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Especial | O aconchego silencioso do cinema japonês

Entre arroz no vapor, amizades improváveis e silêncios que curam, o cinema japonês parece ter descoberto o segredo do acolhimento em forma de tela

Se você já terminou um filme japonês com a sensação de que foi abraçado por uma história simples, mas incrivelmente significativa, você não está sozinho. No meio do ritmo frenético das grandes produções hollywoodianas, onde tudo explode, corre ou grita, o cinema japonês parece andar em uma direção oposta: ele respira. Ele cozinha devagar. Ele conversa olhando nos olhos. E, sem precisar de reviravoltas grandiosas ou efeitos mirabolantes, ele nos acolhe, como se dissesse: “Está tudo bem, você pode descansar aqui”.

São filmes que nos fazem querer largar o celular, preparar um chá quente e, às vezes, até repensar o ritmo da nossa própria vida. Obras como Little Forest (2018), Our Little Sister (2015), Sweet Bean (2015), Swing Girls (2004), Midnight Diner (2009–2019) e After the Storm (2016) têm conquistado uma legião de fãs mundo afora por oferecerem algo cada vez mais raro: um espaço seguro para sentir. Mas afinal, o que torna essas produções tão confortáveis? Por que elas conseguem tocar fundo com tão pouco? A resposta está na estética, na cultura, na filosofia de vida e, acima de tudo, no cuidado com o simples.

A arte de transformar o cotidiano em poesia visual: como o trivial ganha significado no cinema japonês

Poucos cinemas conseguem capturar a beleza da rotina como o japonês. A vida comum, que geralmente é esquecida nas tramas aceleradas do mainstream ocidental, se torna o coração da narrativa. O que pode parecer banal — preparar o café da manhã, lavar a roupa, colher vegetais no quintal — ganha um valor quase sagrado quando mostrado com tempo, silêncio e intenção.

Essa abordagem exige paciência, tanto da produção quanto do espectador. Mas é exatamente essa cadência desacelerada que permite o surgimento do conforto. A câmera repousa em cenas que outras produções cortariam sem dó. Os personagens têm tempo para respirar. A gente também. E é nesse tempo que mora a poesia: uma sensação de presença, de conexão com algo que é simples e, por isso mesmo, essencial.

Diretores como Hirokazu Kore-eda e Naoko Ogigami são especialistas em dar protagonismo ao cotidiano. Em Little Forest (2018), cada estação do ano molda os dias da protagonista. Ela planta, colhe, cozinha, e tudo isso sem nenhuma pressa. O mais bonito é que o filme não é  sobre culinária, nem sobre agricultura: é sobre reconexão com o próprio tempo. E quando assistimos, é como se reencontrássemos o nosso também.

 cinema japonês
Foto: reprodução/inkline

Até mesmo comédias mais agitadas como Swing Girls (2004) respeitam esse ritmo. Apesar do tom leve e vibrante, o filme não tem pressa de resolver as coisas. O grupo de estudantes ensaia, erra, se atrapalha. A graça está no processo, e não no show final. Isso cria uma atmosfera familiar, despretensiosa, e profundamente humana.

 cinema japonês
Foto: reprodução/mubi

Essa sensibilidade visual e narrativa também dialoga com valores culturais do Japão, como o wabi-sabi, que valoriza o imperfeito, o efêmero e o incompleto. Ao invés de esconder as rachaduras, esses filmes as mostram com ternura. O resultado é um cinema que nos ensina a olhar melhor para o que já temos.

Culinária como afeto e cura: quando a comida é personagem principal

Entre os ingredientes que mais aparecem nos comfort filmes japoneses, nenhum é mais simbólico que o arroz recém-cozido. Não pelo alimento em si, mas pelo que ele representa: cuidado, acolhimento, memória. Quando os personagens cozinham, não estão apenas alimentando o corpo, estão expressando amor, gratidão ou até tristeza.

Sweet Bean (2015) talvez seja o exemplo mais tocante disso. A delicadeza com que a personagem Tokue prepara o anko, pasta de feijão doce, é quase uma prece. Há algo profundamente comovente na maneira como ela cuida dos detalhes, como se em cada movimento estivesse dizendo “você importa”. E, pouco a pouco, esse cuidado vai mudando a vida das pessoas ao redor — inclusive a do espectador.

