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Dias Perfeitos celebra festa de lançamento no dia da grande estreia

Série baseada no livro de Raphael Montes, que estreou ontem (14), aposta em múltiplas perspectivas para contar história de amor e destino

A tão aguardada série Dias Perfeitos finalmente estreou e ganhou uma noite especial de celebração com uma festa de lançamento, reunindo elenco e equipe em clima de expectativa para a estreia. Entre os presentes estavam o autor Raphael Montes, a diretora artística Joana Jabace, a roteirista Claudia Jouvin e os protagonistas Julia Dalavia e Jaffar Bambirra, além de Fabíula Nascimento, que integra o elenco.

O evento, marcado por momentos de descontração e reencontros, reforçou a sintonia entre o time criativo e o elenco, que trocaram elogios e compartilharam histórias dos bastidores. Raphael Montes destacou a emoção de ver a trama ganhar vida, enquanto Joana Jabace e Claudia Jouvin comentaram o desafio de adaptar a narrativa para as telas. Júlia Dalavia e Jaffar Bambirra celebraram a parceria em cena, e Fabiula Nascimento ressaltou a força coletiva do projeto.

Teatro Copacabana Palace vira palco para amor não correspondido

Toda dualidade presente em Dias Perfeitos, representada pelas perspectivas intercaladas dos protagonistas Téo (Jaffar Bambirra) e Clarice (Julia Dalavia), conduziu o evento de lançamento da obra, que aconteceu na noite de ontem, no Teatro do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Assim que chegavam ao espaço, os convidados eram recepcionados por um quarteto de violinistas rumo ao segundo andar, onde aconteceram coquetel e ativações interativas. Objetos simbólicos que compõem a personalidade de cada um, como o jaleco de Téo, a mala rosa e o vestido vermelho de Clarice, ficaram expostos pelo salão.

Em tempo real, uma tela de LED de sete metros exibindo trechos da série também projetava as silhuetas dos convidados, formando uma sombra preenchida pelo roteiro da história, por meio de captura de movimento. Uma ativação com foto lenticular levava o público a fazer duas poses com expressões faciais diferentes, remetendo a essa duplicidade de cada um dos protagonistas. A caminho do teatro para a exibição do primeiro episódio, efeitos de luzes e cortinas formavam o tom de suspense do thriller psicológico. Ao fim da exibição, com a iluminação do espaço ainda apagada, o público se surpreendeu com um efeito sonoro mesclando a voz de Téo e ruídos ambientes, transportando todo o mistério da obra para a noite de lançamento.

Foto: divulgação/Globo
Coletiva de Imprensa

Na última sexta (08), o elenco, a diretora Joana Jabace, a autora da série Claudia Jovin, o autor do livro, Raphael Montes, e jornalistas se reuniram para uma coletiva de imprensa. Durante a conversa, a equipe explicou que Dias Perfeitos foge do formato tradicional das produções de romance ao explorar a mesma história a partir das perspectivas dos dois protagonistas. Essa abordagem narrativa oferece ao público a chance de acompanhar as emoções, decisões e conflitos de forma mais profunda e subjetiva, criando um envolvimento maior com os personagens. Segundo os produtores, o objetivo é entregar um drama intenso e reflexivo, com potencial para agradar tanto aos fãs do livro quanto aos que estão chegando agora.

Jaffar Bambirra e Julia Dalavia, os protagonistas, compartilharam bastidores e falaram sobre a preparação para seus papéis, que incluiu estudos de comportamento, laboratórios de atuação e exercícios de construção de personagem. O elenco também destacou que a química entre os atores foi essencial para transmitir a intensidade emocional da história, reforçando o impacto das cenas mais dramáticas.

“Trazer o ponto de vista da Clarice foi importante para a personagem, não ser apenas uma vítima. Esse ponto de vista, além de enriquecer a trama, se mostrou essencial para construir uma personagem forte e atual, apesar de tudo o que acontece com ela na história. Essa trilha foi construída com muita atenção, para os fãs do livro não se sentirem traídos, para que ela não ficasse muito diferente da Clarice da literatura. É como se a gente visse uma perspectiva da história, que não é contada no livro, por estar mais focada no olhar do Téo”, a autora Claudia Jouvin explica.

