Gökçem Çoban, que interpreta Ceren, deixa Eşref Rüya no 36º episódio
A série Eşref Rüya (2025) continua reunindo o público diante da TV em sua segunda temporada. Fenômeno do Kanal D, a dizi que movimenta as noites de quarta da Turquia terá uma nova despedida no elenco. Gökçem Çoban, atriz de Ceren, deixará o projeto – e a decisão da produção deu o que falar na internet.
A amiga da protagonista Nisan (Demet Özdemir) encerra sua trajetória a partir do 36º episódio. Com a saída da sua personagem no roteiro, Gökçem Çoban, que já esteve em produções como Kadere Karşı (tradução livre: Contra o Destino, 2022), Gülcemal (2023) e Ateş Kuşları (tradução livre: Pássaros de Fogo, 2023), se despede do elenco.
Foto: reprodução/Instagram/@gokcemcoban
Escrita por Ethem Özışık e Lokman Maral, a história de Eşref Rüya está fazendo sucesso nacional e internacional. De acordo com dados do DiziWorld (@mydiziworld), a dizi foi a quarta mais comentada nas redes sociais entre 23 de fevereiro e 1° de março.
O desenrolar da narrativa, porém, não agrada a todos os telespectadores. Reclamações sobre o isolamento da protagonista e as situações por ela enfrentadas têm circulado pelas redes após a jornalista Birsen Altuntaş anunciar a saída da melhor amiga de Nisan.
Foto: reprodução/Instagram
Sobre Eşref Rüya
Produzida pela Tims&B Productions, Eşref Rüya foi lançada em 2025 com muito aguardo e, graças aos altos níveis de audiência, conseguiu ser renovada para sua segunda temporada.
A dizi conta a história de Eşref (Çağatay Ulusoy), um líder poderoso no mundo do crime que tem apenas uma fraqueza: nunca superou seu primeiro amor, que apelidou de Rüya, mesmo sem saber seu nome e não lembrar da sua aparência.
Quando conhece a cantora Nisan (Demet Özdemir), porém, ele se apaixona pela primeira vez desde a infância. O que o comandante do grupo criminoso Yetimler não esperava é que a mulher que conquistou seu coração é informante da policial Çiğdem, que tem Eşref em sua mira.
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Projeto reúne releituras de canções lado B da MPB e participações de Ney Matogrosso e Juliana Linhares
O ator Gabriel Leone lançou nesta sexta (6) o álbum Minhas Lágrimas, seu primeiro trabalho como cantor. O projeto chega às plataformas digitais com produção musical de Marcus Preto e Tó Brandileone, reunindo releituras de canções menos conhecidas da música popular brasileira.
O disco apresenta dez faixas e aposta em uma abordagem intimista, gravada com uma banda enxuta e baseada na interação entre os músicos em estúdio. A proposta do projeto é revisitar composições que não figuram entre os maiores sucessos de seus autores, mas que carregam forte densidade emocional.
Entre os destaques do álbum estão as participações de Ney Matogrosso, na faixa Eta Nois, de Luhli e Lucina, e de Juliana Linhares, em As Portas do Meu Sorriso, de Paulinho Tapajós e Raimundo Fagner.
O repertório inclui ainda músicas como Nós Dois, de Celso Adolfo; Antes da Chuva Chegar, de Guilherme Arantes; Cara Limpa, de Paulo Vanzolini; e Assim Sem Mais, de Antônio Cícero, João Bosco e Waly Salomão.
Foto: reprodução/ Rolling Stone Brasil
Também fazem parte do repertório as canções Choro das Águas, de Ivan Lins e Vitor Martins; Bolero de Satã, de Guinga e Paulo César Pinheiro; Segredo, de Djavan; além da faixa-título Minhas Lágrimas, composta por Caetano Veloso.
Sobre o processo de escolha das músicas, Leone explicou que a emoção foi um dos principais critérios. “No momento em que cada uma dessas músicas bateu em mim, elas me emocionaram, me arrepiaram. Por isso, eu queria ficar arrepiado ouvindo as nossas leituras delas.”