Sweet Bean
Foto: reprodução/prime video

Na série Midnight Diner (2009–2019), cada episódio gira em torno de um cliente diferente e o prato que ele pede, sempre um prato afetivo, muitas vezes simples, como omelete com arroz ou udon. A comida é o ponto de partida para mergulhar na intimidade dessas pessoas. É o gatilho que revela sentimentos escondidos, memórias reprimidas, e também reconciliações inesperadas.

Em Kamome Diner (2006), a comida é ainda mais simbólica: ela atravessa fronteiras. A protagonista abre um restaurante japonês na Finlândia e, com calma, conquista o afeto dos moradores locais. Cozinhar aqui é um gesto de diálogo cultural, mas também um ato de resistência contra a solidão e o isolamento. É uma forma de dizer: “eu estou aqui, e você também pode estar”.

Kamome Diner
Foto: reprodução/letterbox

A conexão entre alimento e conforto talvez seja universal, mas o cinema japonês a trabalha com um cuidado raro. A forma como a comida é filmada, com closes suaves, sons ambientes e uma trilha discreta, nos faz quase sentir o sabor. E quando a refeição acontece, a câmera espera. Observa. Permite que a gente participe. Isso, por si só, já é terapêutico.

Laços familiares imperfeitos, mas reais: quando o lar é reconstruído pelo afeto

Uma das maiores forças do cinema japonês está em mostrar que o afeto não depende da perfeição. As famílias retratadas em filmes como Our Little Sister (2015), Shoplifters (2018), Still Walking (2008) e After the Storm (2016) estão longe de serem modelos ideais, e é exatamente por isso que são tão reconfortantes. Porque são humanas. São como as nossas.

Em Our Little Sister (2015), três irmãs adultas acolhem a meia-irmã mais nova após a morte do pai ausente. A relação entre elas é construída lentamente, com silêncios, refeições compartilhadas e caminhadas pela cidade. Não há grandes conflitos nem discursos emocionados. Há, sim, um amor discreto, que se revela no cuidado com os detalhes. É um filme sobre reconstruir uma casa emocional a partir dos escombros.

Our Little Sister
Foto: reprodução/netflix

After the Storm (2016) traz uma perspectiva diferente: a de um pai fracassado que tenta reconquistar o respeito do filho. Kore-eda dirige com empatia cada interação, mesmo quando o protagonista falha. O lar aqui não é um espaço de segurança inquestionável, mas sim de tentativa. E é nessa tentativa, no esforço constante, que reside o conforto.

Até em Shoplifters (2018), que mostra uma família de ladrões que vivem à margem da sociedade, o afeto se faz presente. Não há julgamentos morais, só a constatação de que vínculos podem ser criados mesmo nas situações mais improváveis. A comida compartilhada, os cochilos coletivos e os pequenos rituais de afeto criam um microcosmo de amor sincero.

Shoplifters
Foto: reprodução/netflix

Essa visão do lar como algo construído (e não dado) se opõe a muitas narrativas familiares ocidentais. No cinema japonês, não é o sangue que determina os laços, mas a constância do cuidado. Isso nos toca, especialmente em tempos em que tantas pessoas vivem realidades familiares não convencionais.

Ver essas famílias imperfeitas funcionando (mesmo quebradas, mesmo tropeçando) é reconfortante porque dá esperança. Esperança de que amar é possível mesmo quando não sabemos bem como fazer isso. E isso, no fim, é tudo que a gente precisa sentir às vezes.

A juventude como lugar de tropeço e descoberta: como filmes japoneses acolhem o processo de crescer

A adolescência é frequentemente retratada de maneira caricata ou idealizada no cinema global. Ou os jovens são hiperestimulados, hipersexuais e hiperinteligentes, ou são completamente ingênuos e vazios. Mas o cinema japonês parece entender melhor do que ninguém que crescer é, na maior parte do tempo, confuso, morno e até monótono, e é justamente essa normalidade que o torna tão acolhedor.