Bastidores e Criação

Em termos estéticos, a fotografia e os enquadramentos ajudam a compor essa dualidade entre os personagens. Os movimentos de câmera foram escolhidos de acordo com a personalidade de cada um, baseado em suas intenções, sensações e ações. A narrativa visual pensada para Téo foi determinada com movimentos precisos, explorando a frieza, obsessão, compulsão e o perfeccionismo de suas atitudes. Já para Clarice, ora a direção optou por estabilizador de câmera mais vivo, ora pela câmera na mão; planos desenquadrados e lente macro, a fim de passar sensações de horror, confusão, medo, desespero e angústia.  

Além disso, a obra traz uma narrativa dividida em quatro fases — Apresentação, Confinamento e Obsessão, Falsa Liberdade e Desfecho —, cada uma marcada por uma evolução estética e emocional. Na fase inicial, os personagens e o cenário urbano são apresentados com uma atmosfera vibrante e realista, que aos poucos revela um tom inquietante. “Não é uma divisão da dramaturgia, mas uma ferramenta que usamos para guiar as escolhas visuais, sonoras e de atmosfera em cada etapa da história. Essa estrutura nos ajudou a construir uma narrativa em que o espectador também sente no decorrer dos oito episódios, acompanhando as transformações emocionais dos personagens”, explica a diretora Joana Jabace.

Os quatro primeiros episódios de Dias Perfeitos já estão disponíveis no catálogo do Globoplay. Mais dois episódios chegam nos dias 21 e 28, totalizando oito episódios. O thriller psicológico é uma adaptação da autora Claudia Jouvin, com direção-geral de Joana Jabace para o livro homônimo e best-seller de Raphael Montes. A obra tem produção da Anonymous Content BR e conta com Julia Dalavia, Jaffar Bambirra, Debora Bloch, Fabíula Nascimento, Felipe Camargo, Julianna Gerais, Elzio Vieira, Clarissa Pinheiro, Lee Taylor, Teca Pinheiro, Giovanni Venturini, Heloísa Honein e Joana Castro no elenco. Junto à Claudia Jouvin, Dennison Ramalho e Yuri Costa assinam os roteiros.

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Texto revisado por Cristiane Amarante 

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Resenha | Minhas Meninas explora dramas familiares em suspense psicológico

Embarque numa trama de traumas e mistérios com o novo livro de Sally Hepworth

Lançado no Brasil em Julho de 2025, pela VR Editora, o livro de Sally Hepworth mistura passado e presente em um suspense cercado por traumas de infância, relacionamentos conturbados e protagonistas complexas.

Por meio de uma narrativa envolvente, a obra intercala os pontos de vista de Jessica, Norah e Alicia, três irmãs adotivas que tiveram seus caminhos cruzados em Wild Meadows, um lar de acolhimento temporário sob os cuidados da Srta. Fairchild. A casa que, a princípio, parecia ser o ambiente familiar que as crianças tanto precisavam, torna-se cenário de abusos, traumas e um mistério que as assombra 25 anos depois.

Agora adultas, as três irmãs precisam encarar os fantasmas do passado para colaborarem com uma investigação policial que as têm como testemunhas, ou suspeitas, de um crime. Quando ossos são encontrados enterrados embaixo da casa em que cresceram, a única opção é uma viagem de volta à Wild Meadows.

“Como você lida com seus sentimentos no mundo real?”, perguntou Norah. “Você os enterra”, respondeu Jessica. “Bem e profundamente.”

Conheça as protagonistas: 

É preciso dizer que um dos pontos altos do livro se dá através da complexidade das personagens. Suas individualidades foram tão bem trabalhadas que todas se mostram igualmente profundas e interessantes, mesmo com personalidades opostas.  

Essa profundidade também se faz presente na construção de toda a história, sem que a mesma atrapalhe ou dificulte o ritmo da narrativa, proporcionando sentimentos mistos e intensos durante a leitura  —–- outro ponto muito positivo. 

Jessica: Com uma necessidade gigantesca de agradar a todos e, por ser a primeira a chegar em Wild Meadows, a mais velha das garotas é quem desenvolve o relacionamento mais complexo com a mãe adotiva, e quem presenciou por mais tempo seu narcisismo e manipulação. Adulta, ela luta contra o TOC, o vício e a cobrança que faz a si mesma para continuar responsável pelas irmãs.

