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10 álbuns de MPB para ouvir e se apaixonar pelo gênero

De clássicos que marcaram gerações a obras que revelam diferentes fases da música brasileira, seleção reúne discos indispensáveis para conhecer a diversidade da MPB

A mistura de diferentes ritmos, estilos e histórias que constroem a identidade cultural brasileira deu origem à Música Popular Brasileira, popularmente conhecida pela sigla MPB. Combinando elementos da música tradicional brasileira, a MPB deu luz ao movimento em que o samba, o jazz, a bossa nova, o sertanejo de raiz, a moda de viola, o baião nordestino, o rock e outros coexistem e dialogam entre si. 

Ao longo das décadas, especialmente a partir dos anos 1960, com o início da Ditadura Militar, o gênero tornou-se palco de experimentações artísticas e manifestações culturais. Com letras poéticas carregadas de sentimentos, memórias e reflexões sobre amor, política, cotidiano e existência, muitos álbuns apresentam uma forma única de enxergar a música e o Brasil.

Embora essas obras tenham marcado diferentes gerações, muitos desses clássicos ainda passam despercebidos por grande parte dos ouvintes de hoje. Em tempos em que as redes sociais e descobertas rápidas influenciam cada vez mais no gosto musical dos ouvintes, revisitar discos atemporais que ajudaram a construir a história da música brasileira é também uma forma de conhecer as raízes de artistas contemporâneos e entender por que essas canções seguem tão atuais como nunca.

Seja para ouvir pela primeira vez ou redescobrir álbuns que atravessaram décadas, esta seleção reúne dez discos essenciais para entrar de cabeça na majestosa MPB e, quem sabe, encontrar um novo favorito. Confira:

Um Banda Um (1982) – Gilberto Gil
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Um Banda Um é a entrega de uma fase de experimentação e liberdade criativa de Gilberto Gil. O disco mescla diversas referências musicais e, ao unir elementos do reggae, da música africana e de ritmos brasileiros, relembra a importância das raízes da cultura nacional. 

O próprio título do álbum é um trocadilho: lido em voz alta, soa como “Umbanda”, referência à religião brasileira de matriz africana, o que reforça a ânsia de Gil em abordar os temas de espiritualidade, ancestralidade e diversidade cultural ao longo das faixas.

Neste trabalho, Gil aposta toda a sua versatilidade em composições que transitam entre a celebração cultural e espiritual e o simples cotidiano. Com destaque para faixas como Andar com Fé, um convite à esperança que se tornou um dos maiores clássicos de sua carreira, além de Esotérico e Drão, o álbum equilibra a experimentação do cantor e o apelo popular, consolidando-se como uma das obras mais marcantes da discografia do artista.

Ouça o álbum completo aqui:

 

A Tábua de Esmeralda (1974) – Jorge Ben Jor
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Considerado um dos álbuns mais emblemáticos da discografia de Jorge Ben Jor e um dos mais importantes da música brasileira, A Tábua de Esmeralda representa o auge da criatividade do artista. Lançado em 1974, o disco rompe com o ideal de que a música popular deve optar por profundidade ou leveza: ao mesmo tempo em que cativa o ouvinte com um mix de samba, soul, funk, rock e influências da música africana, também carrega letras cheias de referências à alquimia, à filosofia, à espiritualidade e à história.

O disco é inspirado no texto Tábua de Esmeralda, obra do alquimista Hermes Trismegisto, e a partir dele Jorge Ben dá vida a todo um universo em que o místico e o cotidiano são uma coisa só. O resultado é um álbum inesquecível, que faz com que temas pouco explorados na música popular ganhem voz através de canções.

Entre os destaques estão Os Alquimistas Estão Chegando, que abre o disco anunciando o misticismo, Errare Humanum Est, com reflexões filosóficas, e Zumbi, uma das canções mais importantes da carreira do artista, que relembra a história de Zumbi dos Palmares e a valorização da cultura afro-brasileira. Mais de cinco décadas após seu lançamento, A Tábua de Esmeralda continua influenciando músicos de diferentes gerações e é uma porta de entrada para quem deseja adentrar o mundo da MPB.

Ouça o álbum completo aqui:

 

Coração Selvagem (1977) – Belchior
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Repleto da melancolia e da poesia características que consagraram Belchior como um dos grandes letristas da música brasileira, Coração Selvagem é o terceiro álbum de estúdio do cantor cearense. Lançado após o sucesso de Alucinação (1976), o disco contém letras profundamente confessionais, marcadas por romantismo, inquietações existenciais e reflexões sobre o amor, o tempo e a condição humana que construíram a identidade do artista.

