Novo álbum de Kell Smith mistura samba, rap, MPB e bolero em manifesto de latinidade
A cantora e compositora Kell Smith lança Latino-Americana, um álbum-visual gravado ao vivo em casa. Mais do que um registro musical, a obra se apresenta como um manifesto: um ato de amor, pertencimento e celebração da diversidade que forma a identidade brasileira e latino-americana. O trabalho se estende para os palcos com a turnê de mesmo nome, ampliando o objetivo e reafirmando o protagonismo da música brasileira e nossa latinidade.
Em tempos de algoritmos, IA e desumanização, cantar ao vivo, com banda e com verdade, é resistência. É lembrar quem somos, transformar a imperfeição em beleza e a presença em potência. Artista autista, Kell leva também para sua obra o compromisso de representatividade e acessibilidade e, por isso, o projeto conta com sinalização em Libras, ampliando o acesso e garantindo que diversos públicos possam se conectar à experiência de forma plena.
Latino-Americana mistura samba de raiz, rap, pagode, MPB, bolero-brega e até o clássico Bésame Mucho, em uma releitura cheia de identidade e brasilidade. O resultado é um trabalho diverso, intenso e carregado de fé cotidiana e história.
Ele chega como um lembrete de que nossa maior riqueza está em nossa identidade, fala da força que nasce da mistura, do amor, da alegria que sobrevive à dor e da resistência que pulsa em cada gesto simples, da faxina ao churrasco, da oração da manhã à festa da noite. É sobre cantar quem somos e quem ainda podemos ser. Um ato de amor e orgulho pelo que é nosso. Porque, em tempos difíceis, o maior ato de resistência é nos fazer felizes.
As seis faixas são costuradas como um trabalho artesanal. Bésame Mucho abre em clima latino e sensual, resgatando um clássico que nos conecta com nossos hermanos latinos. Samba da Zenaide mergulha no samba raiz como denúncia e catarse popular, pronta para ecoar nos morros, nos interiores, no almoço de domingo, na faxina ou no churrasco com os amigos. Uma Semente, com Tulinho Banca do Loco, mistura rap e pagode em um hino de esperança e resiliência. Nos lembrando “Que desistir não é mais opção.”
Dinamite explode como bolero-brega de amor-próprio e superação, música para quem renasce das próprias cinzas. Minha Oração é o respiro da espiritualidade cotidiana, canção para começar ou encerrar o dia acreditando que o amor ainda é o maior milagre.
O encerramento vem com A Música e o Carcará, texto-manifesto na voz do pai da artista que define a obra: “Não mexe comigo, que sou a gota serena. Eu sou a Música Brasileira.”
Foto: divulgação/Pablo Grotto
O título é uma declaração de pertencimento. Inspirado em Lélia Gonzalez e em seu conceito de Améfrica Ladina, que revela e valoriza nossas heranças negras, indígenas e mestiças, tantas vezes silenciadas, mas ainda vivas na língua, no corpo e na música, e em Darcy Ribeiro, que via o Brasil como síntese de muitos Brasis, forjados na dor, mas também na criatividade e na festa, o álbum reafirma um movimento de resgate, conexão e nasce como gesto de descolonização do imaginário.
“Eu sonhei com o Latino-Americana e acordei avisando todo mundo que seria a turnê e o álbum. Não era só um trabalho, era um chamado. E eu fiz esse álbum pra mim, pra minha criança interior, tantas vezes silenciada por etiquetas que tentaram me invalidar. Assim como a nossa história latino-americana, tantas vezes empacotada para caber em um rótulo. Mas nós não cabemos. Somos pluralidade, mistura e contradição. E esse trabalho é artesanato, feito à mão com imperfeições que viram beleza. É ter as veias abertas, mas o coração pulsando forte. É cantar o que fomos, o que somos e o que ainda podemos ser. Reinventar a Améfrica Ladina todos os dias. Porque nossa maior revolução é a felicidade que insiste em sobreviver. Esse álbum é um manifesto cantado, é amor ao que é nosso”, conta Kell Smith.
Levando o mesmo nome do álbum, a turnê amplia esse manifesto nos palcos e se une à missão da artista de colocar a Música Brasileira no lugar dela: o de protagonismo. Em cada cidade, um artista local indicado pelo público divide o palco com Kell, reafirmando que somos sinônimo de mistura e criação. Entre autorais e releituras, o show é uma experiência de reconhecimento e afeto.
“Esse show é como uma linda colcha de retalhos, misturando minhas músicas com releituras que revelam minhas referências e meu propósito. É uma obra viva e em movimento que celebra minha história pessoal e nossa história coletiva. E em cada cidade que eu vou e divido o palco com um artista local, me sinto ainda mais orgulhosa de ser brasileira e dividir a melhor musicalidade do mundo com os meus. Eu amo ver os artistas brilhando e isso me atravessa e me forma artisticamente também. Percebo que o palco virou um território de reexistência e um movimento de identidade e celebração. E estou muito feliz com essa escolha. Viva a Música Brasileira e nossa Latinidade pulsante. Nós somos o coração do mundo”, finaliza a artista.
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A família Watterson volta em 6 de outubro no streaming e canal da TV por assinatura
No lugar onde as leis da realidade são desafiadas, a família Watterson retorna, dando continuidade às aventuras de Gumball, Darwin e seus amigos. Prepare-se para o impossível: O Mundo Maravilhosamente Estranho de Gumball estreia em 6 de outubro.
Pensando nisso, reunimos algumas curiosidades do universo da produção:
O início de um sonho
Lançado em 2011, O Incrível Mundo de Gumball nasceu quando Ben Bocquelet decidiu transformar seus personagens rejeitados de campanhas publicitárias em moradores de um mundo criativo, onde o cotidiano se torna extraordinário. Desde então, já foram 294 episódios em 6 temporadas, além das minisséries O Anuário de Darwin e As Crônicas de Gumball, que encantam o público com seu humor peculiar.
