Com trajetória marcada por protagonismos importantes, a artista reflete sobre seus processos, desafios e sonhos
Dona de um talento indiscutível, Laura Castro vem se consolidando como uma das vozes mais potentes e necessárias do teatro musical brasileiro. Aos 22 anos, a atriz já deixou sua marca em produções que impactaram não só o mundo artístico, como também o público. Sua versatilidade e excelência a levaram à conquistas históricas ao longo da carreira.
Laura é a voz brasileira da princesa Ariel no live-action de A Pequena Sereia (2023), protagonizou Meninas Malvadas – O Musical (2025), como a primeira Cady Heron preta do mundo, e integra o elenco de Dreamgirls (2025), primeira montagem do Teatro Santander com um elenco composto exclusivamente por artistas pretos.
Desde cedo, a atriz demonstrou interesse e dedicação aos estudos da música, interpretação e dublagem, aprimorando suas técnicas e expandindo seu repertório. Essa disciplina, aliada ao seu talento natural, faz com que cada interpretação seja única, sincera e intensa, transmitindo sua paixão e compromisso com a arte. Em recente vídeo publicado em sua conta no TikTok, a artista falou um pouco sobre como funciona seu processo criativo e da conexão emocional com cada personagem que interpreta.
Conheça um pouco do processo de Laura para a construção de suas personagens
Em entrevista ao Entretetizei, Laura falou sobre carreira, inspirações e sonhos que se realizam. Com a sensibilidade de quem sabe que ocupa lugares importantes para muitas meninas e mulheres pretas, refletiu sobre o impacto de sua trajetória e a importância de existirem referências positivas sobre a presença preta nas produções artísticas:
Entretetizei: Seu rosto e sua voz são conhecidos dos palcos e das telas desde que era criança. Você lembra qual foi o momento em que a arte entrou na sua vida de forma definitiva?
Laura Castro: Eu acho que o momento que a arte entrou na minha vida de forma mais definitiva foi quando entrei no meu primeiro musical, em 2014. Desde então eu percebi que era com isso mesmo que queria trabalhar para o resto da minha vida. Sempre fui apaixonada por música, então a arte sempre esteve na minha vida, mas acho que comecei a encarar ela como uma profissão a partir desse momento.
E: Mesmo sendo bem jovem, você já contabiliza grandes feitos nas artes, como enxerga sua trajetória até aqui?
LC: Eu tenho muita gratidão quando eu olho a minha história, porque eu sei que apesar de ser muito jovem, metade da minha vida foi dedicada ao trabalho; e há mais muitos anos ainda, estou estudando e com esse sonho. São muitos anos de luta, muitos anos de estudo, muitos nãos para receber um sim. Eu sei que sou muito jovem e que tenho muita coisa pra viver, mas também tenho muita consciência do tanto que já batalhei para estar onde estou agora. Eu sei que vem muita batalha pela frente, então é muita gratidão por tudo que veio e muito brilho nos olhos e garra para continuar conquistando tudo que vai vir ainda.
E: O live-action de A Pequena Sereia carrega um simbolismo enorme no que se refere à representatividade preta no audiovisual. A presença da Ariel no imaginário coletivo ultrapassa gerações; e no Brasil, ela ganhou a sua voz. O que isso significou para você?
LC: Poder dar voz à Ariel, ainda mais nesse contexto de ser uma releitura de uma princesa que marcou tantas gerações, mas dessa vez preta, é algo que não consigo nem colocar em palavras. Eu já falei muito sobre esse assunto e até hoje ainda é algo que me move e me emociona, porque simboliza muito pra mim, tanto quanto artista, mas especialmente como ser humano e como uma menina preta, que sentia falta de representatividade quando era criança, nas coisas que assistia, nas coisas que ouvia, no entorno… então poder fazer parte desse marco de representatividade é um processo de cura para minha criança interior e sei que vai significar muito para outras crianças e mulheres que vão estar vendo. É muito significativo, é muito emocionante para mim, é uma honra poder fazer parte desse marco histórico.
Assista ao encontro e entrevista de Laura com Halle Bailey:
E: A montagem brasileira de Meninas Malvadas tem como uma de suas características mais marcantes a diversidade racial no protagonismo. Você foi a primeira atriz preta do mundo a interpretar Cady Heron, isso é um grande marco no teatro musical. Como se sente tendo ocupado esse lugar?
