Entre personagens intensos, prêmios e repercussão nas redes, o ator vive fase de destaque na TV e no streaming
Com um pé no streaming e outro na TV aberta, Breno Ferreira vive uma fase marcante na carreira. O ator vem se destacando em produções de peso do audiovisual brasileiro, como as séries Amar É para os Fortes (2023), que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Produ Awards 2024, De Volta aos 15 (2022), além das novelas Vale Tudo (2025) e Beleza Fatal (2025), está última original da HBO Max e exibida também pela Band.
O impacto de seus personagens já ultrapassa as telas. No X (antigo Twitter), fãs criam teorias conectando seus papéis como se fizessem parte de um mesmo universo ficcional.

É nesse cruzamento entre talento, versatilidade e a curiosidade do público que começamos esta entrevista. Ao Entretetizei, Breno, que iniciou a carreira como jogador de futebol, fala sobre essa fase de reconhecimento, os bastidores dos projetos recentes e o carinho dos fãs:
Entretetizei: Breno, sua trajetória passou pelos campos de futebol e te levou aos palcos e às câmeras. Como essa vivência esportiva moldou sua postura como artista, especialmente em relação à disciplina e trabalho em equipe?
Breno Ferreira: Olha, ambos para mim são atletas. Eu acho que se parecem porque o ator é o atleta das emoções, né? O jogador de futebol é atleta profissional daquele esporte, e eu acho que ambos requerem uma entrega muito grande. Assim, cada um, a seu modo, faz muita parte do seu tempo, do seu dia a dia, você tá consumindo aquilo a todo tempo e é isso. Você vive como um atleta mesmo. Então, eu acho que se parece nisto: na dedicação que tem que ser posta, sabe? Mesmo sem saber se vai dar certo ou errado; a gente acredita muito que vai e se debruça muito. Eu acho que isso é uma semelhança, porque ambos pra mim são atletas, certo?
E: Quando você olha para tudo que construiu entre novelas, séries de diferentes plataformas, o que mais te surpreende ou emociona nessa jornada?
BF: Olha, surpreso eu confesso que não fico, porque, sempre, em algum lugar,eu imaginei viver disso; eu quis viver disso. Lutei muito por isso, então não fico surpreso. Mas me emociona. Me emociona saber que deu, vem dando, está dando certo. É isso que me enche de orgulho, isso faz eu ter a concepção de que eu estou no trilho certo. Me dá muito gás pra continuar, mas eu fico muito emocionado. Principalmente por ser ator, preto, retinto. E com as condições que eu tinha para conseguir virar, eu fico muito feliz que tenha dado certo. A carreira tem sido de muito orgulho para mim e para quem me permeia. Então, eu fico muito emocionado de saber que está dando certo. Porém não me assusta, nem é uma surpresa, porque sempre foi algo que eu trabalhei para ter.
E: Em Beleza Fatal, seu personagem Álec representa uma régua moral na trama, o que você já mencionou ser um desafio. Como foi esse mergulho e o que esse papel te ensinou, tanto como ator quanto como pessoa?
BF: Cara, o Álec é um presente. Eu fico muito honrado, muito honrado de ter dado vida a esse personagem. E de fato ele tem uma régua moral muito alta; eu não me recordo de ter feito um personagem com essa régua moral tão alta. É um desafio sempre, porque para não ficar massivo a gente precisa de estratégias, né? E isso demanda tempo, estudo, que é o que a gente gosta de fazer, mas tem o seu tempo para chegar. Eu acho que o Álec me ensinou que talvez você perca algumas peças no meio do caminho por ser o que você acredita que é, né? Eu acho que isso ficou mais forte na minha cabeça, é um baita personagem, foi um desafio tremendo, gostoso de fazer, e fico feliz que vocês gostaram.