Uma animação complexa
Imagem: divulgação/Cartoon Network
Com um processo rigoroso, no universo de Gumball cada segundo de animação é fruto de um trabalho detalhado e afetivo. Para criar 420 minutos de conteúdo, o que equivale a 7 horas de animação, são necessárias cerca de 90 semanas de trabalho contínuo, evidenciando o cuidado e a dedicação da equipe envolvida.
Apenas na segunda temporada, foram desenvolvidos 543 novos personagens e figurinos, o que mostra a riqueza do universo criativo da série e a diversidade visual.
Entre todos os episódios, Natal, da segunda temporada, foi o mais trabalhoso, levando mais de um ano para ter a animação finalizada. Já, Ninguém, da terceira temporada, teve a produção mais rápida, com apenas 138,4 dias até a finalização.
Incrivelmente premiado
O cuidado realizado na produção conquistou a crítica e, ao longo de sua trajetória, a animação ganhou 38 prêmios. Entre os destaques estão o Emmy Internacional, o BAFTA Children’s, Pulcinella, British Animation Award, ASTRA e Kidscreen Awards. A série se tornou referência no mundo da animação.
Sucesso global
Imagem: divulgação/Cartoon Network
A série foi exibida em mais de 185 países ao redor do mundo. Sua popularidade é tanta que o desenho esteve presente em mais de 450 milhões de lares e foi traduzido para 33 idiomas diferentes.
É o programa com maior audiência do Cartoon Network no mundo todo e, no digital, o desenho se destaca como o programa com o maior número de minutos assistidos nos canais oficiais do YouTube do Cartoon Network.
Maravilhosamente Inovador
Imagem: divulgação/Cartoon Network
A nova produção O Mundo Maravilhosamente Estranho de Gumball é uma criação de Ben Bocquelet com produção da Hanna-Barbera Studios Europe, misturando diversos estilos visuais, incluindo animações 2D e 3D, CGI, fantoches, fotorrealismo e live-action.
Com o humor e irreverência marcantes, a comédia animada, que vai estrear no Cartoon Network e HBO Max, acompanha os hilários acontecimentos em Elmore, adicionando um toque de nostalgia para os fãs de longa data.
Confira o teaser aqui:
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Com Emily Bader e Tom Blyth, o longa está previsto para 2026 no streaming
Foi lançado nesta terça-feira (30) o trailer da comédia romântica De Férias com Você, estrelada por Emily Bader e Tom Blyth. O filme é uma adaptação do best-seller de Emily Henry e chega ao streaming em 9 de janeiro de 2026.
Na trama, Poppy e Alex são amigos há anos e, por quase uma década, viajam juntos todo verão. Mas, após um longo período afastados, eles se reencontram em uma viagem e precisam encarar os sentimentos que surgem entre os dois. Assista ao trailer:
Dirigido por Brett Haley e escrito por Yulin Kuang, o filme também conta com Sarah Catherine Hook, Jameela Jamil, Lucien Laviscount, Lukas Gage, Miles Heizer, Alan Ruck e Molly Shannon no elenco. A produção será lançada na Netflix.
Emily Bader é mais conhecida pelo seu papel em My Lady Jane (2024) e Tom Blyth por Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e Serpentes (2023).
Essa é a primeira adaptação da obra da escritora norte-americana Emily Henry a chegar ao público. Outros títulos da autora, como Leitura de Verão, Loucos por Livros, Lugar Feliz e Nem te Conto também serão adaptados, mas ainda sem data de estreia.
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Em entrevista ao Entretetizei, o escritor reflete sobre os encontros marcantes com figuras icônicas da literatura brasileira, a trajetória do gênero e o seu novo livro, Viagem no País da Crônica
Jornalista, escritor e cronista, Humberto Werneck construiu uma trajetória marcada por grandes encontros e por uma escrita que combina rigor jornalístico e leveza literária. Mineiro de Belo Horizonte, colaborou em alguns dos principais veículos da imprensa brasileira, como a Veja, o Jornal do Brasil e O Estado de S. Paulo, firmando-se como uma das vozes mais atentas e apaixonadas pela literatura e pelo cotidiano.
Ao longo de sua carreira, conviveu com nomes fundamentais da crônica brasileira, como Rubem Braga e Fernando Sabino, e assumiu a tarefa desafiadora de biografar Carlos Drummond de Andrade, poeta que também se destacou neste gênero tão singular.
Em 2025, Werneck lançou Viagem no País da Crônica, publicado pela Editora Tinta-da-China Brasil, obra que passeia pela Era de Ouroda crônica, relembrando autores, episódios e memórias que ajudam a entender a relevância do gênero na cultura brasileira. Mais do que um repositório, o livro funciona como uma celebração: é um convite para olhar para a crônica, o “patinho feio da literatura”, como uma forma de expressão próxima, encantadora e essencial.
Nesta entrevista exclusiva, Humberto Werneck fala sobre sua carreira, compartilha memórias de bastidores com grandes nomes da literatura e reflete sobre o futuro da crônica em tempos digitais.
Entretetizei:Ao longo da sua carreira, você colecionou encontros marcantes com grandes nomes da literatura brasileira. Um deles foi com Clarice Lispector, em uma entrevista que você mesmo costuma lembrar como um tanto peculiar. Poderia nos contar como foi esse episódio e o que ele lhe ensinou como jornalista?
Humberto Werneck: Antes de ser um jornalista apaixonado, fui um jornalista acidental. Eu cursava Direito e queria ir para a carreira diplomática, mas tive um pequeno problema político, que fechou as portas para mim nessa área. Por isso, continuei trabalhando no Diário Oficial de Minas Gerais, sob o comando do dulcíssimo Murilo Rubião.
Em 68, quando eu tinha 23 anos, o Murilo me disse: “A Clarice Lispector está aqui em Belo Horizonte. Você, por favor, vá lá e entreviste ela para nós. Mande um beijo meu e peça a colaboração dela em uma entrevista.”
Foto: reprodução/Quatro Cinco Um
Eu era um grande leitor de Clarice, mas nunca a vi. Fui procurá-la em uma livraria em Belo Horizonte e percebi que, apesar de ser uma escritora de grandes qualidades, ela era uma pessoa de difícil trato. Quando pedi a colaboração dela para o Suplemento Literário, ela me deu um chega pra lá, perguntando: “Vocês pagam?”. E a gente pagava, só que era uma mixaria.