Norah: Ao chegar em Wild Meadows, Norah já havia passado por outras famílias e sofrido diversos tipos de abuso físicos e emocionais. Considerada como a mais problemática das três irmãs, Norah cresceu tendo que enfrentar sérios problemas de raiva e o constante medo de rejeição, o que resultou em uma vida adulta com muitos registros em sua ficha criminal.

Alicia: Criada com cuidados doces da avó, sempre com uma piada para contar e com um coração gigantesco, Alicia foi a última a se juntar ao trio e a que deveria ter ficado menos tempo por lá. Daquelas que agem antes de pensar, a garota foi diversas vezes punida de formas severas por suas ações. Na vida adulta, ela se torna assistente social, com a missão de garantir que crianças acolhidas não tenham o mesmo destino que ela. 

Mais do que um mistério: Minhas Meninas abre espaço para discussões importantes sobre relações familiares 

Apesar de ter como foco central da narrativa a resolução do mistério que inicia essa história, a obra chama atenção para temas de extrema importância, sem reduzir em nada o impacto do suspense prometido. 

Em Minhas Meninas, Sally Hepworth aborda com precisão o impacto psicológico de crescer em um lar disfuncional, retratando os diversos tipos de abuso e as formas como isso impacta a vida de alguém. Mais do que simplesmente narrar a dor e complexidade desses acontecimentos, Hepworth chama atenção para temas que muitas vezes permanecem silenciados.

Vale ressaltar que a obra não se propõe a criticar o sistema de adoção como um todo, mas, por meio de um suspense ficcional muito bem construído, expõe as consequências dolorosas que um sistema falho pode gerar na vida de uma criança.

Mesmo em meio a tanto trauma, a autora não falhou em construir momentos de sinceridade que transcrevem a importância dos relacionamentos saudáveis que construímos ao longo da vida. Por meio das três irmãs, temos uma representação comovente de resiliência e irmandade, que cria de forma natural uma conexão entre leitor e personagem. 

O resultado é uma narrativa que, ao mesmo tempo que prende pela tensão e mistério, provoca uma reflexão sobre a necessidade de romper o silêncio e enfrentar verdades incômodas para quebrar ciclos prejudiciais. 

Temas sensíveis: adoção, abuso emocional e traumas familiares

É importante frisar que Hepworth trata os temas abordados de forma respeitosa e sensível, em nenhum momento descrevendo mais do que o necessário em nome de cenas impressionantes. Apesar disso, a obra pode se tornar desconfortável para aqueles que passaram por situações semelhantes, e, por isso, é aconselhável se atentar aos possíveis gatilhos.

Adaptação: 

A obra está em fase inicial de desenvolvimento para uma série de TV pela produtora Made Up Stories, e conta com a roteirista Orlagh Collins, como responsável pela adaptação. Mais informações ainda não foram divulgadas. 

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Leia mais: Resenha | O Massacre da Família Hope é surpreendente e arrasador – Entretetizei

Texto revisado por Kaylanne Faustino

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Quantas perdas cabem na vida de uma mulher? Conheça a trilogia involuntária de Aline Bei

Os romances de sucesso da autora paulistana permeiam assuntos complexos como luto, violência contra a mulher e as nuances da maternidade

A escritora paulistana Aline Bei, nascida em 1987, é formada em artes cênicas pelo Célia Helena Centro de Artes e Educação e em letras pela PUC-SP, além de pós-graduada em escritas performáticas pela PUC-Rio. Ela é conhecida por seus livros O peso do pássaro morto (2017), Pequena coreografia do adeus (2021) e seu lançamento mais recente Uma delicada coleção de ausências (2025).

Todos esses romances têm um assunto em comum: o universo feminino. Todos apresentam protagonistas mulheres e os diversos desafios que as cercam ao longo da vida, e com eles a autora tem conquistado leitores fiéis pelo país, marcando a nossa literatura contemporânea.

Escrita em prosa poética e a conexão com o teatro

A escrita de Aline Bei é conhecida por, além de seu conteúdo marcante, sua forma não convencional. Muitos acreditam que seja poesia, mas a própria Aline não se autointitula uma poeta, então alguns leitores consideram seu modo de escrever como uma prosa poética.

A autora tem raízes no teatro, tendo formação na área e trabalhado por um tempo como atriz após concluir seus estudos no Célia Helena. Por isso, ela sente uma conexão muito profunda com essa arte. Mas, por questões financeiras e até mesmo sociais que envolvem o mercado das artes cênicas, Aline se viu obrigada a deixar os palcos para tentar uma carreira em que tivesse mais estabilidade (situação extremamente comum entre os profissionais do teatro, infelizmente). Isso a levou à sua formação em letras.

