Contando a história de três mulheres e suas raízes, Enterrem Nossos Ossos à Meia-Noite é uma história sobre liberdade e perda
Imagem: reprodução/Galera Record
Há livros que não pedem pressa. Com 644 páginas, Enterrem Nossos Ossos à Meia-Noite é um deles, entregando ao leitor uma história que exige silêncio, pausa e disposição para encarar aquilo que foi enterrado fundo demais para ser esquecido.
A obra mergulha em uma atmosfera densa e emocional, onde o passado não é apenas lembrado, mas continua vivo, influenciando decisões, relações e a maneira como cada personagem enxerga a si mesmo. A sensação constante é de que algo foi escondido, mas nunca realmente esquecido, e é justamente essa tensão silenciosa que sustenta a narrativa do início ao fim.
Uma escrita delicada e cortante
A escrita de V. E. Schwab chama atenção pela precisão emocional. Não há exageros dramáticos; ao contrário, a força da narrativa está nos detalhes, nos silêncios e nos momentos aparentemente simples que carregam significados profundos. Cada capítulo avança com cuidado, permitindo que o leitor absorva lentamente as emoções que atravessam a história.
Esse ritmo mais contemplativo pode surpreender leitores acostumados a narrativas rápidas e leves. A leitura, um pouco mais densa, não é feita para ser corrida, e pede tempo, reflexão e disponibilidade emocional.
Seguindo três narrativas em tempos diferentes de uma só história, a demora para que todas elas se entrelacem e façam sentido pode ser um fator negativo, exigindo certa perseverança na leitura.
Imagem: reprodução/Galera Record
Apesar do ritmo mais lento, a escrita em terceira pessoa nos permite ver a história de fora. V.E. também gosta de metáforas e figuras de linguagem, descrevendo nomes como sabores, cores como frutas e assim por diante, tentando ampliar a descrição de sentimentos e sensações.
A principal metáfora do livro traz os personagens como rosas, com as pétalas sendo o melhor deles – com o tempo, uma a uma se vai, só restando os espinhos.
Temas que atravessam a narrativa
Entre os principais temas trabalhados pela obra estão o luto, a memória, a culpa e a dificuldade de seguir em frente quando determinadas experiências permanecem abertas dentro de nós. A história questiona, de forma sensível, o que fazemos com aquilo que nos marcou profundamente: é possível realmente deixar algo para trás, ou apenas aprendemos a conviver com o que carregamos?
Ao explorar essas questões, a história cria uma conexão imediata com o leitor, justamente porque trata de sentimentos universais. Em diferentes momentos, é fácil reconhecer nas páginas emoções que fazem parte da experiência humana, como saudade, arrependimento, silêncio e a tentativa de reconstrução.
Enterrem Nossos Ossos à Meia-Noite é especialmente indicado para leitores que apreciam narrativas mais introspectivas, centradas no desenvolvimento emocional dos personagens e na construção de atmosfera. Quem busca histórias intensas, carregadas de significado e com forte impacto sensorial encontrará aqui uma leitura marcante.
Mais do que apresentar respostas, o livro convida à reflexão, deixando buracos propositais na narrativa com a intenção de permanecer ecoando em seus leitores mesmo depois do fim.
Apesar de escrever sobre criaturas que seguem suas próprias regras, V.E. Schwab nos mostrou que as questões humanas permanecem, não importa o quão poderoso se é.
Se somos rosas com pétalas e espinhos, o medo, a dor e a esperança são como raízes.
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Com o lançamento, o girl group aposta em emoção, ambiguidade e crescimento para abrir o próximo capítulo da própria história
O girl group Billlie começou 2026 do jeito que a gente já esperava, mas ainda assim conseguiu surpreender. Em vez de apostar só em impacto visual ou virada dramática, elas abriram o ano com cloud palace ~ false awakening, uma faixa que cresce aos poucos, que não entrega tudo de cara e que deixa mais perguntas do que respostas. E isso é totalmente intencional.
