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10 álbuns de MPB para ouvir e se apaixonar pelo gênero

De clássicos que marcaram gerações a obras que revelam diferentes fases da música brasileira, seleção reúne discos indispensáveis para conhecer a diversidade da MPB

A mistura de diferentes ritmos, estilos e histórias que constroem a identidade cultural brasileira deu origem à Música Popular Brasileira, popularmente conhecida pela sigla MPB. Combinando elementos da música tradicional brasileira, a MPB deu luz ao movimento em que o samba, o jazz, a bossa nova, o sertanejo de raiz, a moda de viola, o baião nordestino, o rock e outros coexistem e dialogam entre si. 

Ao longo das décadas, especialmente a partir dos anos 1960, com o início da Ditadura Militar, o gênero tornou-se palco de experimentações artísticas e manifestações culturais. Com letras poéticas carregadas de sentimentos, memórias e reflexões sobre amor, política, cotidiano e existência, muitos álbuns apresentam uma forma única de enxergar a música e o Brasil.

Embora essas obras tenham marcado diferentes gerações, muitos desses clássicos ainda passam despercebidos por grande parte dos ouvintes de hoje. Em tempos em que as redes sociais e descobertas rápidas influenciam cada vez mais no gosto musical dos ouvintes, revisitar discos atemporais que ajudaram a construir a história da música brasileira é também uma forma de conhecer as raízes de artistas contemporâneos e entender por que essas canções seguem tão atuais como nunca.

Seja para ouvir pela primeira vez ou redescobrir álbuns que atravessaram décadas, esta seleção reúne dez discos essenciais para entrar de cabeça na majestosa MPB e, quem sabe, encontrar um novo favorito. Confira:

Um Banda Um (1982) – Gilberto Gil
Foto: divulgação/Spotify

Um Banda Um é a entrega de uma fase de experimentação e liberdade criativa de Gilberto Gil. O disco mescla diversas referências musicais e, ao unir elementos do reggae, da música africana e de ritmos brasileiros, relembra a importância das raízes da cultura nacional. 

O próprio título do álbum é um trocadilho: lido em voz alta, soa como “Umbanda”, referência à religião brasileira de matriz africana, o que reforça a ânsia de Gil em abordar os temas de espiritualidade, ancestralidade e diversidade cultural ao longo das faixas.

Neste trabalho, Gil aposta toda a sua versatilidade em composições que transitam entre a celebração cultural e espiritual e o simples cotidiano. Com destaque para faixas como Andar com Fé, um convite à esperança que se tornou um dos maiores clássicos de sua carreira, além de Esotérico e Drão, o álbum equilibra a experimentação do cantor e o apelo popular, consolidando-se como uma das obras mais marcantes da discografia do artista.

Ouça o álbum completo aqui:

 

A Tábua de Esmeralda (1974) – Jorge Ben Jor
Foto: divulgação/Spotify

Considerado um dos álbuns mais emblemáticos da discografia de Jorge Ben Jor e um dos mais importantes da música brasileira, A Tábua de Esmeralda representa o auge da criatividade do artista. Lançado em 1974, o disco rompe com o ideal de que a música popular deve optar por profundidade ou leveza: ao mesmo tempo em que cativa o ouvinte com um mix de samba, soul, funk, rock e influências da música africana, também carrega letras cheias de referências à alquimia, à filosofia, à espiritualidade e à história.

O disco é inspirado no texto Tábua de Esmeralda, obra do alquimista Hermes Trismegisto, e a partir dele Jorge Ben dá vida a todo um universo em que o místico e o cotidiano são uma coisa só. O resultado é um álbum inesquecível, que faz com que temas pouco explorados na música popular ganhem voz através de canções.

Entre os destaques estão Os Alquimistas Estão Chegando, que abre o disco anunciando o misticismo, Errare Humanum Est, com reflexões filosóficas, e Zumbi, uma das canções mais importantes da carreira do artista, que relembra a história de Zumbi dos Palmares e a valorização da cultura afro-brasileira. Mais de cinco décadas após seu lançamento, A Tábua de Esmeralda continua influenciando músicos de diferentes gerações e é uma porta de entrada para quem deseja adentrar o mundo da MPB.

Ouça o álbum completo aqui:

 

Coração Selvagem (1977) – Belchior
Foto: divulgação/Spotify

Repleto da melancolia e da poesia características que consagraram Belchior como um dos grandes letristas da música brasileira, Coração Selvagem é o terceiro álbum de estúdio do cantor cearense. Lançado após o sucesso de Alucinação (1976), o disco contém letras profundamente confessionais, marcadas por romantismo, inquietações existenciais e reflexões sobre o amor, o tempo e a condição humana que construíram a identidade do artista.

Ao longo de nove faixas, Belchior faz com que as experiências pessoais sejam transformadas em narrativas universais, com arranjos que transitam entre a MPB, o folk e o rock. Extremamente intimista e intenso, cada canção revela um artista que tal como qualquer mero mortal está refém das contradições da vida e das emoções.

Entre os destaques estão a faixa-título, Coração Selvagem, considerada uma das maiores canções de amor da música brasileira, além de Paralelas, uma das composições mais marcantes da carreira do cantor. Coração Selvagem reforça a delicadeza com que Belchior é capaz de fazer conflitos internos e sentimentos universais seguirem emocionando o público em qualquer século.

Ouça o álbum completo aqui:

 

Flagra (1982) – Rita Lee
Foto: divulgação/Spotify

Lançado em 1982, Flagra representa uma das fases mais maduras da carreira de Rita Lee, sem abrir mão do humor e desconstrução que fizeram da artista um dos maiores nomes da música brasileira. No álbum, acompanhamos faixas que transitam livremente entre o rock, o pop e a MPB, reinventando a sonoridade de Rita, sem a perda da identidade que conquistou gerações.

Com letras inteligentes e provocativas, temas como amor, desejo feminino e independência são abordados com um olhar crítico e a característica dose de ironia da eterna Rita Lee. Em uma época de transformações sociais e culturais, Flagra evidencia a personalidade única da cantora, que desafiava convenções sociais e o status quo ao tratar de liberdade, sexualidade e cotidiano de forma leve e, ao mesmo tempo, profunda.

A faixa-título, Flagra, tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira, enquanto canções como Cor de Rosa Choque consolidaram Rita Lee como um dos principais símbolos da emancipação feminina na música brasileira. 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Resposta ao Tempo (1998) – Nana Caymmi
Foto: divulgação/Spotify

Lançado em 1998, Resposta ao Tempo é um dos álbuns mais marcantes da trajetória de Nana Caymmi e um retrato da maturidade artística de uma das maiores intérpretes da música brasileira. Dona de uma voz única, grave, sofisticada e profundamente emotiva, a cantora traz no disco uma explosão de sensibilidade onde cada canção é uma narrativa cheia de emoção e nuances.

Passeando entre a MPB e o samba-canção, o álbum narra a passagem do tempo, a memória, o saudosismo e as complexidades das relações humanas. Mais do que apenas cantar, o que chama a atenção na performance de Nana é que ela imprime melancolia em cada faixa, com a força das melodias e das letras observadas através de sua interpretação intimista.

A faixa-título, composta por Aldir Blanc e Cristóvão Bastos, tornou-se um dos maiores clássicos de sua carreira e sucesso nacional ao ser escolhida como tema de abertura da telenovela Hilda Furacão (1998). A interpretação de Nana dialoga com o tom apaixonado da trama, fazendo com que a canção permanecesse na memória do público. 

Com arranjos elegantes, Resposta ao Tempo reafirma Nana Caymmi como uma das grandes vozes da música brasileira, mostrando que a intensidade pode estar justamente na delicadeza.

Assista a abertura da minissérie aqui:

 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Plural (1990) – Gal Costa
Foto: divulgação/Spotify

Plural, injustamente um dos discos menos lembrados de Gal Costa, marca uma nova fase na carreira da artista e coloca em pauta a versatilidade e a falta de receio ao se reinventar. Como o próprio título sugere, o álbum abrange diferentes facetas da cantora, reunindo influências da MPB, do pop, do rock e de sonoridades contemporâneas. Tudo isso sem abrir mão da interpretação intensa e da voz única que a consagraram como uma das maiores cantoras da música brasileira.

Ao longo do disco, Gal reafirma sua capacidade de caminhar por diferentes estilos e gerações. O repertório do álbum conta com composições de importantes nomes da música brasileira, um olhar apurado da cantora para escolher obras que valorizam sua maneira de se expressar e a ousadia de buscar novos caminhos artísticos.

Entre os destaques estão Cabelo, além da faixa-título Fon-Fon, que unifica a proposta do álbum ao celebrar a multiplicidade de sua trajetória. 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Bandido (1976) – Ney Matogrosso
Foto: divulgação/Spotify

Segundo álbum solo de Ney Matogrosso, Bandido é uma das obras que estabeleceram o cantor como um dos artistas mais originais, ousados e performáticos da música brasileira. Após deixar o grupo Secos & Molhados, Ney reafirma sua identidade artística solo em um disco que mistura MPB, rock, ritmos latino-americanos e elementos experimentais, explorando diferentes sonoridades sem abrir mão da intensidade marcante que tornaram suas interpretações aclamadas.

O álbum não é apenas fruto da potência vocal do artista, mas também de sua relação com a teatralidade, a performance e a liberdade de expressão. Em um contexto marcado pela censura e repressão da Ditadura Militar, Ney constrói um trabalho que quebra paradigmas e consolida sua presença cênica através das interpretações das canções.

A faixa Bandido Corazón, composta por Rita Lee, é um dos grandes destaques do disco. Não poderia haver compositora mais adequada para traduzir o espírito irreverente e provocador do álbum do que a Rainha do Rock Brasileiro, cuja escrita dialoga perfeitamente com a personalidade artística de Ney Matogrosso. Ao lado de canções como Trepa no Coqueiro e A Gaivota, ela reforça a capacidade de Ney Matogrosso de transformar cada interpretação em um espetáculo. 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Não é Azul, Mas é Mar  (1987) – Djavan
Foto: divulgação/Spotify

Considerado um dos álbuns mais poéticos da carreira de Djavan, Não é Azul, Mas é Mar é uma metamorfose de sentimentos, paisagens e acontecimentos em canções sentimentais. Misturando MPB, jazz, soul, ritmos afro-brasileiros e influências internacionais, o disco apresenta sonoridade e composições sofisticadas que evidenciam a proximidade entre o íntimo e o coletivo. 

Enquanto canções exploram o amor, a contemplação e as metáforas, a faixa Soweto se destaca por tratar da resistência ao Apartheid na África do Sul, tornando-se uma das primeiras músicas de protesto e caráter político de Djavan. Com o verso “O povo quer florescer e ganhar a vida” e a presença de vocalizações em Iorubá,  grupo étnico-linguístico da África Ocidental,  o compositor transforma a luta do povo sul-africano em uma reflexão esperança e reforça seu diálogo com a ancestralidade africana.

Com arranjos e melodias marcantes, o álbum também reúne sucessos como Dou-Não-Dou e Doidice”. Não é Azul, Mas é Mar une a sofisticação musical, marca registrada de Djavan, lirismo e um olhar atento para o mundo em um dos discos mais poéticos da carreira do astro.

Ouça o álbum completo aqui:

 

Só Se For a Dois (1987) – Cazuza
Foto: divulgação/Spotify

Lançado em 1987, Só Se For A Dois marca um momento de amadurecimento na carreira solo de Cazuza. Mais introspectivo, o cantor opta por uma abordagem mais íntima, tratando de experiências vividas universalmente, com o amor, as relações humanas, contradições e os conflitos pessoais no centro de suas composições.

Ao longo do disco, Cazuza expõe experiências pessoais em canções com grande força emocional, equilibrando romantismo, vulnerabilidade e inquietação. Transitando entre o rock e a MPB, o álbum evidencia a habilidade do artista de unir poesia, crítica e sensibilidade em letras que permanecem atuais e capazes de dialogar com diferentes gerações.

Entre os destaques está a faixa-título, Só Se For a Dois, além de Solidão, Que Nada, um dos maiores sucessos da carreira de Cazuza. O disco também reúne O Nosso Amor a Gente Inventa, Heavy Love e outras faixas que reafirmam o talento único de Cazuza para traduzir emoções complexas em versos memoráveis e identificáveis. 

Ouça o álbum completo aqui:

 

Muito Estranho (1982)  –  Dalto
Foto: divulgação/Spotify

 

Muito Estranho foi o primeiro grande sucesso de Dalto e apresentou ao público um compositor que soube unir a delicadeza da MPB e o apelo do pop romântico como ninguém. O álbum aborda temas como amor, saudade e os desencontros das relações humanas, consolidando a identidade musical do cantor.

O grande destaque é a faixa Muito Estranho (Cuida Bem de Mim), composição que rapidamente se tornou um dos maiores sucessos da música brasileira dos anos 1980. Com versos que atravessam gerações, a canção ultrapassou o sucesso comercial e tornou-se um clássico, sendo regravada por diferentes artistas e permanecendo até hoje no imaginário popular.

Mais do que um disco marcado por um grande hit, Muito Estranho evidencia a habilidade de Dalto em transformar emoções cotidianas em canções atemporais. Com uma sonoridade delicada e interpretações sinceras, o álbum reafirma a força das baladas românticas dentro da MPB e permanece como uma obra essencial para quem deseja conhecer uma das facetas mais sensíveis da música brasileira.

Ouça o álbum completo aqui:

 

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Texto revisado por  Angela Maziero Santana

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Cinema Notícias

The Cheetah Girls: Next Gen inicia produção na África do Sul

Novo filme traz Leah Sava’ Jeffries, Carmen Sanchez, Kaileen Chang e Sophie Lennon como a nova geração das Cheetah Girls, além do retorno de Raven-Symoné e Adrienne Bailon 

Foi confirmado o início da produção de The Cheetah Girls: Next Gen! O novo capítulo da franquia que marcou os anos 2000, será produzido na África do Sul e reunirá rostos conhecidos da saga original ao lado de uma nova geração de protagonistas.

Entre os retornos mais esperados estão Raven-Symoné, que volta ao papel de Galleria e também assina a produção executiva, e Adrienne Bailon, novamente como Chanel. O elenco ainda conta com Lynn Whitfield (Dorothea), Lori Alter (Juanita), além das participações especiais de Sabrina Bryan, que revive Dorinda, e Sophia Bush, novamente como Jennifré.

A nova formação das Cheetah Girls será liderada por Leah Sava’ Jeffries (Percy Jackson e os Olimpianos, 2023), que interpreta Faith, filha de Galleria. Também integram o grupo Carmen Sanchez (Electric Bloom – A Melhor Banda do Mundo, 2025) como Dior, irmã de Chanel, Kaileen Chang no papel de Ruby e Sophie Lennon como Brooklyn. O ator sul-africano Kamogelo Ramashala completa o elenco principal como Kendi.

 

 

Ao longo da trama, Galleria e Chanel vão acompanhar Faith e suas três amigas em uma viagem à África do Sul para realizarem um trabalho voluntário em um santuário de vida selvagem. A experiência, vai fazer com que as adolescentes precisem fortalecer ainda mais os laços de amizade, encontrar suas próprias vozes e enfrentar desafios para salvar a reserva natural. A jornada será finalizada quando elas forem capazes de assumir o legado das Cheetah Girls e subir ao palco como a nova formação do grupo.

A produção marca o retorno de Debra Martin Chase, produtora executiva dos três primeiros filmes da franquia. A direção conta com Bille Woodruff, que também co-produziu o longa. O roteiro é assinado por Kara Holden, Sarah Watson e Deborah Swisher, enquanto as coreografias serão criadas por Kyle Hanagami

De acordo com o  presidente da Disney Kids & Family, Ayo Davis, o propósito da franquia continua sendo a amizade, a música e a importância de fazer a própria voz ser ouvida. A executiva ainda afirmou que o novo filme busca mostrar esses valores a uma nova geração de espectadores.

Foto: divulgação/Disney+

Lançada em 2003, The Cheetah Girls se tornou uma das franquias mais populares dos Filmes Originais do Disney Channel. Com histórias sobre amizade, sonhos, música e empoderamento feminino, a série conquistou uma legião de fãs e segue relevante.

O anúncio de The Cheetah Girls: Next Gen acontece em um ano especial para os fãs do Disney Channel, que também celebra aniversários de franquias como High School Musical e Hannah Montana, além da chegada de novos títulos, como Descendentes: País das Maravilhas Malvado e Camp Rock 3.

Os três filmes originais da franquia, The Cheetah Girls, The Cheetah Girls 2 e The Cheetah Girls: Um Mundo, estão disponíveis no Disney+.

 

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

 

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Cultura Entretenimento Eventos Livros Notícias Teatro

CCBB Educativo – Lugar de Encontro apresenta programação gratuita para todas as idades

De 15 a 26 de julho, o CCBB Educativo oferece programação gratuita de férias para todas as idades, com oficinas, contação de histórias, visitas mediadas, música e circo

Durante as férias escolares, o CCBB Educativo – Lugar de Encontros apresenta, entre os dias 15 e 26 de julho, uma programação gratuita que transforma o tempo livre em uma oportunidade de descoberta, criação e convivência. A agenda reúne contações de histórias, oficinas, laboratórios de arte, atividades musicais e visitas mediadas às exposições Vik Muniz – A Olho Nu, Do Sal ao Digital: o Dinheiro na Coleção Banco do Brasil e ao prédio histórico do CCBB RJ. A programação também contempla atividades acessíveis e propostas voltadas às primeiras infâncias, para crianças de dois  a três  anos e de três  a seis anos.

Um dos destaques acontece no sábado, 18 de julho, às 14h, na Rotunda, com o espetáculo Circo Literário Show, apresentado pelos Irmãos Brothers. A montagem reúne circo, música e literatura em uma experiência lúdica que estimula o prazer pela leitura e a imaginação.

Outro destaque é a Maratona de Histórias CCBB Educativo, realizada às segundas, quartas, quintas e sextas, sempre às 11h. As sessões combinam música, palhaçaria, teatro de sombras e bonecos para aproximar o público do universo da literatura. Já os laboratórios propõem experiências práticas de criação artística, com oficinas de gravura, técnicas de revelação, modelagem em argila e teatro de sombras.

Foto: divulgação/Armazém Comunicação

Os programas educativos entram em cena com o intuito de provocar olhares diversos, partindo das exposições em cartaz para criar diálogos, relações e aproximações”, afirma a coordenadora do projeto, Daniela Chindler. Segundo ela, mais do que oferecer explicações prontas, o CCBB Educativo – Lugar de Encontros busca despertar a curiosidade e revelar a poesia presente nas experiências, nos encontros e nas obras.

 

Circo Literário Show apresentado pelos Irmãos Brothers

Entrada gratuita

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro – RJ.

Local: Rotunda

Sábado: 14h

Classificação indicativa: livre

O Circo Literário Show une circo, música e literatura para despertar o interesse das crianças pela leitura de forma lúdica e divertida. Com humor, números circenses e personagens inspirados na literatura infantil, o espetáculo estimula a imaginação, promove o hábito da leitura e celebra a trajetória de três gerações dos Irmãos Brothers.

Hora Do Conto

Entrada gratuita por ordem de chegada

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro – RJ.

Local: Sala do CCBB Educativo, 1° andar.Programação de férias Maratona de Histórias

Segunda, quarta, quinta e sexta: 11h e 16h

Sábados, domingos e feriados: 14h

Classificação indicativa: livre

Como mediar o conteúdo de uma exposição com histórias? Ao incluir histórias na programação, é sugerido ao visitante um novo olhar sobre as obras expostas. Para que a história se desenrole usa-se o faz de conta. Quando o visitante se transporta para o papel de ouvinte, ele está compactuando com a ficção. Existe melhor forma de viver experiências?

 

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Cultura Cultura pop Entretenimento Eventos Livros Notícias

Victoria Guimarães lança seu novo romance com protagonismo Drag no Rio de Janeiro

Escritora carioca lança seu novo livro publicado pela editora Flyve em evento Drag no Rio

Victoria Guimarães, escritora carioca, lançou seu novo livro Que se Dane o Shakespeare, publicado pela editora Flyve, no Experience Music. Acompanhando o tema do livro, houve uma apresentação Drag. A sessão de autógrafos começou às 17h, com entrada gratuita e o livro disponível a R$ 69,90. 

O livro é uma carta de amor à arte em suas mais diversas manifestações: da escrita aos palcos, do formato de peça de teatro, do medo de falhar na hora de viver o seu sonho ou até mesmo de não superar alguma questão do passado. O livro também convida o leitor a mergulhar no colorido e brilhante mundo das drag queens, com representatividade de personagens drag queens e cenas que se passam em shows e concursos de drag. 

Além de ter uma mensagem otimista de como enfrentar seus medos, o livro também retrata um romance entre os personagens. “Foi uma noite muito especial que resumiu muito o sentimento do livro quando terminamos de ler: leve, divertida e que rendeu boas risadas e momentos que vão ficar na memória“, disse Victoria, que estava muito animada com o lançamento.

O livro também está disponível no site da editora Flyve.  Os interessados podem saber mais sobre o evento pelas redes sociais de Victoria e da Editora Flyve.

Foto: divulgação/assessoria de imprensa: Maria Anna/Lavanda
Sobre Que se Dane o Shakespeare!

Após um acidente traumático – e talvez proposital – no dia de sua estreia, uma atriz apaixonada por Shakespeare acaba se frustrando com a carreira e com o seu autor favorito e se rende ao mundo dos comerciais de televisão que lhe dão dinheiro, apesar de a fazerem se sentir vazia. Tudo ia “bem” até que o medo de viver uma vida que não ama se torna maior do que suas memórias ruins e ela resolve voltar aos palcos.

Só que para isso, Catarina terá que lidar com muito mais do que esperava quando seu ex-melhor amigo ressurge como o par romântico na primeira peça que sua agente consegue, um texto justamente de Shakespeare.

Entre tapas e beijos com seu diretor, que também é uma Drag Queen espetacular, a atriz refaz seus passos para lembrar do motivo pelo qual se apaixonou pelos palcos em primeiro lugar e porque não consegue mais viver sem pisar neles.

Nada que uma turma de pirralhos de 11 anos, que se tornam seus alunos de forma completamente acidental, e um escritor tão rabugento quanto bonito não possam ajudar. Ou atrapalhar.

Será que Catarina conseguirá se curar, voltar a ser a protagonista de sua própria história e encontrar o seu Romeu, sem a parte do final trágico?

Sobre a autora 

Carioca da gema, apaixonada por sua cidade, meio publicitária, meio bruxa e manteiga derretida em tempo integral. Victoria escreve livros com uma vibe que mistura filme sessão da tarde, dorama e boas doses de glitter.

Super fã da arte drag, todos os seus livros têm personagens drag queens, pois acredita na importância de representar aquelas que já trouxeram muita alegria, esperança e coração quentinho para os seus dias.

Hoje fala do assunto com um pouco mais de propriedade, já que também sobe aos palcos de peruca e salto alto com o nome de Alice Morningstar, sua persona drag queen.

Que se Dane o Shakespeare é seu primeiro livro publicado pela Flyve, mas também é autora de De Malas Prontas; Histórias de Amor & Compras; Laços e Panetones; Um Elfo e Um Milagre, publicados de forma independente.

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

 

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Cultura turca Notícias

Burcu Özberk será protagonista de Anne Yarısı, nova dizi turca

Atriz viverá uma professora que embarca em uma jornada marcada por perdas, reencontros e uma intensa disputa familiar na Capadócia 

Burcu Özberk foi confirmada como a protagonista feminina de Anne Yarısı (tradução livre: Metade de uma Mãe), nova dizi da NOW produzida pela NTC Media. Na trama, a atriz dará vida a Zeynep, uma professora determinada que parte em busca do sobrinho Ege, deixado para trás por sua irmã Zeren após um trágico acontecimento na Alemanha. A jornada a levará até a Capadócia, onde acabará envolvida em uma grande guerra entre famílias.

Conhecida por sucessos como Armadilha do Amor (Afili Aşk, 2019), Esqueça-me Se Puder (Aşk Mantık İntikam, 2022) e Kraliçe (tradução literal: Rainha, 2023), Burcu Özberk retorna às dizis como protagonista de Anne Yarısı. Em entrevista exclusiva ao Entretetizei, a atriz falou sobre o carinho dos fãs brasileiros e destacou que ver suas produções conquistando o público do país “a deixa muito feliz e orgulhosa“.

Foto: reprodução/Birsen Altuntaş

O par romântico de Zeynep será Ali Altay, personagem interpretado por Cihangir Ceyhan. A série terá direção de Semih Bağcı e roteiro assinado por Melis Civelek, Zeynep Gür e Merve Göntem.

Segundo informações divulgadas pela jornalista Birsen Altuntaş, a leitura do roteiro está prevista para o fim de julho, enquanto as gravações devem começar em 1º de agosto. A expectativa é que Anne Yarısı esteja entre as principais apostas da NOW para a nova temporada.

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Cinema Notícias

Meu Filho é um Musical desembarca em São Paulo para temporada no Teatro Renault com ingressos à venda

Produção da Touché Entretenimento e Déa Lúcia estreia dia 20 de agosto e reúne grande elenco 

Após divertir e emocionar o público durante a temporada carioca, Meu Filho é um Musical desembarca em São Paulo para uma curta temporada no Teatro Renault, a partir de 20 de agosto, com sessões de quinta a domingo. Apresentado pelo Ministério da Cultura e pela BB Seguros, com patrocínio master EMS, patrocínio Epson, e apoio BNY, Robert Half e Banco Guanabara

Paulo Gustavo
Foto: divulgação/Roberto Filho

Idealizado por Renata Borges e Déa Lúcia, o musical tem produção assinada pela Touché Entretenimento, em parceria com Déa Lúcia, e transforma a trajetória de Paulo Gustavo em uma grande montagem original construída a partir de sua memória, de sua obra e de seu legado artístico. A direção é de Ju Amaral e João Fonseca, que dirigiu Paulo Gustavo em Minha Mãe é Uma Peça e na série Vai Que Cola. O roteiro é de Fil Braz, parceiro do humorista no teatro, no cinema e na televisão, com colaboração dramatúrgica da pesquisadora e antropóloga Beatriz Coelho.

A equipe criativa reúne ainda direção musical de Tony Lucchesi, músicas e letras originais de Daniel Salve, coreografia e direção de movimento de Alonso Barros, cenografia de Nello Marrese, figurinos de Theodoro Cochrane, visagismo de Anderson Bueno, desenho de luz de Daniela Sanchez e desenho de som de Gabriel D’Angelo e André Breda.

