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Entrevista | Babi A. Sette fala sobre a escrita da sua primeira romantasia: “A realização de um sonho”

Autora revela detalhes sobre a criação de universo que une alta e baixa fantasia

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7 duplas de idols do K-pop que são do mesmo grupo, mas têm energias diferentes

 Estilos diferentes, personalidades opostas e uma química que simplesmente funciona. Esses duos provam que contraste é tudo

A graça de um grupo de K-pop está justamente na variedade de vibrações, estilos e personalidades entre os integrantes. Seja você fã de fofura, elegância, caos, charme suave ou carisma explosivo, sempre vai existir um idol que captura sua atenção. E, às vezes, os pares mais improváveis são justamente aqueles que brilham juntos no palco, no backstage ou até em trends aleatórias.

Esses sete duos são do mesmo grupo, mas entregam energias tão opostas que acabam formando combinações irresistíveis:

Changbin e I.N (Stray Kids)

Changbin praticamente só usa preto, enquanto I.N é o fashionista do grupo, sempre servindo looks e posando para fotos de OOTD. Ainda assim, juntos, eles funcionam perfeitamente. Na performance da música em dupla, Changbin equilibra o sorriso contagiante de I.N, criando um contraste que deixa tudo ainda mais carismático. Dois opostos que se juntam para entregar performance e música incríveis.

@jypestraykids

Bba ra ba bam👬🚘 #StrayKids #스트레이키즈 #창빈 #Changbin #아이엔 #I_N #Mixtape_dominATE #BurninTires #YouMakeStrayKidsStay

♬ Burnin’ Tires (창빈 & 아이엔) Burnin’ Tires (Changbin & I.N) – Stray Kids

An Yu Jin e Rei (IVE)

No registro dos bastidores de “ELEVEN” durante as filmagens de “HEYA”, Yu Jin e Rei mostram estilos completamente diferentes no palco. Rei aposta em um estilo doce e animado, cheio de fofura, enquanto Yu Jin traz movimentos suaves e uma vibe mais cool. As duas contrastam de maneira perfeita, combinando sem deixar de mostrar suas personalidades únicas.

@ive.official

어린이날 기념 아기 두콩즈 재연 🫧 #IVE #아이브 #アイヴ #ANYUJIN #안유진 #アンユジン #ユジン #REI #레이 #レイ #2ndEP #IVE_SWITCH #해야 #HEYA #Accendio #아센디오 #어린이날

♬ ELEVEN – IVE

Sung Han Bin e Ricky (ZEROBASEONE)

Aqui, os dois aparecem fazendo um desafio de dança de gatinho com roupas combinando, mas o contraste não poderia ser maior. Han Bin entra totalmente no clima cute e cheio de aegyo, enquanto Ricky mantém sua pose séria e elegante. Eles podem ser completamente diferentes, mas visualmente formam uma dupla marcante.

@zb1_official

◌ 。˚ʕ̢̣̣̣̣̩̩̩̩·͡˔·ོɁ̡̣̣̣̣̩̩̩̩˚ 。◌ ◌ 。˚/ᐠ-ꞈ-ᐟ˚ 。◌ #ZEROBASEONE #ZB1 #제로베이스원 #SUNGHANBIN #RICKY #성한빈 #리키

♬ 原声 – 四个泰迪的妈妈艾碧 – 四个泰迪的妈妈艾碧

Soyeon e Miyeon (I-DLE)

Esse vídeo mostra exatamente o quanto Soyeon e Miyeon são opostas, mas também como têm uma química natural. Soyeon tem uma estética mais séria e uma presença de girl crush, enquanto Miyeon surge com visuais glamourosos e risadas constantes. Os bastidores são divertidos, fofos e provam que contrastes internos do I-DLE são parte do charme do grupo.

@official_i_dle

Zombies ❓🧟🧟‍♀️ #여자아이들 #GIDLE #미연 #MIYEON #소연 #SOYEON

♬ original sound – MashUpDog

Jay e Sunoo (ENHYPEN)

Um desafio de dança fofinho é o terreno perfeito para o aegyo infinito de Sunoo, enquanto Jay faz a coreografia do seu próprio jeito, com energia totalmente distinta. Os dois têm vibes visuais completamente diferentes, mas justamente por isso o vídeo é tão irresistível. É aquele contraste que faz você assistir mais de uma vez.

