Autor constrói um romance intenso sobre escolhas, sobrevivência e fragilidade humana em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial
E se, de repente, você fosse lançado no meio dos conflitos que antecederam a Segunda Guerra Mundial? E, sem saber o que viria pela frente, abandonasse seu grande amor para servir ao próprio país? É isso que acontece com Pavel Mchailovich Petrov. O russo é protagonista da narrativa criada por Marcel Bennet, militar de carreira que, ao viajar para a Rússia, teve a ideia para a obra.
Em Pássaro de Fogo – O Talismã de Yelnya, o autor explora as contradições humanas em meio à brutalidade da guerra. É do ponto de vista de Pavel, um simples estudante de engenharia, operário, e apaixonado por sua professora, Irina, que o leitor embarca nessa jornada.

Ao ser convocado, Petrov é enviado para Stalingrado, o front de batalha. Isolado, com frio e fome, o rapaz observa o inimigo à distância enquanto é assolado pelas lembranças da amada e do passado. Nesse contexto, o jovem se vê em seu principal conflito: ali ainda há espaço para compaixão ou apenas sobrevivência?
Através de uma linguagem elaborada, marcada por descrições sensoriais e por reflexões profundas do protagonista sobre a vida e a morte, Bennet cria um ambiente de forte carga poética e introspectiva. Além disso, a obra também aborda temas como identidade, destino e o impacto das escolhas individuais em meio às adversidades.
Sobre a obra
Quando as forças nazistas investiram contra o Leste naquela madrugada de domingo, a maioria dos soviéticos, alheios à tragédia que se avizinhava, ainda dormia.
O comunicado oficial do Governo veio somente várias horas mais tarde, em uma interrupção da programação de rádio habitual. O mundo em que viviam estava prestes a ruir, levando consigo vidas, sonhos e aspirações.

Assim se deu também para o estudante Pavel Mchailovich Petrov, ironicamente, em um dos momentos mais belos de sua vida. Arrebatado de sua realidade, Pavel é lançado às frentes, onde sobrevive a sangrentos embates com os alemães.
Os encontros repetidos com a morte, contudo, terminariam por brindá-lo com uma singular aptidão para o tiro à distância. Mais tarde, ao ver-se entre as ruínas de Stalingrado com seu rifle, reflete sobre o seu papel na guerra e a natureza humana, paradoxalmente frágil e brutal. E contempla a desolação da cidade que, talvez, represente a última chance de rever sua família e Irina – a paixão perdida ao início da guerra.
Consciente de que não há tempo para tantas conjecturas, Pavel toma seu lugar no alto do prédio fumegante. Reinicia-se a caçada. A visão dos olhos do inimigo através da luneta do rifle, entretanto, perturba-o: ele matará outra vez. O dedo afrouxa em um instante de hesitação; então, num impulso, comprime o gatilho. Estará ele fadado a matar até morrer? A sobrevivência torna-se uma frágil esperança em Stalingrado. O destino, todavia, poderá pregar-lhe uma última peça…
Sobre o autor
Marcelo Batista Rodrigues de Castro, mais conhecido pelo pseudônimo Marcel Bennet, possui formação em aeronaves e atuou por 15 anos na manutenção da Força Aérea Brasileira (FAB).

Também exerceu, por igual período, a profissão de cirurgião-dentista no atendimento à população pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ).
Após retornar de uma viagem à Rússia, em 2013, trouxe consigo uma bagagem intangível: a ideia para o livro Pássaro de Fogo – O Talismã de Yelnya.
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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura









