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Resenha | Patinando no Amor aposta em romance e reencontros

Novo livro de Lynn Painter mistura hóquei, fake dating e segundas chances em uma comédia romântica envolvente

Amores interrompidos, reencontros e sentimentos mal resolvidos são o coração de Patinando no Amor (2026). Aqui, Lynn Painter reforça uma de suas maiores especialidades: transformar as tropes clássicas em experiências emocionais envolventes. Entre friends to lovers (tradução livre: amigos para amantes), segunda chance e, principalmente, o já consagrado fake dating (tradução livre: namoro falso), a autora demonstra, mais uma vez, por que se tornou referência dentro do romance jovem contemporâneo. Painter entende o timing desse tipo de narrativa e sabe quando investir no humor, quando tensionar o vínculo entre os personagens e, sobretudo, como fazer o leitor torcer por uma reconexão que parece, ao mesmo tempo, inevitável e frágil.

Foto: reprodução/Instagram @intrinseca

A nova comédia romântica da autora do fenômeno Melhor do que nos Filmes (2023), Patinando no Amor (2026), se aventura no universo dos romances esportivos a partir do reencontro inesperado de dois melhores amigos de infância. Dani e Alec cresceram inseparáveis, mas se afastaram após a mudança da protagonista. 

Anos depois, já no último ano do ensino médio e lidando com o divórcio dos pais, Dani retorna à cidade natal e encontra um Alec irreconhecível: agora estrela do hóquei local, ele ocupa um lugar de destaque quase intocável. Decidida a manter distância, ela vê seus planos ruírem quando circunstâncias inesperadas os levam a fingir um relacionamento. A proximidade reacende sentimentos, revela segredos familiares e expõe feridas antigas, incluindo o verdadeiro motivo que levou Alec a se afastar.

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Outro elemento interessante que orbita a experiência de leitura é a trilha sonora criada em torno do livro. Lynn Painter desenvolveu uma playlist oficial no Spotify, intitulada FAKE SKATING, que reúne faixas como Little League, de Conan Gray, e Now That We Don’t Talk, de Taylor Swift, ajudando a estabelecer o tom emocional da narrativa. A seleção mistura músicas pop e melancólicas, dialogando com a atmosfera do romance e com o universo do hóquei presente na obra. Entre as faixas, ganha destaque Escorpião, de Jão, incluída no topo da playlist após a visita da autora ao Brasil – um detalhe que aproxima a obra do público brasileiro e adiciona uma camada extra de conexão simbólica ao projeto.

Foto: reprodução/Instagram @intrinseca

Além disso, o contexto esportivo contribui para intensificar os conflitos de maneira mais complexa. O hóquei não aparece apenas como pano de fundo, mas como um elemento central na construção da nova identidade de Alec. Lynn Painter evidencia essa transformação ao apresentar o personagem como alguém que deixou para trás o garoto nerd e sensível da infância para se tornar um atleta popular, admirado e constantemente observado.

O apelido Zeus, dado por seus colegas de equipe, funciona como uma comparação exagerada ao seu status de deus do hóquei, especialmente em uma cidade onde o esporte é altamente valorizado. Mais do que um símbolo de popularidade, o nome carrega uma carga de expectativa e pressão, revelando como Alec passa a ser visto quase como uma figura idealizada. Esse contraste entre a persona pública e sua verdadeira personalidade aprofunda o conflito com Dani e torna ainda mais evidente a distância entre quem ele era e quem aparenta ser.

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E é justamente nesse contraste que o fake dating ganha força. Lynn Painter, já consolidada como uma verdadeira mestre dessa trope, utiliza o recurso não apenas como motor narrativo, mas como ferramenta de aprofundamento emocional. Ao fingirem um relacionamento, Dani e Alec são obrigados a encarar sentimentos que nunca desapareceram, enquanto lidam com ressentimentos e inseguranças que foram ignorados por anos. O resultado é uma dinâmica envolvente, marcada por diálogos afiados, tensão romântica bem dosada e momentos de vulnerabilidade que elevam a história.

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Com uma escrita fluida e viciante, Painter equilibra leveza e intensidade, entregando uma leitura que funciona tanto como conforto quanto como exploração emocional. Ainda que siga algumas convenções do gênero, Patinando no Amor se destaca pelo cuidado na construção dos personagens e pelos detalhes que enriquecem a narrativa – como as referências interligadas entre suas obras e os pequenos gestos que tornam a história mais íntima.

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No fim, o livro reafirma o talento da autora em criar romances que conquistam pela autenticidade dos sentimentos. Entre pistas de gelo, playlists e segundas chances, Patinando no Amor é uma história sobre crescer, perdoar e, principalmente, ter coragem de sentir, mesmo quando isso significa revisitar o passado.

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Texto revisado por Kaylanne Faustino

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