Filmes como I Wish (2011), A Gentle Breeze in the Village (2007), Blue Spring Ride (2014) e até Swing Girls (2004) tratam a juventude com sensibilidade e respeito. Eles não exigem que seus personagens adolescentes saibam o que estão fazendo, muito pelo contrário.
Esses filmes dão espaço para o tropeço, para o tédio, para a indecisão e para a amizade silenciosa que preenche as lacunas entre as certezas.

Em I Wish (2011), por exemplo, dois irmãos vivem em cidades diferentes após o divórcio dos pais e tentam se reunir acreditando em uma lenda urbana. Não há grandes eventos, apenas a jornada de dois meninos tentando entender o que sentem. Em A Gentle Breeze in the Village (2007), a história se passa em uma escola com apenas uma aluna por série, e o cotidiano da protagonista é feito de silêncios, caminhadas e encontros que não mudam o mundo, mas transformam ela por dentro.

Foto: reprodução/amino

Mesmo Swing Girls (2004), com seu ritmo mais leve e momentos de comédia, lida com questões de pertencimento e crescimento de forma afetuosa. As meninas, que formam uma banda quase por acidente, erram muito, e é nesse erro coletivo, cheio de ensaios desastrados e tropeços musicais, que surge a beleza do filme. É sobre crescer junto, mesmo sem saber muito bem o que está acontecendo.

Essa abordagem respeitosa e gentil permite que o espectador jovem se veja com mais honestidade. E para os adultos, é uma chance de revisitar esse tempo com menos dureza, enxergando a graça e a ternura que existiam nos próprios tropeços. Não há julgamentos, só aceitação. E talvez seja por isso que esse tipo de narrativa nos conforta tanto.

O silêncio como linguagem poderosa: como o não-dito se torna essencial para o acolhimento

No cinema japonês, o silêncio não é ausência, é presença. É espaço. É diálogo interno. Em uma época em que estamos cada vez mais cercados de ruídos, explicações e verborragias, há algo profundamente curativo em um filme que se permite calar. Que olha para o outro sem exigir resposta. Que escuta sem interromper.

Hirokazu Kore-eda talvez seja o mestre moderno dessa linguagem. Em Still Walking (2008), os silêncios dizem mais sobre o luto e a frustração de uma família do que qualquer discurso dramático. O desconforto entre pai e filho se instala nos intervalos entre um comentário e outro, na demora em passar a comida na mesa, no som abafado da TV ao fundo. A dor está ali, mas ela é expressa com uma economia que gera profundidade.

Foto: reprodução/mubi

O silêncio também é protagonista em Sweet Bean (2015), onde os personagens carregam traumas e estigmas que não verbalizam de imediato. Ao invés de declarações diretas, vemos hesitações, olhos marejados, mãos que tremem ao preparar um doce. Esse tipo de narrativa convida o espectador a participar emocionalmente da história. A completar o que não é dito com sua própria sensibilidade.

A ausência de trilha sonora em determinados momentos também reforça esse efeito. O som da chuva caindo, de uma panela fervendo, de um trem passando ao longe, tudo isso se torna trilha emocional. O silêncio, então, não é um espaço vazio, mas um lugar seguro. Um convite ao recolhimento, à introspecção.

Assistir a um filme japonês que respeita o silêncio é como passar um tempo com alguém que não te cobra performance. Que só fica ali, ao seu lado. E, no mundo acelerado e ansioso em que vivemos, esse tipo de presença é um verdadeiro bálsamo.

Filosofias de vida que se revelam aos poucos: o impacto do ikigai, wabi-sabi e mono no aware do tom emocional desses filmes

Muito do que sentimos ao assistir a filmes japoneses confortáveis tem raízes profundas em conceitos filosóficos e culturais que não são explicitados, mas que atravessam a narrativa. São ideias que moldam o comportamento dos personagens, o ritmo das histórias e os temas escolhidos. Três deles, em especial, ajudam a explicar por que esses filmes tocam tanto: ikigai, wabi-sabi e mono no aware.