A ideia de gravar um álbum surgiu durante as filmagens do longa Meu Álbum de Amores (2022), quando o artista chamou atenção pela performance vocal. Na época, o produtor Marcus Preto o incentivou a desenvolver um projeto musical, que começou a tomar forma em 2025.
Conhecido principalmente pela carreira como ator, Gabriel Leone participou de produções como Velho Chico (2016), Os Dias Eram Assim (2017), Dom (2021-2024) e Senna (2024), além de filmes como Ferrari (2023) e O Rio do Desejo (2022). Recentemente, o artista também integrou o elenco de O Agente Secreto (2025), dirigido por Kleber Mendonça Filho.
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Da literatura ao cinema e à música, o sofrimento feminino aparece repetidamente como motor de histórias populares e o sucesso dessas narrativas revela tanto sobre o mercado cultural quanto sobre nós, consumidores
Aviso: este texto aborda violência contra mulheres e pode conter gatilhos para leitores sensíveis.
Todo ano, quando chega o Dia Internacional das Mulheres, surgem debates sobre desigualdade, violência doméstica e feminicídio. Estatísticas são divulgadas, campanhas de conscientização circulam nas redes sociais e discursos institucionais reforçam a necessidade de enfrentar a violência de gênero. Trata-se de uma discussão necessária e urgente, especialmente em um país onde os números de agressões e feminicídios ainda são alarmantes.
Mas existe uma contradição cultural que raramente aparece com a mesma intensidade nessas conversas. Ao mesmo tempo em que a sociedade condena a violência contra mulheres, ela também consome – e consome muito – histórias baseadas justamente nesse tipo de violência. Narrativas sobre mulheres em perigo estão entre algumas das histórias mais populares da cultura contemporânea.
Livros, filmes, séries e músicas frequentemente utilizam o sofrimento feminino como motor narrativo. Mulheres sequestradas, assassinadas, perseguidas, manipuladas ou psicologicamente destruídas aparecem repetidamente como ponto de partida para histórias de suspense, terror, drama e até romance. Em muitos casos, o conflito que movimenta a trama nasce exatamente dessa situação de vulnerabilidade.
Essas histórias não estão à margem da cultura. Muitas delas são grandes sucessos de público e crítica. Tornam-se best-sellers, lideram bilheterias, dominam listas de streaming e ocupam espaço constante nas conversas sobre entretenimento. O sofrimento feminino, nesse contexto, deixa de ser apenas um tema social e passa a ocupar também um lugar central dentro da lógica narrativa da indústria cultural.
A pergunta inevitável, portanto, é simples, mas desconfortável: por que a violência contra mulheres vende tanto?
Parte da resposta pode estar na própria tradição das histórias que aprendemos a consumir. Durante séculos, a cultura ocidental construiu a figura feminina como símbolo de fragilidade, pureza ou vulnerabilidade. Quando uma narrativa coloca essa figura em perigo, a reação emocional do público costuma ser imediata. Surge uma sensação de urgência, de tensão, de medo ou de proteção.
Do ponto de vista narrativo, isso funciona como um atalho poderoso para gerar suspense. Colocar alguém vulnerável em risco cria imediatamente um conflito dramático que prende a atenção do público.
A antropóloga argentina Rita Segato, referência internacional nos estudos sobre violência de gênero, argumenta que a violência contra mulheres também possui uma dimensão simbólica nas sociedades patriarcais. Em seus trabalhos, ela observa que esse tipo de agressão muitas vezes funciona como demonstração de poder e controle. Quando esse imaginário aparece em narrativas culturais, ele pode reproduzir – ainda que de forma indireta – estruturas sociais profundamente enraizadas.
Na literatura policial e nos thrillers psicológicos, o sofrimento feminino frequentemente se transforma no ponto de partida para histórias de suspense que conquistam leitores no mundo inteiro
Na literatura, esse padrão aparece com frequência no gênero policial e nos chamados thrillers psicológicos. Nesses tipos de narrativa, crimes, desaparecimentos e obsessões costumam funcionar como elementos centrais da construção do suspense.