@enhypen

so happy 🤗 #SUNOO #JAY #ENHYPEN

♬ original sound – Kris’s^•^~^🫀 – Kris

Jihyo e Tzuyu (TWICE)

No challenge com a música solo de Tzuyu, ela aparece impecável e glamourosa, enquanto Jihyo chega cheia de energia. É quase como se líder e maknae tivessem trocado de papéis, mas qualquer ONCE sabe que essa dinâmica é natural das duas. Carisma magnético de Jihyo de um lado, visuais de princesa de Tzuyu do outro.

@twice_tiktok_official

#RunAway 🏃‍♀ with #JIHYO 🦄 💙 Listen [abouTZU] 💙 https://TZUYU.lnk.to/abouTZU #TWICE #트와이스 #TZUYU #쯔위 #abouTZU #지효 #Newmusic

♬ Run Away – TZUYU

Suga e j-hope (BTS)

Ambos fazem parte da rap line do BTS, mas são praticamente opostos em energia. Suga, com seu estilo totalmente preto e vibe low-key, contrasta com o estilo e a personalidade vibrante de j-hope. Mesmo assim, eles performam de forma impecável juntos. Suga até solta alguns sorrisos, combinando com o famoso sorriso em formato de coração do j-hope. O contraste funciona tão bem que a performance da música solo de Suga fica ainda mais especial.

@bts_official_bighit

정팀장님! 춤 잘 추는 우리 윤기 좀 보세요(쩌렁쩌렁)🥺💜 #해금 #Haegeum #AgustD #슈가 #SUGA #D_DAY #제이홉 #jhope

♬ Haegeum – Agust D

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Leia também:Siyoon, integrante do grupo de K-pop Billlie, estreia como atriz no filme Perfect Girl

 

Texto revisado por Larissa Couto 

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Cultura asiática Música Notícias Séries

O reencontro mais esperado do ano: Jimin e Jungkook juntos novamente em Are You Sure?! 2

A nova temporada do programa acompanha o reencontro dos dois após o serviço militar em uma viagem inesperada de 12 dias pela Suíça e pelo Vietnã

 

Atenção, ARMY: o Disney+ decidiu que a nossa paz não é prioridade, porque o teaser da 2ª temporada de Are You Sure?! chegou simplesmente para acabar com qualquer estabilidade emocional possível.

Depois de acompanharmos as férias pré-alistamento na primeira temporada, agora teremos Jimin e Jungkook vivendo uma nova aventura logo após a dispensa militar e, claro, do jeitinho deles: espontâneo, caótico, fofo e absolutamente destruidor.

O teaser já começa com os dois completamente perdidos diante da viagem surpresa. Jungkook solta um indignado “Por que você mandou eu fazer as malas?”, enquanto Jimin, no auge do surto, diz: “Isso é demais, sério, demais.” Sim, senhoras e senhores, eles já estavam entregando entretenimento antes mesmo de embarcar.

Tem também a clássica correria pela estação de trem, malas voando, desespero no ar e alguém gritando: “O trem vai partir?!” Porque, obviamente, com eles nada é simples e nós amamos exatamente por isso.

Além disso, o vídeo promete confissões inéditas e muitos momentos que só eles dois conseguem criar: Jungkook encarando todo tipo de desafio sem pensar duas vezes e Jimin fechando os olhos com força sempre que envolve altura. E, quando o assunto é comida, ambos brilham igual, JK cozinhando como se fosse fácil e Jimin sendo lindamente atrapalhado.

A química? Impecável. A fofura? Absurda. A promessa de novas crises coletivas da ARMY? Garantida.

Os dois primeiros episódios da 2ª temporada de Are You Sure?! chegam ao Disney+ em 3 de dezembro, com novos capítulos lançados todas as quartas-feiras, totalizando oito episódios. Prepare-se, vai ser uma temporada inteira de surtos!

 

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Texto revisado por Larissa Couto 

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Entretenimento Livros

Editora Euphoria destaca protagonismo negro em romances de afeto e identidade

Catálogo celebra narrativas que colocam o corpo preto no centro e renovam o cenário literário

Pesquisas da Universidade de Brasília apontam que apenas 6% das obras publicadas no Brasil apresentam personagens negros, enquanto a maior parte dos escritores segue sendo branca. Nesse cenário, a Editora Euphoria reforça seu papel na mudança desse panorama ao publicar títulos que abordam amor, desejo e identidade sob perspectivas diversas.

Para ilustrar essa missão na prática, trouxemos alguns títulos do catálogo da editora que se propõem a expandir o olhar sobre o afeto, a identidade e o pertencimento por meio de protagonistas negros.