No dia seguinte, eu a entrevistei. Só que aquela era a segunda entrevista que eu havia feito na vida e não sabia nada sobre entrevistar e sobre editar o material. Além disso, alguém tinha escrito que “A Paixão Segundo GH, não sendo um romance…” e, baseando-me nessa ideia ao pé da letra, logo no início da conversa, fiz uma pergunta muito mal articulada: “Clarice, A Paixão Segundo GH, não sendo um romance…”. Ela me cortou brutalmente, dizendo de forma estridente: “Como assim não é um romance?”
Existe uma foto desse momento. É possível me ver com a cabeça um pouco baixa e a Clarice me encarando com uma certa repulsa. Foi uma situação horrível…
Foto: reprodução/Estadão
No fim da entrevista, eu pedi um autógrafo no meu exemplar de A Maçã no Escuro e ela falou que não tinha caneta. Emprestei uma canetinha minha, com tinta lilás, que eu tinha o maior amor e havia comprado em Buenos Aires. Ela acabou pedindo a caneta para ela e eu acabei dando.
Essa situação me deu um trauma tão grande que, um tempo depois, escrevi uma crônica chamada Meu Traumatismo Ucraniano. Mesmo tendo sido impactante, essa situação foi muito pedagógica para mim e me ensinou muitas coisas. Contudo, isso não me impediu de passar anos sem conseguir ler Clarice. Até que, um dia, ouvindo uma conversa de dois amigos dela, o Fernando Sabino e o Otto Lara Resende, um deles disse: “A gente adora a Clarice, mas, você sabe, ela é uma pessoa difícil”. Senti um alívio enorme na hora, pois percebi que não foi só comigo.
E:Você também está sendo responsável por biografar Carlos Drummond de Andrade. Como está sendo a experiência de mergulhar na vida deste poeta e cronista?
HW: Estou mergulhado nisso faz tempo! Não coloco o nariz fora de casa sem que alguém me pergunte: “E a biografia de Drummond, quando sai?”. Costumo responder que ou sairá o livro ou eu. Já faz muitos anos e, mesmo já tendo entregado 200 e tantas laudas, ainda faltam coisas.
Essa é uma experiência muito importante para mim, não só como escritor e biógrafo, mas também como leitor de Drummond. Como jornalista, tive muitos contatos com ele e o entrevistei mais de uma vez. Em uma delas, foi para a revista IstoÉ.
Foto: reprodução/Acervo Carlos Drummond de Andrade
Bom, a Companhia das Letras me procurou e me fez essa proposta. Desde então, estou fazendo um trabalho muito minucioso e nem um pouco opinativo: estou produzindo uma biografia de Carlos Drummond de Andrade com o maior rigor jornalístico que se possa ter.
Drummond teve uma vida com poucos acontecimentos. Ele não era como o Vinicius de Moraes, que se casou nove vezes, ou como o Fernando Sabino, que viajou o mundo todo. Contudo, por baixo desse homem imerso na rotina, há um personagem absolutamente maravilhoso e, na biografia, haverá revelações que ilustram a pessoa que ele era — mas nada chocante, fiquem tranquilos.
Também estou empenhado em não escrever um livro chato, pois considero a chatice como algo digno de punição. Portanto, tenho me dedicado à tarefa de seduzir o leitor com a escrita o máximo que posso. Afinal, nós, que somos escritores e que não estamos no patamar do William Faulkner, por exemplo, temos que cativar o leitor para que ele nos leia. Costumo dizer que, mesmo não tendo religião, tenho uma santa padroeira: a Sherazade, de Mil e Uma Noites. Ela foi uma mulher que se salvou graças à forma cativante com a qual ela contava histórias. E quero fazer o mesmo nesse livro.
Além disso, já tenho 80 anos e, após essa tarefa gigantesca, quero ter na minha vida um pós-Drummond.
E:Ainda que tenha sido trazida para cá da terra do croissant, a crônica é, hoje, um gênero muito brasileiro. Você diria que conseguimos nos apropriar dele com maestria?
HW: Acho que nos apropriamos desse gênero da mesma forma que nos apropriamos do futebol. O futebol era inglês e foi trazido para cá pelo Charles Miller, mas nós demos a esse futebol britânico uma melhoria que ele não tinha na origem. Eu acho que o mesmo ocorreu com a crônica. Ela foi trazida da França em meados do século XIX e, aqui, ela foi ganhando uma graça brasileira através de grandes mestres, como Machado de Assis e, posteriormente, com João do Rio.
A grande revolução da crônica brasileira aconteceu nos anos 30 com Rubem Braga, que começou a ser cronista e criou toda uma árvore genealógica do gênero. Quando perguntavam ao Fernando Sabino quem era o melhor cronista, ele dizia: “Cronista é o Rubem Braga, os outros são imitadores dele”.
Foto: reprodução/Alberto Jacob/Agência O Globo
Entre os anos 40 e 60, nós tivemos um núcleo incrível de cronistas e eu tive a sorte de poder crescer lendo essas crônicas nos jornais, revistas e, depois, nos livros. Eram textos de primeiríssima qualidade e foram essenciais para a minha geração.
Apesar da enorme qualidade da crônica, esse gênero, ainda hoje, é subestimado pela academia. Assim, o rótulo de “patinho feio da literatura” lhe cabe muito bem, mas, apesar disso, não devemos adotá-lo no sentido pejorativo. Afinal, esse patinho é muito simpático e tem uma sobrevida muito maior do que obras de ficção mais elaboradas. Por isso, digo que é preciso ter mais respeito com a crônica.
E:Os jornais e revistas já foram espaços fundamentais para a crônica no Brasil, mas hoje muitos deles perderam força ou até desapareceram. Na era digital, você sente que a crônica perdeu seu lugar de destaque? Existe um caminho para que ela reencontre esse espaço?