No Brasil, um dos autores mais conhecidos por explorar esse tipo de tensão narrativa é Raphael Montes. Em livros como Dias Perfeitos (2014), Suicidas (2012) e Jantar Secreto (2016), o escritor constrói histórias intensas e perturbadoras nas quais situações extremas funcionam como motor dramático da trama.
Em Dias Perfeitos, por exemplo, a narrativa acompanha um estudante de medicina que sequestra uma jovem por quem desenvolve uma obsessão doentia. O suspense nasce justamente da relação de controle e violência exercida sobre a personagem feminina. O desconforto do leitor faz parte da experiência da leitura, mas também alimenta a curiosidade que faz a história avançar página após página.
Foto: reprodução/entre páginas e telas
Montes está longe de ser um caso isolado. O mercado editorial internacional está repleto de histórias em que a violência contra mulheres se torna o eixo narrativo principal. Um exemplo amplamente conhecido é Garota Exemplar (2012), de Gillian Flynn, que começa com o desaparecimento de uma mulher e se transforma em um intrincado jogo psicológico envolvendo manipulação, casamento e mídia.
Outro caso marcante é Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2005), primeiro livro da série Millennium, de Stieg Larsson. O próprio título já indica o tema central da obra: a violência sistemática contra mulheres e as estruturas de poder que permitem que esses crimes aconteçam.
Esses livros se tornaram sucessos globais, foram adaptados para o cinema e geraram debates importantes sobre violência de gênero. Em muitos casos, inclusive, a intenção declarada dos autores é denunciar esse tipo de violência. Ainda assim, essas narrativas acabam reforçando um padrão recorrente: o sofrimento feminino aparece como ponto de partida para o desenvolvimento da história.
A professora Gill Plain, especialista em literatura policial da Universidade de St. Andrews, observa em seus estudos sobre crime fiction que o gênero thriller historicamente construiu tensão narrativa a partir da vulnerabilidade feminina. Segundo ela, colocar uma mulher em perigo tornou-se uma convenção poderosa dentro desse tipo de narrativa, porque cria uma sensação imediata de urgência emocional no leitor.
Esse mecanismo funciona justamente porque dialoga com expectativas culturais muito antigas sobre perigo, proteção e vulnerabilidade.
No cinema, a violência contra mulheres também se tornou um elemento recorrente na construção do suspense e de algumas das cenas mais marcantes da história do audiovisual
No cinema, esse padrão narrativo aparece desde os primórdios do suspense moderno. Ao longo da história do audiovisual, inúmeros filmes utilizaram situações de violência contra mulheres como elemento central para gerar tensão dramática e impactar o público.
Um exemplo clássico é Psicose (1960), dirigido por Alfred Hitchcock. A famosa cena do chuveiro, em que a personagem interpretada por Janet Leigh é brutalmente assassinada, tornou-se um dos momentos mais icônicos da história do cinema. Na época de seu lançamento, a sequência chocou o público e redefiniu a forma como o suspense poderia ser construído nas telas, justamente por quebrar expectativas narrativas e expor uma violência inesperada contra uma personagem feminina que parecia ocupar o papel central da história.
Décadas depois, filmes como O Silêncio dos Inocentes (1991) continuaram explorando narrativas centradas em crimes violentos envolvendo mulheres. No longa, a agente do FBI interpretada por Jodie Foster investiga um assassino em série que sequestra e mata mulheres jovens. A trama constrói sua tensão justamente a partir da ameaça constante contra essas vítimas.
Outro exemplo é Garota Exemplar (2014), dirigido por David Fincher, adaptação do romance de Gillian Flynn. O desaparecimento de uma mulher desencadeia uma investigação complexa que mistura manipulação psicológica, exposição midiática e uma crítica mordaz às narrativas públicas sobre casamento e violência.
