Com roteiro e direção amadores, a produção ítalo-brasileira ameaça ter algo a dizer por longos 94 minutos
Diante de uma crise pessoal e após perder o emprego, um homem decide retornar à sua cidade natal para se reconectar com um sonho juvenil. Todos nós já ouvimos histórias como essa, em que a busca por si mesmo esbarra em uma paixão que a vida adulta nos obrigou a abandonar e, como tudo que é clichê, enredos como esse precisam de um frescor de originalidade para não serem esquecidos logo que acabe a sessão. Infelizmente, Diminuta, de Bruno Saglia, tem de inesquecível somente o amadorismo técnico.
No longa, acompanhamos Cristiano (Reynaldo Gianecchini), um corretor de seguros que volta à Itália, país onde nasceu, em uma tentativa de reconstruir sua vida através do seu amor pela música e pelo jazz. Confira o trailer abaixo:
Ainda que seja um dos principais temas do filme, a música em Diminuta é tratada de forma vulgar: não há um segundo que passe sem uma trilha sonora invasiva, que, por vezes, até dificulta o entendimento dos diálogos em cena e é tão insistente que banaliza os momentos de música diegética.
Talvez para compensar o barulho da trilha sonora, o roteiro do filme tem pouco a dizer. O desenrolar do enredo se dá de forma desconexa e sem nenhuma profundidade, recorrendo a diálogos robóticos que explicitam os sentimentos e os conflitos que a direção e o elenco parecem não conseguir expressar visualmente.
Diminuta também sofre com uma montagem e uma fotografia tão amadoras que tornam impossível qualquer imersão real do público. Cenas escuras demais ou hiperexpostas se intercalam com cortes de tela preta, uma combinação que faz o filme parecer que foi gravado há, no mínimo, trinta anos, não durante a pandemia.

Aliás, a impressão de uma produção do século passado se reforça com os estereótipos que saturam o filme. Diminuta tem somente três personagens femininas de destaque, sendo elas: uma mulher instável afundada em depressão e paranóica por ciúmes, uma prostituta e uma cantora que é dependente química (esta última sendo a única personagem negra em um filme de jazz).
O que não quer dizer que os personagens masculinos sejam desenvolvidos – não são. O protagonista sequer tem profundidade, ainda que isso seja responsabilidade da atuação de Gianecchini, que não consegue convencer em momento algum que é um homem traumatizado pela morte de cinco pessoas em sua vida.
Diminuta tem boas intenções, mas é vítima da própria produção, e o resultado é um filme que não emociona e não tem nada novo a dizer. No fim, se você quer assistir a um longa sobre buscar os próprios sonhos e sobre o poder transformador do jazz na vida de pessoas brancas, vale mais a pena assistir a La La Land (2016).
Você já conhecia a produção? Nos siga nas redes sociais do Entretetizei — Facebook, Instagram e X — e não perca as novidades do mundo do entretenimento!
Leia também: Coletiva revela bastidores, personagens e ambições de Três Graças
Texto revisado por Cristiane Amarante










