Escritora relembra suas origens no mundo das fanfics e fascínio por narrativas de suspense
Evelin Sousa começou sua carreira como escritora no Wattpad, plataforma na qual escrevia fanfics com tramas impactantes e cheias de mistério. Seu maior sucesso, o livro sáfico Xeque-Mate, conquistou os leitores e ganhou uma adaptação em formato de websérie, estrelada pelas atrizes Sofia Starling e Natália Rosa. Disponível no YouTube, a primeira temporada foi tão expressiva que novos episódios estão sendo produzidos pela Ponto Ação Produções.
Publicado pela Editora Euphoria, Xeque-Mate é um romance policial que acompanha a história de Eloise Green, uma policial que, cansada da mesmice da sua cidade natal, parte para Nova Iorque em busca de desafios. Na nova morada, acaba mergulhando no caso mais complicado que já presenciou: um roubo milionário ocorrido em uma das maiores petrolíferas do país.
E é aí que seu destino cruza novamente com o de Maya Collins, a enigmática esposa do magnata Christopher Collins. Meses antes, a agente Green havia se encontrado com Maya e sentido uma forte atração pela milionária. Agora, Eloise precisa colocar a cabeça na investigação, ao mesmo tempo em que precisa lutar com os sentimentos que nutre por Maya.
Em entrevista ao Entretetizei, Evelin Sousa comenta como foi a criação das personagens, a sua relação com o gênero policial e sobre a adaptação da obra para o audiovisual. Confira!

Entretetizei: Como começou a sua trajetória como escritora e o que te levou ao gênero policial?
Evelin Sousa: Minha trajetória começou de forma muito espontânea, ainda no universo das fanfics. Eu sempre fui apaixonada por narrativas intensas, com personagens complexas e tramas que desafiam o leitor. O gênero policial surgiu quase naturalmente, porque eu gosto da ideia de mistério, de camadas escondidas e de provocar a curiosidade. Gosto de histórias que te fazem pensar e sentir ao mesmo tempo, e o policial me permite explorar tanto o psicológico quanto o emocional das personagens.
E: Como é o seu processo de escrita?
ES: Meu processo é muito intuitivo. Eu começo com uma ideia central, normalmente uma cena, uma emoção ou um conflito e a partir disso construo tudo ao redor. Música sempre me faz imaginar cenas e isso contribui bastante para o processo. E, claro, preciso estar completamente envolvida com o universo da trama. Enquanto estou escrevendo, vivo e respiro aquilo.
E: De onde surgiu a primeira ideia para o enredo de Xeque-Mate?
ES: A ideia nasceu em 2015, quando Xeque-Mate ainda era uma fanfic. Eu queria criar uma história que unisse suspense, drama e romance, mas que, acima de tudo, mostrasse uma mulher forte, imperfeita e autêntica. A trama foi crescendo junto com o público e comigo também. Com o tempo, ela foi ganhando mais camadas, e percebi que podia transformar aquela ideia inicial em algo muito maior e mais representativo.
E: Como foi o processo de construção da personagem Eloise Green? Que aspectos você mais quis explorar nessa protagonista?
ES: A Eloise nasceu do desejo de criar uma heroína real. Ela é inteligente, racional, corajosa, determinada e, ao mesmo tempo, cheia de falhas. Eu quis explorar justamente essa dualidade: a força e a vulnerabilidade, o controle e a perda dele. Eloise é o tipo de personagem que carrega o peso das próprias escolhas e isso a torna muito humana.
E: A história é ambientada em Nova Iorque. Como foi feita a escolha do cenário?
ES: Nova Iorque sempre me pareceu o cenário perfeito para uma história como Xeque-Mate. É uma cidade vibrante, caótica e endinheirada. Além disso, a atmosfera urbana contribui muito para o clima de mistério e tensão do enredo. Quis que o leitor se sentisse dentro desse tabuleiro de xadrez, onde cada movimento pode mudar tudo.
E: Como você trabalhou a conexão entre o casal protagonista dentro de um enredo policial?
ES: O desafio era equilibrar o suspense com o romance sem que um apagasse o outro. A relação entre a Eloise e a Maya nasce da tensão, do desejo e do confronto, elas se desafiam o tempo todo. Acredito que isso torna o vínculo mais real e intenso. Em meio ao caos da investigação e dos segredos, o amor surge quase como um ato de resistência.
E: Que tipo de reflexão você espera provocar nos leitores?
ES: Espero que Xeque-Mate leve as pessoas a refletirem sobre escolhas, moralidade e autoconhecimento. A maioria dos personagens ali não são totalmente certos ou errados, e gosto dessa zona cinzenta, porque ela é muito humana. Também quero que as leitoras se sintam representadas, especialmente mulheres e pessoas LGBTQIA+, que muitas vezes não se veem como protagonistas em histórias de ação ou mistério.
E: Como você vê o consumo de literatura LGBTQIA+ no cenário brasileiro atual?
ES: Acredito que estamos avançando, mas ainda há muito caminho a percorrer. Existe um público enorme, ávido por se ver nas histórias, mas ainda faltam espaço e incentivo dentro do mercado tradicional. Eu tive a grande felicidade de ser encontrada pela Editora Euphoria, que cada dia mais busca expandir a literatura LGBTQIA+ por todo Brasil, mas sabemos que nem todas as editoras partilham do mesmo ideal.
E: Como foi para você ver o livro sendo adaptado para uma websérie?
ES: Foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida. Ver as personagens ganhando voz, corpo e expressão foi surreal. A equipe da Ponto Ação conseguiu captar a essência da história com muito cuidado e respeito. É muito especial perceber o impacto que Xeque-Mate tem causado, seja nas telas ou nas páginas. É como se o sonho que começou lá atrás tivesse se tornado algo ainda maior do que eu imaginei.
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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz @analuztraduz