Ao longo de nove faixas, Belchior faz com que as experiências pessoais sejam transformadas em narrativas universais, com arranjos que transitam entre a MPB, o folk e o rock. Extremamente intimista e intenso, cada canção revela um artista que tal como qualquer mero mortal está refém das contradições da vida e das emoções.

Entre os destaques estão a faixa-título, Coração Selvagem, considerada uma das maiores canções de amor da música brasileira, além de Paralelas, uma das composições mais marcantes da carreira do cantor. Coração Selvagem reforça a delicadeza com que Belchior é capaz de fazer conflitos internos e sentimentos universais seguirem emocionando o público em qualquer século.

Ouça o álbum completo aqui:

 

Flagra (1982) – Rita Lee
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Lançado em 1982, Flagra representa uma das fases mais maduras da carreira de Rita Lee, sem abrir mão do humor e desconstrução que fizeram da artista um dos maiores nomes da música brasileira. No álbum, acompanhamos faixas que transitam livremente entre o rock, o pop e a MPB, reinventando a sonoridade de Rita, sem a perda da identidade que conquistou gerações.

Com letras inteligentes e provocativas, temas como amor, desejo feminino e independência são abordados com um olhar crítico e a característica dose de ironia da eterna Rita Lee. Em uma época de transformações sociais e culturais, Flagra evidencia a personalidade única da cantora, que desafiava convenções sociais e o status quo ao tratar de liberdade, sexualidade e cotidiano de forma leve e, ao mesmo tempo, profunda.

A faixa-título, Flagra, tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira, enquanto canções como Cor de Rosa Choque consolidaram Rita Lee como um dos principais símbolos da emancipação feminina na música brasileira. 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Resposta ao Tempo (1998) – Nana Caymmi
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Lançado em 1998, Resposta ao Tempo é um dos álbuns mais marcantes da trajetória de Nana Caymmi e um retrato da maturidade artística de uma das maiores intérpretes da música brasileira. Dona de uma voz única, grave, sofisticada e profundamente emotiva, a cantora traz no disco uma explosão de sensibilidade onde cada canção é uma narrativa cheia de emoção e nuances.

Passeando entre a MPB e o samba-canção, o álbum narra a passagem do tempo, a memória, o saudosismo e as complexidades das relações humanas. Mais do que apenas cantar, o que chama a atenção na performance de Nana é que ela imprime melancolia em cada faixa, com a força das melodias e das letras observadas através de sua interpretação intimista.

A faixa-título, composta por Aldir Blanc e Cristóvão Bastos, tornou-se um dos maiores clássicos de sua carreira e sucesso nacional ao ser escolhida como tema de abertura da telenovela Hilda Furacão (1998). A interpretação de Nana dialoga com o tom apaixonado da trama, fazendo com que a canção permanecesse na memória do público. 

Com arranjos elegantes, Resposta ao Tempo reafirma Nana Caymmi como uma das grandes vozes da música brasileira, mostrando que a intensidade pode estar justamente na delicadeza.

Assista a abertura da minissérie aqui:

 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Plural (1990) – Gal Costa
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Plural, injustamente um dos discos menos lembrados de Gal Costa, marca uma nova fase na carreira da artista e coloca em pauta a versatilidade e a falta de receio ao se reinventar. Como o próprio título sugere, o álbum abrange diferentes facetas da cantora, reunindo influências da MPB, do pop, do rock e de sonoridades contemporâneas. Tudo isso sem abrir mão da interpretação intensa e da voz única que a consagraram como uma das maiores cantoras da música brasileira.

Ao longo do disco, Gal reafirma sua capacidade de caminhar por diferentes estilos e gerações. O repertório do álbum conta com composições de importantes nomes da música brasileira, um olhar apurado da cantora para escolher obras que valorizam sua maneira de se expressar e a ousadia de buscar novos caminhos artísticos.

Entre os destaques estão Cabelo, além da faixa-título Fon-Fon, que unifica a proposta do álbum ao celebrar a multiplicidade de sua trajetória. 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Bandido (1976) – Ney Matogrosso
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Segundo álbum solo de Ney Matogrosso, Bandido é uma das obras que estabeleceram o cantor como um dos artistas mais originais, ousados e performáticos da música brasileira. Após deixar o grupo Secos & Molhados, Ney reafirma sua identidade artística solo em um disco que mistura MPB, rock, ritmos latino-americanos e elementos experimentais, explorando diferentes sonoridades sem abrir mão da intensidade marcante que tornaram suas interpretações aclamadas.

