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Especial | Entre Xica da Silva, Zumbi e Taj Mahal: Jorge Ben e os 50 anos de África Brasil

Cinco décadas após o lançamento, revisite o disco que revolucionou a sonoridade do cantor ao misturar samba, rock e referências afro-brasileiras

Quem nunca ouviu o hit icônico de carnaval Taj Mahal? O que nem todos sabem é que ele faz parte de um dos álbuns mais importantes da carreira de Jorge Ben Jor, África Brasil. O disco, que completou 50 anos em 2026, representa uma virada sonora na carreira do cantor, misturando samba, rock, funk, soul e ritmos afro-brasileiros. 

O clássico de 1976, que consolidou Jorge Ben como um dos nomes mais inovadores da MPB, foi seu 14° álbum de estúdio e o primeiro disco do artista em que há a troca do violão acústico pela guitarra, trazendo maior protagonismo para o instrumento e criando um som totalmente diferente. Explorando temáticas como amor, futebol e negritude, temos a exaltação de um Brasil marcado pela ancestralidade, religiosidade e personagens negros históricos.

Considerado um dos The Rolling Stone’s 50 Coolest Records, África Brasil é o terceiro disco da trilogia alquimista de Jorge Ben, contando com A Tábua de Esmeralda (1974) e Solta o Pavão (1975). Com a fusão entre ritmos brasileiros e influências musicais afro-americanas, as canções apresentam composições marcadas por referências africanas, espiritualidade e imaginação. 

Ao longo do disco, faixas abordam a negritude de maneira marcante: Xica da Silva, África Brasil (Zumbi) e Ponta de Lança Africano (Umbabarauma). Esta última também dialoga com o futebol, uma das paixões de Jorge Ben.

A inovação sonora do disco também tem uma história cativante. No livro África Brasil: Um dia Jorge Ben voou para toda a gente ver (2020), a jornalista Kamille Viola explica que a mudança estética do álbum teve influência direta do baixista dos Novos Baianos, Dadi Carvalho. A guitarra elétrica utilizada por Jorge Ben foi comprada por Dadi, abrindo as portas para as novas possibilidades sonoras do cantor.

Ainda de acordo com o livro, para artistas como Marcelo D2, Mano Brown e BNegão, a mistura de aspectos como narrativa, ritmo e identidade presentes no álbum ajudou a trilhar caminhos fundamentais para o rap nacional com o imaginário negro criado pelo cantor.

O 14º disco da carreira de Ben Jor contou com uma formação musical que reuniu uma grande equipe. Como banda principal havia Dadi no baixo, Gustavo Schroeter na bateria, Joãozinho da Percussão e João Vandaluz no piano. Além desses grandes nomes, cerca de 15 músicos de apoio e sete vocalistas participaram das gravações. O resultado foram 40 minutos de música e 50 anos de história.

África, Brasil e identidade

África Brasil também se destaca pelo brilhantismo com que articula identidade, história e cultura. O próprio título do disco é genial ao abranger dois territórios profundamente conectados historicamente: África e Brasil. No decorrer das canções, Jorge Ben Jor constrói um imaginário de valorização da identidade negra que é frisado pela ancestralidade africana e pela religiosidade unida a demais elementos da formação cultural brasileira.

As composições dialogam com os movimentos culturais e políticos que passaram a reivindicar com mais força a valorização da negritude no Brasil dos anos 1970. Músicas mencionando figuras históricas como Xica da Silva, mulher negra escravizada que, após alforriada, se tornou influente no Arraial do Tijuco (atual Diamantina, MG) no século XVIII, as transformam em símbolos de poder, resistência e protagonismo.

Foto: divulgação/Spotify

Na faixa que encerra o álbum, Jorge Ben evoca a figura de Zumbi dos Palmares em uma interpretação rica e profunda, que revela um grito de afirmação da herança africana presente na cultura brasileira. Cinco décadas após seu lançamento, África Brasil segue sendo lembrado como um dos discos mais inventivos da música brasileira. 