Em Skin: À Flor da Pele (2024), Kele Aomine conduz o leitor por dilemas afetivos e morais. A narrativa acompanha Alexandre e Eduardo, um casal homoafetivo que adota Gabriel, menino que muda completamente suas vidas. Anos depois, Gabriel se muda para a França para estudar balé e conhece Cauã, outro jovem brasileiro. A amizade intensa que nasce entre eles evolui, já na vida adulta, para um triângulo amoroso de desdobramentos devastadores, que questiona limites entre amor, desejo e identidade.

Foto: reprodução/Instagram @juliocesar_mep

Já em Doce Como Sangue (2025), Dan Rodriguez mistura romance e fantasia ao narrar a relação entre Éric, um confeiteiro dedicado, e Benjamin, o novo colega de apartamento que esconde um segredo: é um vampiro. Entre a rotina da confeitaria e o encontro com o sobrenatural, o livro oferece uma leitura leve e provocativa sobre amor, autodescoberta e pertencimento.

Foto: reprodução/Editora Euphoria

O catálogo da Euphoria também inclui Sou Tudo o Que Você Não Precisa (2023), Desconhecido Sob Meus Olhos (2025), República 7 (2024), Meu Desfruto (2022) e Vante: Girassóis de Dante (2025), obras que exploram diferentes expressões de existência, afeto e sexualidade. Em comum, todas propõem recentrar o corpo preto e suas vivências, ampliando o olhar sobre a sociedade contemporânea.

Foto: divulgação/Editora Euphoria/Entretetizei

Diante da baixa representatividade no mercado editorial, a Euphoria reafirma seu compromisso com diversidade e inclusão na literatura brasileira. Para a fundadora Nathália Brandão, o propósito da editora vai além de publicar livros: “Queremos que nossos leitores se reconheçam nas histórias que lançamos. A literatura tem o poder de reconstruir imaginários e devolver humanidade a quem, por tanto tempo, foi reduzido a estereótipos”, afirma.

Foto: reprodução/Editora Euphoria

Ao abrir espaço para novos autores e narrativas antes marginalizadas, a Editora Euphoria contribui para a democratização da cultura e para a formação de um novo público leitor, reforçando a importância de múltiplas vozes na construção de uma literatura brasileira mais plural e representativa.

Sobre a Editora Euphoria
Foto:reprodução/Editora Euphoria

A Editora Euphoria publica romances adultos LGBTQIA+, com foco exclusivo em narrativas de protagonismo queer. Muitas das obras surgem originalmente como fanfictions e ganham edição profissional pela casa editorial.

Já conhecia a proposta da Editora Euphoria? Compartilhe com a gente em nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e, se gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!

 

Leia também: Do Wattpad às livrarias: sucesso sáfico Águas de Março ganha sequência pela Editora Euphoria

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Notícias Séries

Nova série com Marieta Severo e Nanda Costa começa a ser gravada no Rio

Produção dirigida por Mauro Mendonça Filho mistura melodrama e suspense em uma história envolvente

Com intrigas familiares, manipulação e reviravoltas, a nova série da Netflix promete ser de tirar o fôlego, pois nada é o que parece. Estrelada por Marieta Severo, Alice Wegmann, Nanda Costa e José de Abreu, a produção, ainda sem título, começou a ser gravada no Rio de Janeiro nesta semana, com direção geral de Mauro Mendonça Filho.

Instigante e recheada de tensão, a história de melodrama e suspense acompanha Lúcia (Marieta Severo) e Maíra (Alice Wegmann), mãe e filha da elite carioca que nutrem uma relação complexa e turbulenta. Quando seus caminhos cruzam com o de Irina (Nanda Costa) e Bóris (José de Abreu), a teia de segredos, traições e mistérios se intensifica.

A produção é da Conspiração e tem criação de Diane Maia e Mirna Nogueira, que também assina como roteirista-chefe. Produzida por Renata Brandão, Luísa Barbosa e Tania Pacheco, a série tem direção de Gabriela Amaral Almeida e Daniela Carvalho. O elenco conta ainda com nomes como Felipe Camargo, Luciana Paes, Laila Garin, Rui Ricardo Diaz, Heloisa Jorge, Allan Souza Lima, Jonas Bloch, Giovanna de Jesus, José Mata, Thiago Justino, Hamilton Dias, Laura Vick, Yanna Lavigne e Rosanna Viegas.