Foto: divulgação/MYSTIC STORY
Em entrevista exclusiva ao Entretê, as integrantes falaram sobre o significado desse “falso despertar”, o que realmente muda na narrativa do grupo e como quase cinco anos de carreira transformaram a forma como elas enxergam a própria identidade. Mais do que um novo capítulo na lore, essa fase parece um momento de olhar para dentro, sem perder a ambição de ir cada vez mais longe. Confira:
Entretetizei: cloud palace ~ false awakening parece carregar uma forte dualidade entre sonho e realidade. Que tipo de “despertar” essa música representa no universo narrativo da Billlie e também para vocês como artistas entrando em 2026?
MOON SUA: Eu acredito que o despertar em cloud palace é a percepção de que o momento em que você achou que estava totalmente acordado pode, na verdade, ser um novo começo. Dentro da história da Billlie, parece que acabamos de passar por um capítulo e estamos bem diante do próximo passo. É um momento de olhar para trás na jornada até agora, mas sem parar ali, então é mais como uma fase de preparação para contar histórias mais profundas e honestas daqui para frente.
SUHYEON: Para mim, o despertar de um artista é o momento em que a sua percepção sobre si mesmo começa a mudar. É um sinal de que você está pronto para seguir em uma nova direção. Ao abrirmos 2026, vejo esse single de pré-lançamento como a Billlie alcançando um ponto em que amadurecemos de uma nova maneira, mas, em vez de nos acomodarmos onde achávamos que já tínhamos despertado, continuamos nos fazendo perguntas e avançando em direção a um mundo mais amplo e maior.
E: O pôster intitulado GRANT OF ADMITTANCE parece um convite ou uma passagem. Para que os fãs estão recebendo “acesso concedido” neste novo capítulo da história da Billlie?
SHEON: Neste single de pré-lançamento, GRANT OF ADMITTANCE parece um espaço no qual você só pode entrar quando está realmente pronto para se encarar, ou um processo de entrar no seu próprio mundo interior. Você pode entrar nesse espaço quando finalmente encontra coragem para enfrentar quem você realmente é depois de atravessar neblina e confusão. Na história da Billlie, a porta que leva a esse espaço funciona como uma linha de fronteira, sinalizando o início de um novo capítulo.
HARAM: Eu acho que a Belllie’ve, nosso fandom, está bem diante dessa porta junto com a Billlie nessa história. Em vez de apresentar uma resposta fixa sobre o que é o cloud palace, estamos convidando cada um deles a olhar para esse espaço através das próprias emoções e perspectivas, e a vivenciar o enfrentamento do seu próprio eu interior. Então esse GRANT OF ADMITTANCE parece menos uma permissão e mais uma promessa de entrarmos juntos.
E: cloud palace foi apresentada pela primeira vez no fan meeting de vocês e recebeu uma resposta extremamente positiva. Como foi perceber que uma música ainda não lançada já tinha criado uma conexão tão profunda com os fãs? Essa reação influenciou a decisão de torná-la a chave do próximo álbum?
MOON SUA: Quando apresentamos cloud palace pela primeira vez no fan meeting, a música nem havia sido lançada oficialmente ainda, mas pudemos sentir imediatamente o quanto os fãs estavam se conectando emocionalmente com ela. A atmosfera geral depois que a música terminou, as expressões deles, o olhar e até as menores reações deixaram claro que as emoções dessa faixa já estavam alcançando a Belllie’ve de forma muito profunda.
SUHYEON: Acho que essas reações definitivamente influenciaram nossa decisão de lançar essa música primeiro como a chave do próximo álbum. Sentimos que cloud palace ~ false awakening poderia transmitir de forma mais honesta e clara o clima geral e a direção emocional do nosso próximo álbum. Realmente esperamos que, através de cloud palace, os ouvintes comecem naturalmente a ansiar pela próxima história e tenham uma primeira sensação da narrativa da Billlie e do caminho que estamos prestes a seguir com o próximo álbum.
E: Desde o debut, a Billlie vem construindo uma lore contínua e complexa. Como vocês equilibram a liberdade criativa individual de cada integrante com a necessidade de manter uma narrativa coesa entre os álbuns?
