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Resenha | Entre nós e traumas, Ali Hazelwood volta à fantasia em Parceira

O livro amplia o universo licano e entrega química, política e dor na medida certa

[Contém spoilers]

Na aguardada continuação de Noiva, em Parceira, Ali Hazelwood explora novamente as nuances da política e da organização de lobos, vampiros e humanos. A autora decidiu apostar em tudo o que faz seus romances funcionarem tão bem: química muito bem construída, tensão emocional e cenas sensuais que arrancam suspiros.

Porém, nessa trama, Ali vai além do costumeiro. Com uma escrita ainda mais fluida, uma expansão de universo ficcional e um casal protagonista que, para muitos, entrega carisma, ela se consolida como uma das melhores autoras de romance contemporâneas.

Antes de mais nada, é preciso dizer que Parceira não funciona tão bem como leitura independente. Ainda que o casal principal seja outro, é em Noiva que a autora estabelece as regras, hierarquias e sensibilidades desse universo. E, para essa continuação, parte do impacto emocional vem dessa construção de mundo.

Entretanto, Ali faz o que sabe fazer de melhor: consegue prender o leitor a novos (e antigos) personagens, manter a história leve e tornar a narrativa menos sobre a descoberta de como esse mundo funciona e mais sobre como as coisas acontecem quando envolvemos traumas, política e desejo na trama.

Foto: reprodução/Instagram @tacasliterarias

Tudo começa em Serena Paris, personagem introduzida em Noiva como melhor amiga de Misery que, nos capítulos finais, descobre sua condição de híbrida. Para ela, o passado, ligado aos pais, é um borrão desconexo e confuso, com histórias contadas pela metade. Já o presente é marcado pelo anúncio ao mundo do fato de ser meio-humana e meio-licana somado à doença misteriosa que a acompanha.

Já Koen Alexander, o par romântico da protagonista, tem a vida muito bem delimitada. Sendo o alfa do Noroeste, cabe a ele a responsabilidade de reconstruir uma comunidade jovem demais e de manter um voto de celibato imposto pela Assembleia após a guerra que dizimou o bando.

É nesse choque de dever, dor e atração que o romance se enraíza. Tal fato é introduzido ao público ao fim do livro anterior, já que o próprio Koen afirma que Serena é sua parceira. Para completar a situação caótica, após as entrevistas sobre ela ser híbrida, a cabeça da garota está a prêmio. 

Com todo esse cenário atribulado, Serena foge e Koen a encontra em uma cabana afastada (enquanto ela é atacada por um vampiro) e a leva para o bando do Noroeste. No meio dos licanos, Ali desenvolve os três grandes plots: a suposta doença de Serena, a origem de seus pais e o voto de celibato de Koen.

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É nítido que a autora não pretende criar uma fantasia grandiosa. O foco, de fato, é o casal, como ele se desenvolve e como, nas diferenças, eles se encontram e se apaixonam. Além disso, as três narrativas se conectam de maneira fluida e de forma a fazer sentido dentro do contexto do livro.

Outro ponto a ser ressaltado é o aprofundamento na contextualização do universo em que os protagonistas estão inseridos. Em Noiva, tivemos a visão a partir de uma vampira que se casa com um licano. Com isso, é possível ter um gostinho de como a sociedade vampírica se organiza, o que é importante para eles, quais seus costumes…

Já em Parceira, a narrativa se volta para a história dos bandos de lobos. Onde se localizam, como se formaram, suas hierarquias e assembleias, tudo isso passa a ser a fundação na qual a história se ancora. A autora explora também a biologia licana, trazendo informações sobre doenças às quais esses seres estão suscetíveis e o famoso (e polêmico!) nó.

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Devido à construção do livro e às escolhas criativas de Ali, o ponto alto do livro, sem dúvidas, é a dinâmica entre Koen e Serena. Ainda que, para algumas pessoas, esse tenha sido motivo de desistência, o relacionamento dos dois é bem construído, ainda mais quando se destaca o vínculo de parceiros que eles possuem.

Koen é o tipo de alfa que domina a sala sem levantar a voz. Bruto no jeito, direto no desejo, protetor sem se tornar paternalista e dono de um autocontrole que só se desfaz quando Serena está perto demais. Em contraponto, Serena é altruísta de um jeito que chega a ser doloroso, carrega traumas de infância, perdas irreparáveis e uma sensação constante de inadequação; e tudo isso molda suas escolhas. 

O romance entre os dois nasce nessas diferenças, nesses detalhes. Após o início, marcado pela negação de Koen ao vínculo, é no tempo a mais em que ele permanece sentindo o cheiro do cabelo dela, na forma como ela cozinha para o bando e encontra ali uma família, na promessa de Koen de encher a casa de móveis “porque agora são dois”, que a parceria cria raiz e se sustenta até o fim da história.

Foto: divulgação/Entretetizei

No entanto, apesar da refrescância na escrita de Hazelwood, ao sair do nicho nerd-cientista típico de seus romances, ela cai na mesma problemática. O ritmo dos livros funciona, mas, ao chegar no terceiro ato, parece que o leitor entra em uma maratona. 

As resoluções chegam, mas de uma maneira apressada. As pontas soltas são amarradas em um final brusco e que não deixa aquele gostinho de quero mais. O que fica é a sensação de que faltou algo, uma última dobra narrativa, um detalhe pequeno. Uma água depois da corrida. 

Ainda assim, Parceira acerta onde mais importa: entrega um casal envolvente, uma expansão de universo consistente e uma história que fisga mais pelo emocional do que pelo espetáculo. 

Para leitores que amaram Noiva e querem saber mais do universo, é leitura obrigatória. Para quem procura fantasia complexa, talvez falte densidade. Mas para quem procura romance com tensão, química e boas cenas sensuais, Hazelwood entrega exatamente o que promete.

 

E aí, vai se aventurar no mundinho licano da Ali? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei Facebook, Instagram e X. E, se você gosta de trocar experiências literárias, venha participar do Clube de Leitura do Entretê, para conversar sobre leituras incríveis!

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Texto revisado por Angela Maziero Santana

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