Para Renata Borges, que idealiza e produz o espetáculo ao lado de Déa Lúcia, a montagem representa um compromisso com a preservação da memória e do legado de Paulo Gustavo. Falar de Paulo Gustavo é falar de uma força da natureza. Ele não veio do nada, veio do tudo: do amor imenso de Dona Déa, da parceria de vida com Ju, de uma coragem rara e de um brilho que o Brasil inteiro reconhece. Produzir esse espetáculo é uma honra e uma travessia, porque cada cena carrega a memória viva de um artista que não apenas fazia rir, mas fazia sentir. Paulo Gustavo e Dona Déa são patrimônio afetivo do Brasil.” 

O espetáculo inédito e original marca um novo momento na trajetória da Touché Entretenimento, a produtora realiza, com Meu Filho é um Musical, seu primeiro espetáculo 100% brasileiro, investindo em uma criação autoral inspirada na vida e na carreira de um dos artistas mais populares e inspiradores da cultura nacional.

Paulo Gustavo
Foto: divulgação/Roberto Filho

O musical também concretiza um desejo antigo de Paulo Gustavo, compartilhado por sua família desde antes de sua partida. Meu filho tinha um talento e um coração raros. Tudo o que fez foi com muito amor e dedicação. Agora eu e Juju vamos render a ele todas as homenagens e realizar um dos seus maiores sonhos: um grandioso espetáculo“, afirma Déa Lúcia. 

No papel de Paulo Gustavo, os atores João Pedro Chaseliov e Pierre Baitelli se alternam entre as sessões, dando vida às diferentes fases da trajetória do artista. A infância é interpretada, também em alternância, por Miguel Venerabile, Gabriel Gentil e Guilherme Baleixo. Stella Maria Rodrigues interpreta Déa Lúcia, personagem que também conta com a participação especial da própria Dona Déa em sessões selecionadas. O núcleo principal reúne ainda Marcelo Várzea como Júlio, Talita Castro como Penha, Castorine como Juju, além de Bella Moraes, Ivana Tkotz e Nina Vargens, que se alternam como Juju na infância.

O elenco se completa com Josie Antello (Iesa), Cris Pompeo (Malu Valle e Iafa), Pedro Madeira (Fil), Luiza Lewicki (Bia), Thiago Voltolini (Fábio Porchat), Gaspar (Marcus Majella), Oscar Fabião (Fábio) e Lucas Colombo (Thales), além de Valéria Barcellos, Fabrício Negri, Cássia Sanches, Elizândra Souza, Fernanda Sabot, Milena Machado, André Celant, Beto Macedo, Glauber Sevla e Caio Nery, que dão vida a diversos personagens ao longo da narrativa.

A narrativa acompanha Paulo Gustavo desde a infância em Niterói, quando já divertia a família imitando a mãe e as tias, até sua consagração como um dos maiores nomes do entretenimento brasileiro. O espetáculo percorre seus primeiros passos no teatro, a criação de personagens que marcaram gerações, o reconhecimento nacional e momentos históricos da carreira, como o recorde de público de Minha Mãe é Uma Peça 3, maior bilheteria da história do cinema brasileiro. Com canções originais e músicas que fizeram parte de sua trajetória, a montagem concretiza um desejo manifestado pelo próprio artista em vida: transformar sua história em um grande musical brasileiro.

Paulo Gustavo
Foto: divulgação/Roberto Filho

Para Ju Amaral, que assina a direção ao lado de João Fonseca e conviveu de perto com Paulo Gustavo, o espetáculo busca traduzir a relação do artista com o teatro e com seu público.O palco era a segunda casa do meu irmão. Ele pensava grande, queria tudo perfeito e tinha enorme respeito pelo público. É dessa forma que queremos homenageá-lo: com um espetáculo à altura de tudo o que ele foi e representou.” 

Mais do que uma homenagem, Meu Filho é um Musical celebra a potência criativa, o humor, a humanidade e o legado de Paulo Gustavo, reunindo memória afetiva, excelência artística e a linguagem do teatro musical em um dos projetos mais aguardados da temporada.

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Cultura asiática Cultura turca Notícias

Coreia e Turquia: como uma guerra transformou um soldado turco e uma menina coreana em pai e filha

A história real de Ayla atravessou mais de seis décadas, aproximou Coreia do Sul e Turquia e inspirou um filme que levou essa emocionante trajetória para o mundo

Quando se fala na Guerra da Coreia, é comum que o conflito seja lembrado pela divisão entre Coreia do Norte e Coreia do Sul, pela disputa entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria ou pela fronteira que continua separando a península até os dias de hoje. No entanto, em meio aos combates que deixaram milhões de mortos e transformaram completamente a história da região, também surgiram histórias que mostram um lado muito diferente da guerra.

Uma delas começou quando um sargento turco encontrou uma menina de aproximadamente cinco anos caminhando sozinha entre os escombros deixados pelos bombardeios. Sem conseguir descobrir seu nome, ele passou a chamá-la de Ayla, palavra que significa “halo da lua” em turco. O encontro, que poderia ter sido apenas mais um episódio em meio ao conflito, acabou criando um vínculo tão forte que os dois passaram a se enxergar como pai e filha.

Embora tenham convivido por menos de um ano, a despedida forçada e o reencontro ocorrido mais de seis décadas depois, transformaram a história de Süleyman Dilbirliği e Ayla em um dos maiores símbolos da amizade entre Coreia do Sul e Turquia. Até hoje, a trajetória dos dois é lembrada em cerimônias oficiais, documentários, livros e museus, além de ter inspirado o filme Ayla: A Filha da Guerra, responsável por apresentar essa história a espectadores de diferentes partes do mundo.

Mais do que um relato emocionante sobre duas pessoas que se encontraram durante um conflito, conhecer a história de Ayla também ajuda a entender por que Coreia do Sul e Turquia cultivam uma relação tão próxima até os dias de hoje. Esse vínculo, frequentemente celebrado pelos governos dos dois países, nasceu em um dos períodos mais violentos do século XX e continua sendo lembrado como um exemplo de solidariedade em meio à guerra.

Foto: reprodução/korea today

Ficou curioso para entender como um dos conflitos mais importantes do século XX deu origem a essa história e aproximou dois países separados por milhares de quilômetros? Então a gente te conta todos os detalhes.

Antes da Guerra da Coreia começar, a península já vivia uma divisão que mudaria seu destino para sempre

Para compreender como um soldado turco acabou encontrando uma menina coreana em meio aos combates, é preciso voltar alguns anos no tempo. A história de Ayla não começou em 1950, quando a guerra teve início, mas décadas antes, em um período marcado por ocupações, disputas internacionais e decisões tomadas por potências estrangeiras que mudariam completamente o futuro da península coreana.

