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Foto: divulgação / Editora Mundo Cristão

Entrevista | Inspirada pelos k-dramas, Isabela Freixo escreve narrativas leves e agridoces para amantes de romances

Em seu novo livro, escritora expande a narrativa por meio de trilha sonora exclusiva

Seja na música ou na literatura, Isabela Freixo busca contar histórias que refletem sobre como a vida é recheada de momentos ácidos e doces na mesma medida. Seu novo romance, Limonada de Morango e Outras Coisas Agridoces, acaba de ser publicado pela editora Mundo Cristão e apresenta personagens que precisam lidar com os desafios de se manter um relacionamento – mesmo com os percalços encontrados pelo caminho. A obra também conta com uma trilha sonora original composta pela autora. No EP Cantos Agridoces, cada faixa se conecta com o romance, baseado na experiência da escritora durante o período em que viveu na Coreia do Sul com o marido.

Com bom humor e leveza, Freixo apresenta ao leitor o encontro improvável entre Fiorella e Samuel. No livro, os personagens não compartilham muitas semelhanças além do desejo pela última limonada de morango da feira no bairro Bom Retiro. O rapaz é um jogador de futebol introspectivo, oposto da jovem cantora de rua tagarela. No entanto, os dois logo se apaixonam e se veem entrelaçados em um pedido de casamento. Tudo parece perfeito, ainda mais após Samuel receber uma proposta para jogar em um time sul-coreano. Porém, um desmaio inesperado no altar paralisa a celebração e obriga o casal a postergar a lua de mel. 

Nesta autoficção, Isabela Freixo se inspira na própria trajetória e nas narrativas dos k-dramas para construir o enredo. Expectativas frustradas, mudanças bruscas e incertezas marcam o destino de Fiorella e Samuel, mostrando que é preciso muito mais do que apenas romantismo para cumprir os votos “na alegria e na tristeza”. Em entrevista ao Entretetizei, a escritora comenta sobre o processo de transformar experiências pessoais em literatura, suas principais inspirações e os pontos de contato entre a criação musical e literária. Confira. 

Foto: divulgação / Editora Mundo Cristão
Entretetizei: Como foi transformar uma experiência tão íntima da sua vida em uma narrativa literária em Limonada de morango e outras coisas agridoces?

Isabela Freixo: A história da Fiorella e do Samuel é inspirada em algumas das minhas vivências com o meu marido e sua carreira no futebol. Mas a maior inspiração foi, na verdade, um conceito que temos aprendido e experimentado desde os primeiros meses de casados: a vida é agridoce. Nesse mundo imperfeito, alegrias e tristezas se misturam o tempo todo. Essa é a principal mensagem que o livro carrega. E foi em um dos momentos mais agridoces da nossa trajetória até aqui, que comecei a rascunhar esse casal parecido com a gente em muitos aspectos, mas diferente em outros tantos. Eu acabava de lançar de forma independente o meu romance de reestreia: Quinze minutos para o pôr do sol, após o hiato da gravidez e primeiros meses com um bebê pequeno. 

E um dia após o lançamento, fui contactada pela editora Mundo Cristão com interesse na obra. Foi um momento muito feliz em meio a uma maré de tristezas longe do meu marido, que tinha ido sozinho jogar em um time na Coreia do Sul. Foi uma oportunidade de trabalho maravilhosa para ele, mas, de início, não dava para eu e nosso filho irmos também. Então meu marido perdeu muitos momentos importantes, como o nascimento dos primeiros dentinhos do Beni, os primeiros passos, o primeiro aniversário. Escrever este livro foi uma forma de lidar melhor com os sentimentos opostos que se misturavam dentro de mim. (ou pelo menos começar à escrever, pois só concluí a história muito tempo depois, quando já estávamos reunidos de novo e morando aqui na Tailândia).

E: Como nasceu a ideia de criar uma trilha sonora original para acompanhar o romance?

IF: Minha relação com a música é bem mais antiga que a minha carreira literária. A diferença é que as canções passaram mais tempo guardadas. Comecei a compor o que hoje é a trilha sonora do Limonada dez anos atrás, muito antes de sequer imaginar a história. Essas músicas eram traduções de sentimentos que eu experimentava no momento. Naquela época, os meus vinte e poucos anos, eu compunha bastante e cheguei a lançar no YouTube outras músicas inspiradas em livros, os romances da autora Lycia Barros, minha amiga e grande referência, que inclusive foi minha mentora no começo da carreira literária. Quando a ideia do Limonada nasceu, em 2024, e comecei a criar uma protagonista compositora, automaticamente resgatei as canções engavetadas e tudo fez sentido. Ajustei alguns versos para que estivessem ainda mais coerentes com o universo Agridoce e hoje sou plenamente convicta de que Salto, Minha Oração e No Canto sempre existiram para ser parte desse projeto.