SHEON: Normalmente falamos livremente sobre as emoções ou imagens que vêm à mente quando ouvimos a música. Mesmo com a mesma canção, cada integrante pode imaginar cenas diferentes ou interpretá-la de forma diferente, e achamos que essas diversas perspectivas, na verdade, enriquecem a história da Billlie. Reunimos nossas ideias individuais e depois conversamos sobre como elas podem se conectar naturalmente dentro da narrativa maior ou do fluxo que queremos manter ao longo de um álbum. As interpretações individuais muitas vezes se tornam o ponto de partida, mas, no final, se unem como uma única história coesa.
HARUNA: Nós realmente tentamos respeitar a expressão emocional e a interpretação pessoal de cada integrante. Ao mesmo tempo, continuamos nos perguntando se tudo se encaixa com a história que a Billlie quer contar agora, e ajustamos esse equilíbrio juntas. Em vez de forçar as coisas dentro de um molde fixo, focamos em permanecer conectadas à narrativa geral que liga nossos álbuns, enquanto capturamos as emoções e a perspectiva atuais da Billlie. Acho que é assim que nossa história é construída, reunindo as interpretações livres das integrantes e moldando-as em uma narrativa compartilhada.
E: Vocês são frequentemente chamadas de ícones conceituais do K-pop. Do ponto de vista do grupo, o que esse título significa para vocês, e ele traz alguma pressão ou senso de responsabilidade para inovar conceitualmente o tempo todo?
MOON SUA: O título de “grupo conceitual” na verdade nos dá um senso de orgulho. Em vez de pressão, ele nos motiva a pensar um passo além. Por exemplo, pensamos em que tipo de história podemos contar dessa vez, o que naturalmente leva a mais brainstorm entre as integrantes e abre portas para novos experimentos. Então, em vez de nos limitar, acho que esse título ajudou a expandir o que a Billlie pode ser.
SIYOON: Para mim, ser descrita como “conceitual” parece um sinal de que os fãs realmente estão sentindo e se conectando com as histórias que construímos por meio da nossa música e performances, e isso me deixa muito grata. Claro que existe um senso de responsabilidade em querer mostrar algo novo, mas parece mais motivação do que pressão. E, em vez de nos forçarmos a ser novas o tempo todo, acho que o mais importante é continuar a história da Billlie de forma honesta, do nosso jeito. Quando permanecemos fiéis a isso, novos conceitos tendem a surgir naturalmente.
E: Em lançamentos como The Collective Soul and Unconscious e appendix: Of All We Have Lost, a Billlie explorou cada vez mais o subconsciente e as emoções humanas. Existem temas emocionais ou psicológicos que vocês sentem que ainda não exploraram totalmente, mas esperam abordar no futuro?
HARAM: Ultimamente, tenho me sentido especialmente atraída pelas emoções que surgem naturalmente quando você tenta se entender mais profundamente. Por exemplo, alguns sentimentos são difíceis de nomear claramente, como um estado vago em algum lugar entre ansiedade e certeza. Às vezes, essas emoções parecem mais honestas e realistas, o que me deixa curiosa sobre como poderiam se unir quando expressas através da música.
SIYOON: Acho que algumas emoções escapam quanto mais você tenta defini-las claramente. Então, daqui para frente, quero capturar emoções de uma forma mais aberta, sem forçá-las a uma única definição, simplesmente como elas são, ainda não resolvidas. Esse processo de ganhar confiança e depois questioná-la novamente é muito parecido com a forma como as pessoas, incluindo nós como Billlie, estão vivendo o presente. Se conseguirmos expressar naturalmente esse fluxo psicológico através da música e da narrativa, acho que pode se tornar mais uma história da Billlie com a qual os ouvintes realmente possam se identificar.
E: Suas colaborações com artistas como Patti LaBelle e Megan Thee Stallion no KPOPPED mostraram uma Billlie que transcende gêneros e gerações. O que essas experiências ensinaram a vocês sobre identidade musical além das fronteiras do K-pop?