Mas talvez um dos casos mais controversos da história do cinema seja O Último Tango em Paris (1972), dirigido por Bernardo Bertolucci e estrelado por Marlon Brando e Maria Schneider. O filme ficou marcado por uma cena de violência sexual entre os personagens interpretados pelos dois atores. Décadas depois, Schneider revelou em entrevistas que não havia sido plenamente informada sobre como a cena seria conduzida. A revelação reacendeu debates sobre os limites entre arte, exploração e abuso dentro da indústria cinematográfica.
Foto: reprodução/gazeta do povo
A teórica de cinema Laura Mulvey, autora do influente ensaio Visual Pleasure and Narrative Cinema (1975), argumenta que muitas narrativas audiovisuais foram historicamente construídas a partir do chamado male gaze, ou “olhar masculino”. Nesse modelo, personagens femininas frequentemente aparecem como objetos de observação, desejo ou perigo, enquanto a ação narrativa tende a girar em torno das experiências masculinas.
Esse conceito se tornou central para compreender como determinados padrões de representação foram se consolidando no cinema ao longo do século XX e continuam influenciando a forma como as histórias são contadas.
Na música popular, narrativas de amor, ciúme e obsessão muitas vezes transformam conflitos emocionais em histórias dramáticas que atravessam gerações
Se na literatura e no cinema a violência contra mulheres aparece como motor dramático para suspense e tensão narrativa, na música ela frequentemente surge dentro de histórias emocionais sobre amor, perda, ciúme e obsessão. Diferentes gêneros musicais, ao longo das décadas, transformaram relações amorosas conflituosas em narrativas intensas que conquistaram o público.
Muitas dessas histórias não descrevem necessariamente violência física explícita, mas apresentam dinâmicas de controle emocional, ressentimento ou dependência afetiva extrema. Esses elementos acabam funcionando como combustível dramático para canções que exploram sentimentos de abandono, traição ou vingança.
Um exemplo clássico é Hey Joe (1966), eternizada por Jimi Hendrix. Na canção, o narrador admite ter matado a companheira depois de suspeitar de traição. A história é contada de forma direta e quase narrativa, transformando o crime em parte da construção dramática da música.
Outro exemplo vem da tradição das chamadas murder ballads, baladas narrativas que contam histórias de crimes passionais. Na música Cocaine Blues (1968), popularizada por Johnny Cash, a narrativa começa com o assassinato de uma mulher cometido pelo próprio narrador da canção.
Décadas depois, narrativas violentas também apareceriam em outros gêneros. Na música Kim (2000), o rapper Eminem constrói uma história ficcional em que um personagem dominado pela raiva assassina a esposa. A música gerou intensos debates sobre os limites entre ficção artística, catarse emocional e representação da violência.
No Brasil, embora a violência física apareça com menos frequência explícita nas letras populares, muitas músicas reproduzem uma lógica semelhante de posse ou dependência emocional. No sertanejo, por exemplo, não é raro encontrar narrativas em que o narrador masculino reage à rejeição feminina com ressentimento ou sofrimento extremo.
Na música Ciúme de Você (1978), interpretada por Raul Seixas, aparece o verso “Se você quiser, eu posso até morrer”. Em muitas outras canções populares, a impossibilidade de aceitar o fim de um relacionamento aparece como elemento central do drama emocional.
A escritora e crítica cultural bell hooks observou, em seus estudos sobre amor e cultura popular, que muitas narrativas românticas acabam misturando sentimentos de afeto com dinâmicas de controle emocional. Para hooks, esse imaginário cultural pode transformar obsessão, sofrimento ou dependência em sinais de intensidade amorosa.
Isso não significa que músicas sobre relacionamentos difíceis incentivem comportamentos violentos. Mas essas narrativas ajudam a revelar como determinados modelos de amor, posse e conflito foram culturalmente construídos e repetidos ao longo do tempo.
Entre o fascínio narrativo e a realidade social, surge uma pergunta inevitável: por que histórias de violência despertam tanto interesse no público?
Diante de tantos exemplos em diferentes formas de arte, surge uma questão inevitável: essas histórias influenciam comportamentos violentos? A resposta mais honesta é que não existe uma relação direta e automática entre consumir ficção violenta e cometer violência real. Filmes, livros e músicas exploram situações extremas justamente porque essas situações despertam emoção, curiosidade e tensão. O suspense, o terror e o drama sempre se alimentaram de conflitos intensos.