Ikigai é a ideia de propósito, não no sentido capitalista de sucesso, mas no sentido simples de ter algo pelo qual acordar de manhã. Em filmes como Little Forest (2018), a protagonista encontra seu ikigai não em um grande projeto de vida, mas no ato de cozinhar, cuidar da horta, viver com as estações. Isso muda a forma como enxergamos nossas próprias tarefas cotidianas. Elas passam a ser suficientes.

O wabi-sabi nos convida a apreciar a beleza da imperfeição. Um prato lascado, uma casa antiga, uma conversa interrompida. Em Shoplifters (2018), por exemplo, vemos uma família formada por pessoas quebradas, vivendo em uma casa precária. E mesmo assim, ali existe beleza. A imperfeição não é vergonha, é expressão da vida como ela é.

Já o mono no aware é, talvez, o mais poético desses conceitos. Ele se refere à melancolia suave que sentimos diante da transitoriedade das coisas. A flor de cerejeira que cai, o verão que termina, o trem que parte. Essa consciência de que tudo é passageiro permeia obras como After the Storm (2016), onde um homem tenta, tardiamente, recuperar o tempo perdido com a família. O filme não promete conserto, apenas nos mostra a beleza possível mesmo na falha.

Essas filosofias não são ensinadas didaticamente. Elas estão na atmosfera, no jeito dos personagens se moverem, nas escolhas de câmera, no ritmo da montagem. Ao assistir a esses filmes, a gente não aprende com a cabeça, aprende com o corpo. Com o tempo. Com calma. E quando o filme termina, é como se uma parte da gente tivesse sido reensinada a existir com mais leveza.

Estética minimalista e montagem contemplativa: o poder do menos é mais

Muito do conforto que sentimos ao assistir a um filme japonês também está em sua estética visual intencionalmente minimalista. Não há excesso de cortes rápidos, trilhas sonoras dramáticas ou cenários elaborados. Em vez disso, o cinema japonês nos convida a olhar com atenção para o que está em cena e, principalmente, para o que não está.

A câmera muitas vezes é fixa, como se fosse um espectador quieto dentro do ambiente. Ela observa as pessoas com respeito, sem invadir sua intimidade. Os ambientes, geralmente pequenos ou modestos, ganham vida através de pequenos detalhes: uma chaleira no fogão, roupas secando ao sol, uma janela aberta que deixa o vento entrar. Tudo isso transmite calma, ordem e humanidade.

Esse olhar minimalista tem ligação direta com princípios estéticos como o ma (um conceito japonês que valoriza os espaços vazios, as pausas, os intervalos entre ações). O ma não é ausência, mas uma presença sutil que dá ritmo e equilíbrio à narrativa. Ele aparece quando a câmera permanece mais tempo do que o esperado em uma cena aparentemente simples, como alguém tomando chá, olhando pela janela ou apenas respirando.

Essa maneira de filmar nos força a desacelerar. E, no mundo ansioso em que vivemos, isso pode ser quase um ato de resistência. Ao assistir, somos convidados a reduzir o passo, acompanhar o tempo dos personagens e até escutar nossos próprios silêncios internos. E isso é raro… e precioso.

É também essa estética contida que reforça o impacto emocional. Quando finalmente algo acontece — um gesto de afeto, uma despedida, uma confissão — a emoção vem limpa, sem ruído. Não precisa de trilha explosiva, nem de grandes discursos. Só a verdade daquela cena, naquele momento, com aquelas pessoas. E isso basta.

Um convite à presença: como o cinema japonês nos ensina a estar

Ao fim de tudo, talvez o maior poder do cinema japonês acolhedor esteja em algo que parece cada vez mais difícil na vida contemporânea: estar presente. Seus filmes não nos distraem com estímulos incessantes, não nos atropelam com explicações. Pelo contrário, eles pedem que a gente fique. Que a gente olhe. Que a gente sinta.

Filmes como After the Storm (2016), Our Little Sister (2015), Sweet Bean (2015), Kamome Diner (2006) e tantos outros não nos entregam grandes revelações. Eles não querem nos entreter a qualquer custo. Eles querem compartilhar tempo com a gente. E isso é o mais próximo de um abraço cinematográfico que existe.