HW: A introdução dos meios digitais modificou, e até mesmo liquidou, jornais e revistas. Lembro-me da minha infância, da revista Manchete, na qual saiam quatro crônicas semanalmente — e de grandes autores, como Paulo Mendes Campos, Rubem Braga e Fernando Sabino. Hoje quem publica crônica, se os jornais e revistas estão meio mortos?
Foto: reprodução/Revista Prosa, Verso e Arte
O Estadão, por exemplo, tinha um grande time de cronistas, e hoje tem apenas um, o Ignácio de Loyola Brandão, que, apesar de ser um ótimo cronista, está sozinho. A revista Veja São Paulo, durante muito tempo, dedicava a última página para uma crônica, na qual, de 15 em 15 dias, autores se revezavam para escrever, como o grandíssimo Ivan Ângelo, mas acabou.
Sinto que a crônica foi despejada, está sem-teto e não achou um lugar confortável e com a necessária visibilidade para que atinja e mantenha o leitor cativo para ler na internet. Mas eu sei que a crônica não vai morrer. Assim como o jornalismo, ela está passando por uma crise e, apesar do problema da falta de lugar da crônica ser crônico, ela há de se estabelecer novamente.
E:Muitos jovens em idade escolar têm contato com a crônica, principalmente nas atividades ligadas ao vestibular. Mas a tecnologia e o afastamento do material impresso podem dificultar essa relação. Você acha que seria preciso repensar a forma como o gênero é trabalhado nas escolas? Em vez de apenas listar suas características, não seria mais interessante incentivar os alunos a escrever crônicas, inclusive nos meios digitais?
HW: Sem dúvidas! A ação mais óbvia é, primeiramente, interessar o jovem no gênero, fazendo-o se encantar pela crônica — o que não é difícil! Em seguida, incentivá-los a criar crônicas. Para aqueles que não são tão encantados pela escrita, não é uma tarefa complicada, mas, para os jovens que almejam ser escritores, a crônica é uma ótima porta de entrada.
A expressão francesa rez-de-chaussée (tradução livre: rés do chão), usada por Antonio Candido em seu famoso ensaio A Vida ao Rés do Chão, significa literalmente a entrada de uma casa ou prédio, ou seja, por onde você entra. E a crônica tem essa facilidade de entrada para todas as idades.
Foto: reprodução/Jornal Rascunho
Uma coisa muito bacana é que a crônica tem a característica especial de aproximar o leitor e o cronista com facilidade, pois a proposta do gênero é justamente falar com quem lê ombro a ombro, e não de cima para baixo. Isso pode ser um fator importante para incentivar os jovens a escreverem crônicas, porque ela é esse lugar de acolhimento tanto para quem lê quanto para quem escreve.
E:Muito se fala sobre o processo de leitura de uma obra, mas pouco se comenta sobre o processo de escrita. Como foi a sua experiência escrevendo Viagem no País da Crônica?
HW: Esse foi um livro involuntário. Eu fui chamado pelo Instituto Moreira Salles para ser o primeiro editor de um espaço pouco conhecido, embora já exista há alguns anos, chamado Portal da Crônica Brasileira, que é um repositório com milhares de crônicas de diversos autores.
Coube a mim fazer, de 15 em 15 dias, um texto que atraísse os leitores para essas crônicas. Chamei a sessão no site na qual eu trabalhava de rés do chão — e, no livro, chamei-o de Piscadelas Literárias, pois é basicamente um gesto que fazemos para atrair o outro para algo bom. Assim, construí o esqueleto do que, hoje, é esse simpático livro.
E:Em Viagem no País da Crônica, você adota um tom próximo e leve, que lembra a própria linguagem da crônica. Isso foi pensado desde o início? A capa também traz essa atmosfera ao brincar com a imagem do patinho feio. Como o texto e o projeto gráfico se complementam nessa homenagem ao gênero?
HW: Procurei fazer com que esses textos tivessem um tom de crônica para torná-los mais atraentes aos leitores. Até 2021, escrevi 80 textos, mas parei para cuidar, monogamicamente, da biografia do Drummond. Atualmente, quem cuida do meu antigo espaço no rés do chão é meu querido amigo Guilherme Tauil.
A ideia de compilar esses textos veio da Editora Tinta-da-China Brasil, a qual pertence ao meu filho, Paulo Werneck. Participei do trabalho de edição, que foi grande, ao lado da Sofia Mariutti, à qual eu tiro o meu imaginário chapéu. Na edição final, inserimos 78 crônicas que falam sobre crônicas, resultando em um livro de 300 páginas. No fim do livro, há uma lista das crônicas mencionadas ao decorrer do texto e, na versão digital, é possível clicar e ir diretamente para a crônica.
Aliás, a capa do livro, feita pela incrível Vera Tavares, tem um desenho muito simpático de um patinho feio, tal qual é a crônica.
Eu nunca fui um autor mal editado, mas essa edição se superou muito, deixando-me muito feliz com esse livro. Ele está tendo, também, uma recepção inesperada. Tenho ouvido coisas muito simpáticas a respeito dele e sobre o serviço que ele presta ao gênero.
E:O título não é à toa: ao longo dos capítulos, o leitor realiza uma verdadeira viagem pela trajetória da crônica no Brasil em sua Era de Ouro, quase como se você estivesse biografando o gênero. Essa abordagem é importante para transportar o leitor a esse momento histórico-literário, fazendo-o compreender a relevância do gênero e o seu impacto. Você acha que hoje, mais do que nunca, é importante que vozes como a sua contem essa história para que a crônica continue a alcançar novas gerações?
HW: Eu acho que sim! Qualquer coisa que encante alguém pode se tornar um potencial material de divulgação, principalmente se ele for de qualidade. Não importa o que seja: desde uma crônica a uma obra de arte, é possível perceber nos olhos de alguém quando ela foi tocada profundamente por algo que a encantou. Todos nós devemos ser, em qualquer instância, bons vendedores daquilo que nos alegra, passando essa alegria adiante.
E:Por fim, Viagem no País da Crônica funciona basicamente como um repositório do gênero, mas também traz toques interpretativos seus. Depois dessa experiência, você acha que é possível definir a crônica — o nosso “patinho feio da literatura”?