Pesquisadores da área de comunicação frequentemente destacam que o fascínio por histórias violentas está ligado a diferentes fatores psicológicos e culturais. O suspense provoca adrenalina, o mistério desperta curiosidade e o medo pode ser experimentado de forma segura dentro da ficção. A narrativa cria um espaço controlado em que o público pode entrar em contato com emoções extremas sem enfrentar as consequências da realidade.
Ainda assim, existe uma pergunta mais específica quando observamos a repetição de certos padrões narrativos: por que tantas dessas histórias funcionam melhor quando a vítima é uma mulher? Parte da resposta pode estar na própria tradição cultural. Durante séculos, a figura feminina foi representada na literatura, no teatro e no cinema como símbolo de fragilidade ou pureza. Colocar essa figura em perigo produz imediatamente uma reação emocional no público.
Do ponto de vista narrativo, essa construção se transforma em um recurso eficiente para gerar tensão. Quando uma personagem considerada vulnerável está em risco, o conflito dramático se intensifica de maneira quase automática. A narrativa cria um senso de urgência que mantém o leitor ou espectador envolvido.
Mas esse recurso também revela algo sobre o imaginário coletivo construído ao longo do tempo. Quando determinadas imagens se repetem por décadas — mulheres ameaçadas, perseguidas ou assassinadas — elas acabam ajudando a consolidar expectativas culturais sobre quem ocupa determinados papéis dentro das histórias. A vítima, o agressor, o investigador e o espectador.
Esses papéis narrativos não surgem no vazio. Eles dialogam com estruturas sociais, valores culturais e tradições de storytelling que atravessam gerações e continuam moldando a forma como as histórias são contadas.
Quando o sofrimento feminino deixa de ser reflexão e se transforma apenas em fórmula narrativa dentro da indústria cultural
Isso não significa que histórias sobre violência contra mulheres não devam existir. Muitas obras cumprem um papel importante ao denunciar abusos, discutir desigualdades e expor realidades que ainda precisam ser enfrentadas. Em diferentes momentos da história, livros, filmes e séries ajudaram a tornar visíveis problemas sociais que antes eram ignorados.
O próprio romance Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2005), por exemplo, foi concebido por Stieg Larsson como uma denúncia direta da violência de gênero na sociedade sueca. Nesse caso, a narrativa busca justamente expor estruturas de poder e desigualdade que permitem que esses crimes aconteçam.
O problema aparece quando a violência deixa de ser reflexão e passa a funcionar apenas como ferramenta narrativa. Quando se transforma em fórmula. Um recurso utilizado para provocar choque, curiosidade ou tensão dramática sem necessariamente aprofundar o tema ou discutir suas implicações.
Nesse momento, o sofrimento feminino corre o risco de se tornar apenas um mecanismo para movimentar a história, um gatilho emocional que mantém o leitor virando páginas ou o espectador preso à tela.
A indústria cultural aprende rapidamente quais fórmulas funcionam. Quando determinado tipo de narrativa gera audiência, vendas e bilheteria, ele tende a se repetir. E a repetição, ao longo do tempo, transforma um recurso narrativo em padrão.
No Dia Internacional das Mulheres, discutir violência de gênero costuma significar olhar para estatísticas, políticas públicas e campanhas de conscientização. Esses debates são fundamentais e continuam sendo urgentes.
Mas talvez também seja importante olhar para a cultura que consumimos todos os dias. Livros, filmes e músicas não existem no vazio. Eles refletem aquilo que uma sociedade teme, deseja, condena e também aquilo que ela continua assistindo, lendo e ouvindo.
Se a violência contra mulheres aparece tantas vezes no centro de histórias populares, talvez a pergunta não seja apenas por que autores escrevem essas histórias, mas também por que diretores as filmam ou por que músicos as cantam.
Talvez a pergunta mais incômoda seja outra: por que elas continuam sendo algumas das histórias que mais queremos consumir?