MOON SUA: Através do KPOPPED, subir ao mesmo palco com tantos artistas diferentes realmente me lembrou que a música não tem fronteiras. Mesmo que os gêneros ou as gerações sejam diferentes, quando a energia e a sinceridade são genuínas, ainda podem ser compartilhadas e conectar as pessoas. Essa experiência me fez pensar de forma mais honesta sobre quem somos como artistas e que tipo de música realmente queremos fazer além do rótulo de artistas de K-pop.
SHEON: Colaborar com artistas como Patti LaBelle e Megan Thee Stallion se tornou um ponto de virada na expansão da nossa identidade musical. Em vez de mudarmos para nos encaixar em um novo estilo, tivemos a oportunidade de experimentar o tipo de sinergia que acontece quando a Billlie mantém sua própria essência enquanto encontra diferentes linguagens musicais. Por causa disso, acho que teremos muito mais confiança para cruzar fronteiras e tentar coisas novas daqui para frente.
E: Cada integrante tem uma presença muito distinta no palco e dentro dos conceitos. Como cada uma de vocês contribuiu individualmente para a atmosfera e a mensagem de cloud palace ~ false awakening?
HARAM: Acredito que cloud palace ~ false awakening foi um capítulo com o maior foco em quão profunda e precisamente as emoções poderiam ser transmitidas. Como ele completa a trilogia palace, não queríamos explodir grandes emoções de uma vez. Em vez disso, focamos em construir cuidadosamente o fluxo emocional através de pequenas respirações, mudanças sutis de tom e nuances delicadas. Dentro dessa atmosfera onírica e levemente ambígua, eu queria que meus vocais ancorassem a história para que os ouvintes pudessem se conectar naturalmente com suas próprias emoções.
SHEON: Para essa música, prestei mais atenção em criar um clima confortável e íntimo, quase como estar em um quarto privado, em vez de algo altamente encenado e performático. Especialmente nos vídeos de performance ao vivo, eu queria que esse foco na emoção aparecesse, enquanto também mostrava como estávamos realmente aproveitando o momento. Acho que essa atitude combinou bem com a sensibilidade onírica da música e ajudou a criar uma atmosfera em que os ouvintes pudessem se sentir mais próximos e imersos.
E: Depois de completar uma turnê mundial passando por 31 cidades, como se apresentar para públicos culturalmente diversos mudou a forma como vocês abordam performances ao vivo e se comunicam no palco?
MOON SUA: Viajar por tantas cidades ao redor do mundo e encontrar públicos com culturas e atmosferas completamente diferentes realmente mudou a forma como encaro performances ao vivo. Em cada show, senti que, mesmo que o idioma ou o contexto cultural sejam diferentes, as emoções ainda chegam, desde que eu me expresse com sinceridade no palco. Claro que entregar uma performance bem polida é importante, mas agora me importo ainda mais com que tipo de emoções estamos trocando com o público naquele momento e se a sinceridade que queremos transmitir realmente está alcançando eles.
HARAM: Durante a turnê mundial, percebi o quanto existem diferentes formas de as pessoas se comunicarem e reagirem. Em algumas cidades, a energia explode com grandes corais; em outras, o público aprecia o palco focando nas nossas vozes e na música em si. Perceber essas diferenças e me adaptar a elas se tornou parte da performance para mim. Aprendi naturalmente a controlar minha respiração e a me conectar por meio de contato visual e gestos, dependendo das reações do público. Graças a isso, o palco agora parece menos um espaço onde simplesmente performamos e mais um tempo compartilhado que criamos junto com o público.
E: A Billlie frequentemente colabora com produtores e letristas renomados, como IU e Lee Minsu. Como vocês traduzem ideias abstratas e conceituais em música pop acessível sem perder profundidade emocional?
SIYOON: Quando trabalhamos em uma música, o mais importante para nós é que, mesmo que uma ideia comece abstrata, o núcleo emocional precisa ser claro. Ultimamente, em vez de tentar definir emoções com precisão, tenho me interessado mais em quanto tempo uma emoção permanece e como ela muda lentamente ao longo do tempo. Mesmo quando você sente que uma emoção terminou, muitas vezes ela flui silenciosamente para outra sensação ligeiramente diferente. Esse tipo de transição é algo que queremos capturar naturalmente na nossa música, e essa é muito a abordagem pela qual a Billlie se sente atraída.