HW: Nem eu, nem ninguém conseguiu definir, em algumas palavras, a crônica. É aquela história famosa do Rubem Braga: “Se não é aguda, é crônica”. Ela não é difícil de definir, mas há uma dificuldade em encontrar as palavras certas. Contudo, o bom leitor sabe o que é uma crônica, embora não seja capaz de colocar, em meia dúzia de palavras, essa definição. Sou a favor de chamá-la de “patinho feito da literatura” a partir de agora, pois assim assumimos, como uma coisa boa, o que foi posto ao gênero como desprezo.
Foto: reprodução/Companhia das Letras
Encerrar esta entrevista é, de certa forma, continuar a viagem proposta por Humberto Werneck. Fica a certeza de que a crônica, mesmo em tempos de crise, ainda encontra leitores dispostos a se encantar com sua simplicidade e profundidade. Viagem no País da Crônica pode ser adquirido no site da Editora Tinta-da-China Brasil e na Amazon.
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A adaptação do webtoon coreano equilibra comédia e paixão, trazendo uma história leve e autêntica sobre a dinâmica entre um professor e o idol que ele idolatra
Matéria por Marina Menna
Na coletiva online do k-drama BL My Bias Is Showing?!, adaptação do popular webtoon coreano, reuniu os protagonistas Kim Kang-min e Park Jin-woo (Kevin) para compartilharem detalhes da produção. A sessão, realizada com o objetivo de promover o drama, teve como foco principal a química entre a dupla de atores, as reflexões sobre a adaptação da obra original e a experiência de Kevin, membro do OMEGA X, ao interpretar um fã em seu primeiro papel, oferecendo ao público um olhar exclusivo sobre os bastidores da série que acompanha o romance entre um professor e seu ídolo.
A adaptação equilibra comédia e romance, oferecendo uma narrativa leve e autêntica sobre a dinâmica entre o professor Na Ae-joon, um fã secreto, e o idol Choi Si-yeol, cuja rotina muda completamente quando passa a gravar um programa de variedades na escola em que Ae-joon trabalha. O drama suaviza elementos mais dramáticos do webtoon original, valorizando o charme e a interação divertida entre os protagonistas, tornando a história acessível e envolvente tanto para fãs de k-dramas BL quanto para novos espectadores.
O carismático Choi Si-yeol é interpretado por Kim Kang-min, conhecido por trabalhos como Meu Colega de Quarto é um Gumiho, que traz mistério e charme ao personagem, mantendo o público curioso sobre os sentimentos de Si-yeol em relação a Ae-joon. Já Na Ae-joon é interpretado por Kevin, cuja experiência real como idol acrescenta autenticidade à representação do fã dedicado. A química entre Kim Kang-min e Kevin é o ponto central da série, combinando a experiência de um ator veterano com o olhar íntimo de Kevin sobre a cultura k-pop, transformando My Bias Is Showing?! em uma experiência divertida, envolvente e repleta de identificação para o público.
Imagem: reprodução/IPQ
O Entretetizei acompanhou a coletiva de imprensa internacional de My Bias is Showing, novo BL que vem despertando grande expectativa entre os fãs de dramas asiáticos. A conversa reuniu os protagonistas Kim Kang-min e Kevin, que compartilharam suas experiências, curiosidades dos bastidores e impressões sobre a produção, oferecendo uma prévia do que o público pode aguardar da série.
As primeiras perguntas da coletiva de imprensa foram direcionadas ao Entretetizei, que abriu a conversa com os protagonistas Kim Kang-min e Kevin. Os atores responderam sobre o processo de adaptação do popular webtoon para a tela, explicando como equilibraram a fidelidade à obra original com a incorporação de suas próprias interpretações, além de compartilhar reflexões sobre a experiência de Kevin ao vivenciar a perspectiva de um fã — algo totalmente inédito para ele, considerando sua carreira como idol na vida real.
Entretetizei: A série é uma adaptação de um popular webtoon. Como você conseguiu manter-se fiel à história original e, ao mesmo tempo, trazer algo novo para os personagens?
Kim Kang-min: Em primeiro lugar, sei que o webtoon no qual a série se baseia é muito popular. Eu tentei abordar o personagem Choi Si-yeol o mais próximo possível do original, enquanto ainda adicionava minha própria interpretação e estilo à voz, aos visuais e ao figurino, para realçar o seu charme como personagem no drama.
Kevin: Acredito que havia muitas características semelhantes entre o Ae-joon do webtoon original e o Ae-joon que estou interpretando no drama, por isso procurei preservar várias delas. Ao mesmo tempo, não queria que o personagem fosse visto apenas como alegre e expansivo, então busquei adicionar mais camadas a ele.
E: Kevin, como foi vivenciar a perspectiva do fã no drama, considerando que, na vida real, você costuma ser o “bias” (tradução livre: o favorito dos fãs) de tantas pessoas?
K: A maior diferença que senti foi que um idol é alguém que recebe muito amor dos fãs, e os fãs mostram seu apoio e carinho pelos seus idols favoritos. Ao entrar neste drama, eu realmente tenho pensado em como retribuir todo o amor que recebo dos meus fãs.
Durante a coletiva de imprensa de My Bias Is Showing, os protagonistas Kim Kang-min e Kevin compartilharam suas experiências ao interpretar personagens que exploram a linha tênue entre o amor por um “bias” e um romance verdadeiro. Ao longo da entrevista, eles discutiram não apenas a construção de seus personagens, mas também o crescimento pessoal e profissional que a produção proporcionou.
Kim Kang-min revelou que, ao interpretar Si-yeol, procurou transmitir emoções genuínas e a conexão natural entre o seu personagem e Ae-joon, enquanto Kevin refletiu sobre suas próprias experiências como idol para dar profundidade a Na Ae-joon. Kevin destacou que este foi seu primeiro papel como ator e, que observando Kang-min aprendeu a se sentir mais à vontade no set, mantendo a calma e aproveitando o processo de filmagem.