E: Quais autores, obras ou referências culturais influenciaram a sua escrita?

IF: Li Anne de Green Gables, da L. M. Montgomery enquanto escrevia o Limonada e certamente o jeito falante e o olhar poético sobre o mundo da Anne influenciou bastante na criação da Fiorella, protagonista do Limonada. Fora isso, os dramas coreanos, pelos quais sou apaixonada, têm me influenciado muito a criar narrativas que valorizam e exaltam a beleza dos detalhes simples da vida comum, como uma refeição à mesa e lavar a louça depois. 

E: Que papel os lugares em que você viveu, como a Coreia do Sul, tiveram na atmosfera e nas inspirações da história?

IF: Na verdade, todas as histórias que escrevi até hoje (e algumas que já estou planejando) nasceram primordialmente do desejo de descrever um pouco das paisagens que já vi, pessoas e culturas que conheci e comidas que experimentei nos lugares por onde passei. A diferença é que comecei a escrever o Limonada inspirada apenas pelo que eu assistia nos dramas coreanos e relatos que ouvia do meu marido, que mudou para a Coreia antes de mim. Eu estava no meio do planejamento do primeiro rascunho quando cheguei à terra do k-drama e pausei o trabalho por alguns meses. Queria aproveitar todo o tempo livre para explorar a vizinhança e conhecer o máximo de tudo. Então, ao retomar o trabalho, eu tive a deliciosa convicção de que poderia escrever algo muito mais realista e rico. E espero sinceramente ter conseguido.

E: Há pontos de contato entre a composição musical e a escrita de um livro? Quais?

IF: Acho que cada artista tem sua forma de criar. No meu caso, as obras passam muito tempo apenas na minha imaginação. Eu toco teclado, mas não tenho instrumento em casa desde que casei e comecei essa vida peregrina, mudando bastante de endereço e de time com o meu marido. Mas confesso que mesmo antes disso, sempre foi só eu e minha memória. Eu passo muito tempo pensando nos versos de uma música ou cenas de uma nova história, até finalmente sentar e escrever. É claro que faço anotações e gravo áudios caseiros para não esquecer, mas fico “marinando” as ideias na cabeça por semanas, até meses, antes de executá-las de verdade. Isso ajuda a amadurecer as palavras e melodias, e me permite descobrir se aquela música ou história continua fazendo sentido após o frenesi da inspiração inicial.

E: O que a escrita te permite compreender sobre a vida e sobre si mesma?

IF: Escrever me ajuda a assimilar melhor tudo o que aprendo no dia a dia e especialmente da parte de Deus. É como fazer o dever de casa para fixar as matérias aprendidas na escola; enquanto crio personagens imperfeitos, sou lembrada de quem eu sou, mas também de quem preciso ser.

E: O que você acredita que uma boa história precisa ter para realmente tocar o leitor?

IF: Meu tipo predileto de histórias são aquelas nas quais consigo me ver e enxergar meus próprios dilemas através dos personagens, ainda que sejam narrativas fantásticas, por exemplo. Acredito que boas histórias precisam causar algum nível de identificação, por isso tento colocar questões, problemas, conquistas e virtudes verossímeis nos meus personagens.

E: O que você espera construir ao longo da sua trajetória literária a partir deste romance?

IF: Toda a musicalidade desse projeto o torna muito único e especial para mim, afinal, é minha estreia como cantora e compositora nas grandes plataformas de streaming. Limonada e sua trilha sonora original nascem do encontro de duas paixões: contar e cantar histórias sobre a vida e seu autor. Espero, sinceramente, que seja o primeiro de muitos projetos literários e musicais da minha carreira, mas, acima de tudo, desejo que cada verso, melodia, fala e cena dessa obra ajudem a traduzir os emaranhados de sentimentos que os ouvintes e leitores carregam dentro de si; que eles se encontrem nessas linhas e se deixem ser desembolados por aquele que me inspirou a escrevê-las.

 

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Texto revisado por Luana Chicol

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