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Leia também: Após sucesso global, Os Donos do Jogo tem segunda temporada confirmada

 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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Crítica Cultura pop Entretenimento Notícias Resenhas

Crítica | Wicked: Parte 2 encerra a saga com emoção, maturidade e um poderoso grito político

Em Wicked Parte 2, Elphaba e Glinda mostram que nem sempre a verdade é aquilo que parece – e todo ato de bondade tem seu preço

[Contém spoiler]

O Entretetizei teve a honra de assistir ao filme Wicked: Parte 2 antecipadamente, numa sessão especial para a imprensa, em São Paulo. O filme, muito esperado pelo público, surpreendeu em vários quesitos: elenco, figurino, roteiro e números musicais – em um conjunto que te leva para dentro da história, mas também te faz refletir sobre a nossa sociedade. Em suas duas horas e dezessete minutos de duração, Wicked se revela mais que um musical, mostra-se um verdadeiro grito político em meio às mudanças e acontecimentos do nosso mundo. Vamos entender um pouco mais.

Enredo que traz contextos atuais

A própria sinopse de Wicked: Parte 2 já nos traz Elphaba vivendo no exílio, após a determinação do povo de Oz de que ela é uma Bruxa Má. Quem vem acompanhando a saga, sabe muito bem que de má Elphaba não tem nada. Pelo contrário, ela tem um coração tão bom, que se encontra na condição de estar longe de quem ama, principalmente de seu amor Fiyero. Mas isso não foi suficiente para derrotar Elphaba: seu senso de justiça e sua luta por um mundo melhor, a fizeram continuar com seu objetivo. Enquanto Glinda segue na Cidade Esmeralda, perto de se casar com Fiyero, vivendo uma realidade mascarada e cor-de-rosa, Elphaba se mostra preparada para dominar a cidade e revelar  a verdade para o povo: aquele que se mostrava mágico e “salvador”, na realidade, é uma farsa.

Créditos: Universal Pictures

O início do filme já nos traz o choque de realidade entre o bem e o mal; com toda uma sociedade enganada, crente de que tudo que o Mágico e seus submissos falam é realidade, enquanto quem realmente traz o bem em seu coração, e com verdadeiros poderes mágicos, é taxada como uma vergonha, uma ameaça. Em meio a tudo o que passamos nos últimos anos na política mundial, Wicked II não poderia vir em melhor momento.

O reencontro de Glinda, Elphaba, Fiyero e um casamento forçado arruinado

É claro que todos estávamos ansiosos para ver o reencontro do trio principal: Glinda, Elphaba e Fiyero. E esse reencontro veio em um momento icônico: no meio da cerimônia de casamento de Glinda e Fiyero. Ele, completamente deslocado, sem querer estar ali, mas sabendo que não tinha muita escolha no momento, e ela, iludidamente feliz, no seu mundo cor-de-rosa. Diante disso, seria impossível não imaginar que Elphaba apareceria: pois nossa Bruxa (não) má faz sua primeira aparição em Oz bem no meio da celebração, aproveitando que todos estão presentes e atentos.

Créditos: Universal Pictures

Durante a cena, temos vários momentos: Elphaba se deparando com o casamento de seu amor com Glinda, e a decepção de não ser ela vivendo isso; Fiyero revendo seu grande amor e Glinda reagindo ao estrago que isso fez em seu casamento – que não foi concluído (ainda bem!). A raiva de Glinda por não ter alcançado seu sonho, e ver sua amiga estragar aquele dia, a fez agir de forma impulsiva, prejudicando Elphaba para sempre. Em um momento de choro e muita tristeza, Madame Morrible e o Mágico de Oz comentam com Glinda sobre a necessidade de ter uma isca para Elphaba ir até eles e finalmente darem um fim na Bruxa. Eis que Glinda dá a ideia de usar Nessarose Thropp, irmã de Elphaba, para o plano dar certo. Glinda estava machucada e encontrou, agindo assim, uma forma de ferir a amiga, que, apesar de passar por tanta coisa, ainda assim ficou com o que ela considerava mais importante,  o coração de Fiyero. Essa atitude de Glinda mostra como a personagem ainda apresenta traços imaturos e de uma menina mimada, que não sabe perder e não aceita ser contrariada.

Duas irmãs separadas por ideologias diferentes e a chegada do Boneco de Lata

É verdade que Nessarose e Elphaba nem parecem irmãs em muitas situações. Sabermos que elas compartilham a mesma mãe e os laços sanguíneos, mas são totalmente divergentes em propósitos de vida/pensamentos. Enquanto Elphaba busca fazer do mundo um lugar mais justo, Nessarose é arrogante com as pessoas, mimada e se sente abandonada pela irmã, que, na parte II, retorna ao palácio onde Nessarose atua como governadora da Terra dos Munchkins.