A dupla também comentou sobre os desafios de equilibrar o humor e os momentos mais tensos da história, além de como a música e as letras de Si-yeol influenciaram na construção emocional das cenas. Kang-min explicou que a química entre os personagens cresceu naturalmente, tanto no drama quanto fora do set, reforçando a autenticidade da relação entre eles.
Sobre o processo de preparação, Kevin contou que conversou com fãs reais para entender melhor suas experiências e sentimentos, enquanto Kang-min analisou a postura, os gestos e a personalidade de Si-yeol para representar cada nuance do personagem. Ambos ressaltaram a importância de refletir sobre suas próprias vidas e experiências para dar veracidade às emoções exibidas na tela.
Os atores também comentaram sobre a repercussão internacional, especialmente na América Latina, expressando gratidão pelo carinho recebido dos fãs. Kevin ressaltou o valor do amor puro e genuíno que os espectadores poderão reconhecer no drama, enquanto Kang-min destacou que o apoio dos fãs latino-americanos é uma grande fonte de felicidade e motivação para continuar evoluindo em sua carreira.
Ao final, ambos agradeceram aos presentes na coletiva e demonstraram entusiasmo pelo impacto que My Bias Is Showing?! tem tido, destacando que o crescimento emocional e profissional proporcionado pelo drama será levado para futuros projetos.
Curiosidade para os fãs: Junghoon, do OMEGA X, que também interpreta o líder do grupo fictício A-one, J.J., no drama My Bias Is Showing?!, participou ativamente da trilha sonora original da série. Lançado em 27 de setembro de 2025, o álbum conta com quatro faixas — 덕통사고 (Countdown), DIVE, TAKE ME OVER e Pure Love — e inclui composições, letras e vocais de Junghoon em três das músicas. Além dele, Kevin e outros integrantes do OMEGA X também colaboraram com vocais e contribuições em composição e letras, criando uma trilha sonora que reflete as emoções do drama, desde a surpresa do amor inesperado até a inocência romântica, tornando a experiência da série ainda mais envolvente para os fãs.
O drama BL My Bias Is Showing?! já foi lançado e encerrado, oferecendo aos fãs a oportunidade perfeita para maratonar todos os episódios de uma só vez. Com dez episódios de 20 minutos cada, a série está disponível no Brasil pela plataforma iQIYI, permitindo que o público acompanhe a história completa do professor Na Ae-joon e do idol Choi Si-yeol, desde os momentos divertidos e fofos até as reviravoltas emocionantes da trama.
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Com direção de Clarissa Appelt e Daniel Dias, produção aborda a ancestralidade feminina e faz parte da Mostra Première Brasil: Competição Novos Rumos. Estreia será no dia 6 de outubro
O longa-metragem Herança de Narcisa, que marca a estreia de Paolla Oliveira no gênero terror, ganhou seu cartaz oficial com data de lançamento no Festival do Rio. O filme será exibido no dia 6 de outubro na Mostra Mostra Première Brasil: Competição Novos Rumos, um espaço dedicado a longas-metragens de ficção e documentários que buscam explorar novas narrativas do cinema brasileiro.
Imagem: divulgação/Olhar Filmes
Na trama, Ana é protagonizada por Paolla Oliveira, que retorna a casa onde passou sua infância, após a morte da sua mãe, a ex-vedete Narcisa. O casarão, localizado no Rio de Janeiro, é a única herança deixada à ela e ao seu irmão Diego, interpretado pelo ator Pedro Henrique Müller. Ao iniciar um processo de limpeza do local, Ana descobre segredos traumáticos e uma maldição ancestral pelo espírito da mãe. Para sobreviver, ela precisará confrontar traumas familiares e relações tóxicas que não foram resolvidas.
“No sincretismo religioso brasileiro, acredita-se que somente reconhecendo as projeções e questões um do outro, fantasmas e hospedeiros podem se libertar. Herança de Narcisa é uma versão diferente do clássico filme de possessão, em que não falamos sobre a possessão pelo mal ou pelo diabo, mas sobre a possessão pelas questões não resolvidas do relacionamento entre mãe e filha. Para quebrar o ciclo, a única maneira é um exorcismo mútuo”, comenta a dupla de cineastas sobre o terror psicológico.
Imagem: divulgação/Olhar Filmes
Inspirado na tradição do terror psicológico dos anos 40, como Cat People (1942) e I Walked With a Zombie (1943), o longa-metragem dialoga com obras recentes, como The Night House, de David Bruckner.
Com produção da Camisa Preta Filmes, coprodução da Urca Filmes e Telecine e distribuição da Olhar Filmes, Herança de Narcisa terá sua estreia no Festival do Rio. As sessões acontecem no dia 6 de outubro, às 18h45, no Estação Gávea; no dia 7 de outubro, às 16h, no Estação Rio (sessão com debate); e no dia 8 de outubro, às 18h, no Cine Carioca José Wilker.
Imagem: divulgação/Olhar Filmes
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Longa chega aos cinemas no dia 20 de novembro, e na Netflix no dia 5 de dezembro
A Netflix divulgou nesta segunda-feira (29) o trailer oficial de Jay Kelly, novo filme estrelado por George Clooney (Onze Homens e Um Segredo, 2001), Adam Sandler (Como Se Fosse a Primeira Vez, 2004) e Laura Dern (Veludo Azul, 1986). Com direção e roteiro de Noah Baumbach, o longa conta também com Riley Keough (Daisy Jones and the Six, 2023), Greta Gerwig (Barbie, 2023), Isla Fisher (Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, 2009) e Louis Partridge (Enola Holmes, 2023) no elenco. O longa estreia no dia 20 de novembro nos cinemas, e na Netflix em 5 de dezembro.
A trama acompanha Jay Kelly (Clooney), um famoso astro do cinema, e seu dedicado empresário Ron (Sandler), enquanto embarcam juntos em uma jornada repleta de descobertas, em que Jay será confrontado com seu presente e com seu passado.
Assista o trailer aqui:
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A superestrela global promete um espetáculo grandioso
A espera acabou para os Kittenz: a rapper e cantora americana traz ao Brasil a turnê Ma Vie World Tour,em 2026, com show de abertura no Suhai Music Hall, em São Paulo, no dia 5 de fevereiro. A etapa latino-americana ainda passa por Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México antes de seguir para a Europa, Reino Unido e América do Norte.