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Marcas de diferentes perfis ocupam as passarelas do evento e apontam caminhos para a próxima temporada da moda nacional
Entre os dias 15 e 18 de abril, o Rio Fashion Week ocupa o Pier Mauá, no Rio de Janeiro, para marcar o retorno da semana de moda na cidade após mais de uma década. Com cerca de 20 marcas confirmadas. O evento busca recolocar o Rio no circuito da moda brasileira e internacional, apresentando novas coleções e apontando possíveis direções estéticas para as próximas temporadas.
Entre as marcas participantes estão nomes consolidados como Osklen, Lenny Niemeyer, Salinas e Patricia Viera, ao lado de propostas autorais como Misci, Dendezeiro e Apartamento 03.
Essa variedade de marcas sugere que o evento deve apresentar uma mistura de estéticas que refletem a própria identidade da moda brasileira. O beachwear, tradicional no Rio, aparece com força em grifes como Blueman e Salinas, enquanto estilistas como HelôRocha e AngelaBrito tendem a explorar trabalhos manuais, bordados e referências culturais.
Nas passarelas, a expectativa é que a moda apresentada dialogue com o clima e o estilo de vida carioca. Silhuetas leves, tecidos fluidos e peças que transitam entre praia e cidade devem aparecer ao lado de propostas mais estruturadas de alfaiataria e couro, como nas coleções de Patricia Viera e Apartamento 03. A combinação entre casualidade e sofisticação pode indicar caminhos para a moda nacional nos próximos meses.
Outro ponto que deve ganhar destaque é a presença de novos nomes no line-up. Estreantes como Hisha e KarolineVitto ampliam o debate sobre diversidade de corpos, técnicas artesanais e novas narrativas estéticas. Ao lado de marcas já estabelecidas, esses criadores ajudam a construir uma passarela que reflete diferentes gerações e perspectivas dentro da moda brasileira.
Mais do que apresentar roupas, o evento também se propõe a conectar moda, cultura e negócios. Além dos desfiles, a programação inclui debates, encontros com profissionais do setor e experiências culturais que ampliam a discussão sobre inovação, sustentabilidade e posicionamento internacional das marcas brasileiras. Nesse contexto, o Rio Fashion Week surge não apenas como vitrine de tendências, mas também como um espaço para observar os rumos da moda no país.
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Não Me Chame de Mãe aborda solidão, maternidade real e saúde mental feminina
Perita em temas relacionados à saúde mental, a enfermeira e pós-doutora em Saúde Pública Adriana Moro apresenta um romance sensível e multifacetado sobre dois dilemas cotidianos: a solidão e as diferentes formas de abandono, além dos impactos dessas experiências na saúde mental e nas relações humanas. Foi a partir dessas reflexões que nasceu Não Me Chame de Mãe(2025), romance de estreia da autora, publicado pela editora Urutau.
Foto: divulgação/Aspas e Vírgulas
A obra mergulha na realidade de uma mulher que precisa enfrentar sozinha os desafios da maternidade durante a pandemia de Covid-19. Impactante desde as primeiras páginas, o livro desconstrói a visão romantizada da maternidade ao narrar, de forma crua e sensível, a trajetória de uma jovem mãe sem renda, sem rede de apoio e responsável pelos cuidados de uma filha recém-diagnosticada dentro do espectro autista.
“A ideia para escrever este livro surgiu da prática diária ao longo dos meus mais de 23 anos trabalhando no Sistema Único de Saúde, atendendo mulheres ‘mães’ de crianças e adolescentes atípicos, que quase sempre enfrentam sozinhas a demanda do cuidado integral. Muitas não possuem rede de apoio e grande parte é abandonada pelo companheiro após o diagnóstico. Nessas situações, há um duplo abandono: o abandono do outro e o abandono de si. Essas mulheres têm adoecido, e pouco a sociedade tem olhado para isso”, explica Adriana Moro.