LC: É um marco muito especial pra mim poder ser a primeira atriz preta a interpretar a Cady, porque é uma representatividade sem gotas de sangue, sabe? É ver uma princesa preta, é ver uma presidente preta, é ver uma pessoa preta em lugar de poder, é ver uma pessoa preta no ensino médio, batalhando coisas que adolescentes passam. É ver uma adolescente preta se tornado popular na escola, uma adolescente preta enfrentando esses problemas e passando por eles e superando. Eu acho que isso é muito significativo para outras meninas pretas que vão vir, sabe? Se ver também nesses outros lugares e perceberem que podem ocupar esses lugares. E também para inspirar outras artistas a verem que podem sim interpretar papéis que foram feitos para atrizes brancas e que podem ocupar esse lugar. Elas podem realizar esse sonho. Para mim isso é muito significativo e muito importante.
Assista Tonta no Amor
E: Dreamgirls é um musical que coloca pessoas pretas no centro de suas próprias histórias e explora todas as individualidades e sonhos presentes em cada uma delas. Você já participou de várias produções marcantes, mas esta é a primeira onde o elenco é inteiramente negro. Como está sendo essa experiência? Para você, qual é o impacto disso no cenário do teatro musical?
LC: É o primeiro projeto que faço realmente com o elenco 100% preto e pra mim isso tá sendo uma coisa muito especial. Estar nesse lugar, com essas pessoas, entrar em contato com partes minhas que eu ainda não tinha entrado em contato com tanta profundidade… está sendo um processo de descoberta muito grande e também um processo de empoderamento muito grande. Essa é uma coisa muito inédita nesse teatro que a gente está fazendo. É o primeiro espetáculo 100% preto no Teatro Santander, então isso é um acontecimento histórico muito significativo e é muito especial poder fazer parte disso. Eu acho que vai trazer um impacto muito grande, um teatro tão renomado, tão conhecido, tão potente quanto o Teatro Santander ter essa história sendo contada é muito significativo, muito simbólico.
E: Você fez parte da BFF Girls, girlband que marcou uma geração inteira. No grupo, você formou um trio com outras duas artistas, assim como em Dreamgirls. Sua experiência como popstar te ajudou a compor sua personagem no musical?
LC: Eu acho que a minha experiência nas BFF Girls, na verdade, fez muita diferença para muita coisa na minha vida. Eu aprendi muitas coisas e acho que tudo o que a gente faz serve de aprendizado para algum próximo projeto. Eu acho que essa ideia de grupo, de girlband, me trouxe muito essa outra camada, de ter vivido isso, de saber como é, e essa ideia de fazer show e tudo isso, com certeza me trouxe inspirações para fazer a minha personagem.
E: Entre tantos momentos emocionantes e impactantes de Dreamgirls, tem alguma cena ou número musical que te marca de forma especial?
LC: Sem dúvidas, Listen é o momento mais emocionante para mim desse espetáculo. É um momento muito significativo de reconexão e de perdão entre essas duas personagens. É um momento muito forte durante a narrativa, fora que é uma música super emocionante e super especial pra mim. Então com certeza é uma parte muito marcante, muito importante. Foi tão especial que na estreia esse número foi aplaudido de pé e foi muito emocionante, significou muito pra mim e pra Letícia. Essa cena é muito impactante pra mim.
Assista Listen:
E: Por fim, o que a Laura de hoje diria para ela mesma, quando criança, sabendo que construiu uma carreira brilhante, que representa e impacta positivamente a vida de crianças, jovens e até mesmo adultos?
LC: Eu acho que diria pra minha Laura criança continuar sonhando e acreditando nesses sonhos. Eu sempre fui muito sonhadora, sempre tive muitos grandes objetivos para minha vida e muitas vezes eu nem tinha certeza de que iam acontecer, mas continuava acreditando e criando cenários na minha cabeça. Acho que isso fez toda a diferença pra que eu pudesse ir atrás e pudesse começar a conquistar essas coisas que um dia já sonhei. Então iria falar isso: “Continue sonhando e vá atrás, porque eles vão acontecer, eles estão acontecendo”.
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Texto revisado por Angela Maziero Santana