Entre 1910 e 1945, a Coreia viveu sob o domínio do Império Japonês. Durante esses 35 anos, o país deixou de existir como um Estado independente e passou por um intenso processo de colonização. Além da exploração econômica, a população enfrentou políticas que buscavam enfraquecer sua identidade cultural. Em diferentes momentos, o uso da língua coreana foi restringido, milhares de pessoas foram submetidas ao trabalho forçado e muitas famílias sofreram com a repressão imposta pelo governo colonial japonês.

A situação começou a mudar apenas em agosto de 1945, quando o Japão anunciou sua rendição na Segunda Guerra Mundial. Para os coreanos, aquele momento representava a esperança de recuperar a independência e reconstruir o país depois de mais de três décadas de ocupação. O futuro, porém, tomou um rumo muito diferente do esperado.

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Naquele mesmo período, Estados Unidos e União Soviética emergiram como duas grandes potências mundiais. Antes que os próprios coreanos pudessem decidir como reorganizar o país, as duas nações concordaram em dividir temporariamente a administração da península utilizando o paralelo 38 como linha de referência. Ao norte, o território passou a ser administrado pelos soviéticos; ao sul, pelas forças norte-americanas.

A divisão tinha caráter provisório e fazia parte de um plano para organizar a transição política após o fim da guerra. A expectativa era que, em algum momento, eleições fossem realizadas e um único governo voltasse a administrar toda a Coreia. No entanto, o avanço da Guerra Fria transformou rapidamente essa proposta em um impasse diplomático.

Enquanto a União Soviética apoiava a criação de um governo comunista liderado por Kim Il-sung, os Estados Unidos fortaleciam um governo anticomunista comandado por Syngman Rhee, no Sul. Em vez de caminhar para a reunificação, a península passou a abrigar dois projetos políticos completamente diferentes, cada um reivindicando legitimidade sobre todo o território coreano.

Em 1948, essa divisão tornou-se oficial com a criação da República da Coreia, no sul, e da República Popular Democrática da Coreia, no norte. A partir desse momento, os confrontos na fronteira passaram a se tornar cada vez mais frequentes, alimentados por discursos nacionalistas e pela crescente rivalidade entre os dois blocos que disputavam influência durante a Guerra Fria. A guerra ainda não havia começado, mas o cenário deixava claro que bastava um único estopim para transformar aquela tensão em um conflito de grandes proporções.

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A invasão norte-coreana transformou uma disputa política em um conflito que mobilizou o mundo

Na madrugada de 25 de junho de 1950, o cenário de tensão que vinha se formando desde o fim da Segunda Guerra Mundial finalmente chegou ao limite. Tropas da Coreia do Norte atravessaram o paralelo 38 e iniciaram uma ofensiva em larga escala contra o Sul, dando início à Guerra da Coreia. O ataque foi rápido e surpreendeu tanto o governo sul-coreano quanto a comunidade internacional. Em poucos dias, cidades importantes foram ocupadas e milhares de civis precisaram abandonar suas casas às pressas para tentar escapar dos combates.

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A capital Seul caiu apenas três dias após o início da invasão. Enquanto as tropas norte-coreanas avançavam, a população civil enfrentava uma realidade cada vez mais dramática. Famílias eram separadas durante as evacuações, bairros inteiros foram destruídos pelos bombardeios e milhares de crianças acabaram órfãs ou desapareceram em meio ao caos. Muitas delas nunca mais voltaram a encontrar seus pais ou parentes, uma consequência da guerra que marcou profundamente toda uma geração de coreanos.

O conflito rapidamente deixou de ser uma disputa restrita à península. Em um contexto dominado pela Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética enxergavam a situação como parte de uma disputa muito maior entre capitalismo e comunismo. Poucos dias após a invasão, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução condenando a ofensiva norte-coreana e autorizando a formação de uma força multinacional para auxiliar a Coreia do Sul. A medida só foi possível porque a União Soviética, que poderia vetar a decisão no Conselho de Segurança, boicotou as reuniões da organização naquele momento.

Ao todo, 22 países contribuíram para a missão da ONU. Dezesseis enviaram tropas para atuar diretamente nos combates, enquanto outros ofereceram apoio médico, hospitais de campanha, suprimentos e assistência humanitária. Entre as nações que decidiram participar estava a Turquia, um país localizado a mais de oito mil quilômetros da península coreana e que, até então, não possuía qualquer ligação direta com aquele conflito.

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A decisão da Turquia foi motivada por interesses estratégicos, mas acabaria criando uma ligação permanente com a Coreia do Sul

A participação turca na Guerra da Coreia costuma despertar curiosidade justamente pela distância entre os dois países. Afinal, por que uma nação localizada entre a Europa e a Ásia decidiu enviar milhares de soldados para lutar em um conflito tão distante de suas fronteiras?

A resposta está no contexto político da época. Após a Segunda Guerra Mundial, a Turquia buscava fortalecer sua relação com os países do bloco ocidental. O governo turco via com preocupação o crescimento da influência soviética na região e entendia que estreitar laços com Estados Unidos e Europa Ocidental era fundamental para garantir sua segurança. Participar da missão organizada pela ONU representava uma oportunidade de demonstrar esse compromisso e reforçar sua posição internacional.

Naquele momento, outro objetivo também fazia parte da estratégia do governo: ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), criada em 1949 para reunir países aliados diante da expansão soviética. Embora a participação na Guerra da Coreia não tenha sido o único fator considerado, ela reforçou o papel da Turquia como parceira do bloco ocidental e antecedeu sua entrada oficial na aliança, concretizada em 1952.

Poucos meses após o início da guerra, a Brigada Turca desembarcou na Coreia do Sul. O primeiro contingente era formado por cerca de cinco mil militares, mas, ao longo dos três anos de conflito, aproximadamente 15 mil soldados turcos serviram na península em diferentes rotações. Muitos deles nunca haviam saído de seu país e precisaram enfrentar um cenário completamente diferente daquele que conheciam, desde o inverno rigoroso até a barreira do idioma e da cultura local.

Mesmo diante dessas dificuldades, a Brigada Turca rapidamente conquistou respeito entre os aliados. A disciplina dos soldados e a disposição para cumprir missões consideradas extremamente arriscadas fizeram com que a unidade ganhasse reconhecimento internacional, especialmente após sua atuação em uma das batalhas mais importantes de toda a Guerra da Coreia.

A Batalha de Kunuri colocou a Brigada Turca diante de uma das missões mais difíceis do conflito

No fim de novembro de 1950, poucos meses depois da chegada dos militares turcos à península, a guerra passou por uma mudança decisiva. Tropas chinesas entraram oficialmente no conflito ao lado da Coreia do Norte e lançaram uma grande ofensiva contra as forças da ONU. O avanço foi tão rápido que milhares de soldados aliados correram o risco de ficar completamente cercados.