O álbum não é apenas fruto da potência vocal do artista, mas também de sua relação com a teatralidade, a performance e a liberdade de expressão. Em um contexto marcado pela censura e repressão da Ditadura Militar, Ney constrói um trabalho que quebra paradigmas e consolida sua presença cênica através das interpretações das canções.

A faixa Bandido Corazón, composta por Rita Lee, é um dos grandes destaques do disco. Não poderia haver compositora mais adequada para traduzir o espírito irreverente e provocador do álbum do que a Rainha do Rock Brasileiro, cuja escrita dialoga perfeitamente com a personalidade artística de Ney Matogrosso. Ao lado de canções como Trepa no Coqueiro e A Gaivota, ela reforça a capacidade de Ney Matogrosso de transformar cada interpretação em um espetáculo. 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Não é Azul, Mas é Mar  (1987) – Djavan
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Considerado um dos álbuns mais poéticos da carreira de Djavan, Não é Azul, Mas é Mar é uma metamorfose de sentimentos, paisagens e acontecimentos em canções sentimentais. Misturando MPB, jazz, soul, ritmos afro-brasileiros e influências internacionais, o disco apresenta sonoridade e composições sofisticadas que evidenciam a proximidade entre o íntimo e o coletivo. 

Enquanto canções exploram o amor, a contemplação e as metáforas, a faixa Soweto se destaca por tratar da resistência ao Apartheid na África do Sul, tornando-se uma das primeiras músicas de protesto e caráter político de Djavan. Com o verso “O povo quer florescer e ganhar a vida” e a presença de vocalizações em Iorubá,  grupo étnico-linguístico da África Ocidental,  o compositor transforma a luta do povo sul-africano em uma reflexão esperança e reforça seu diálogo com a ancestralidade africana.

Com arranjos e melodias marcantes, o álbum também reúne sucessos como Dou-Não-Dou e Doidice”. Não é Azul, Mas é Mar une a sofisticação musical, marca registrada de Djavan, lirismo e um olhar atento para o mundo em um dos discos mais poéticos da carreira do astro.

Ouça o álbum completo aqui:

 

Só Se For a Dois (1987) – Cazuza
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Lançado em 1987, Só Se For A Dois marca um momento de amadurecimento na carreira solo de Cazuza. Mais introspectivo, o cantor opta por uma abordagem mais íntima, tratando de experiências vividas universalmente, com o amor, as relações humanas, contradições e os conflitos pessoais no centro de suas composições.

Ao longo do disco, Cazuza expõe experiências pessoais em canções com grande força emocional, equilibrando romantismo, vulnerabilidade e inquietação. Transitando entre o rock e a MPB, o álbum evidencia a habilidade do artista de unir poesia, crítica e sensibilidade em letras que permanecem atuais e capazes de dialogar com diferentes gerações.

Entre os destaques está a faixa-título, Só Se For a Dois, além de Solidão, Que Nada, um dos maiores sucessos da carreira de Cazuza. O disco também reúne O Nosso Amor a Gente Inventa, Heavy Love e outras faixas que reafirmam o talento único de Cazuza para traduzir emoções complexas em versos memoráveis e identificáveis. 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Muito Estranho (1982)  –  Dalto
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Muito Estranho foi o primeiro grande sucesso de Dalto e apresentou ao público um compositor que soube unir a delicadeza da MPB e o apelo do pop romântico como ninguém. O álbum aborda temas como amor, saudade e os desencontros das relações humanas, consolidando a identidade musical do cantor.

O grande destaque é a faixa Muito Estranho (Cuida Bem de Mim), composição que rapidamente se tornou um dos maiores sucessos da música brasileira dos anos 1980. Com versos que atravessam gerações, a canção ultrapassou o sucesso comercial e tornou-se um clássico, sendo regravada por diferentes artistas e permanecendo até hoje no imaginário popular.

Mais do que um disco marcado por um grande hit, Muito Estranho evidencia a habilidade de Dalto em transformar emoções cotidianas em canções atemporais. Com uma sonoridade delicada e interpretações sinceras, o álbum reafirma a força das baladas românticas dentro da MPB e permanece como uma obra essencial para quem deseja conhecer uma das facetas mais sensíveis da música brasileira.

Ouça o álbum completo aqui:

 

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Texto revisado por  Angela Maziero Santana

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