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Foto: reprodução/Globoplay

Só o medo é eterno: a coletiva da série Reencarne revela um terror autenticamente brasileiro

Elenco, direção e autores falam da fusão entre horror, sertanejo e identidade na nova produção do Globoplay

Na segunda-feira (20/10), a coletiva de imprensa da série Reencarne reuniu virtualmente o elenco principal, os autores e a equipe criativa para antecipar ao público o que está por vir. A produção, que estreia hoje (23) no Globoplay, ambienta-se em uma cidadezinha no interior de Goiás, onde mortes misteriosas, forças ocultas e uma investigação policial se entrelaçam com a crença na reencarnação e no sobrenatural. A protagonista interpretada por Taís Araújo, a delegada Bárbara Lopes, atravessa limites entre a razão e o inexplicável, e a coletiva destacou justamente essa tensão dramática como um dos pilares da narrativa.

Inovação técnica e identidade sonora

Os autores da série enfatizaram que Reencarne busca ser “terror sertanejo”, ou seja, um gênero híbrido que junta elementos do horror clássico (possessão, investigação de assassinatos, corpo em mutação) com a musicalidade, os signos e a veia emocional da música sertaneja. Além disso, o diretor Bruno Safadi revelou um detalhe técnico que chamou a atenção da imprensa: trata-se da primeira série de dramaturgia da Globo produzida integralmente em 8K e com áudio em Dolby Atmos, para gerar uma imersão mais intensa ao espectador.

Foto: reprodução/Globoplay

Durante o bate-papo, Taís Araújo falou com sinceridade sobre seu envolvimento com o projeto: “Não sou espectadora de terror… mas achei genial o roteiro, essa coisa de terror quente, suado, brasileiro”. Ela também destacou a importância da equipe de roteiristas, composta por homens pretos e uma mulher, o que, segundo ela, ajudou a trazer originalidade ao olhar da série.

O elenco ainda compartilhou os bastidores de gravação em locais remotos de Goiás, em meio a milharais e estradas de terra, o que reforçou a atmosfera de isolamento, tensão e natureza ameaçadora. A atriz Julia Dalavia relatou o desconforto, o frio e o estranhamento provocados pelo cenário, algo que ajudou a integrar o clima de horror. Já o ator Welket Bungué comentou que trabalhar com elementos da música sertaneja, viola e melodramas inesperados foi um desafio e um aprendizado para compor seu personagem.

Por fim, a coletiva deixou claro que Reencarne pretende não apenas sustos, mas provocar reflexões sobre identidade, máscaras sociais e o que pensamos sobre vida e morte. Amanda Jordão, a única autora, ao lado de Juan Jullian e Elisio Lopes Jr., questionou: “Qual é a máscara que você veste? E como a gente, no final das contas, acaba se prendendo a essas identidades, sendo que a morte sempre está à espreita”.

O tom foi de ambição: oferecer ao público um terror genuinamente brasileiro, original no gênero, esteticamente ousado e emocionalmente denso. Se a execução estiver à altura, a série poderá marcar um novo padrão para o horror nacional.

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Texto revisado por Gabriela Fachin @gabrieladfachin

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