O fenômeno Taj Mahal

Não tem como não falar sobre Taj Mahal quando se trata de África Brasil! Entre as faixas mais populares do disco, nenhuma superou o alcance cultural da canção. Com um ritmo único e contagiante, a música furou a bolha e se tornou constante em festas populares, especialmente no Carnaval e nas arquibancadas de estádios de futebol, sendo associada à celebração e à alegria.

O sucesso da música foi tanto que acabou extravasando internacionalmente e gerando polêmicas. Em 1978, o cantor britânico Rod Stewart lançou o hit Da Ya Think I’m Sexy?, com melodia semelhante a de Taj Mahal. O cantor esteve no Brasil durante o carnaval de 78, quando a canção de Jorge Ben Jor estava no auge nas rádios do país e, na época, alegou “plágio involuntário”.

Um tempo depois, Stewart confessou o plágio inconsciente, em sua biografia lançada em 2012, e entrou em um acordo pacífico com Jorge Ben, doando todos os lucros da música à UNICEF.

O legado 50 anos depois

Cinco décadas após seu lançamento, África Brasil permanece como um dos trabalhos mais influentes e importantes da história da música brasileira. A combinação de samba, funk, rock e referências afro-brasileiras foi responsável pela criação da sonoridade única presente na obra de Jorge Ben Jor, que continua sendo revisitada por artistas de diferentes gerações e estilos. 

Ao mesmo tempo, as canções do álbum seguem sendo redescobertas pelas novas gerações, através de regravações ou pela circulação constante em festas, playlists e apresentações ao vivo. A permanência no imaginário brasileiro prova que a genialidade de Jorge Ben é capaz de atravessar o tempo enquanto se mantém relevante.

Ouça África Brasil completo aqui:

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Leia também: Harry Styles lança seu novo álbum Kiss All The Time. Disco, Occasionally. 

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Notícias Séries

Scarpetta: Médica Legista, protagonizada por Nicole Kidman, chega ao streaming

Baseada nos romances de Patricia Cornwell, a primeira temporada da série de suspense policial já está disponível

Um thriller de arrepiar! A série de televisão americana Scarpetta: Médica Legista (2026) estreou em 11 de março na plataforma Prime Video. Desenvolvida e escrita por Liz Sarnoff, a obra acompanha uma investigação incansável em busca de provas para desvendar uma série de assassinatos.

Revivendo a icônica personagem literária de Patricia Cornwell, Nicole Kidman interpreta o papel principal neste drama criminal focado em ciência forense. A Dra. Kay Scarpetta (Nicole Kidman) é uma médica legista determinada a desmascarar um assassino em série, em uma investigação que muito recorda seu primeiro grande caso, ocorrido décadas antes.

pôster scarpetta
Imagem: reprodução/IMDb

Na busca por justiça, Dra. Scarpetta precisa lidar com o relacionamento complicado com sua irmã, Dorothy Farinelli (Jamie Lee Curtis), lidar com mágoas antigas, enfrentar grandes segredos e trabalhar ao lado do detetive Pete Marino (Bobby Cannavale) e do agente do FBI Benton Wesley (Simon Baker) em um caso que consagrou sua carreira, mas que também pode destruí-la.

Ambientada no cenário de investigação forense, a primeira temporada da série conta com 8 episódios, já todos disponíveis no streaming, que criam um suspense moderno, indo além da cena do crime para explorar o psicológico de suas personagens dispostas a buscar justiça a qualquer preço, mesmo que precisem lidar com as consequências. Assista ao trailer:

Além de Nicole Kidman como protagonista, o elenco é formado por nomes como Jamie Lee Curtis (The Bear), Bobby Cannavale (Bem-Vindos à Vizinhança), o indicado ao Emmy Simon Baker (The Mentalist) e a vencedora do Oscar Ariana DeBose (West Side Story). E ainda, representando as versões jovens dos personagens, estão Rosy McEwen (Blue Jean), Amanda Righetti (The Mentalist), Jake Cannavale (The Offer) e Hunter Parrish (Weeds).

