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De true crime a adaptações literárias: 8 séries de suspense para conferir no streaming

Conheça produções baseadas em crimes reais e grandes livros

Se você faz parte do público que ama o gênero suspense, e acompanhar o desenrolar de tramas tensas, cheias de mistério e reviravoltas é sempre uma experiência marcante, essa lista é para você. 

Para atender espectadores cada vez mais famintos por essas histórias, muitas produções se inspiram em crimes reais ou em livros de sucesso, levando para as telas histórias que merecem ser contadas. Pensando nisso, reunimos abaixo oito seriados baseados em true crime e adaptações literárias para você conferir agora mesmo no Disney+.

Crime de Uma Dinastia – O Caso Murdaugh
Foto: divulgação/Disney+

Crime de Uma Dinastia – O Caso Murdaugh conta a história real dos Murdaugh, uma poderosa família liderada pelo advogado Alex (Jason Clarke) e sua esposa, Maggie, interpretada pela vencedora do Oscar, Patricia Arquette. A vida aparentemente perfeita é abalada quando Paul (Johnny Berchtold), o filho do casal, se envolve em um acidente fatal cuja repercussão joga os holofotes no sombrio passado da família, incluindo ligações com outras mortes misteriosas.

Os Sem Nome
Foto: divulgação/Disney+

Adaptação do livro The Nameless, do renomado escritor Ramsey Campbell, a série acompanha a angustiante jornada de Claudia (Miren Ibarguren), que perdeu a filha, Angela, após a pequena realizar o que muitos acreditam ser um milagre. A história traumática ganha contornos ainda mais sinistros quando, anos depois, a mulher recebe uma ligação que diz: “Mãe, sou eu, Angela. Por favor, vem me buscar!”. Chocada e cheia de esperanças, ela une forças a Salazar (Rodrigo de la Serna), inspetor que investigou o desaparecimento de Angela anos antes, em busca da verdade.

A História Distorcida de Amanda Knox
Foto: divulgação/Disney+

Em 2007, a estudante norte-americana Amanda Knox foi acusada de assassinar a colega de quarto, Meredith Kercher, na Itália. O crime deu início a um caso marcado por exposição midiática em escala mundial e reviravoltas que levaram anos para chegar ao fim. Essa história verídica serviu de base para A História Distorcida de Amanda Knox, minissérie que contou com Grace Van Patten no papel da jovem que busca provar a própria inocência.

O Dia do Chacal
Foto: divulgação/Disney+

A série conta a história de Alex Duggan, um exímio assassino internacional conhecido como Chacal. Interpretado pelo vencedor do Oscar, Eddie Redmayne, o atirador aceita um trabalho que pode garantir sua aposentadoria. Porém, seus atos atraem a atenção de Bianca Pullman (Lashana Lynch), agente do MI6, que inicia uma verdadeira caçada ao Chacal pela Europa. A série é uma adaptação cheia de suspense e ação para O Dia do Chacal, o premiado romance de Frederick Forsyth.

American Crime Story
Foto: divulgação/Disney+

American Crime Story é uma série dedicada a contar famosos crimes reais que aconteceram nos Estados Unidos, com cada temporada focada em um caso diferente. A primeira acompanha o famoso julgamento midiático de O. J. Simpson (Cuba Gooding Jr.), ex-astro do futebol americano acusado de matar a ex-esposa e um amigo dela. A segunda se debruça no assassinato do famoso designer de moda Gianni Versace (Édgar Ramírez). Por fim, a terceira narra o impeachment do ex-presidente Bill Clinton (Clive Owen) após o estouro de um escândalo sexual.

A Garota Roubada
Foto: divulgação/Disney+

Em A Garota Roubada, uma brincadeira de criança dá início a uma busca implacável. Adaptação do livro Playdate, de Alex Dahl, a trama começa quando Elisa (Denise Gough), deixa a filha, Lucia (Beatrice Campbell), dormir na casa de uma amiguinha. Porém, quando vai buscar a jovem no dia seguinte, a mãe descobre que ela foi sequestrada, dando início a uma caçada angustiante temperada por segredos do passado.