Créditos: Universal Pictures

No palácio, as irmãs discutem e, após Nessarose mais uma vez fazer um escândalo sobre não voltar a andar, Elphaba decide fazer um feitiço, que resulta na irmã voando ao invés de andar. Essa escolha narrativa evita um olhar capacitista, uma vez que a menina é uma pessoa com deficiência, trazendo  a narrativa de que todos têm o direito de voar. A cena foi muito bem executada e num todo, foca muito mais nos conflitos internos de Nessa, destacando  seu hiperfoco no amor, ao invés da deficiência.

Ainda nesta sequência, Boq, que é apaixonado por Glinda e descobre sobre o casamento dela com Fiyero, abre o coração com Nessa, que se vê revoltada por seu “amor” ainda gostar de Glinda. Numa tentativa de se vingar, por Boq não a amar como ama a menina do mundo cor-de-rosa, Nessa tenta aplicar um feitiço no rapaz que, por sua vez, sente uma forte dor no coração e desmaia. Para tentar reverter o erro da irmã, Elphaba, mais uma vez, com seu coração bom, faz um feitiço e transforma Boq no tão famoso Homem de Lata – personagem presente também em O Mágico de Oz.

Resultado: após Elphaba ir embora, Nessa mente para o rapaz e coloca a culpa na irmã, que mais uma vez carrega um peso que não é dela. Boq não aceita que virou um boneco de lata e se revolta contra Elphaba. Toda essa cena nos faz refletir muito sobre como as pessoas podem ser egoístas a ponto de culpar uma pessoa inocente pelos seus próprios erros. Nesta sequência, conclui-se que a verdadeira vilã é Nessarose, uma mulher amargurada, ingrata e que não soube lidar com o fato da irmã ter mais sucesso no amor e na vida.

A aparição de Dorothy e a morte de Nessa

Um dos momentos mais esperados certamente era ver os personagens de O Mágico de Oz – introduzidos de forma bem explicada na história. Tudo começou com Madame Morrible aplicando o feitiço de mudança climática: um forte vendaval destruiu diversas partes da Cidade Esmeralda, incluindo o caminho dos tijolos amarelos e diversas casas – uma delas, acabou caindo em cima de Nessarose, que foi esmagada e ficou com seus sapatinhos à mostra. Lembra quando foi comentado, lá em cima, que a atitude de Glinda, ao sugerir usar Nessa para atrair Elphaba, traria consequências para sempre? Pois bem, seria impossível Elphaba não ficar sabendo do ocorrido.

Créditos: Universal Pictures

Ainda sobre a cena do vendaval, para quem conhece a história de O Mágico de Oz e Wicked, toda a sequência foi produzida de forma bem fiel às histórias e deixou claro de onde surgiram os sapatos de Dorothy: a personagem aparece e rouba os sapatos de Nessa, já que eles ficaram para fora. Nessarose então tem o seu fim trágico, numa cena dramática impactante, deixando sua irmã em pedaços, conforme sugeria o plano.

Quem são O Espantalho e o Leão?

Agora já sabemos quem é o Boneco de Lata (Boq) e um pouco sobre Dorothy, que na verdade, vem do mundo de O Mágico de Oz e é citada em Wicked – na cena descrita acima, apesar de não podermos ver seu rosto. Porém, dois personagens ainda estão faltando: O Espantalho e o Leão.

O Espantalho é Fiyero, que foi transformado no personagem após um feitiço de Elphaba, para salvar seu amado. Com o plano de Madame Morrible em andamento, Elphaba retorna a Oz após a morte da irmã. Então, há uma briga entre Glinda e Elphaba e, quando os guardas chegam para separá-las, Elphaba é capturada. Para que a mesma não seja presa, Fiyero, que estava entre os guardas, faz Glinda de refém, em troca da liberdade de Elphaba. Quando os guardas soltam Elphaba, o rapaz ordena que as duas fujam e ele é capturado. Logo após tudo isso, os guardas batem em Fiyero, na intenção de que ele conte onde a “Bruxa Má” está – momento em que Elphaba canta No Good Deed, enquanto aplica um feitiço para seu amado não sentir dor. É nessa hora que Fiyero vira o espantalho.

Créditos: Universal Pictures

O Leão é a versão adulta do pequeno leão libertado por Elphaba em Wicked: Parte I, dentro da Universidade Shiz. Apesar de Elphaba ter feito isso pelo bem do animal, ele cresceu com muito medo e, na cena, comenta que preferia a jaula. 

