Ícone da literatura brasileira, a escritora se reinventa a cada dia
Neste sábado (13), a poetisa brasileira Adélia Prado completa 90 anos. Nasceu na cidade de Divinópolis, em Minas Gerais, e começou a escrever aos 15 anos, após o falecimento da mãe. É, atualmente, uma das maiores escritoras em atividade em nosso país e, quase nonagenária, publicou, em 2025, O Jardim das Oliveiras, trazendo 105 poemas inéditos.
Os textos da autora revelam uma miríade de sentimentos e ímpetos impossíveis de não nos tocarem a alma, simplesmente porque estão na rotina de todos nós. Seus versos falam sobre a condição feminina, o sagrado e o profano, reflexões existencialistas e os mistérios do universo.
Desde o lançamento de seu primeiro livro, em 1976, já se passou quase meio século. No entanto, nota-se que a poética adeliana permanece pungente, conversando com temas que vão desde a crença católica até a vida agridoce da intimidade doméstica.
Vida e obra

Ao finalizar o Magistério, Prado começou a lecionar em 1955. Em 1958, casou-se com José Assunção de Freitas, com quem teve cinco filhos. Também se formou, em 1973, em Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis. Mas a mudança viria mesmo alguns anos depois, quando enviou alguns poemas para o escritor e crítico Affonso Romano de Sant’Anna.
Sant’Anna, então, envia os originais para Carlos Drummond de Andrade, que se encanta pelas palavras de Adélia. Foi aí que se deu o lançamento de Bagagem, obra publicada pela Editora Imago em 1976. O lançamento, no Rio de Janeiro, teve a presença de Antônio Houaiss, Rachel Jardim, Drummond, Clarice Lispector, Affonso Romano de Sant’Anna, Nélida Piñon, e outros intelectuais e escritores.
A partir de então, Adélia Prado nos concedeu uma obra marcada pela escrita de poesias, contos, romances, livros infantis e uma peça de teatro. Ano passado, recebeu os prêmios Camões e Machado de Assis – duas das premiações mais importantes da literatura em língua portuguesa. A escritora também já foi laureada com prêmios como Griffin, Jabuti e Biblioteca Nacional. Em 2014, foi condecorada pelo Governo Brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural.
Adélia Prado: a palavra que ultrapassa o tempo

Em setembro, com o lançamento de O Jardim das Oliveiras, a escritora nos mostrou que é possuidora de uma obra que ultrapassa o tempo. A autora, ainda mais profunda e madura, apresenta páginas que são reinvenções, mas também sínteses dela própria. Ao longo de 105 poemas, o leitor imergirá na aridez e na transcendência, no mistério e na lucidez.
Aqui, a autora retoma temas como o conflito existencial entre a luz e a sombra, a fé e a dúvida, a poesia e o silêncio. Nos seus versos, um poder simbólico, no qual o sagrado e o cotidiano se abraçam. Refletindo sobre a origem da linguagem poética, além de seu papel diante do mundo, Adélia Prado nos prova, mais uma vez, que o sentimento é o começo e o fim de toda experiência humana.
Nos últimos tempos, os livros de Adélia Prado têm ganhado relançamentos pela editora Record. Este ano, chegaram às livrarias quatro títulos: Bagagem (1976), Terra de Santa Cruz (1981), O Pelicano (1987) e O homem da Mão Seca (1994). Em fevereiro de 2026 haverá novas edições de Filandras (2001), Miserere (2013) e Solte os Cachorros (1979).
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Texto revisado por Karollyne de Lima