O abandono do companheiro, a dificuldade em garantir necessidades básicas e a pressão emocional de cuidar de uma criança neurodivergente em meio ao isolamento social atravessam a narrativa, tornando a obra uma leitura urgente. Adriana Moro constrói um enredo que não apenas retrata a rotina de mulheres frequentemente invisibilizadas, mas também convida o leitor a refletir sobre o peso da solidão e do julgamento social direcionado às mães solo.
O retrato apresentado em Não Me Chame de Mãe revela uma realidade alarmante: segundo estudos do Instituto Baresi, entre 78% e 80% dos pais abandonam filhos com deficiência ou doenças raras antes dos cinco anos de idade. Mais do que um romance, o livro se apresenta como um convite à empatia e dá voz a histórias que raramente encontram espaço de escuta.
Foto: divulgação/Aspas e Vírgulas
A obra não se configura como uma crítica à maternidade, mas como um grito social feminino que reivindica a permanência da identidade da mulher para além do papel materno. A narrativa propõe reflexões sobre saúde mental feminina, papéis de gênero e a retomada do autocuidado após a maternidade, além de questionar de que maneira a sociedade pode colaborar nesse processo de (des)construção. Não se trata de um livro destinado apenas às mulheres, mas de uma história sobre mulheres.
“A escrita desse livro é atravessada pelo meu cotidiano profissional e pela minha própria experiência com a maternidade – mesmo eu não sendo uma mãe atípica –, além das histórias que acompanhei ao longo da carreira. Muitas cenas são formadas por elementos reais, e a personagem principal é uma síntese de diversas mulheres que passaram por minha vida e pelos meus atendimentos. Trabalhar diariamente com saúde mental despertou em mim o desejo de escrever esta história para ampliar o debate sobre um tema tão sensível e necessário”, conclui a autora.
Sobre a autora
Foto: divulgação/Aspas e Vírgulas
Adriana Moro é enfermeira, escritora e pesquisadora. Pós-doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/FIOCRUZ) e doutora em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com estágio doutoral no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em Portugal. Possui mestrado em Desenvolvimento Regional e Políticas Públicas, além de especializações em Enfermagem com Ênfase em Cuidados Intensivos Neonatais, Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiatria e Acupuntura.
Na literatura, Adriana apresenta um olhar sensível sobre as complexidades da vida cotidiana. Seu primeiro romance, Não Me Chame de Mãe, destaca-se pela força narrativa e pela capacidade de provocar reflexões profundas no leitor.
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Montagem teatral de Autobiografia do Vermelho está em cartaz por curta temporada em São Paulo
Bianca Comparato sobe sozinha ao palco em uma versão inédita de Autobiografia do Vermelho, romance em versos da autora canadense Anne Carson que recria o mito grego de Gerião, um monstro alado vermelho morto por Héracles (Hércules na tradição romana). A peça cumpre curta temporada no Sesc Avenida Paulista até 22 de março.
Anne Carson é uma das mais celebradas e interessantes escritoras contemporâneas. Em sua releitura da história, transforma o monstro em um menino sensível, tomado por uma intensa paixão por Héracles.
Nesta autobiografia, iniciada quando tinha cinco anos, o personagem relata sua vida e sua busca por identidade, expondo momentos íntimos de fragilidade. A narrativa atravessa a solidão, o abandono, a paixão, a dor, o desejo e a obsessão que conduzem o destino do menino vermelho.
Foto: reprodução/Jeff Brown para a The New York Times; Imagem: reprodução/Editora 34
O mito de Gerião é retomado a partir da obra do poeta grego Estesícoro, datada de cerca de 650 a.C. e preservada apenas em fragmentos. Subvertendo a visão tradicional da época, o texto transfere o protagonismo do herói para Gerião, vítima de Héracles.
O poeta retrata o ponto de vista do monstro e o lamento que se segue à sua morte, expresso pela dor de sua mãe. Essa abordagem transgressora inspirou Carson a escrever seu livro, publicado em 1998.
Em cartaz, o espetáculo mescla excertos da peça grega original com criações de Carson e intervenções de Bianca Comparato e da diretora Daniela Thomas para construir o monólogo.