Dorothy, O Leão e O Homem de Lata se juntam contra a Bruxa Má – e é Dorothy quem joga a água em cima de Elphaba e a derrete, fazendo todo o povo de Oz pensar que Elphaba estava finalmente morta.

As músicas de Wicked e as lições que tiramos para nossas vidas

O ponto alto de Wicked é a qualidade vocal dos atores, com destaque para Ariana Grande e Cynthia Erivo, que entregaram interpretações emocionantes. Na minha opinião pessoal, os destaques vão para: No Good Deed, que traz, em sua letra, os desejos de “que a pessoa não sinta dor” e todo o bem tem seu preço”. Toda a trajetória de Elphaba, até o final do filme, mostra exatamente isso: que há um preço a se pagar para quem deseja ser justo e escolhe o bem. Uma música forte, atual, numa cena emocionante.

Créditos: Universal Pictures

Além disso, outras canções que arrepiam durante o filme são:

As Long as You’re Mine, que arranca lágrimas pela potência da letra e da interpretação de Cynthia e Jonathan Bailey. A música aparece numa cena de amor entre os dois, um momento raro e único em suas vidas;

The Girl in the Bubble e I’m Not That Girl, ambas de Glinda e que mostram a evolução da personagem, que verdadeiramente reflete sobre suas ações e o que está acontecendo com o mundo ao seu redor. Principalmente em The Girl in The Bubble, a personagem se mostra exausta de ser rotulada como aquela menina que vive dentro da bolha e sente necessidade de usar a sua bondade para realmente tentar mudar o mundo em sua volta;

For Good, uma interpretação de Elphaba e Glinda sobre amizade e despedida – talvez um dos momentos mais tristes do filme, ao mesmo ponto que é uma das cenas mais lindas. Falar de amizade faz qualquer um se emocionar, principalmente quando trazemos para a realidade e refletimos sobre as amizades que fazem ou já fizeram parte de nossas vidas.Num todo, todas as canções de Wicked: Parte 2 foram interpretadas de forma imponente, com cenas repletas de energia e muita entrega. Certamente vai gerar muitas lágrimas e arrepios no público.

Créditos: Universal Pictures
Um final emocionante e repleto de significado

Todos os acontecimentos de Wicked: Parte 2 levam para um final na medida certa e muito bem explicado. Após a “morte” de Elphaba, o povo de Oz se acalmou e Glinda surge como essa pessoa que vai levar paz à população. Até então, Glinda não se enxergava como “Glinda, a Boa”, porém, após “perder” sua melhor amiga e Fiyero, ela se mostra disposta a assumir essa identidade: usar sua bondade para o bem de todos. Essa atitude mostra que a personagem amadureceu, aprendeu, de forma dura, com seus erros e entendeu que precisava mudar suas atitudes.

Créditos: Universal Pictures

Ainda na parte final, a conexão de Elphaba e Glinda é uma das coisas mais lindas de se ver. Glinda guarda a garrafa verde, que pertencia à mãe de Elphaba, a mostra ao mágico e ele entende que fez mal à sua própria filha. O objeto torna-se uma lembrança eterna dessa amizade, junto ao Grimmerie, livro de feitiços de Elphaba. Ao assumir que não era capaz de fazer mágica, Glinda leva o livro para a torre do Castelo de Oz, numa homenagem à amiga. Enquanto isso, Elphaba sente esse momento de longe, o livro se abre e se enche de brilho, gerando um arco-íris – uma referência à infância de Glinda, cena anterior, com a pequena Glinda fingindo que sabia fazer magia, quando um arco-íris surge no céu. 

Toda essa cena mostra como a ligação das amigas é extremamente forte, pois mesmo estando nas terras mais longínquas de Oz, no meio do deserto, com Fiyero como espantalho, Elphaba sentiu a ação da amiga. Tal ligação e a cena nos fazem pensar que Glinda entendeu que Elphaba não morre, mas havia escolhido um outro caminho para sua vida.

Em suma, o final de Wicked: Parte 2 não deixa brecha para continuidade, pois encerra muito bem a histórias dos personagens, com Elphaba em busca de uma nova vida com Fiyero, longe de Oz e livre, enquanto Glinda decide realmente mudar e ajudar o seu povo. No plano final, ainda temos a cena de Glinda contando um segredo à Elphaba, fazendo referência ao famoso cartaz de Wicked. O momento sugere cumplicidade e intimidade, mostrando que as duas bruxas têm uma relação muito mais complexa do que bondade e maldade, e que existe uma verdade oculta por trás da verdade contada.