Foi nesse momento que a Brigada Turca recebeu uma missão considerada essencial para evitar uma derrota ainda maior. Os militares deveriam conter o avanço das tropas chinesas e proteger a retirada das forças da ONU, permitindo que elas se reorganizassem em posições mais seguras. A tarefa era extremamente arriscada e acontecia em condições climáticas severas, com temperaturas abaixo de zero, neve intensa e um terreno montanhoso que dificultava qualquer deslocamento.

Durante dias, os soldados turcos enfrentaram combates intensos contra um inimigo numericamente superior. As perdas foram significativas, com centenas de mortos, feridos e desaparecidos, mas a resistência da brigada contribuiu para que milhares de militares aliados escapassem do cerco. Embora historiadores ainda debatam alguns aspectos estratégicos da batalha, existe um consenso de que a atuação da Brigada Turca foi um dos episódios que consolidaram sua reputação durante a guerra e fortaleceu o respeito conquistado entre seus aliados.

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Enquanto esses confrontos aconteciam em diferentes regiões da península, a guerra continuava produzindo uma consequência silenciosa e devastadora: o número de crianças que haviam perdido suas famílias não parava de crescer. Foi em meio a esse cenário que um dos soldados da Brigada Turca viveria o encontro que mudaria sua vida para sempre. Durante uma patrulha, o sargento Süleyman Dilbirliği encontraria uma pequena menina caminhando sozinha entre os escombros de uma cidade destruída, sem imaginar que aquele momento seria lembrado décadas depois como um dos maiores símbolos da amizade entre Coreia do Sul e Turquia.

Foi entre os escombros da guerra que Süleyman encontrou uma menina que havia perdido tudo

As batalhas continuavam espalhadas por diferentes regiões da península quando, durante uma patrulha realizada no fim de 1950, o sargento turco Süleyman Dilbirliği se deparou com uma cena que permaneceria em sua memória pelo resto da vida. Em meio aos destroços deixados pelos bombardeios, ele encontrou uma menina de aproximadamente cinco anos caminhando completamente sozinha. Assustada, desnutrida e sem conseguir explicar quem era ou onde estavam seus familiares, ela era mais uma das milhares de crianças que tiveram a infância interrompida pela Guerra da Coreia.

Os registros da época não permitem afirmar exatamente o que aconteceu com a família da menina, mas tudo indica que ela havia sido separada dos pais durante os combates ou os perdido em um dos ataques que atingiram a região. Situações como essa eram comuns durante a guerra. Com cidades inteiras destruídas e deslocamentos constantes da população, milhares de crianças acabaram vivendo em orfanatos improvisados ou simplesmente vagando sozinhas pelas áreas afetadas pelo conflito.

Sem encontrar qualquer responsável pela menina e sem conseguir descobrir seu nome verdadeiro, Süleyman tomou uma decisão que mudaria a vida dos dois. Ele a levou para a base da Brigada Turca, onde acreditava que teria alimento, abrigo e segurança. Como ela não conseguia dizer como se chamava, o militar passou a chamá-la de Ayla, palavra que significa “halo da lua” em turco. Anos mais tarde, ele explicaria que escolheu esse nome porque, quando a encontrou, o rosto da criança parecia iluminado pela luz do luar, uma imagem que jamais saiu de sua memória.

O que começou como um gesto de proteção rapidamente ultrapassou a relação entre um soldado e uma criança resgatada da guerra. À medida que os dias passavam, Süleyman passou a assumir espontaneamente o papel de pai, enquanto Ayla encontrava nele uma figura de segurança em um momento em que havia perdido praticamente tudo.

A pequena Ayla devolveu um pouco de esperança aos soldados que conviviam diariamente com a dureza da guerra

A presença de uma criança dentro de uma base militar estava longe de fazer parte da rotina da Brigada Turca. Ainda assim, Ayla foi acolhida não apenas por Süleyman, mas por praticamente todos os soldados que conviviam com ela. Em um ambiente marcado por ordens militares, patrulhas constantes e notícias de combate, a menina acabou se tornando um símbolo de esperança para homens que enfrentavam diariamente a violência da guerra.

Os militares dividiam parte das refeições com Ayla, providenciavam roupas, improvisavam brinquedos e faziam o possível para que ela tivesse uma rotina minimamente parecida com a de qualquer criança. Mesmo sem compartilhar o mesmo idioma, a comunicação acontecia naturalmente por meio de gestos, sorrisos e demonstrações de carinho. Aos poucos, a menina passou a reconhecer cada um dos soldados, criou laços de amizade e começou até mesmo a aprender algumas palavras em turco.

Entre todos eles, no entanto, era com Süleyman que Ayla mantinha a relação mais próxima. Sempre que o sargento precisava sair para alguma missão, ela aguardava ansiosamente seu retorno. Quando ele voltava à base, era comum que a menina corresse para encontrá-lo. O militar, por sua vez, aproveitava cada momento livre para brincar com ela, alimentá-la e garantir que estivesse protegida. A convivência diária fez com que ambos passassem a se enxergar como uma família, ainda que soubessem que aquela realidade dificilmente seria permanente.

Anos depois, ao recordar aquele período, Süleyman afirmaria que Ayla havia devolvido um pouco da humanidade que a guerra insistia em apagar. Em meio às perdas, ao medo constante e às consequências dos combates, cuidar daquela criança representava uma lembrança de que ainda existiam motivos para acreditar em um futuro diferente.

Quando a missão chegou ao fim, a despedida se tornou a batalha mais difícil para os dois

No início de 1951, a Brigada Turca recebeu ordens para retornar ao seu país. Depois de meses atuando na Guerra da Coreia, os soldados começariam a deixar a península, encerrando a primeira missão do contingente enviado pela Turquia. Para Süleyman, porém, aquela notícia significava muito mais do que o fim de uma operação militar.

Ao longo dos meses em que viveram juntos, ele havia construído uma relação tão forte com Ayla que não conseguia imaginar deixá-la para trás. Determinado a permanecer ao lado da menina, tentou encontrar uma maneira de levá-la consigo para a Turquia e adotá-la oficialmente. A ideia, entretanto, esbarrou na realidade burocrática de um país devastado pela guerra.

Sem documentos que comprovassem sua identidade e sem qualquer informação sobre familiares, Ayla não podia deixar a Coreia. Além disso, as regras militares da época não permitiam que um soldado estrangeiro adotasse uma criança encontrada durante o conflito. Apesar das tentativas feitas por Süleyman e do apoio de companheiros da Brigada Turca, a autorização nunca foi concedida.

Sem outra alternativa, Ayla foi encaminhada para um orfanato sul-coreano. A despedida aconteceu sob lágrimas dos dois lados. Enquanto o sargento embarcava de volta para casa, a menina permanecia na Coreia sem compreender por que aquele homem que havia se tornado seu pai precisava partir.

