Entre a crueza dos sentimentos e o caos sonoro, a artista explora a complexidade de amar e perder enquanto inaugura o conceito de seu primeiro álbum
Breezia abre as portas de seu universo particular com o single Não Sei o que Sentir Sobre Você, o marco zero de seu primeiro álbum conceitual. Fugindo de fórmulas prontas, a artista mergulha na complexidade do luto por alguém que ainda vive, explorando o vácuo emocional e a confusão que restam após o fim de um ciclo. Em entrevista exclusiva, ela revela que a canção não busca respostas prontas, mas sim validar a dúvida e o tempo necessário para processar sentimentos que a sociedade, muitas vezes, nos pressiona a superar rápido demais.
A sonoridade, produzida por Lucas Marmitt, reflete esse estado de espírito ao contrastar sintetizadores etéreos com momentos de puro caos e distorção. Breezia explica que essa dualidade traduz a tentativa de máquinas soarem humanas e orgânicas, criando uma atmosfera que ela define como ‘retrô futurista’. Inspirada pela ficção científica clássica e pela genialidade de David Bowie, a artista utiliza essa estética para materializar o pequeno planeta onde sua narrativa se ambienta, unindo som e imagem em uma experiência catártica.
Ouça o single:
Para Breezia, o lançamento é uma vocalização de uma dor coletiva e o reflexo de um processo criativo pautado pela liberdade e verdade artística ao lado da Ametista Music. Ao compartilhar suas vivências de forma crua, ela se conecta com o público através da vulnerabilidade, lembrando que, embora ciclos se encerrem e causem um vazio profundo, a vida tende a ser gentil novamente. Confira a seguir os detalhes sobre a criação desse novo mundo:
Entretetizei: Por que, dentre todas as faixas do álbum, Não Sei o que Sentir Sobre Você foi a escolhida para apresentar o universo da Breezia ao público?
Breezia: Ela ambienta muito bem o meu planeta, a primeira frase do primeiro verso já coloca todo mundo do meu lado. Após essa introdução, já consigo desenvolver exatamente o sentimento de confusão que estou tendo, com a ajuda do instrumental, que é quase uma voz complementar a minha. Ela é perfeita para resumir o álbum, se precisássemos fazer isso.

E: Como tem sido o feedback do público em relação a esse novo single?
B: Lançando Não Sei o que Sentir Sobre Você, conclui que nenhuma experiência é singular. Eu me conectei com tantas pessoas que se identificaram com a escrita, que se viram dentro daquela situação; foi uma experiência incrível. Eu notei que vocalizei um sentimento que muita gente teve, mas não soube verbalizar.
E: Vivemos em uma sociedade que nos pressiona a “superar rápido”. Não Sei o que Sentir Sobre Você valida o tempo da dúvida. Você acredita que a música pode ajudar as pessoas a aceitarem suas próprias confusões internas?
B: Completamente. Eu não busco resposta nenhuma com minhas composições, muito pelo contrário, busco validar as dúvidas. Tem coisas que simplesmente não se resolverão agora, nem daqui a um ano, ou talvez nunca. Há beleza nisso, precisamos da benção da dúvida às vezes.
E: Como essa parceria com a Ametista Music influenciou a liberdade criativa para você criar um álbum conceitual, algo que muitas vezes é visto como ‘arriscado’ no mercado atual?
B: Eu passo mais tempo no estúdio do que com minha família, sem dúvida alguma, e isso é graças a minha conexão com o Lucas Marmitt e essa compatibilidade criativa que temos desde sempre. O Marmitt me dá completa liberdade de compartilhar minhas vivências durante nosso trabalho, ele se importa em se certificar de que eu estou lançando o que soa genuíno pra mim e pra ele, não só pra agradar um público específico. No final, é sobre sustentar nossa verdade, a Ametista reforça muito essa ideia, e eu vivo ela durante minhas criações muito vividamente.
E: O visualizer tem uma forte inspiração na ficção científica dos anos 50 e 60. O que mais te atrai nessa estética “retrô futurista” e como ela conversa com a sua música?
B: Total! Eu sinto que o que chamamos de “retrô” é, na verdade, o que nunca fica ultrapassado, o que sempre vai perdurar independente da passagem de tempo. Minha referência direta sempre será o David Bowie, que traz com ele essa força da nostalgia, mas nunca de um prazo de validade. Então na minha música e nos meus visuais, gosto de replicar as coisas que eu admiro e amo, e essa estética é minha paixão!
E: Hoje, a imagem é indissociável da música. Você já cria as canções pensando no universo visual ou a estética surge depois que a melodia está pronta?
B: Muito dificilmente tenho qualquer ideia antes do trabalho pronto, gosto muito de deixar as faixas contarem a história delas pra mim. Quando terminamos a magia de criar a música, a estética dela já parece ser muito clara ao nosso olhos, nunca tivemos embates sérios sobre o que seria, sempre concordamos bastante sobre a cara que aquela música tem.
E: Qual recado você daria para alguém que, assim como a protagonista da sua música, está atravessando o “luto por alguém que ainda está vivo“?
B: Assim como as pessoas mudam, você também vai mudar, e a vida tende a ser gentil com você de novo. Não se permita ficar num lugar de questionamento, de “e se” pra sempre, ciclos se encerram. Tudo acontece por um motivo.
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Texto revisado por Angela Maziero Santana