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Leia também: Ditto: Conexões do Amor ganha data de estreia no Brasil 

 

Texto revisado por Kaylanne Faustino

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Livros Notícias

Fantasia épica de Cecy Robson chega ao Brasil

Com guerra, política e tensão nas arenas, a fantasia Guerreiros de Sangue, de Cecy Robson, entrou na lista dos best-sellers

Em Guerreiro de Sangue (Vol. 1, Velha Therra), a autora Cecy Robson entrega uma narrativa intensa, marcada por combates brutais, intrigas políticas e personagens que carregam o peso de escolhas impossíveis. 

A autora constrói uma fantasia épica que aborda temas atuais, como políticas de imigração e corrupção. O leitor se deparará não apenas com batalhas na arena, mas também com conflitos morais e emocionais de um reino construído sobre desigualdades e segredos. Perfeito para fãs dos grandes sucessos Quarta Asa e Trono de Vidro.

Leith de Cinzarta acreditava que migrar para um novo reino e se voluntariar para lutar na arena de gladiadores, onde acontecem torneios cruéis e sangrentos, nos quais apenas os mais fortes sobrevivem, o fariam ganhar ouro suficiente para salvar a irmã enferma. Para ele, era sua única chance. Afinal, o que mais tinha a perder?

No entanto, o gladiador logo descobriu o quanto estava enganado. Os torneios lhe arrancaram o que mais lhe importava: a esperança, a liberdade e sua própria humanidade.

Agora, tudo o que resta a Leith é um corpo marcado por cicatrizes e alimentado pela fúria de um coração endurecido por anos de luta.

Enquanto tenta sobreviver a mais uma batalha, ele conhece Maeve, a princesa élfica que representa tudo o que o gladiador mais odeia e despreza. Essa sedutora herdeira ao trono lhe faz uma proposta irrecusável: a chance de conquistar o cobiçado título de Guerreiro de Sangue e, com ele, a liberdade.

Imagem: divulgação/Galera Record

Com ritmo envolvente e um universo rico em propostas políticas e sociais, o primeiro volume da série Velha Therra prepara o terreno para uma história maior, onde coragem, vingança e esperança caminham lado a lado. 

Entre alianças improváveis ​​e revelações perigosas, a promessa de liberdade pode ser tão mortal quanto qualquer lâmina. E Leith terá de decidir até onde está disposto a ir para recuperar aquilo que um dia perdeu.

Sobre a autora:

Cecy Robson é autora best-seller do New York Times e do USA Today. 

Imigrante de El Salvador e orgulhosa de sua herança indígena Nahua Pipil, ela trabalhou como enfermeira por 23 anos e recebeu diversos prêmios por sua escrita. 

Em seu tempo livre, Cecy gosta de criar mundos mágicos, romances de tirar o fôlego e aventuras para jovens adultos.

Onde comprar: 

O livro já está disponível e pode ser adquirido pela Amazon.

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Leia também: Entrevista | Alessa Boreggio: entre paisagens italianas e Tropes literárias apaixonantes

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana

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Notícias Teatro

Balé e ópera: espetáculos para assistir no Brasil

Descubra por que tanta gente ainda se importa com essas duas artes centenárias

O ator americano Timothée Chalamet, indicado ao Oscar deste ano, passou a ocupar o centro de uma polêmica nas redes sociais após a circulação de um vídeo em que se refere ao balé e à ópera como áreas irrelevantes.

Durante um evento de imprensa no fim de fevereiro, Chalamet afirmou não ter interesse em trabalhar com nenhuma das duas linguagens, citando-as como exemplos de expressões artísticas que as pessoas se esforçam para manter vivas, “mesmo que ninguém se importe mais com isso”.

A fala gerou reação entre profissionais, representantes e entusiastas das artes performativas, que saíram em defesa da relevância cultural dessas produções. 

Diante desse debate, queremos fazer um convite: por que não tirar as próprias conclusões? A seguir, reunimos uma lista de espetáculos em cartaz pelos próximos meses que são ótimas oportunidades para ver de perto a força do balé e da ópera. 