É claro que esse tipo de cinema não agrada a todo mundo, e tudo bem. Mas para quem está cansado da urgência, do barulho, da performance constante, encontrar um filme japonês desses é como descobrir um jardim secreto no meio da cidade. Um lugar onde você pode se sentar, respirar e lembrar que a vida não precisa ser grandiosa o tempo todo para ser bonita.

No final das contas, esses filmes não mudam o mundo. Mas mudam o jeito como a gente olha para ele. E, em tempos tão acelerados, isso já é mais do que suficiente.

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Texto revisado por Angela Maziero Santana @angelasantana481

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Humor, sinceridade e fofoca: veja o que rolou na coletiva de imprensa de Uma Mulher sem Filtro

Equipe e elenco revelam bastidores, inspirações e expectativas para o lançamento do filme, que estreia no próximo dia 21

Matéria por: Danielly Sofer e Tatiana Carina

A coletiva de imprensa de Uma Mulher Sem Filtro, uma das comédias brasileiras mais comentadas do momento, apresentou ao público e à imprensa as novidades sobre o filme, que já teve diversas versões mundo afora. Com o elenco principal e o diretor Arthur Fontes reunidos, o evento trouxe histórias de bastidores, inspirações criativas e alguns spoilers, uma mistura de humor irreverente, situações do cotidiano e personagens marcantes.

Durante o encontro, Fabíula Nascimento destacou o prazer e o desafio de interpretar sua primeira protagonista em 30 anos de carreira. Espontânea e sem medo de falar o que pensa, a atriz listou as reflexões sobre o universo feminino, o convite para o papel e o roteiro de Tati Bernardi como partes essenciais para dar vida à situações que soam verdadeiras e engraçadas ao mesmo tempo.

“É minha primeira protagonista no cinema nacional, em uma comédia com bastante reflexão. Me vi muito na personagem e acho que enxergo todas nós nela. Foi uma delícia poder colocar isso na tela, e emprestar um pouco de mim pra ela, acho que a gente foi bem feliz nesse processo”, comentou Fabíula.

Protagonismo na vida e em cena

Fabíula também destacou a importância de assumir esse protagonismo tardio: “Eu já não sou mais a mesma mulher do ano passado. Faria milhões de coisas diferentes, porque você fica se revendo o tempo todo. Essa protagonista foi muito bem-vinda, acho que demorou, não acho que foi na hora certa, não.  A personagem veio em um momento muito bom, mas o protagonismo acho que poderia ter vindo antes. Tenho 47 anos, quase 30 de carreira, e agora é como se eu tivesse liderando o jogo”, afirmou a atriz que é casada com o também ator Emílio Dantas, que interpreta o par romântico de Bia no longa — Fabíula contracenou mais uma vez com o marido com quem também já dividiu as telas na série Amor e Sorte (2020).

Emílio contou que entrou no filme praticamente de surpresa, sem saber detalhes sobre o personagem que faria e quase caiu de paraquedas no elenco: “Nem sabia que era pra mim. Eu só sabia que era um projeto muito maneiro que a Fabíula estava e achei que isso foi suficiente para eu aceitar. Saber quem era a galera, qual era a cara do projeto… Foi tudo muito fácil”, disse o ator, que também ressaltou o prazer de retomar a parceria com a esposa em cena. “Estar com a Fabíula sempre é muito prazeroso, muito gostoso, muito rico, eu não faço nenhum personagem meu sem antes passar por ela”, completou.

A influencer dos sonhos

Camila Queiroz, que interpreta Paloma — uma influenciadora digital que chega à empresa onde Bia (Fabíula Nascimento) trabalha e assume o cargo de CEO tão sonhado e merecido pela colega — exaltou a parceria com Fabíula e comemorou a estreia de seu primeiro trabalho nos cinemas. “É uma alegria poder trabalhar com a Fabíula, que eu considero uma potência do nosso Brasil como atriz. Ela foi o que mais me chamou atenção para estar no filme. Fazer cinema era uma vontade muito grande. Esse não é o meu primeiro filme, mas é o primeiro que vai para as telonas. Sempre tive muita vontade de viver essa experiência de estar em outro lugar, além de novelas e séries”, contou Camila.