No entanto, Aline não conseguiu se afastar totalmente de sua Arte. Assim, ela começou a escrever seus textos ainda na graduação, já em prosa poética, e na forma encontrou meios para sua expressão teatral no papel. Se você prestar atenção na forma como ela organiza as palavras, verá que não é aleatório ou algum tipo da conhecida “poesia enter”, mas sim como se as letras fossem atores ou até objetos cênicos e a folha, um palco. 

Essa característica da escrita dela é o que a destaca entre os autores contemporâneos e o que deixa seus romances ainda mais fascinantes. Ler Aline Bei é como assistir a um denso e imersivo espetáculo de teatro.

Foto: reprodução/Instagram @alinebei
Violência e perdas em O peso do pássaro morto

O romance de estreia de Aline Bei, O peso do pássaro morto, é vencedor do prêmio São Paulo de Literatura. Nele acompanhamos a trajetória da protagonista, cujo nome não é revelado, durante sua vida, desde os 8 até os 52 anos.

A história começa ainda na infância dessa protagonista, uma menina com um corpo que ainda brinca, sonha e divide a vida com pessoas que ela ama e que a amam. Mas, conforme o tempo passa, ela se vê diante de sentimentos extremamente complicados até para os adultos, em especial o luto. 

Uma das partes mais avassaladoras desse começo é perceber a inocência da menina diante de tais perdas. O quão cruel é uma criança, que nem entende o significado da morte, lidar com o fato de que não verá essas pessoas novamente? A espera dela ao acreditar que em algum momento seus entes queridos vão “parar de morrer e voltar”, como se a morte fosse apenas um estado temporário, é de quebrar o coração de qualquer leitor.

Mas essa não é a única perda na vida dessa menina. Ao longo dos anos, ela perde, além de pessoas e coisas materiais, partes de si. Ela se depara com situações que muitas de nós, mulheres, também já tivemos que vivenciar. Durante o romance, nos perguntamos com frequência quantas perdas cabem na vida de uma mulher e quanta violência nós somos capazes de suportar.

Na verdade, a pergunta que fica é: quanta violência nós somos obrigadas a suportar, assim como a protagonista?

Lar desestruturado e abandono em Pequena coreografia do adeus

O livro finalista do prêmio Jabuti Pequena coreografia do adeus traz Júlia, uma mulher marcada pelas cicatrizes de crescer em um lar extremamente desestruturado. Ela se encontra no meio de um relacionamento quebrado composto por sua mãe, uma mulher que não suporta o abandono de seu marido, e seu pai, um homem que não suporta a ideia de ter sido casado.

Ao chegar à vida adulta, Júlia ainda carrega todo o peso de sua infância, rodeada de brigas e falta de afeto, em especial de sua mãe. Isso fez com que a protagonista levantasse barreiras emocionais profundas, que afetam suas relações, mesmo com quem aparenta se importar de verdade com ela.

Essa história não é tão pesada e gráfica como o livro anterior em relação à violência, mas tem uma sensibilidade profunda quanto às relações humanas e a influência da infância, pois ela é o chão que pisamos a vida toda.

Aqui, Júlia é uma mulher que tenta, acima de tudo, dançar de acordo com uma coreografia própria, mesmo com tantas marcas e tantas responsabilidades que, se pararmos para pensar, não deveriam ter sido atribuídas a ela. Por isso, Aline nos coloca em questionamento de novo sobre todas as responsabilidades e pesos que muitas mulheres são obrigadas a carregar desde sempre.

Ausência e conflito de gerações em Uma delicada coleção de ausências

Seu romance mais recente, lançado em junho de 2025, Uma delicada coleção de ausências, difere dos outros tanto em sua forma – agora mais próxima da prosa da maneira como conhecemos – quanto em seu conteúdo. Aqui temos não o ponto de vista de apenas uma mulher, mas três: Margarida, Laura e Filipa.

A história começa com Margarida, uma antiga assistente de mágico que lê mãos em uma feira de antiguidades para conseguir pagar as contas de casa e cuidar de sua neta, Laura, com a ajuda de Camilo, um senhor que vende brinquedos na mesma feira. As duas são surpreendidas com a chegada da mãe de Margarida, Filipa, que acaba ocupando todos os espaços da casa com suas angústias.