Balé

A tradicional companhia russa Moscow City Ballet traz ao Brasil sua prestigiada montagem de O Lago dos Cisnes, clássico composto por Tchaikovsky. A turnê nacional acontece entre maio e junho e passa por dez cidades brasileiras. A estreia está marcada para 16 de maio, em Brasília. Depois, o espetáculo segue para Goiânia, Belo Horizonte, Recife, João Pessoa, Rio de Janeiro, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e São Paulo

O Lago dos Cisnes
O Lago dos Cisnes, Moscow City Ballet. Foto: reprodução/York Barbican

Após estreia de sucesso em São Paulo, a portuguesa Vortice Dance Company leva o espetáculo Carmina Burana Ballet ao Rio de Janeiro. A produção que une dança, música e tecnologia em uma experiência sensorial fica em cartaz de 20 a 22 de março, antes de passar por Belo Horizonte, nos dias 10 e 11 de abril.  

Outra montagem da cantata composta por Carl Orff, Carmina Burana, está marcada para os palcos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro em abril, interpretada em formato de ópera-balé.

Carmina Burana Ballet
Carmina Burana Ballet, Vortice Dance Company. Foto: reprodução/Rita Carmo

Já em maio, a programação do Theatro Municipal do Rio de Janeiro recebe um dos grandes balés do século XVIII, La Fille Mal Gardée, com música de Ferdinand Hérold. O título retorna ao teatro carioca, renovando a montagem de 2024.

A Focus Cia de Dança, reconhecida como Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, leva a Belém o espetáculo Entre a Pele e a Alma, nos dias 14 e 15 de março. A trilha sonora original que acompanha a obra é interpretada pela voz de Ney Matogrosso. 

Entre a Pele e a Alma
Entre a Pele e a Alma, Focus Cia de Dança. Foto: reprodução/Renato Mangolin

Em São Paulo, o Balé da Cidade apresenta a coreografia inédita Encruzilhada. Nos dias 14, 15, 18, 19, 20 e 21 de março, o Theatro Municipal será palco da obra que quer ampliar o entendimento sobre danças contemporâneas. 

Ópera

A temporada de 2026 do Theatro Municipal de São Paulo reserva grandes óperas para a cidade ao longo do ano. A próxima produção da programação é também a estreia na América Latina da composição pós-guerra de Luigi Nono, Intolleranza 1960. O espetáculo fica em cartaz entre maio e junho.

Ópera Intolleranza 1960
Ópera Intolleranza 1960. Imagem: reprodução/Theatro Municipal de São Paulo

No Theatro São Pedro, casa de ópera da capital paulista, a temporada lírica tem início em abril com Orfeu no Inferno, de Jacques Offenbach. Em maio, a Academia de Ópera e a Orquestra Jovem do Theatro São Pedro apresentam A Escada de Seda, de Gioachino Rossini. 

Academia de Ópera do Theatro São Pedro
Academia de Ópera do Theatro São Pedro. Foto: reprodução/Theatro São Pedro

No Palácio das Artes, em Belo Horizonte, a abertura da nova temporada chega em maio, com uma das grandes obras de Mozart, As Bodas de Fígaro. A montagem da ópera reúne a Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais.

Orquestra Sinfônica e Coral Lírico de Minas Gerais
Orquestra Sinfônica e Coral Lírico de Minas Gerais. Foto: reprodução/Paulo Lacerda

O projeto A Caminho do Interior chega à sua sétima edição e já está percorrendo o interior de São Paulo com apresentações gratuitas da ópera Elixir e Seus Amores. Até agosto, a turnê atravessará 28 cidades do estado. Ainda neste mês, o espetáculo passa por Rancharia, Maracaí, Pedrinhas Paulista e Assis.