Com o sucesso do álbum Ma Vie (2025), a cantora promete um espetáculo grandioso, mesclando os novos singles, como Agora Hills e Paint The Town Red, com faixas que a consagraram no pop e no hip-hop contemporâneo.
Além da sonoridade, o público pode esperar a marca registrada de Doja Cat: visuais ousados, cenografia impactante e performances que misturam música, dança e moda.
A artista, que começou no SoundCloud e rapidamente alcançou o topo das paradas globais, já é conhecida por transformar cada turnê em um verdadeiro evento cultural. Em 2025, ela roubou a cena no MTV Video Music Awards com uma apresentação elogiada pela crítica, reforçando o status de estrela imprevisível e inovadora.
Ma Vie World Tour 2026
Foto: reprodução/RCA Records
América Latina:São Paulo (5/2), Buenos Aires (8/2), Santiago (10/2), Lima (13/2), Bogotá (15/2) e Cidade do México (18/2).
Europa/Reino Unido: Dublin (19/5), Londres (29/5), Lisboa (2/6), Paris (9/6) e outras.
América do Norte: Detroit (1/10), Chicago (3/10), Denver (8/10), Los Angeles (22/10), Miami (11/11), Toronto (25/11) e outras.
Ingressos
Venda geral: a partir de 3 de outubro de 2025 na bilheteria oficial e online emwww.ticketmaster.com.br.
Ingressos: a partir de R$ 430,00.
Classificação: 16 anos. Menores de 5 a 15 anos podem entrar acompanhados dos pais ou responsáveis legais.
Realização:Live Nation Brasil.
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Escritora acredita que o cenário atual para autores nacionais é positivo, mas ainda há muitas dificuldades ao se publicar de forma independente
Karina Heid é autora independente e já conta com mais de 40 livros publicados pela Amazon. Entre eles, narrativas que retratam amores contemporâneos, mas, principalmente, romances de época. Nos últimos anos, histórias ambientadas em tempos passados têm feito bastante sucesso entre os leitores de romances românticos. Um exemplo é a série Os Bridgertons, de Julia Quinn, que virou série no streaming. Escritoras como Lisa Kleypas, Tessa Dare e Carina Rissi também escrevem histórias ambientadas em determinado período histórico.
Heid começou a escrever aos 14 anos, mas foi ao mudar de país que começou a enxergar a paixão como um modo de ganhar a vida. Passando pelas faculdades de Comunicação e Psicologia, ela constrói em seus livros tramas que mesclam história, questões sociais e sensualidade. Além disso, a autora mantém um projeto de escrita terapêutica — denominado O Caminho Interior —, no qual realiza artigos para blogs e cursos.
Em entrevista, Karina comenta sobre a sua trajetória como escritora, a sua perspectiva sobre o mercado de livros independentes no Brasil e as descobertas ao escrever um romance histórico. Confira.
Entretetizei: Como começou a sua jornada como escritora?
Karina Heid: Aconteceu porque em 2014 eu me mudei para a Romênia e, sem poder trabalhar, resolvi escrever. Lá eu escrevi a minha fantasia A Jornada das Bruxas (no momento, fora da Amazon) e assim começou.
E: Quais autores ou obras marcaram sua formação como leitora e influenciaram o seu estilo?
KH: Não sei se tenho um estilo… Bem, devo ter, porque todo autor tem, mas não sei dizer quem me influenciou. Acho que ler Lauren Oliver me fez entender que eu gostava muito de uma prosa mais poética (ela escreve livros juvenis e se destaca de outras por essa característica). Também sempre adorei Margaret Atwood e Clarice Lispector por suas metáforas inteligentes e entendi, enquanto lia Cheryl Strayed, que sou apaixonada por certos temas (liberdade, empatia, força).
E: Qual foi o maior desafio que você enfrentou ao começar a escrever profissionalmente?
KH: Aprender que não bastava escrever, eu teria que vender também.
E: Como é o seu processo de criação?
KH: Ele vai mudando, não é estático. Às vezes a história vem inteira, como em A Última Peça. Às vezes ele sai mais lento, e preciso insistir. Normalmente, tudo começa com uma cena — imagino um pedaço de diálogo, de interação entre os personagens e, a partir daí, a história vai se expandindo.
Depois, vem a parte mais difícil, que é sentar e colocar essa história no papel. Tenho ainda que reservar um bom tempo para a edição, porque nunca gosto da primeira coisa que digito. Sempre acho que há maneiras mais bonitas e simples de dizer a mesma coisa. Ou formas mais impactantes, então eu edito muito.
E: Você escreve romances de época ambientados em outros países, como a série Damas de Aço, que se passa na Alemanha. O que te atrai nesses diferentes cenários e como faz a pesquisa histórica para dar verossimilhança às narrativas?
KH: Eu amo história. Amo o passado, a forma como as coisas se desenrolaram, as consequências do que aconteceu nos dias de hoje. Mas confesso que quando estou escrevendo um romance no passado, esta visão desaparece e eu me movo ali, no passado, sem prestar atenção ao que gosto de perceber quando estou de fora. É estranho pensar nisso, mas funciona assim.
Quanto à forma de fazer pesquisa, recorro ao bom e velho Google. Muitas vezes, compro livros também para me ajudar a ter uma visão mais completa, como fiz com as tribos de Andaman, onde um personagem meu morou por um tempo.
E: Quais elementos culturais ou históricos você acha que ajudam o leitor a se conectar emocionalmente com um romance de época?
KH: Para a conexão, os pequenos e específicos. O tipo de loja que vendia especiarias na rua central de uma certa cidade. A forma de selar um cavalo. A ordem das roupas nas mulheres. Os cheiros que as pessoas sentiam naquela rua. O tecido que os vestidos da época usavam, etc.
E: Para você, qual a parte mais difícil em se escrever um romance de época?
KH: Pesquisar. Saber se tal coisa já era usada ou não.
