Primeira solista sul-coreana a subir ao Palco Mundo, cantora chega ao festival com uma carreira cada vez mais distante de fórmulas e uma sequência de lançamentos que mostra diferentes lados de sua identidade artística
Não é todo dia que uma artista estreia no Rock in Rio fazendo história. Quando subir ao Palco Mundo, em 11 de setembro, Hwasa será a primeira solista sul-coreana a ocupar esse espaço e chega ao Brasil em uma fase especialmente interessante da carreira. Depois de anos construindo uma identidade para além do MAMAMOO, ela desembarca por aqui com um repertório que já sustenta seu nome sozinho e, principalmente, sem parecer interessada em repetir o que funcionou no comeback anterior.
Quem acompanha Hwasa desde o início dessa trajetória solo sabe que muita coisa mudou desde Twit, lançada em 2019. O single mostrou que ela tinha espaço para caminhar sozinha, mas foi Maria que levou essa carreira para outro nível. A música se tornou um dos maiores sucessos da cantora e juntou duas características que continuam muito presentes em seu trabalho: a confiança que domina suas performances e uma vulnerabilidade que aparece quando você presta atenção no que ela está cantando.
O mais interessante é que Hwasa não passou os anos seguintes tentando criar uma nova Maria. Vieram I’m a B, I Love my Body e NA, músicas diferentes entre si e que ajudaram a construir uma discografia menos previsível. Mesmo mudando de conceito, existe algo que permanece reconhecível, seja pelo timbre rouco, pela interpretação ou pela maneira muito própria de ocupar o palco. Você não precisa de muitos segundos para perceber quando uma música é dela.
Essa vontade de experimentar ficou ainda mais evidente depois que Hwasa deixou a RBW e assinou com a P NATION, gravadora fundada por PSY. A mudança abriu uma fase em que ela parece ainda mais confortável para testar caminhos diferentes sem abandonar aquilo que construiu como artista. Um dos melhores exemplos veio com Good Goodbye, lançamento que mostrou um lado bem diferente daquele que costuma dominar suas performances.

Em vez de apostar novamente na sensualidade e na presença mais provocadora que muita gente associa à cantora, Good Goodbye colocou a voz de Hwasa no centro. A interpretação mais delicada e melancólica deixou seu timbre rouco conduzir a música e mostrou uma vulnerabilidade que até então aparecia com menos frequência em seus trabalhos solo. Para uma artista que passou boa parte da carreira sendo lembrada pela confiança no palco, foi interessante vê-la encontrar força justamente em uma performance mais contida.
Só que ficar confortável em uma única versão de si mesma nunca pareceu muito a cara de Hwasa. Em abril deste ano, ela mudou novamente de direção com So Cute, dance-pop composto em parceria com PSY e Park Woo-sang. Se Good Goodbye explorava uma cantora mais sensível, So Cute recupera seu lado divertido, confiante e carismático, sem simplesmente voltar aos conceitos que ela já havia apresentado.
Essa diferença entre os dois lançamentos ajuda a entender por que a chegada ao Rock in Rio acontece em um momento tão interessante. Hwasa já não precisa provar que consegue ter uma carreira fora do MAMAMOO ou encontrar uma música capaz de repetir o impacto de Maria. Depois de anos como solista, ela construiu espaço suficiente para testar, mudar e até contrariar aquilo que o público espera dela sem deixar de soar como Hwasa.
E é com esse repertório que ela chega ao Rock in Rio 2026. Ser a primeira solista sul-coreana a ocupar o Palco Mundo é um marco importante, mas reduzir sua estreia a esse feito deixaria de fora justamente o que torna o momento tão interessante. Mais de dez anos depois de debutar com o MAMAMOO e sete anos depois de começar oficialmente sua trajetória solo, Hwasa chega ao Brasil como uma artista que já encontrou sua identidade e ainda parece interessada em descobrir o que mais pode fazer com ela.
Para o público brasileiro, agora fica a expectativa de descobrir como todas essas versões vão dividir o mesmo palco. Maria provavelmente será aquele momento em que ninguém precisa combinar para cantar junto, enquanto faixas mais recentes como Good Goodbye e So Cute mostram o quanto o repertório cresceu desde 2019. Se existe algo que a carreira solo de Hwasa deixou claro até aqui, é que prever qual versão dela vai aparecer em seguida está cada vez mais difícil, e talvez essa seja justamente a graça.
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Texto revisado por Angela Maziero Santana