Que tal assistir a algum espetáculo perto de você? Conta pra gente qual te chamou mais a atenção nas redes sociais do Entretetizei (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

 

Leia também: Dica Cultural: veja o espetáculo europeu Carmina Burana Ballet no Teatro Liberdade

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Música Notícias

The Pussycat Dolls anuncia comeback com lançamento de novo single

Club Song tem sua estreia marcada para esta quinta (12)

Ícone do pop do início dos anos 2000, que conquistou sucesso mundial com as canções Don’t Cha, Stickwitu, Buttons e seu álbum de estreia multiplatinado, PCD (2005),The Pussycat Dolls prepara seu retorno agora em trio.

Na última terça (10), o perfil oficial do grupo publicou nas redes sociais um teaser instigando novidades para os fãs com a frase “PCD para sempre”. A publicação direciona o público para um site de mesmo nome, e toda essa movimentação aumentou as especulações sobre um possível retorno do grupo aos palcos.

Já nesta quarta (11), o perfil fez uma nova publicação e, desta vez, confirmou seu comeback oficial. A nova formação contém apenas três das seis integrantes originais: Nicole Scherzinger, líder do grupo, Kimberly Wyatt e Ashley Roberts.

O retorno foi oficializado com o anúncio de um novo single, Club Song, com lançamento marcado para esta quinta-feira (12). Este será o primeiro material inédito do projeto desde React, lançado em 2019, abrindo caminho para uma nova fase.

Nova capa Pussycat Dolls
Foto: divulgação/Instagram @pussycatdolls

O novo single foi produzido por Mike Sabath e escrito por Nicole ao lado de Sabath, Caroline Ailin e Solly. Com uma sonoridade pop dançante e clima de pista, a música traz a nostalgia das Pussycat Dolls dos anos 2000, mas com uma produção atual.

A Official Charts define a nova faixa como: “Um bop esfumaçado e carregado de sintetizadores.” E ainda segundo o veículo, “imediatamente, somos transportados de volta ao território de Don’t Cha”.

E você, está animado para o comeback? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

 

Leia também: Gabriel Leone estreia como cantor com o álbum Minhas Lágrimas – Entretetizei

 

Texto revisado por Cristiane Amarante

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Coletiva de Imprensa Cultura Cultura pop Entrevista Notícias Novelas

Coletiva | A Nobreza do Amor apresenta trama sobre justiça, coletividade e enfrentamento das desigualdades

Autores e elenco falaram sobre os temas centrais da história durante coletiva da novela, que estreia na próxima segunda

Durante coletiva de imprensa realizada para apresentar a novela A Nobreza do Amor (2026), autores e elenco compartilharam detalhes sobre a construção da trama e os temas que irão conduzir a narrativa. A produção aposta em uma história marcada por conflitos sociais, disputas de poder e pela busca por justiça, colocando personagens que lutam por igualdade e dignidade no centro da narrativa.

Um dos pontos abordados foi a maneira como os conflitos da história se desenvolvem ao longo da novela. Para a autora Duca Rachid, a trama não tem como objetivo central apenas o embate entre personagens, mas a construção de caminhos para a justiça. “Eu acho que as relações dentro da novela não caminham para um confronto, caminham para a justiça. Eu, particularmente, não acredito no confronto, acho que precisamos andar de mãos dadas, todos nós”, afirmou.

Já o também autor Júlio Fischer destacou que, em alguns momentos, o enfrentamento se torna inevitável para que mudanças aconteçam: “Talvez o preço para se alcançar a justiça seja o confronto, ou seja, confrontar o mal. Então, acho que, nesse sentido, vai existir, sim, para restituir a justiça. É uma coisa que está colocada na nossa vida cotidiana. Às vezes, pra você querer justiça, tem que gritar, apontar as injustiças, se colocar, se posicionar. É sempre visando um bem maior.

Foto: divulgação/TV Globo/Estevam Avellar

A discussão sobre justiça e coletividade também aparece na construção dos protagonistas e na base filosófica da novela. O também autor Elísio Lopes Jr. explicou que a narrativa dialoga com o conceito africano de Ubuntu, que valoriza a interdependência entre as pessoas: “O conceito de Ubuntu é bom pra responder essa pergunta, significa ‘Eu sou porque nós somos’. Então, nós temos dois protagonistas com valores coletivos.