Süleyman retornou à Turquia carregando a esperança de que um dia conseguiria reencontrá-la. Naquele momento, porém, ele sequer sabia qual era o verdadeiro nome de Ayla ou se ela ainda estaria viva nos anos seguintes. Mesmo assim, jamais deixou que a história dos dois fosse esquecida.

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Sessenta anos de distância não foram suficientes para apagar uma história que atravessou gerações

Depois de voltar para a Turquia, Süleyman Dilbirliği retomou sua vida, constituiu família e seguiu a carreira militar. Ainda assim, havia uma lembrança que nunca o abandonou. Sempre que tinha oportunidade, contava para amigos, familiares e jornalistas sobre a menina que havia encontrado durante a Guerra da Coreia. Em todas as entrevistas, repetia o mesmo desejo: descobrir o que havia acontecido com Ayla e saber se ela havia conseguido reconstruir a própria vida depois do conflito.

Do outro lado do mundo, a menina também seguiu seu caminho. Após ser encaminhada para um orfanato, foi adotada por uma família sul-coreana e passou a viver com o nome Kim Eun-ja, identidade que só seria conhecida décadas mais tarde. Embora sua infância tivesse sido marcada pela guerra, ela jamais esqueceu o período em que viveu ao lado da Brigada Turca e do soldado que passou a chamar de pai.

Durante muitos anos, no entanto, os dois acreditaram que nunca mais voltariam a se encontrar. Süleyman conhecia apenas o apelido que havia dado à menina, enquanto Kim Eun-ja não tinha informações suficientes para localizar o militar turco. A distância entre os dois parecia definitiva, até que a história começou a ganhar repercussão na imprensa.

Reportagens exibidas na Turquia chamaram a atenção de jornalistas e autoridades sul-coreanas, que decidiram ajudar na busca. A procura envolveu emissoras de televisão, veteranos da Guerra da Coreia e órgãos públicos dos dois países. Depois de uma investigação baseada em registros históricos e depoimentos de pessoas que participaram do conflito, foi possível confirmar que Ayla era, na verdade, Kim Eun-ja.

O reencontro aconteceu em 2010, em Seul, mais de seis décadas após a despedida.

As imagens daquele momento rapidamente circularam pelo mundo. Assim que se viram, Süleyman e Kim Eun-ja se abraçaram por vários minutos, emocionando não apenas as pessoas presentes, mas milhões de espectadores que acompanharam a cena pela televisão e pela internet. Mesmo depois de tantos anos, os dois demonstravam o mesmo carinho construído durante os meses em que viveram juntos na Guerra da Coreia.

O reencontro acabou ultrapassando o aspecto pessoal. Para muitos sul-coreanos e turcos, aquele abraço representava também uma homenagem aos milhares de soldados que participaram do conflito e às famílias que tiveram suas vidas transformadas pela guerra. A história de Ayla passou a ser vista como um símbolo da solidariedade que nasceu em um dos períodos mais difíceis da história da península.

A amizade entre Coreia do Sul e Turquia continua sendo celebrada mais de sete décadas depois da guerra

A participação da Turquia na Guerra da Coreia ocupa um lugar de destaque na memória histórica sul-coreana. Além dos memoriais dedicados aos soldados estrangeiros que participaram do conflito, os militares turcos são frequentemente homenageados em cerimônias oficiais realizadas no país. Para muitos veteranos e suas famílias, esse reconhecimento representa uma forma de preservar a lembrança daqueles que viajaram milhares de quilômetros para defender um povo que até então lhes era completamente desconhecido.

Essa proximidade também se reflete nas relações diplomáticas entre os dois países. Não é raro que autoridades sul-coreanas e turcas utilizem a expressão “países irmãos” em discursos e encontros oficiais, destacando que o vínculo entre as duas nações foi construído durante a Guerra da Coreia. Ao longo das últimas décadas, essa relação se fortaleceu por meio de acordos comerciais, intercâmbios culturais, cooperação acadêmica e iniciativas voltadas à preservação da memória do conflito.

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Embora existam diversos episódios que expliquem essa aproximação, poucos se tornaram tão conhecidos quanto a história de Ayla e Süleyman. O encontro entre os dois acabou personificando uma relação construída não apenas por decisões políticas ou alianças militares, mas também por gestos individuais de solidariedade em um momento de extrema vulnerabilidade.

Até hoje, veteranos da Brigada Turca e familiares de soldados que participaram da guerra costumam visitar a Coreia do Sul para participar de homenagens e reencontros. Da mesma forma, instituições sul-coreanas frequentemente promovem cerimônias para agradecer a atuação dos países que integraram a força da ONU, mantendo viva a memória daqueles que contribuíram para a defesa do país durante o conflito.

Curiosidades sobre Ayla e a relação entre Coreia do Sul e Turquia
  • O nome Ayla significa “halo da lua” em turco e foi escolhido por Süleyman porque, segundo ele, o rosto da menina parecia iluminado pelo luar quando eles se encontraram.
  • Aproximadamente 15 mil soldados turcos serviram na Guerra da Coreia entre 1950 e 1953, tornando a Turquia um dos países que mais contribuíram com tropas para a força da ONU.
  • O verdadeiro nome de Ayla era Kim Eun-ja, informação que Süleyman só descobriu quando os dois se reencontraram, m ais de 60 anos depois.
  • A Turquia tornou-se membro da OTAN em 1952, durante a Guerra da Coreia, período em que sua participação no conflito reforçou o alinhamento com o bloco ocidental.
  • A expressão “países irmãos” continua sendo utilizada por autoridades sul-coreanas e turcas para destacar a amizade construída durante a guerra.
Uma história real que emocionou o mundo também ganhou vida nos cinemas

Uma trajetória como a de Süleyman Dilbirliği e Kim Eun-ja dificilmente permaneceria restrita aos livros de História. Em 2017, a emocionante relação entre os dois inspirou Ayla: A Filha da Guerra, longa-metragem dirigido por Can Ulkay que levou essa história para o cinema e apresentou o episódio a um público muito maior.

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Baseado em acontecimentos reais, o filme acompanha o momento em que o sargento encontra a pequena Ayla durante a Guerra da Coreia, retratando a convivência entre os dois e as dificuldades enfrentadas quando chega a hora da despedida. Embora algumas situações tenham sido adaptadas para a narrativa cinematográfica, a produção preserva o elemento que tornou essa história conhecida internacionalmente: o vínculo criado entre um soldado estrangeiro e uma criança que havia perdido tudo por causa da guerra.

O longa foi escolhido para representar a Turquia na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar e recebeu reconhecimento em diversos festivais ao redor do mundo. Mais do que contar uma história emocionante, Ayla: A Filha da Guerra ajudou a apresentar às novas gerações um capítulo pouco conhecido da Guerra da Coreia e reforçou a importância da memória de um conflito que continua influenciando as relações entre os dois países até hoje.

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Texto revisado por Angela Maziero Santana

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