Esse conflito entre as gerações demonstra aquele tipo de relação em que uma tenta lidar com os traumas e feridas geradas pela sua antecessora ao longo da vida, ao mesmo tempo que tenta proteger a próxima desses cacos. Mas, como todas estão vivendo pela primeira vez, é claro que ninguém é capaz de dar conta de tudo, e acabam deixando marcas na próxima geração também, de maneira inconsciente.

Além dos próprios conflitos de Margarida e Filipa, também há o crescimento de Laura, uma menina na transição entre a infância e a adolescência. Aline Bei deixa extremamente palpável essas mudanças que todas as jovens meninas passam nessa fase, incluindo as descobertas em relação ao próprio corpo.

O livro que fecha a trilogia involuntária da autora traz um poético retrato do universo feminino, com seus desejos primitivos, conflitos geracionais e corpos femininos em diferentes fases da vida. Nós observamos estas mulheres em detalhes e, principalmente, as violências e ausências as quais elas são submetidas de várias formas.

Foto: reprodução/Companhia das Letras
Solidão da mulher, maternidade e violência na trilogia involuntária de Aline Bei

Os três livros de Aline Bei compõem o que a autora chama de trilogia involuntária, pois sua intenção não era inicialmente criar uma trilogia, mas as histórias se conectam profundamente. Essas mulheres poderiam facilmente estar numa mesma cidade, assim como poderiam estar em lugares opostos do país, pois suas dores são, de certa forma, comuns no universo feminino em qualquer lugar.

Essas condições as quais as mulheres são colocadas nos romances, reflexos da vida real, as colocam em um lugar extremamente solitário em certo ponto, pois, por mais que muitas de nós passemos pelas mesmas coisas, a culpa e a pressão social nos isola de tudo e todos e, principalmente, da chance de nos conhecermos e nos curarmos dessas tantas feridas.

Todas as histórias abordam a maternidade em diferentes níveis, evidenciando uma quebra naquele romantismo que conhecemos em relação ao assunto. A protagonista de O peso do pássaro morto se vê em um lugar da maternidade no qual muitas podem se identificar, pois não há aquele amor incondicional romantizado que estamos tão acostumadas a ser expostas, principalmente dadas as condições que a colocaram como mãe.

Além dela, a mãe de Júlia em Pequena coreografia do adeus é o que muitos chamariam de narcisista, embora o termo não tenha sido utilizado no livro. Aqui também é colocado em questão o estigma de que as filhas devem suportar tudo pois “apesar de tudo, é sua mãe”.

Essas histórias nos colocam diante da questão: até que ponto a maternidade deve ser tão romantizada, como algo sagrado e sublime em todos os casos?

Além disso tudo, é claro, há os mais diferentes tipos de violência contra a mulher nos três livros, desde pedofilia, violência doméstica e até estupro. Aline Bei aborda esses assuntos tão sensíveis de uma maneira poética mas, ao mesmo tempo, sem eufemismos, deixando tudo muito cru e impactante, como deve ser.

Uma característica destacável nessa abordagem é como essas mulheres são impactadas e as consequências internas e externas dessas violências. A autora inclui sensações e pensamentos que apenas aquelas que já sofreram o que é retratado sentem, e assim podem entender que não estão sozinhas. Ela nos diz que nós não estamos sozinhas, e nenhuma dessas violências às quais nós somos submetidas dia após dia é nossa culpa, por mais que a sociedade sempre nos diga o contrário.

Aline Bei, ao escancarar aquilo que nós somos obrigadas a colocar debaixo do tapete, abraça todas as mulheres. A leitura talvez não agrade a alguns, pelo estranhamento da forma e o desconforto gerado pelos assuntos abordados, mas é muito engrandecedora e todas deveriam dar uma chance.

 

 

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Texto revisado por Alexia Friedmann @alexiafriedmann

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Tudo que sabemos sobre o novo álbum de Taylor Swift, The Life of a Showgirl, até agora

O 12º álbum da cantora chega às plataformas digitais no dia 3 de outubro

Na última terça (12), Taylor Swift anunciou que lançará seu 12º álbum, intitulado The Life of a Showgirl.

Alguns fãs especulam que a cantora pretendia fazer o anúncio apenas no podcast New Heights, apresentado pelos irmãos Jason e Travis Kelce, mas fotos dos nomes das músicas e algumas do encarte circularam nas redes no começo dessa semana. 