Segundo ele, os objetivos dos personagens principais estão diretamente conectados a essa ideia de comunidade e responsabilidade social. “A Alika tem como grande objetivo retomar o poder em Batanga, para garantir que o povo dela tenha futuro, prosperidade, uma vida justa e digna, e o Tonho, do lado dele, quer comprar terras para que as pessoas tenham liberdade, tenham onde viver, onde produzir.

Ao final, o autor reforçou que a história pretende mostrar que a busca por justiça muitas vezes exige posicionamento e coragem. Os objetivos dos dois dialogam totalmente com o conceito de que eles só serão felizes e plenos se os outros, que estiverem com eles, também forem. Então, estamos buscando exatamente isso, o confronto necessário para que a igualdade possa acontecer”, completou.

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Leia também: Atrizes negras que fundaram as bases do teatro e do cinema brasileiros

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Livros Notícias

Especial | A história de Lenu e Lina e a condição social da mulher

Entre minúcias da sociedade italiana e das transformações sociais e econômicas da Segunda Guerra, Elena Ferrante expõe a condição social da mulher 

 

[Contém spoiler]

Neste último Dia Internacional da Mulher (8), mais do que nunca, questionou-se sobre o papel que nós, mulheres, estamos ocupando no mundo. Elena Ferrante, escritora italiana, é conhecida justamente por tratar em suas obras a condição e a posição social das mulheres, sendo que a narrativa mais famosa que aborda esse tema é a da série A Amiga Genial.

Também conhecida entre os leitores como a Tetralogia Napolitana, o conjunto de quatro livros retrata a história da amizade entre Elena Grecco (Lenu) e Raffaella Cerullo (Lina), nascidas na periferia de Nápoles, na Itália, nos anos 1950. 

Ao longo da narrativa, desbravamos o relacionamento complicado das amigas em todas as fases da vida: infância, adolescência, quando estão adultas e, por fim, quando estão mais velhas. Mas, mais profundo que isso, Elena Ferrante expõe de forma crua um ponto crucial: o papel social que as duas personagens, enquanto mulheres, ocupam na sociedade.

Lenu e Lina em A Amiga Genial
Foto: reprodução/HBO

Em A Amiga Genial, o primeiro livro da série, lemos o início da amizade das duas contextualizada em um ambiente machista, misógino e opressor. As mulheres são criadas para serem donas do lar, casarem e terem filhos. Elas não devem seguir com os estudos e não devem, em hipótese alguma, questionar.

Entretanto, Lina desvia do comum. A filha mais nova da família Cerullo sempre fora descrita como uma mulher diferente de todas as outras. Ela era aquela que desafiava os poderosos do bairro, a que queria ajudar financeiramente a família, a que tinha sonhos, a que falava o dialeto feio, a que queria trabalhar. 

Lina, na verdade, só era diferente porque ia contra aquilo que esperavam que ela fosse enquanto mulher.

“Ela era assim, rompia equilíbrios somente para ver de que outro modo poderia recompô-los.”

Ainda no primeiro livro e seguindo para História do Novo Sobrenome, acompanhamos o casamento de Lina com Stefano Caracci, um homem que inicialmente se mostra generoso e, depois, desempenha o papel do ideal da masculinidade: a submete a diferentes tipos de abusos, não permite que ela tenha opinião, desdenha de quem ela é. Lina se apaga e se perde de todos os seus sonhos. 

“Tínhamos crescido pensando que um estranho não podia sequer nos tocar, mas que o pai, o noivo e o marido podiam nos encher de tapas quando quisessem, por amor, para nos educar, para nos reeducar.”

Lina e Stefano Caracci
Foto: reprodução/Magazine HD

Em contrapartida, Lenu, a amiga genial, segue com os estudos até se formar na faculdade e, ainda, se torna escritora. Mesmo conseguindo o diploma e um trabalho, algo tão difícil para mulheres e para pessoas na sua condição social naquela época, ela é sempre comparada com a amiga: “Lina tem a vida feita, ela é casada.”

