Primeiro filme brasileiro em IMAX aposta na imersão radical e em tecnologia de ponta para colocar o espectador dentro de Le Mans
2DIE4: 24 Horas no Limite chega aos cinemas nesta quinta-feira (30) e trata-se do primeiro filme brasileiro concebido para o formato IMAX, e isso não é apenas um detalhe de exibição – é o próprio coração da experiência. Dirigido pelos irmãos André e Salomão Abdala, o longa não quer apenas contar uma história, mas transportar o espectador diretamente para dentro de um carro de corrida a mais de 300km/h.

Acompanhando o piloto Felipe Nasr durante as icônicas 24 Horas de Le Mans, o filme abandona qualquer estrutura documental tradicional. Não há entrevistas, narração explicativa ou contextualizações didáticas. Em vez disso, o que vemos na tela é uma aposta radical na imersão: imagem, som – e que baita som! – e tempo real como ferramentas narrativas.
E nesse aspecto, 2DIE4 é impressionante.

A produção – realizada por uma equipe enxuta de apenas oito pessoas – utiliza tecnologias raríssimas, como câmeras 8K adaptadas e lentes de exclusivo Sistema 65, criando uma profundidade de campo e uma nitidez que fazem cada curva, vibração e troca de marcha parecerem palpáveis. E o uso do formato IMAX amplia completamente essa sensação de confinamento dentro do cockpit e reforça a tensão física da corrida.
Há também um mérito importante na decisão de não roteirizar os acontecimentos. Ao abrir mão de uma estrutura ficcional tradicional, os diretores se colocam à mercê da própria imprevisibilidade do automobilismo – e isso dialoga diretamente com o tema central em torno do filme: o risco.

Quando questionado sobre o fato de não ter sido escrito um roteiro antes das gravações, apenas depois, André Abdala afirmou: “Nós queríamos fazer o filme mais autêntico possível. E o que é mais real do que uma corrida real,com um piloto real, com consequências reais? Eu tenho o casting perfeito também. O mecânico, eu não tenho que ensinar ele como apertar a roda, ele tá apertando pela vida dele porque ele quer ganhar a corrida. Então existiam dois pontos. O primeiro é a realidade de que a gente teria um casting perfeito e a gente poderia gravar nas vinte e quatro horas de Le Mans, o que nos traria drama o suficiente. As pessoas que estão ali, não estão pelo dinheiro, você não recebe nada por ganhar a corrida. É pela honra de escrever seu nome na história.
No entanto, é justamente essa fidelidade ao real que se torna o principal limite da obra cinematográfica.

Sem uma construção dramática definida, o filme acaba refletindo a própria lógica da corrida – e nem toda corrida oferece um arco narrativo que sustente, sozinho, a progressão emocional esperada no cinema. O desfecho surge de forma mais abrupta do que impactante, deixando a sensação de que a jornada poderia ter explorado com mais força seu potencial de clímax.
Ainda assim, 2DIE4 não parece interessado em seguir regras.
Para os diretores, o filme é mais do que qualquer rótulo, qualquer definição. “Nós fizemos um filme que foi gravado com oito pessoas, é nosso primeiro filme brasileiro em IMAX. Nós fizemos um filme que quase ficou sem budget. Ele não foi roteirizado, é uma história real. […] Ele é um documentário ou ele é um filme de ação? Eu não quero fazer isso, eu quero trazer uma experiência para a audiência. Um filme de ação com cenas reais.”, declarou Salomão Abdala.
“O motivo pelo qual nós fizemos esse filme é que nós queremos que as pessoas vejam o quanto, o quão importante é você ser resiliente no seu sonho. Todo mundo vai falar não, vai tudo parecer impossível, só que se você continuar tentando você chega lá. […] Todo mundo falou que era impossível fazer o filme ser IMAX, a gente bateu lá na porta e conseguimos. Também nos fez os diretores mais jovens da história a fazer, como brasileiros, e eu tenho muito orgulho disso. Quero mostrar que não existe impossível, você escreve a sua própria história”, finalizou André.

Mais do que um documentário esportivo, o filme se apresenta como uma experiência sensorial que desafia formatos e coloca o Brasil em um novo patamar técnico dentro do audiovisual.
Distribuído pela O2 Play, o longa oferece algo mais raro do que muitos outros em cartaz: uma imersão quase física na velocidade.
2DIE4: 24 Horas no Limite já está em cartaz nos cinemas do Brasil.
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Texto revisado por Luana Chicol.