Conforme descrito na sinopse da peça:
“Ora excêntrica, ora assombrosa, erudita e acessível, ricamente complexa e enganosamente simples, Autobiografia do Vermelho é um retrato profundamente comovente de um artista que se reconcilia com o fantástico acidente de ser quem é.”
Imagem: reprodução/João Kopv para o Sesc
Serviço:
Autobiografia do Vermelho
SESC Avenida Paulista – Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo.
De 27 de fevereiro a 27 de março de 2026. Quinta a sábado, às 20h. Domingos, às 18h.
Sessões em LIBRAS: 5, 6, 7, 11, 12, 13 e 14/3. Sessões com audiodescrição: 8 e 15/3.
Como saímos da maquiagem forçada e dos estereótipos para o topo da cultura pop mundial, redefinindo o que significa ser latino nas telas
Na semana do Oscar, em que celebramos marcos históricos para o cinemal, vamos falar sobre a conquista latina em Hollywood.Em Amor, Sublime Amor (1961), Rita Moreno precisava usar maquiagem pesada para escurecer sua pele e forçar um sotaque carregado para conquistar seu espaço na “Era de Ouro” de Hollywood.
Décadas depois, Pedro Pascal se tornou um sex symbol mundial sem precisar se encaixar em molde nenhum. Essa mudança não é apenas sobre prêmios, mas sobre o direito de existir como seres humanos complexos.
Para conquistar seu lugar, Rita Moreno precisou se espremer em um sistema que só aceitava estereótipos, limitando latinas a papéis de domésticas ou amantes “ardentes”. A indústria exigia que ela fosse a “latina imaginária”.
Imagem: divulgação/United Artists
Sua vitória no Oscar não foi sorte: Rita atingiu o status EGOT (Emmy, Grammy, Oscar e Tony). Após o marco, ela disse não para papéis caricatos, ficando anos sem atuar para não perpetuar preconceitos.
Graças a essa resistência, gerações seguintes construíram a própria entrada. Salma Hayek produziu Frida (2002) e levantou o projeto quando estúdios diziam que histórias latinas não eram atraentes. Ela provou justamente o contrário com a indicação ao Oscar.
Enquanto isso, Sônia Braga quebrou a barreira da língua. Indicada ao Globo de Ouro e ao BAFTA, Sônia mostrou em O Beijo da Mulher-Aranha (1985), Aquarius (2016) e Bacurau (2019) que a mulher latina é política e densa, não um “enfeite”.
Essa mudança abriu espaço para o blockbuster global. Rodrigo Santoro provou isso em 300 (2007), como o rei Xerxes. Já Wagner Moura foi do estereótipo em Narcos (2015-2017) ao jornalista americano na superprodução Guerra Civil (2024).
Recentemente, Wagner elevou o patamar ao vencer o Globo de Ouro em 2025 como Melhor Ator pelo filme brasileiro O Agente Secreto. A obra também rendeu a ele uma indicação histórica ao Oscar 2026 de Melhor Ator.
Já Oscar Isaac, também vencedor do Globo de Ouro, liderou franquias como Star Wars e Duna. Em todas elas, sua etnia é um detalhe e não o foco principal da trama.
Diferente do passado, Pedro Pascal pode ser 100% ele mesmo. Ao encarnar o “Daddy” em The Last of Us (2023-presente) e The Mandalorian (2019-2023), Pascal quebra o clichê do latino agressivo e subverte o estereótipo do “machão”.
Seus personagens são letais, mas também vulneráveis. O reconhecimento veio com o SAG Awards e indicações ao Emmy. A internet o abraçou como um ídolo acessível, provando que o público quer conexão, não caricaturas.
Se Rita Moreno usou uma máscara para ser aceita, Pedro Pascal e sua geração conquistaram o luxo de tirá-la. Hoje, a latinidade em Hollywood é parte indissociável e poderosa da cultura pop mundial.
E aí, qual desses ícones latinos mais inspira você nas telas? Conta pra gente! Siga o Entretetizei nas redes sociais – Facebook, Instagrame X – e não perca as novidades do mundo do entretenimento.
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