O caminho de APT e Golden até o Grammy expõe a força subestimada das crianças, que transformam repetições em números e números em hegemonia cultural
Os dois indicados coreanos ao Grammy, Golden, da animação coreana Guerreiras do K-pop, e APT, parceria entre Rosé e Bruno Mars, representam um fenômeno curioso e absolutamente revelador sobre o consumo musical global em 2025. Ambas se tornaram onipresentes, tocando em todos os lugares, acumulando milhões de streams por dia e alcançando um nível de “chiclete” que não víamos desde o estouro mundial de Baby Shark. E, por mais que muitos tentem explicar esse sucesso apenas pela qualidade de produção, pelo marketing ou pelo poderio do K-pop, existe um elemento que sempre é ignorado, mas que merece todo o crédito: o público mirim.
Crianças são o motor silencioso de muitos fenômenos musicais. Elas escutam repetidamente a mesma música dezenas, às vezes centenas de vezes, sem enjoar, e isso tem impacto direto e brutal nos algoritmos de streaming. Em festas infantis, playlists escolares, canais infantis e até mesmo no celular dos pais, esses hits rodaram em looping por meses. APT tem uma estrutura melódica simples e absolutamente memorável; Golden, apesar de tecnicamente mais complexa e com vocalizações bem mais difíceis, ainda entrega um refrão direto o suficiente para ser absorvido por ouvintes de três , cinco e sete anos. Isso explica por que nem a maturidade lírica de Golden, nem o status de colaboração global de APT, foram barreiras para o consumo repetitivo dos pequenos, na verdade, foram catalisadores.
Graças a eles, essas duas músicas não apenas dominaram as plataformas, mas hoje chegam ao Grammy em categorias grandes, de forma legítima e merecida. E é impossível ignorar como esse resultado também fala sobre a consolidação definitiva da cultura pop asiática no Ocidente. APT, especialmente, carrega um simbolismo que Bruno Mars parece ainda não ter digerido por completo: ele divide um espaço histórico com uma artista coreana porque o K-pop abriu esse caminho. Houve um momento entre Gangnam Style e APT em que o pop coreano furou a bolha repetidas vezes; grupos, solistas e fenômenos digitais que pavimentaram o terreno para que artistas coreanos fossem levados a sério em premiações que antes sequer cogitavam essa presença. Essa história não pertence apenas aos artistas atuais, ela é fruto de uma década de resistência cultural, investimento em indústria e dedicação de fandoms globais.
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É por isso que soa tão desconectado quando Bruno Mars tenta se posicionar acima dessa narrativa, como se o espaço dividido fosse uma concessão e não uma construção histórica. APT não é apenas um hit, é um marco de coexistência artística entre o pop ocidental e o asiático. E, ironicamente, parte desse marco se deve ao público mais imprevisível e menos reconhecido da indústria, as crianças que repetem uma música até o infinito e transformam tendências em estatísticas.
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O Grammy reconhece hoje o que o mundo já percebeu há muito tempo: a música pop coreana não é visitante, é residente. E se Golden e APT chegaram até aqui, é porque carregam nas melodias, nas narrativas e, sim, nos pequenos fãs que cantam sem parar, a prova viva de que o impacto cultural asiático é definitivo e muito maior do que qualquer artista individual.
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Texto revisado por Angela Maziero Santana