MOON SUA: Ao colaborar com pessoas que têm uma sensibilidade profunda para a expressão emocional, como IU e o compositor Lee Minsu, aprendi que, mesmo dentro da música pop, você pode transmitir totalmente mudanças sutis e ecos persistentes de emoção. Não se trata apenas de melodia ou letra; às vezes, a estrutura da música ou a forma como ela flui é o que conta a história emocional. Daqui para frente, em vez de apresentar emoções claramente definidas, queremos expressar momentos que se infiltram suavemente uns nos outros, do jeito da Billlie. Acho que esse tipo de nuance combina muito bem com o nosso conceito também.
E: O nome Billlie representa mostrar o lado B, a identidade interior que todos carregam. Quase cinco anos após o debut, o que vocês sentem que descobriram sobre seus próprios lados B, individual e coletivamente?
SIYOON: Com o tempo, percebi que meu lado B não é algo fixo, porque ele continua mudando. Passei a aceitar partes de mim que antes não queria mostrar, como vulnerabilidade ou emoções contraditórias, como partes importantes de quem eu sou. Passar por esse processo também tornou a Billlie, como grupo, mais honesta, e sinto que o nível das nossas emoções se tornou muito mais profundo. Em vez de algo polido ou perfeitamente organizado, acho que o lado B da Billlie agora é o lugar onde emoções reais e sem filtros se reúnem naturalmente.
MOON SUA: Acho que a ideia de lado B, ou do seu eu interior, é na verdade mais complicada do que parece. É aquela parte de você que só você consegue realmente olhar, algo que as outras pessoas não veem facilmente. Seja uma verdade ou uma emoção que você mesmo criou, isso pode mudar dependendo de como você escolhe enxergar. Pessoalmente, ao refletir sobre mim mesma, percebi que não sou tão frágil quanto pensava. Talvez eu tenha sido mais fraca antes, mas com o tempo fui ficando mais forte aos poucos, e agora sinto que me tornei alguém muito mais sólida e forte.
E: Para ouvintes que experimentarem cloud palace ~ false awakening como o primeiro contato com a Billlie, que sentimento, pergunta ou pensamento persistente vocês esperam que permaneça depois que a música termina?
SUHYEON: Para as pessoas que encontraram a Billlie pela primeira vez através desse single de pré-lançamento, espero que sintam que está tudo bem não definir as emoções que sentem ao ouvir nossa música. Mesmo sentimentos difíceis de explicar, ou que simplesmente passam por um momento, são significativos à sua própria maneira. Eu adoraria que essa música permanecesse como uma obra que gentilmente as convida a pausar e ouvir com mais atenção suas próprias emoções.
HARAM: Espero que um pensamento persistente ou questionamento permaneça com os ouvintes depois de ouvir cloud palace. Você não precisa encontrar respostas claras para perguntas como “Onde estou agora?” ou “Como é o meu eu interior?”. Se você puder guardar essas perguntas e naturalmente esperar pela próxima história, acho que esse tipo de conexão é exatamente o que esperamos compartilhar.
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Jejum, fé e união familiar: entenda o Ramadã e os costumes que tornam esse período tão especial para os muçulmanos, de Istambul a Minas Gerais
O que é o Ramadã
O Ramadã (ou Ramazan, na Turquia) é o nono mês do calendário islâmico, baseado nos ciclos lunares, e considerado sagrado para os muçulmanos. Durante 30 dias, os fiéis fazem jejum do nascer ao pôr do sol, praticam orações diárias, leem o Alcorão e se esforçam para evitar comportamentos pecaminosos.