E: Há algum detalhe histórico ou cultural que você descobriu em suas pesquisas e que te surpreendeu a ponto de mudar o rumo de uma história?
KH: Sim! Acontece muito. Por exemplo, em Damas de Aço, tentei escrever o livro entre 1850-60, mas havia tanta guerra e revolução acontecendo por toda parte que optei pelo ano da Unificação alemã (por Bismarck). Acabou que isso foi incorporado na história da família e, a partir daí, decidi todas as outras datas de todos os outros livros que escrevi.
E: O romance romântico ainda é visto por alguns leitores com certo estigma, como “literatura menor”. Como você enxerga esse preconceito?
KH: Não me abala nem um pouco. Olhem os números, é tudo o que digo. O romance é puro sucesso. Não me abala mesmo, a ponto de nem notar. Sei que existe, reconheço o estigma que alguns têm, mas não discuto com quem pensa assim e não me importo com nada do que digam. Os números do romance romântico falam por si. Quem reclama é uma minoria perto do número de pessoas que ama.
E: Como você enxerga o espaço atual para autores independentes no Brasil?
KH: A aceitação de livros comerciais (ficção de gênero) escritos por autores nacionais vem crescendo bastante nos últimos anos (até que enfim!). Hoje temos fantasias nacionais sendo publicadas por editoras grandes, além de romances, suspenses, thrillers e por aí vai. Ainda vemos muitas editoras resistindo a ampliar o catálogo de nacionais, mas sou positiva quanto à mudança.
Acho que, cada vez mais, vamos deixar para trás aquela ideia de “o que vem de fora é bom, o que é daqui nem tanto”. O mais importante (e isso tem a ver com a sua pergunta) é que hoje é possível ter uma carreira 100% independente de uma editora. Nesse ponto, já não sou totalmente otimista: vejo o cenário por dois lados.
O lado positivo é que publicar nunca foi tão democrático. Você pode escrever seu livro e colocar na Amazon. A venda depois tem suas dificuldades, claro, mas o ato de publicar se tornou acessível, e isso é uma grande conquista. O lado negativo é que estamos diante de um monopólio, e estar nas mãos de uma única empresa nunca é saudável, porque passamos a depender demais dela. Há muito mais a ser dito sobre o mercado e sobre esses dois pontos que coloquei, mas isso já seria papo para um mês inteiro.
E: O que você acredita ser a maior vantagem de publicar de forma independente? E a desvantagem?
KH: Acho que a resposta dessa pergunta se cruza com a anterior. A maior vantagem é poder publicar a sua história, e a maior desvantagem é justamente o fato de que todos podem fazer o mesmo, e, por isso, você precisa se diferenciar para não ser apenas mais um na enxurrada de livros que chegam à Amazon todos os dias.
Sabia que ela [Amazon] tem novas regras, que limitam a publicação a apenas três novos títulos por dia? Segundo o que li, a medida busca combater o abuso da criação massiva de conteúdo pouco qualificado. Mas eu te pergunto: quem realmente consegue publicar três livros por dia? E de que forma estão escrevendo esses livros?
E você, já conhecia os livros de Karina Heid? Conta para a gente em nossas redes sociais — Insta, Face e X. E, se você gosta de trocar experiências literárias, venha participar do Clube de Leitura do Entretê, para conversar sobre leituras incríveis!
A obra une magia com elementos distópicos que aproximam a ficção dos fatos mais sombrios da realidade
Somando mais de 20 milhões de downloads em todas as suas publicações on-line, SenLinYu é ume ficcionista aclamade por suas histórias que debatem a moral e a ética, com enredos desafiadores que abordam de política à religião. Sua estreia ambiciosa na literatura, programada para ocorrer em 25 países quase simultaneamente ao lançamento nos Estados Unidos, é celebrada há meses pela sua imensa legião de fãs e promete fazer jus à sua fama. Apontada como uma audaciosa fantasia sombria, Alchemised chega ao Brasil pela Intrínseca em outubro com edições em capa dura e brochura. A narrativa revela um mundo depravado, recém-dominado por uma classe disposta a subverter a ordem natural da vida e reanimar os mortos.
A história é ambientada em Paladia, considerada uma cidade-estado estratégica por ditar as inovações tecnológicas criadas a partir de uma habilidade especial usada para a transmutação de metais, conhecida como ressonância. Após um longo e violento conflito, o uso da necromancia se tornou o modus operandi, e uma nova classe dominante, formada por guildas corruptas e necromantes perversos, assumiu o comando, acabando com o regime da Chama Eterna, ordem política da família real que controlava o território desde sua fundação.
Ao fim da guerra, Helena Marino é capturada e mantida em cativeiro. Os registros dizem que ela era apenas uma curandeira, entretanto, quando seus carcereiros descobrem que a memória da prisioneira foi alterada e que ela não consegue lembrar-se de momentos-chave que culminaram na vitória dos Imortais sobre a Chama Eterna, o papel da curandeira durante a guerra começa a ser questionado. Seria ela realmente tão irrelevante como se imaginava?
Com isso, Helena é enviada aos cuidados do Alcaide-mor, o segundo necromante mais poderoso de Paladia. Por ordem de Morrough, o líder dos Imortais, Kaine Ferron terá que descobrir o que está escondido nas profundezas da mente da curandeira.
Aprisionada em meio a ruínas de uma propriedade sombria, Helena luta para proteger seu passado perdido e preservar os últimos resquícios de quem foi um dia. Mas o martírio está apenas começando, pois sua prisão e seu captor têm os próprios segredos… E ela terá que desvendá-los. Custe o que custar.
Lançamento mais esperado do gênero no ano, Alchemised é uma obra inovadora que promete ser um marco da literatura fantástica contemporânea.
SenLinYu cresceu no noroeste do Pacífico e estudou artes liberais e cultura clássica. Elu começou a escrever no aplicativo de notas do celular durante a soneca de seu bebê. As histórias que publicou na internet somam mais de vinte milhões de downloads e foram traduzidas para mais de vinte idiomas. SenLinYu mora com a família em Portland, nos Estados Unidos. Alchemised é sua obra de estreia.
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