Debaixo da Ponte: A Verdadeira História do Assassinato de Reena Virk
Foto: divulgação/Disney+

Em 1997, a adolescente Reena Virk foi a uma festa e nunca mais voltou para casa. O caso real em torno do misterioso assassinato da jovem é contado em Debaixo da Ponte: A Verdadeira História do Assassinato de Reena Virk, produção que acompanha a investigação e suas chocantes revelações pela perspectiva da policial Cam Bentland (Lily Gladstone) e Rebecca Godfrey (Riley Keough), autora do livro Under The Bridge (2005), que serviu de base para a série.

The Handmaid’s Tale
Foto: divulgação/Disney+

Para fechar a lista com chave de ouro, temos The Handmaid’s Tale, a premiada série que adapta O Conto da Aia, o clássico livro de Margaret Atwood. A produção é uma distopia que imagina um futuro sombrio em que os EUA passaram por uma segunda Guerra Civil, encerrada com a criação do estado totalitário de Gileade. Lá, as mulheres férteis são escravizadas e transformadas em Aias para gerar filhos para a elite. Nesse ambiente hostil, o seriado acompanha Offred (Elisabeth Moss), uma Aia que luta para sobreviver e reencontrar a família que lhe foi tirada.

Já pode preparar a pipoca, porque opções para maratonar não faltam. 

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Leia também: A despedida se aproxima: veja o trailer da última temporada de Stranger Things  

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Cultura turca Notícias

Leyla: novela turca estreia em novembro no streaming brasileiro

Adaptação turca de Avenida Brasil anuncia sua estreia oficial no mês de novembro

 

A produção, parceria histórica entre Globoplay e Ay Yapim, confirma data de lançamento: 24 de novembro. O remake de Avenida Brasil (2012) possui Hilal Saral na direção e foi exibido originalmente no canal NOW.

Cemre Baysel e Alperen Duymaz são alguns dos artistas que compõem o elenco, com atuações elogiadas pelo público e crítica. Assim, o fenômeno da televisão brasileira retorna à casa em boas mãos.

Foto da atriz Cemre Baysel
Foto: reprodução/Instagram @cemrebaysel

Sinopse

O enredo se concentra em Layla (Cemre Baysel), abandonada em um lixão quando criança pela madrasta Nur (Gonca Vuslateri), que deseja mais do que tudo vingança. Sob o disfarce de uma chefe de cozinha, o tempo passa e a garota se reencontra com Nur, contudo, seus planos são abalados ao descobrir que sua antiga madrasta junto do marido Tufo (Halil Ibrahim Ceyhan) adota Civan (Alperen Duymaz), um antigo amigo.

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Leia também: 5 motivos para assistir Leyla: Hayat… Aşk… Adalet…

 

Texto revisado por Laura Maria Fernandes de Carvalho

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Livros Notícias Resenhas

Resenha | Não Era Pra Ser Uma História de Amor navega pelas nuances do luto e da paixão

Com um lembrete de que, mesmo quando a vida toma rumos diferentes daquele que traçamos, devemos permanecer honestos àquilo que acreditamos

Imagem: reprodução/Editora Arqueiro

Millicent Watts-Cohen é uma garota autêntica, animada e bondosa, e quem não a conhece pode achar seu jeito excêntrico e diferente um pouco estranho.

Quando ela se viu solteira e sem ter onde morar, não imaginou que isso fosse lhe trazer uma grande amiga, Rose Mcintyre Nash, com quem compartilharia histórias e muitos momentos.

Alguns meses depois, as circunstâncias da vida a afastam da senhora Nash, e ela precisa cumprir uma promessa que fez, para a amiga e para si mesma: atravessar o país o mais rápido possível e provar que o amor duradouro existe sim.