A atriz também destacou a importância de desmistificar a profissão de influenciadora digital, que ainda é vista como algo fútil e de pouca relevância para a sociedade. “Poder entender todas as camadas dessas pessoas que estão diariamente na internet, nos influenciando e nos instigando foi fascinante. A cada cena da Paloma que eu lia, eu ia me surpreendendo com ela, com o tipo de conteúdo e mensagem que ela traz. Ela entende das coisas, tem empatia e transforma a Bia. A gente pode ver uma profundidade na Paloma como influencer que às vezes não é abordada em outras situações ”, explicou.

No filme, Bia e Paloma constroem uma relação marcada por troca e respeito entre gerações diferentes. Apesar do atrito inicial, elas acabam se apoiando profissionalmente, afastando a ideia de rivalidade feminina como foco central do longa. “A Paloma chega na vida da Bia no pior momento: quando ela esperava ser promovida e, de repente,  é trocada por uma menina que tem todo esse estereótipo da influencer que tem milhões de seguidores e que de cara intriga o público. Eu acho que aos poucos a Bia consegue enxergar a Paloma com um outro olhar porque a Paloma nunca se mostrou contra a Bia, pelo contrário, ela se mostrava apaixonada por ela, pelo trabalho dela”, completou Camila.

O diretor e o cara menos legal

O diretor Arthur Fontes, responsável pela adaptação brasileira do sucesso chileno já reproduzido em diversos países, ressaltou que, apesar de ser uma comédia, o longa traz um cuidado enorme ao abordar temas mais sérios. Ele não quis mostrar um final feliz para os vilões como já existiu em outras versões: “Nosso último ajuste foi justamente para transformar o final da Paloma. Ela não merecia ser uma vilã clichê. O mesmo vale para a namorada do Samuel no filme, que em outras versões, tinha um final em que ela era fragilizada, vista como coitadinha. Eu e a Tati resolvemos mudar o final desses personagens.” Ele explicou que também teve um cuidado para falar sobre temas como machismo e saúde mental sem entrar no clichê e sem romantizar as situações, fazendo com o que o filme também explore o empoderamento feminino.

Samuel de Assis, que interpreta Gabriel, um dos vilões e âncora de Bia, contou que o processo para viver o seu personagem foi um desafio.  “Foi difícil ser um cara escroto com a Fabíula, que eu considero uma gênia. É o primeiro cara menos legal que eu faço na vida, mas o que mais gostei desse personagem foi poder fazer ele bem escroto mas de uma forma diferenciada, tentando fingir uma empatia, uma forma legal de ser que não bate com a prática, dar nuances para ele”, disse o ator.

Conheça a história do filme

Na trama, Bia (Fabiula Nascimento) é uma publicitária que está no limite. Ela precisa lidar com seu chefe machista, um marido encostado, sua melhor amiga egocêntrica e sua irmã totalmente diferente dela. Para completar, a jovem influencer Paloma (Camila Queiroz) assume um cargo de confiança na empresa em que Bia trabalha. Prestes a surtar, Bia aceita a sugestão de Paloma e marca uma sessão esotérica com a Deusa Xana (Poly Marinho). É aí que as coisas pioram ainda mais: ela perde todos os filtros e passa a falar tudo o que passa por sua cabeça. O filme, que mistura humor, crítica social e reflexão sobre o papel da mulher no mercado de trabalho, promete arrancar risadas, mas também provocar discussões sobre a relevância das novas profissões na era digital e os limites da sinceridade na sociedade atual. O longa chega às telonas no próximo dia 21 de agosto e está imperdível!

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Leia também: Comédia Uma Mulher Sem Filtro ganha trailer oficial

Crítica: Beleza Fatal, a novela que não sabíamos mas precisávamos 

 Texto revisado por Simone Tesser @simone_alleotti

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A infância como lente para a dor: A Ciência das Coisas Frágeis em destaque no Sarangbang Podcast

Obra de Tae Keller impulsiona reflexão sobre saúde mental no episódio de encerramento da temporada

O Sarangbang Podcast encerra sua temporada dedicada à saúde mental com um episódio sensível e necessário. O livro escolhido é A Ciência das Coisas Frágeis (2023) da premiada autora sul-coreana Tae Keller, vencedora da medalha Newbery

Na história, acompanhamos Natalie, uma jovem em busca de compreender como criar um milagre enquanto enfrenta, de forma sutil e poderosa, os efeitos da depressão em sua vida.

