Jejum, fé e união familiar: entenda o Ramadã e os costumes que tornam esse período tão especial para os muçulmanos, de Istambul a Minas Gerais
O que é o Ramadã
O Ramadã (ou Ramazan, na Turquia) é o nono mês do calendário islâmico, baseado nos ciclos lunares, e considerado sagrado para os muçulmanos. Durante 30 dias, os fiéis fazem jejum do nascer ao pôr do sol, praticam orações diárias, leem o Alcorão e se esforçam para evitar comportamentos pecaminosos.
O jejum diário é quebrado no Iftar, a refeição que marca o fim da abstinência ao pôr do sol. Ao final do mês, o período culmina no Ramazan Bayramı (Festa do Açúcar), um feriado de três dias que celebra o encerramento do jejum. Em 2026, o Ramadã começa em 18 de fevereiro (podendo variar para o dia 19/02, conforme a observação da lua) e terminar por volta de 17 ou 18 de março, já que o mês sagrado no calendário islâmico pode ter 29 ou 30 dias, dependendo da confirmação lunar.
As celebrações do Bayram — também conhecido como Eid al-Fitr, a Festa do Fim do Jejum — acontecem após o encerramento do Ramadã, provavelmente a partir de 20 de março de 2026. Na Turquia, a festividade tradicionalmente dura três dias.

Por que é a data mais importante para o muçulmanos
O Ramadã (ou Ramadan) é o nome pelo qual se conhece o nono mês do calendário islâmico, um calendário diferente do gregoriano (usado no Ocidente). O calendário islâmico se baseia nos ciclos da Lua, tem 354 ou 355 dias de duração e 12 meses, com 29 ou 30 dias de extensão cada.
É um mês sagrado para os muçulmanos, pois, segundo a tradição islâmica, foi nesse período que o Alcorão começou a ser revelado. O arcanjo Gabriel transmitiu a palavra de Allah ao profeta Muhammad (Maomé), que estava em retiro espiritual na Caverna de Hira, próxima a Meca. Esse momento marca o início da revelação do livro sagrado do Islã.
Os muçulmanos se referem a esse acontecimento como Noite do Destino e afirmam que ele aconteceu em 610, momento em que Muhammad tinha por volta de 40 anos. Durante a revelação, o profeta recitou um verso para Allah e então iniciou sua trajetória de pregação da palavra de Deus. Esse acontecimento transformou o Ramadã em um mês sagrado para os fiéis do islamismo.

Costumes do Ramadã na Turquia e no Brasil
Para entender como o Ramadã é vivido fora da Turquia, conversamos com Hava, professora turca que mora em Minas Gerais. Ela explica que, na Turquia, o período é marcado por família reunida, mesas fartas e momentos de fé e alegria. “O Ramadã na Turquia significa família reunida, mesas lotadas, momentos de fé, oração e alegria. Na vida diária, restaurantes adaptam seus horários para o Iftar. Há programas especiais, séries e conversas sobre o mês do Ramadã. Acho que o jejum parece mais fácil lá porque a maior parte da sociedade participa”, conta Hava.
“Damos Zakat e Fitrah — as duas principais formas de doação no Islã — às pessoas que têm necessidade. A Zakat é um dos cinco pilares do Islã e representa uma obrigação anual de caridade. Já a Fitrah é uma doação obrigatória realizada especificamente ao final do Ramadã. Trata-se de um valor fixo por pessoa, geralmente equivalente ao custo de uma refeição completa. Todos os membros da família contribuem, destinando a doação a quem precisa“, complementa.
Já no Brasil, o Ramadã é menos perceptível na rotina diária, especialmente para quem precisa conciliar trabalho ou estudo. “A ordem de trabalho ou escola não muda. Quem jejua precisa ajustar seu próprio ritmo. Existem iftares e orações teravih em grandes cidades, como São Paulo, mas geralmente em ambientes menores. O Iftar mais comum acontece em casa, de forma calma e familiar”, explica a professora.
Essa diferença mostra como o mês sagrado é adaptado conforme o contexto cultural e a rotina local, mas mantém seu propósito central: união familiar, reflexão espiritual e fortalecimento da fé.

Tradição, fé e convivência
O Ramadã é, acima de tudo, um período de união familiar e reflexão espiritual, seja na Turquia, com ruas e programas especiais adaptados ao mês sagrado, ou no Brasil, onde os muçulmanos preservam os costumes em comunidade e em casa.
O jejum diário, a oração e o Iftar simbolizam disciplina, fé e solidariedade, lembrando que, mesmo em culturas diferentes, o Ramadã mantém seu significado central: a conexão com Allah e a valorização da família e da comunidade.

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Texto revisado por Alexia Friedmann