Clássicos revisitados, parcerias que evoluem e o carinho do público
E: Em Vale Tudo, você revive um personagem que marcou a estreia de Marcelo Novaes na TV. Como foi encontrar o seu próprio André dentro de uma história tão icônica? Como equilibrar o respeito pela obra original com a necessidade de imprimir autenticidade e atualidade ao papel?
BF: Uma honra também. Outro presente, Vale Tudo. É a novela das novelas, é um baita clássico, né? Então eu estou muito honrado de também estar fazendo parte desse elenco. Encontro o Marcelo, a gente troca umas ideias pelos corredores quando a gente se encontra; eu tenho um baita respeito pela primeira versão, e um baita respeito por esse remake que a gente tá fazendo. Então, por si só, eu já tenho, esse norte, porque Consuelo e Jarbas eram tios de André e Daniela. E, nessa versão, são pais. André e Daniela são irmãos, ok? O André trabalha na hípica, nessa versão não tem clube de natação, então são ferramentas diferentes da primeira versão, que também me ajudam a chegar num outro norte, mas com a essência do personagem. Mas tendo o privilégio de poder criar na abertura que eu tenho, para também construir esse meu André. Acho que as coisas andam juntas, não estão tão desconexas assim. É mais um presente, e eu fico muito feliz com essas possibilidades que eu tenho de também colocar e ajudar a construir esse André, e continuar a dar vida a esse personagem assim, sabe? Eu fico muito feliz.
E: Você já contracenou com Camila Queiroz em De Volta aos 15 e, mais recentemente, em Beleza Fatal. Como foi reencontrá-la em um novo contexto? A parceria de vocês em cena evoluiu?
B: A Camila é uma grande amiga, uma excelente atriz, é muito bom trabalhar com ela. Trabalhamos em contextos diferentes, né? Primeiro no De volta aos 15. É uma série mais jovem. A gente gravou em Paris e era um outro contexto, e ali eu conheci a Camila. E logo depois a gente se reencontra em Beleza Fatal. Nós fizemos duas temporadas de De volta aos 15 e a gente se reencontra na sala de ensaio de Beleza Fatal, que é um projeto completamente oposto, é um novelão. Tem tramas pesadas, tem morte, tem vilania, tem tudo isso… Mas a partir do momento que você tem um profissional bom ali com você, você pode ter a história que você quiser para contar, que ela vai acontecer de alguma forma. Então, a Camila sempre foi uma parceira gigante, sempre nos ajudamos muito em cena e fora de cena também, mas é isso… assusta primeiro quando a gente vê que é essa diferença de trabalho,né? Mas a gente fica muito tranquilo em saber que tem essa peça que é a Camila, né? Dentre outros amigos que temos ali no elenco. Então fica fácil.
E: Você tem transitado entre streaming e TV aberta com naturalidade. O que mais te instiga nesses dois universos e como adapta sua atuação para cada um?
BF: O que sempre me instigou e continua a me instigar é criar. Se eu estou criando, se estou em meio a pluralidade, eu tô feliz; para mim é um deleite, sabe? Então, eu transito com felicidade, entendendo que cada um demanda uma coisa, né? A série a gente tem um tempo reduzido para fazer, mas também menos cenas; então a gente consegue se debruçar mais, talvez porque se tem um texto já fechado. E a novela é essa aventura, é o atleta da emoção, sabe? A novela a gente grava muitas cenas por dia, a gente recebe roteiros semanais. Então, são coisas diferentes, são temperamentos diferentes, mas que eu consigo me adaptar. E eu amo os dois, não tem um que eu prefira. É uma delícia fazer cinema, é uma delícia fazer novela. Então, eu me sinto um felizardo, e em qualquer um dos dois eu vou estar dando o meu máximo, querendo fazer que aconteça da melhor forma. Então eu levo com naturalidade, porque para mim é bom.

E: Um post viral no X brincou que você seria um “infiltrado” de Beleza Fatal em Vale Tudo. Como você encara essas conexões que o público faz entre seus personagens?
BF: Eu recebo muita coisa de amigos, de familiares, e isso para mim é maravilhoso, é um deleite, sabe? Essa conexão entre esses dois mundos tem muitas aspas, porque não são dois mundos. É uma coisa imaginária que a gente cria porque é para uma pessoa final, que é o público. Então, quando eu vejo falando tanto de Beleza Fatal, tanto de Álec quanto de André, em Vale Tudo, e as pessoas gostando e brincando com isso, eu fico muito feliz porque o trabalho está sendo feito, sabe? O trabalho tá continuando. E isso é um privilégio, um prazer ver que as pessoas gostam, as pessoas comentam, traz a sensação de que estou no caminho certo. E eu fico muito feliz de estar chegando e que tenha chegado nesse lugar.
E: Fora dos holofotes, onde o Breno se recarrega? Quais são seus refúgios de inspiração e equilíbrio quando não está atuando?
BF: Olha, eu acho que estar próximo à família é o melhor remédio, estar perto da natureza é o melhor remédio. Um mergulho no mar é o melhor remédio. Tomar um sol… É isso que gosto de fazer. Me alimentar bem, recarregar as energias para voltar para o dia dia. É isso que me contempla. Estar perto dos meus, perto do que é natural. É isso, isso me ajuda a ficar bem e voltar muito recarregado para a demanda que a gente tem a seguir.
Você está assistindo a novela Vale Tudo e acompanhando a trama do personagem André? Já criou teorias conectando os papéis que Breno interpretou como se fizessem parte do mesmo universo ficcional? Conta para gente nas redes sociais do Entretê! Nos siga no X, no Facebook e no Instagram e não perca nenhuma novidade!
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Texto revisado por Angela Maziero Santana