A saúde mental na infância sob uma nova perspectiva

A partir do ponto de vista inocente da protagonista, a obra nos convida a refletir sobre temas profundos, como a força dos vínculos familiares e de amizade, a importância da rede de apoio e os desafios emocionais que atravessam diferentes fases da vida. 

Apesar do tema delicado, a narrativa se desenrola com leveza e proximidade, permitindo que leitores de todas as idades se conectem com as experiências de Natalie.

Foto: reprodução/Sarangbang Podcast
Uma narrativa sensível 

A convidada do episódio é Lilliân Borges, criadora do perfil @experiencia_literaria, professora, doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonada por literatura infantojuvenil. 

Junto à equipe do podcast, Lilliân discute como o livro evita abordagens moralistas ou didáticas, tornando-se uma leitura essencial para promover o debate sobre saúde mental tanto em ambientes familiares quanto em espaços educativos e de mediação de leitura.

O retorno das metáforas na formação leitora

Durante a conversa, Lilliân também destaca o papel das metáforas na obra e sua importância para os leitores mais jovens – especialmente em tempos em que o excesso de conteúdos rápidos parece dificultar a interpretação simbólica e subjetiva dos textos literários. 

A Ciência das Coisas Frágeis, portanto, apresenta-se como uma joia da literatura coreana contemporânea, ideal tanto para os leitores iniciantes quanto para os mais experientes – incluindo adultos.

O episódio completo já está disponível no Spotify e no YouTube.

Ficou com vontade de ler o livro? Adquira aqui: A Ciência das Coisas Frágeis – Tae Keller

Livros mencionados no episódio:

 

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Leia também: Entrevista I Verena Cavalcante reflete sobre literatura de horror e o feminino

 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz @anadodll

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The Life of a Showgirl: Taylor Swift anuncia novo álbum

Ao lado do namorado Travis Kelce em podcast, cantora revelará detalhes do disco

 

Taylor Swift anunciou o lançamento do seu novo álbum de estúdio através das redes sociais. Intitulado The Life of a Showgirl, esse é o 12º disco da cantora.

A divulgação veio através de uma prévia do podcast New Heights, apresentado pelo seu namorado e jogador de futebol americano, Travis Kelce, ao lado do irmão, Jason Kelce. No vídeo, a cantora abre uma maleta com as iniciais TS e mostra a novidade ao público. O podcast completo vai ao ar nesta quarta (13).

Ainda não há informações sobre single, tracklist, capa ou data de lançamento. Os fãs da cantora vêm suspeitando de uma revelação há algum tempo, após perceberem uma série de postagens, nas redes da artista, referentes aos discos anteriores.

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Leia mais: Ed Sheeran lança clipe de seu novo single A Little More.

Texto revisado por Ketlen Saraiva @ketlensaraiva

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Galera Record se junta a plataforma de vídeos para encontrar novo talento da fantasia

Concurso Livros do Futuro conta com prêmio em adiantamento de direitos autorais e investimento na divulgação da obra vencedora

Nesta segunda-feira (11) começaram as inscrições para o primeiro concurso literário Livros do Futuro, iniciativa que busca revelar novos talentos da literatura nacional independente. O projeto, idealizado pelo TikTok, conta com o apoio de alguns dos maiores grupos editoriais do país, incluindo a Galera Record, do Grupo Editorial Record.

Como concorrer?

Para participar, os autores devem enviar uma sinopse em PDF, contendo entre 1 mil e 1,5 mil palavras, pelo site oficial do concurso. A seleção acontecerá em duas etapas: primeiro, uma votação aberta no TikTok com vídeos sobre as obras inscritas; depois, a avaliação dos manuscritos completos por um júri de especialistas. As obras vencedoras serão publicadas a partir de fevereiro de 2026.

