Jovem autor fala sobre escrita de romantasia e o desafio de escrever seu primeiro livro Caçada Selvagem
O jovem escritor mineiro, João Souza, de 16 anos, constroi a narrativa de Caçada Selvagem envolta de romantasia e um suspense psicológico. A publicação aconteceu pela Flyve Editora em 2025.
Na obra, o leitor irá conhecer Heather Vanderwall, uma jovem que se muda para a pacata e cinzenta Church Hill para morar com sua tia. A mudança acontece após a morte trágica de seu pai e a internação de sua mãe por overdose. O que parecia ser um recomeço, logo se revela uma mudança profunda, capaz de transformar completamente sua vida. Ao interagir com pessoas como Gaye e Kai McCool, Heather embarca em um ambiente cercado de suspense e elementos sobrenaturais. Ao mesmo tempo, ela se depara com um passado familiar totalmente inesperado e agora precisa desvendá-lo, descobrindo que alguns segredos nunca permanecem ocultos para sempre.
O livro não se limita ao romance, como também aborda temas como luto, amadurecimento precoce, relações familiares fragmentadas, desejo e culpa, além de questionar até que ponto escolhas feitas por amor podem gerar consequências irreversíveis.
Em entrevista ao Entretetizei, João Souza fala sobre a construção do seu livro Caçada Selvagem, que engloba temas como sobrenatural, romance e mistério, além de comentar sobre os desafios do autor em publicar sua primeira obra e trazer uma mensagem para os jovens que desejam escrever. Confira:

ENTRETETIZEI: O que te inspirou a criar a história de Heather e desse universo sobrenatural, que envolve fantasia e mistérios?
João Souza: Sempre gostei de ler, mas esse hobby ficou mais regular na pandemia. Ao consumir séries, livros e filmes de fantasia e perceber que era um tipo de estrutura de que eu gostava, comecei a pensar em um enredo desse estilo.
E: Você se inspirou em séries como The Vampire Diaries, Teen Wolf e outras histórias?
JS: Sou viciado em séries antigas, principalmente com histórias fantásticas, e no caso, The Vampire Diaries e Teen Wolf foram a base para ela. A complexidade dela se formou devido as minhas várias referências de tramas que gosto e que achava que funcionariam, como A Divina Comédia e principalmente Hamlet.
E: Você já imaginava o final da história desde o início ou ele surgiu durante a escrita?
JS: Durante a escrita, mesmo com o planejamento prévio, coisas mudaram (e muito). Sempre tive de organizar as etapas até chegar na ideia que tinha de final, que mudou muito, mas para melhor do que eu imaginava.
E: Qual personagem você acha que os leitores interpretam de forma diferente do que você imaginou?
JS: Não tenho o conhecimento disso, mas suponho que a protagonista possa ser bem mal interpretada em alguns momentos devido sua construção moralista e impulsiva.
E: Você deixou pistas ao longo da história de como seria o final ou quis surpreender totalmente o leitor?
JS: Pistas não, mas elementos que estavam ali prontos para serem usados. Queria surpreender o leitor e acho que isso se deve mais pela junção de elementos para encerrar a história parcialmente.
E: Teve alguma cena que foi mais difícil de escrever?
JS: Cenas de ação sempre foram muito difíceis, assim como cenas que acontecem transformações de lobisomens, em que preciso pensar como é um lobo (mesmo nunca tendo visto um pessoalmente). O mesmo se deve para descrições de lugares que inicialmente estão apenas em minha cabeça, o que melhora com o tempo.
E: Como foi o processo de equilibrar elementos de mistério, fantasia e romance para que a história ficasse envolvente?
JS: Como o livro é dividido em três partes, iniciados e terminados em acontecimentos especificamente escolhidos, consigo ter a liberdade para dosar o que vai entrar em cada núcleo e equilibrar os gêneros e tramas.
E: Qual foi o maior desafio para publicar seu primeiro livro?
JS: Posso dizer que o maior desafio talvez seja a escrita. Mesmo tendo sido um processo prazeroso, ainda consome a saúde mental. Quando está na fase de publicação, você pode duvidar dela (ela pode virar uma insegurança) e o perfeccionismo também se apresenta no resto de todo o processo de lançamento, mas ainda foi algo que fiquei satisfeito.
E: O que você diria para jovens que querem escrever, mas têm medo de começar?
JS: Diria que antes de ser um livro e um reflexo seu, é uma meta atingida. Dependendo do lugar de onde você veio, vai ser mais difícil ou mais fácil; mas, independente disso, seu objetivo é o apreço das outras pessoas. Mas para os outros ficarem satisfeitos com sua história, você precisa estar com ela mesma. Você precisa atingir essa meta. Antes de tudo, esse lançamento foi um lembrete para mim mesmo de que nada é impossível.
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Texto revisado por Angela Maziero Santana