Créditos: Universal Pictures

Para mim, que assisti ao filme e conheço a história desde criança, foi um filme avassalador, uma verdadeira homenagem à história original de Wicked, com um resultado que supera expectativas. Concluo que existem muitas Glindas, Mágicos de Oz e Elphabas no nosso dia a dia: pessoas que se passam de boas, mas não são; líderes que dominam seu povo com mentiras contadas diversas vezes e pessoas de bom coração, que buscam fazer o bem a qualquer custo – mas sabem que existe um preço a pagar por isso. Depois de tudo, podemos entender a mensagem de que nem sempre é possível mudar o mundo sendo bom o tempo todo.

Ainda assim, Elphaba é um personagem tão real, que me faz pensar sobre quem é ela na sociedade: uma mulher tão justa, que nunca abandonou seus princípios, lutou até o fim para seguir seus ideais e foi até onde pode para tornar o seu mundo um lugar mais justo. Glinda sempre será aquela parte de nós que quer encarar o mundo, mas que sente medo de perder tudo e não alcançar seus sonhos. Glinda e Elphaba são a soma imperfeita de uma amizade perfeita e são o resumo do que somos por dentro: porque todos nós temos os dois lados: o bem e o mal; basta escolher qual lado se quer ficar e até onde está disposto a lutar.

Créditos: Universal Pictures

Wicked: Parte 2 é um filme muito mais sobre as sociedades do mundo do que um filme lúdico. Surge numa época em que precisamos falar de todos os temas retratados na obra, que vão desde tipos de amizades, a inclusão, até os líderes que escolhemos e o preço da liberdade e da justiça. Para quem sabe interpretar, vai levar para casa várias lições de vida.

 

Ficou ansioso para Wicked: Parte 2? E o que você, que já assistiu, achou do filme? Conta para a gente e siga o Entretê nas redes sociais (Instagram, Facebook, X) para mais novidades sobre o mundo do entretenimento turco.

 

Leia também: Entrevista | Hipólito, o novo Fiyero de Wicked Brasil, traz carisma e talento para o palco

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Resenha | O Sobrevivente (2025) entrega ação, caos e um espelho que não queríamos ver

O filme, protagonizado por Glen Powell, atualiza a distopia dos anos 80 ao transformar a sobrevivência em espetáculo, em uma era marcada pela desumanização e pela manipulação midiática

Na nova versão de O Sobrevivente, dirigida por Edgar Wright e estrelada por Glen Powell, o espetáculo da sobrevivência ganha contornos assustadoramente reais. Baseado no livro de Stephen King (sob o pseudônimo Richard Bachman), o filme atualiza o clássico dos anos 80 – que tinha Arnold Schwarzenegger como protagonista e muito sangue – para uma era em que a violência se disfarça de conteúdo e o engajamento vale mais do que a verdade.

A trama acompanha Ben Richards (Glen Powell), um homem que aceita participar de um reality show mortal após ser convencido por Dan Killian (Josh Brolin), um produtor ambicioso. O protagonista e outros corredores, como são chamados os concorrentes do programa, devem passar trinta dias fugindo de assassinos profissionais. Desempregado e com a filha doente, Richards vê na competição a última chance de garantir a sobrevivência dela. O que começa como um ato desesperado, impulsionado pela promessa de uma recompensa em dinheiro que cresce a cada dia, logo se transforma em um espetáculo global, em que cada movimento é acompanhado em tempo real e transmitido em múltiplas telas.

Ritmo descompassado e absurdo com comentário social

O diretor não tem pudor em usar a estética como arma narrativa. Chamam atenção os planos longos, ângulos filmados com drone, que exibem as reações do público do reality show na tela. Esses recursos facilitam a sensação de imersão de quem assiste o filme, gerando uma sensação de agonia, quase sugerindo que estamos sendo cúmplices por estarmos nos divertindo enquanto alguém é caçado.

Foto: divulgação/Paramount

A cena em que duas crianças são premiadas e exaltadas pela plateia por matarem uma das participantes do reality, concorrente do protagonista, é exemplo disso. O filme apresenta absurdos como esse com muita naturalidade e, em seguida, intercala a sequência da cena com o apresentador fazendo uma propaganda de cereal – tudo isso escancarando a desimportância da vida diante do entretenimento.

O resultado é um projeto com boas reflexões sobre vigilância, deepfake, engajamento e o prazer de assistir ao caos. Ainda que essas ideias fiquem mais na superfície, o brilho da estética e o foco na perseguição do protagonista acabam engolindo parte do peso dessas discussões. Mesmo assim, é um ponto a se destacar.

