Livro de Rachid Benzine narra a história de um homem que encontra nos livros uma forma de resistência e memória
Do êxodo à prisão, do engajamento político à desilusão, do teatro à descoberta do amor, a trajetória de um livreiro se transforma no retrato de um povo marcado por décadas de violência e deslocamento. Em O Livreiro de Gaza (2026), romance do franco-marroquino Rachid Benzine – que chegou às livrarias em março pela Intrínseca –, a literatura surge como um gesto radical de sobrevivência em um território devastado pela guerra.

A narrativa começa quando um fotógrafo percorre as ruas e vielas de Gaza em busca de imagens que traduzam para o Ocidente a dimensão do conflito. Entre prédios destruídos e escombros, ele se depara com uma cena inesperada: sentado diante de uma vitrine repleta de livros, um senhor lê tranquilamente, como se aguardasse por alguém disposto a escutá-lo.
Entre ruínas empoeiradas e páginas amareladas, os livros não aparecem apenas como objetos: eles carregam fragmentos de uma vida, ecos de memória e cicatrizes de um povo que resiste apesar da violência constante.

Ao apontar sua câmera para o livreiro, o fotógrafo hesita, temendo quebrar o encanto daquele instante. O homem, porém, percebe sua presença e faz um pedido antes de permitir o retrato: quer contar sua história. “O senhor não concorda que um retrato é melhor se soubermos o que está por trás dele?”, pergunta.
Assim começa o relato de uma vida atravessada por perdas, deslocamentos e esperanças interrompidas. Em meio ao caos, o livreiro encontra nas palavras um refúgio e também uma forma de resistência – uma maneira de continuar existindo quando tudo ao redor parece ruir.
Com sensibilidade e força narrativa, Benzine constrói um testemunho sobre memória, identidade e sobrevivência. Em um mundo onde as bombas parecem querer ter a última palavra, O Livreiro de Gaza lembra que os livros continuam sendo uma poderosa ferramenta para compreender e habitar a realidade – e, talvez, transformá-la.
Sobre o autor

Rachid Benzine é franco-marroquino e um dos cientistas políticos e estudiosos islâmicos mais respeitados da Europa. Autor de seis romances aclamados pela crítica e de diversos livros de não ficção, foi condecorado com a Ordem Nacional do Mérito na França e no Marrocos. Em 2024, recebeu o Grand Prix du Roman Métis pelo romance Les Silences des Pères.
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Texto revisado por Cristiane Amarante