Cada autor selecionado receberá R$ 10 mil em adiantamento de royalties, oferecido pelas editoras, além de contar com mais de R$300 mil em investimento na divulgação do lançamento, dentro e fora do TikTok, garantindo ampla visibilidade para o livro.

Do TikTok para as prateleiras: unindo forças para descobrir a próxima voz da literatura jovem

A iniciativa surge como um passo natural na evolução da comunidade de booktokers, que já foi responsável por impulsionar autoras como Elayne Baeta e Colleen Hoover, entre muitos outros talentos.

Cada vez mais percebemos a importância das comunidades de leitores para o ecossistema editorial. Plataformas como o TikTok mobilizam públicos, criam fenômenos literários e ditam tendências. Por isso, unir forças com o TikTok para descobrir o próximo grande nome da literatura jovem nacional é um movimento lógico”, afirma Rafaella Machado, editora-executiva da Galera Record.

Ela lembra que, desde 2016, a Galera publica a série Corte, de Sarah J. Maas, pioneira na combinação de romance e fantasia, um gênero que hoje conquista multidões.

Foto: divulgação/Carolina Fernandes
Quando o BookTok encontra as livrarias

O TikTok tem uma capacidade enorme enquanto local de descoberta, não apenas de livros, como também de autores. Com o ‘Livros do Futuro’, eliminamos a fronteira entre plataforma e mercado editorial, levando a comunidade BookTok para dentro do setor. Assim, reconhecemos esse comportamento de revelar e impulsionar novos talentos, permitindo que esses autores encontrem seu público, cresçam e tenham a oportunidade de serem publicados, já com o reconhecimento e o engajamento da comunidade a seu favor”, afirma Carol Baracat, diretora de marketing do TikTok nas Américas.

Ao final do concurso, três grandes editoras darão vida às obras vencedoras: a Galera Record publicará um título de fantasia, a Globo Livros lançará um romance jovem adulto e a HarperCollins Brasil editará um suspense. O regulamento completo, as etapas do processo e as orientações para inscrição estão disponíveis no site oficial.

Confira como se inscrever e as fases do concurso:

Fase 1 | Inscrição (11 a 30 de agosto): os participantes devem se cadastrar no site livrosdofuturo.com e enviar uma sinopse de 1 mil a 1,5 mil palavras. A seleção será feita por leitores contratados de cada editora, que escolherão 50 semifinalistas por gênero. 

Fase 2 | 29 a 30 de setembro: os semifinalistas devem gravar e postar um vídeo em seus perfis no TikTok explicando a ideia do livro entre os dias 29 e 30 de setembro. Do dia 1 ao dia 11 de outubro, acontecerá uma votação pública onde serão escolhidos 20 autores por gênero.

Fase 3 | 15 de outubro a 1 de novembro: os 20 autores escolhidos pelo público deverão enviar um manuscrito completo de 30 mil a 100 mil palavras, que será avaliado por um júri, formado por representantes das editoras, autores convidados e criadores de conteúdo do BookTok.

12 de janeiro de 2026: anúncio dos vencedores, sendo 1 autor por gênero.

Fevereiro de 2026: lançamento oficial dos livros.

Os vencedores também serão premiados com:
  • Prêmios em dinheiro
  • Créditos para divulgação no aplicativo
  • Destaque especial no TikTok durante o lançamento oficial dos livros.
Quem pode participar?
  • Brasileiros maiores de 18 anos, residentes no Brasil ou no exterior.
  • Não há exigência mínima de seguidores ou número de publicações.
  • Podem ser enviadas obras originais e inéditas, escritas em português.
  • Obras com coautoria são permitidas, com até dois autores, desde que a inscrição seja feita em conjunto.
  • A obra não pode conter conteúdo gerado por IA nem violar direitos autorais de terceiros.

 

Animados para o concurso? Contem para a gente, nos sigam nas redes sociais do Entretetizei — Facebook, Instagram e X — e, se gostarem de trocar experiências literárias, venham fazer parte do Clube do Livro do Entretê.

Leia também: Anna Akisue anuncia data de seu primeiro show solo 

 

Texto revisado por Gabriela Fachin

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