Em nenhum momento na narrativa Ferrante deixa de se questionar através de Lenu: Qual o papel que eu ocupo? Qual papel eu deveria ocupar? Eu deveria mesmo ser tratada de forma inferior?

É mais detalhadamente no terceiro livro, História de Quem Foge e de Quem Fica, que acompanhamos mais de perto o desabrochar dos questionamentos de Lina e Lenu sobre suas condições perante a sociedade enquanto mulheres.

Lenu, já sendo financeiramente independente devido a sua carreira como escritora, se casa com um homem rico, tem filhos e se muda para Florença. Mesmo seguindo o que se esperava de uma mulher, ela encara o machismo dentro da sua própria casa através da descredibilização do marido e do trabalho unicamente seu de criar os filhos.

Lina, rompendo com qualquer ideal, trai o marido, se separa de Stefano, cria o filho sozinha e trabalha em péssimas condições em uma fábrica de embutidos. A partir daí, ela é vista como uma mulher que ninguém deveria chegar perto, como uma péssima influência. 

Lenu em A Amiga Genial
Foto: reprodução/HBO

Entre muitos momentos conturbados (que vale a leitura para saber mais), Lenu e Lina conseguem se tornar mulheres bem sucedidas e que despertam respeito. Entretanto, nessa jornada, sofrem inúmeros abusos apenas pelo fato de não serem homens. Não importava o quão longe fossem, no final elas seriam “apenas mulheres”.

Lenu, devido ao movimento feminista que surgia naquela época, consegue finalmente traduzir o que sentia. Ela exprime o pensamento de que, no meio acadêmico, para ter credibilidade, ela deveria pensar como um homem, dizer o que um homem acharia interessante de ouvir.

Por um momento, ela abandona seu trabalho, a escrita, em função de ser mãe, e percebe que além de ser “apenas mulher”, ela também passa a ser “apenas mãe”. 

“(Deveria) Indagar sobre minha condição como mulher. Tinha me excedido, fizera um enorme esforço para adquirir capacidades masculinas. Acreditava que devia saber tudo, tratar de tudo. O que me importava a política, as lutas? Queria fazer bonito diante dos homens, estar à altura. À altura de que? Da razão deles, da mais irracional […]”

E, abordando a negação da masculinidade, devemos falar sobre a relação de ambas com Nino Sarratore, o “galã” da Tetralogia. Para Lenu, ele era seu amor ideal; para Lina, foi seu amante, que a abandonou.

Nino conquistava todas as mulheres por um simples motivo: ele as humanizava. Lenu expressa em muitos momentos que só se mostra crente de seu valor quando Nino a valida. Ele parece a antítese dos homens violentos do bairro, mas, no fundo, a violência dele é psicológica e igualmente destrutiva para ambas. Mais uma comprovação de que o homem era visto como uma figura superior mesmo quando era “bom”. 

Nino Sarratore e Lenu em A Amiga Genial
Foto: reprodução/Business Insider

No final, em A História da Menina Perdida, entendemos que, mesmo por percursos distintos, as amigas deram os passos necessários para resistir à sociedade. Uma negando o feminino e lutando contra ele diariamente; a outra, mesmo entre tantos conflitos, tentando acolhê-lo.

Lina é vista como extraordinária por não se contentar em ser apenas mulher. Lenu é vista como a amiga genial por ocupar um lugar que mulheres, naquele momento, ainda não ocupavam.

Elena Ferrante enreda um romance histórico disfarçado de uma narrativa de amizade. Ao contar de forma tão real e explícita a vida das mulheres naquela época, a escritora coloca muitas instituições na parede, inclusive o patriarcado. E, dessa maneira, ela denuncia o que foi e o que é ser uma mulher no mundo. 

Lina e Lenu na casa de Lina
Foto: reprodução/Nervos

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Leia também: Especial | Além do Dia da Mulher: autoras brasileiras que merecem ser lidas o ano inteiro 

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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