O jejum diário é quebrado no Iftar, a refeição que marca o fim da abstinência ao pôr do sol. Ao final do mês, o período culmina no Ramazan Bayramı (Festa do Açúcar), um feriado de três dias que celebra o encerramento do jejum. Em 2026, o Ramadã começa em 18 de fevereiro (podendo variar para o dia 19/02, conforme a observação da lua) e terminar por volta de 17 ou 18 de março, já que o mês sagrado no calendário islâmico pode ter 29 ou 30 dias, dependendo da confirmação lunar.
As celebrações do Bayram — também conhecido como Eid al-Fitr, a Festa do Fim do Jejum — acontecem após o encerramento do Ramadã, provavelmente a partir de 20 de março de 2026. Na Turquia, a festividade tradicionalmente dura três dias.
Foto: divulgação/CNN
Por que é a data mais importante para o muçulmanos
O Ramadã (ou Ramadan) é o nome pelo qual se conhece o nono mês do calendário islâmico, um calendário diferente do gregoriano (usado no Ocidente). O calendário islâmico se baseia nos ciclos da Lua, tem 354 ou 355 dias de duração e 12 meses, com 29 ou 30 dias de extensão cada.
É um mês sagrado para os muçulmanos, pois, segundo a tradição islâmica, foi nesse período que o Alcorão começou a ser revelado. O arcanjo Gabriel transmitiu a palavra de Allah ao profeta Muhammad (Maomé), que estava em retiro espiritual na Caverna de Hira, próxima a Meca. Esse momento marca o início da revelação do livro sagrado do Islã.
Os muçulmanos se referem a esse acontecimento como Noite do Destino e afirmam que ele aconteceu em 610, momento em que Muhammad tinha por volta de 40 anos. Durante a revelação, o profeta recitou um verso para Allah e então iniciou sua trajetória de pregação da palavra de Deus. Esse acontecimento transformou o Ramadã em um mês sagrado para os fiéis do islamismo.
Foto: divulgação/CNN
Costumes do Ramadã na Turquia e no Brasil
Para entender como o Ramadã é vivido fora da Turquia, conversamos com Hava, professora turca que mora em Minas Gerais. Ela explica que, na Turquia, o período é marcado por família reunida, mesas fartas e momentos de fé e alegria. “O Ramadã na Turquia significa família reunida, mesas lotadas, momentos de fé, oração e alegria. Na vida diária, restaurantes adaptam seus horários para o Iftar. Há programas especiais, séries e conversas sobre o mês do Ramadã. Acho que o jejum parece mais fácil lá porque a maior parte da sociedade participa”, conta Hava.
“Damos Zakat e Fitrah — as duas principais formas de doação no Islã — às pessoas que têm necessidade. A Zakat é um dos cinco pilares do Islã e representa uma obrigação anual de caridade. Já a Fitrah é uma doação obrigatória realizada especificamente ao final do Ramadã. Trata-se de um valor fixo por pessoa, geralmente equivalente ao custo de uma refeição completa. Todos os membros da família contribuem, destinando a doação a quem precisa“, complementa.
Já no Brasil, o Ramadã é menos perceptível na rotina diária, especialmente para quem precisa conciliar trabalho ou estudo. “A ordem de trabalho ou escola não muda. Quem jejua precisa ajustar seu próprio ritmo. Existem iftares e orações teravih em grandes cidades, como São Paulo, mas geralmente em ambientes menores. O Iftar mais comum acontece em casa, de forma calma e familiar”, explica a professora.
Essa diferença mostra como o mês sagrado é adaptado conforme o contexto cultural e a rotina local, mas mantém seu propósito central: união familiar, reflexão espiritual e fortalecimento da fé.
Foto: divulgação/Mercado & Eventos
Tradição, fé e convivência
O Ramadã é, acima de tudo, um período de união familiar e reflexão espiritual, seja na Turquia, com ruas e programas especiais adaptados ao mês sagrado, ou no Brasil, onde os muçulmanos preservam os costumes em comunidade e em casa.
O jejum diário, a oração e o Iftar simbolizam disciplina, fé e solidariedade, lembrando que, mesmo em culturas diferentes, o Ramadã mantém seu significado central: a conexão com Allah e a valorização da família e da comunidade.
Foto: divulgação/Istanbul Tourist Pass
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