Pouco tempo depois, uma contagem regressiva começou no site oficial da Taylor e, na madrugada de segunda (11) para terça, ela publicou em suas redes um trecho do podcast, do qual participou, com o anúncio (do anúncio) de seu novo álbum.

Mais detalhes foram compartilhados no podcast em questão, que foi ao ar na última quarta (13) e está disponível na íntegra no YouTube, assim como a capa e o conceito por trás das letras e melodias.

Capa
Foto: reprodução/Instagram @taylorswift

A capa oficial de The Life of a Showgirl, segundo a própria Taylor Swift, faz referência aos momentos após os shows do The Eras Tour (2023), sua turnê de sucesso. A cantora afirmou que seu dia terminava com ela na banheira (retratado na capa) tentando relaxar após um intenso show de mais de três horas e sabendo que haveria mais dias em seguida.

As fotos do encarte foram feitas pelos fotógrafos Mert Alas e Marcus Piggott, que também participaram do álbum Reputation, de 2017.

Variações de capa e músicas extras

Taylor também anunciou mais três capas alternativas: It’s Frightening (vermelha), It’s Rapturous (verde) e It’s Beautiful (prata).

Foto: reprodução/Instagram @taylorswift
Foto: reprodução/Instagram @taylorswift
Foto: reprodução/Instagram @taylorswift

Apesar das variantes, ela afirmou no podcast New Heights que o álbum não terá músicas extras. Segundo Taylor, “são essas 12 [músicas], não tem uma 13ª, não tem uma 14ª, não tem outras vindo. Esse é um álbum que eu queria fazer há um bom tempo”. Apesar de ter sido tentador incluir muitas músicas, como em The Tortured Poets Department (2024), ela tentou focar na qualidade das 12 faixas.

Tracklist do álbum

Além da capa, foi revelada também a contracapa com os nomes de todas as 12 faixas do álbum, incluindo uma colaboração com Sabrina Carpenter, que abriu alguns de seus shows da The Eras Tour. São elas:

  1. The Fate of Ophelia
  2. Elizabeth Taylor
  3. Opalite
  4. Father Figure
  5. Eldest Daughter
  6. Ruin The Friendship
  7. Actually Romantic
  8. Wi$h Li$t
  9. Wood
  10. CANCELLED!
  11. Honey
  12. The Life of a Showgirl (feat. Sabrina Carpenter)

    Foto: reprodução/Instagram @taylorswift
Sobre a produção

Diferente dos álbuns anteriores, como Folklore (2020) e Evermore (2020), The Life of a Showgirl traz em sua produção a colaboração entre Taylor Swift, Max Martin e Shellback. Eles trabalharam juntos em outras faixas famosas da cantora, como Red, We Are Never Getting Back Together, 22, I Know You Were Trouble, Shake It Off, Blank Space, Style, Wildest Dreams, Ready For It, Delicate, entre outras. 

Por isso, podemos esperar músicas mais animadas e dançantes. Esse é o primeiro trabalho com apenas os três envolvidos na produção.

Conceito do álbum

Ainda no podcast, Taylor compartilhou detalhes do conceito de seu novo álbum. No último show do The Eras Tour, ela incluiu no final uma porta laranja, que é uma referência ao fato de ela estar saindo da turnê pronta para sua próxima era, que tem a cor laranja abundante em sua estética.

A cantora começou a produzir o álbum enquanto estava em turnê na Europa e usava suas folgas para escrever. Ele tem foco em sua vida pessoal além do show, ou seja, o que estava acontecendo nos bastidores (“atrás da cortina”).

O objetivo é completamente diferente do que foi o seu álbum anterior, The Tortured Poets Department, pois, nesse próximo, ela foca em melodias contagiantes (de “dar raiva”, segundo a própria) e letras vívidas, sem deixar a qualidade lírica de lado.

Segundo Travis Kelce, namorado da artista, “este álbum te fará dançar”.

 

The Life of a Showgirl estará disponível em todas as plataformas digitais no dia 3 de outubro (3+10… Entendemos, Taylor) e a pré-venda já está disponível: 

www.umusicstore.com/taylor-swift

 

Quais as suas expectativas para essa próxima era? Conte para a gente nas redes sociais do Entretê (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

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Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj

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