Wright, conhecido por filmes como Baby Driver e Todo Mundo Quase Morto, não cumpre totalmente a promessa de um filme de ação frenético. Mesmo as cenas de perseguição, que costumam ser pontos altos de seus filmes, não são tão originais e empolgantes. No entanto, constrói um ritmo narrativo que oscila entre acertos e tropeços.

Falta ritmo, mas há bons momentos

O início pouco empolga, com uma introdução que demora a engrenar, mas o meio ganha força com boas sequências de perseguição e, principalmente, pelas boas performances de apoio. Colman Domingo, William H. Macy e Michael Cera compõem um trio que ajuda a sustentar o filme em suas passagens mais frágeis.

Foto: divulgação/Paramount

Cera, em especial, surge como uma presença magnética. Seu personagem funciona como alívio cômico curioso, e o tom que o ator encontra dá textura às discussões morais da trama. A cena em que o protagonista recusa o título de Detonador, concedido por ele, sintetiza bem essa dinâmica: quando o filme se torna mais pesado por conta do confronto entre espetáculo e humanidade, o elenco de apoio tenta assumir um papel de manter o interesse do público.

Falta fluidez, cadência, e o trecho final se prolonga demais, repetindo situações e esvaziando a tensão. A história continua pesada e extensa, mesmo com alguns escapes típicos de blockbuster como: ação, explosões, perseguições e humor pontual. Ao tentar retratar trinta horas de caçada, com muitos momentos de silêncio, paisagens e planos longos, a obra termina cansando o público.

Exagero ganha novos contornos

Glen Powell entrega um protagonista carismático e contraditório, preso entre o desespero de sobreviver e a consciência de ter se tornado produto. No início da trama, dizem que o fato do personagem se arriscar pela família seria algo que o ajudaria a assumir o controle. Ben define a palavra justiça como algo hilário, mas, ainda assim corre atrás dela.Desse modo, o filme transforma o protagonista em símbolo do nosso tempo, mostrando um homem que luta por liberdade dentro de um sistema repleto de desigualdade social e controle que só existe porque a plateia não desvia o olhar.

Foto: divulgação/Paramount

Não é difícil se identificar. Vivemos numa era em que a exposição virou rotina e a atenção, moeda. O vício em acompanhar, reagir e compartilhar tudo transforma cada um de nós em peça desse mesmo jogo. Se, no filme, a audiência decide quem vive ou morre, na vida real decidimos o que ganha visibilidade, o que desaparece do feed e o que é cancelado.

A ironia é que, enquanto Ben Richards tenta escapar de um sistema que o transforma em espetáculo, nós fazemos fila para alimentar o nosso. O Sobrevivente atualiza a distopia dos anos 80 e mostra que o exagero de ontem ganha novos contornos hoje.

O clássico de 1987: o exagero como crítica

Dirigido por Paul Michael Glaser, O Sobrevivente (1987) imaginava um futuro em que a própria morte era transformada em espetáculo televisivo. Marcado por frases que ficaram no imaginário popular, como o célebre “I’ll be back!”, o longa equilibrava aventura futurista com uma sátira evidente, ecoando influências de 1984 e Fahrenheit 451. Mas, ao contrário da nova adaptação, suas provocações sociais vinham embaladas por um tom exagerado e quase cartunesco, muito próprio dos anos 80, o que fazia com que um possível comentário mais ácido sobre mídia e manipulação acabasse soando como mais um filme de ação carregado de excessos e frases de efeito.

O Sobrevivente, dirigido por Wright, traz a trama com uma nova versão, mas faz uma singela homenagem a Arnold Schwarzenegger. O protagonista da versão dos anos 80 surge com o rosto estampado em uma nota de dinheiro exibida logo nas primeiras cenas da nova produção.

Foto: divulgação/Paramount

É difícil encarar o reflexo

Em meio à ação sem cadência e à crítica, O Sobrevivente questiona o que é realidade em um mundo saturado pelo espetáculo. Se Orwell imaginou o controle pela dor em 1984, Wright sugere que o futuro chegou pelo prazer; o prazer de assistir, curtir, comentar e seguir em frente.

Com estreia prevista para o dia 20 de novembro nos cinemas de todo o Brasil, essa narrativa sobre controle revela o desconforto de um público que consome o caos com naturalidade. No fim, parece que estamos vendo menos uma distopia e mais um espelho. E, se estivermos realmente atentos, é difícil encarar esse reflexo.

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Texto revisado por Kaylanne Faustino

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