abordagem acessível, didática e afetuosa, contando ainda com a consultoria especializada do psicólogo Ernesto Nunes.
“O fio condutor dos encontros foi a potência do acolhimento em suas inúmeras facetas, sempre com um olhar compassivo sobre as dificuldades inerentes ao processo. Conversamos sobre o luto das idealizações, o medo da transfobia, a religiosidade e a espiritualidade, a surpreendente capacidade amorosa dos mais idosos e, principalmente, a beleza do amor que nos transforma quando encontramos coragem”, explica Nambir Kaur.

O livro foi editado e promovido pela Casa Jasmim, com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF e da OSC Jasminas. A obra foi distribuída gratuitamente para escolas e bibliotecas da rede pública e também pode ser adquirida online. Para garantir acessibilidade a pessoas com deficiência visual, parte da tiragem foi impressa em braille.
O livro O Elo da Mariposa foi lançado online e está disponível nas principais plataformas. Mais informações acerca do projeto podem ser encontradas no perfil do Instagram.

Em tempos em que o debate sobre identidade e respeito ainda enfrenta tantas barreiras, O Elo da Mariposa se firma como um gesto de escuta e humanidade. Ao reunir histórias reais de afeto, aprendizado e transformação, o livro não apenas amplia o diálogo sobre vivências trans, mas também reforça a importância do acolhimento dentro e fora de casa, mostrando que compreender o outro é, antes de tudo, um exercício de amor e coragem.

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Texto revisado por Kaylanne Faustino