Millicent só não imaginava que, para que isso fosse possível, ela seria obrigada a viajar com Hollis Hollenbeck como seu acompanhante.

Apesar de serem conhecidos antigos – adivinha só, ele é colega do ex dela! –, os dois nunca compartilharam o mesmo ambiente por muito tempo e agora vão dirigir pelos Estados Unidos juntos.

Hollis é um pouco carrancudo, aparentemente mal humorado e está no meio de um bloqueio criativo, o que deixa qualquer artista de cabelo em pé. Além disso, ele não acredita no amor duradouro há muito tempo, o que vai contra a jornada de Millie.

Ao longo da curta viagem juntos, torna-se impossível manter a distância entre os dois, por mais que suas opiniões sejam divergente.

Com seu jeito excêntrico, ela consegue fazer Hollis se abrir, ao passo em que ele começa a enxergar as esquisitices de sua companheira de outra forma.

Mas é muito difícil mudar a cabeça de alguém que acredita conter provas para pensar do modo que pensa.

A história de Sarah Adler é leve, proporcionando uma rápida leitura e ótima para fugir da ressaca literária, mas talvez seja rápida demais para os temas que aborda.

A viagem, que se passa em quatro dias, é o plano de fundo para desenvolver o sentimento romântico, a dor do luto e duas pessoas tentando superar antigos relacionamentos e bloqueios.

Sarah compensa a sensação de que tudo acontece rápido demais com a química inegável entre os personagens, ao construir um protagonista sexy, quase beirando a arrogância, e uma personagem principal autêntica e bem única, mas longe de ser chata.

Com toques de comédia, cenas quentes e um pouco de tristeza aqui e ali, o livro cumpre sua proposta como romance New Adult, mas deixa o leitor desejando que nossa viagem com Millie e Hollie fosse mais longa.

Sobre a autora
Foto: reprodução/Sarah Adler

Sarah Adler escreve comédias românticas sobre personagens peculiares e adoráveis. Ela mora em Maryland, nos Estados Unidos, com o marido e a filha, além de passar uma quantidade excessiva de tempo gritando com seu gato travesso para que ele pare de abrir os armários da cozinha. Não Era Pra Ser Uma História de Amor é seu romance de estreia.

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Leia também: Novo romance esportivo chega às livrarias em novembro

 

Texto revisado por Larissa Couto

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Cinema Notícias

Natal Sangrento ganha teaser pôster exclusivo

 Filme natalino de terror estreia em dezembro nos cinemas 

Em clima de Halloween, nesta sexta (31), a distribuidora Diamond Films divulgou o teaser poster exclusivo do filme Natal Sangrento. A trama do longa do mesmo estúdio de Terrifier 2 e 3, acompanha a vingança de Billy (Rohan Cambell), um homem marcado pelo trauma de ter testemunhado o assassinato de seus pais na véspera de Natal, assumindo a identidade de um Papai Noel violento, diferente do habitual. 

Foto: divulgação/ Diamond Films

 Natal Sangrento é um remake do terror clássico de mesmo nome, lançado em 1984. A produção já havia ganhado uma refilmagem em 2012, estrelada por Jaime King e Malcolm McDowell. Além de Campbell, o elenco de 2025 também conta com David Tomlinson e Ruby Modine.

Assista ao trailer legendado

 Dirigido e escrito por Mike P. Nelson, o filme estreia dia 11 de dezembro nos cinemas brasileiros. 

 

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Leia também: 10 séries e filmes brasileiros de terror que você precisa conhecer 

Texto revisado por Alexia Friedmann

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

 

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Cinema Entretenimento

Uma década de Baahubali: o épico que reescreveu o cinema indiano

Baahubali revela o coração trágico do heroísmo e a força espiritual do cinema indiano, transcendendo a fantasia enquanto fala da alma de um povo entre deuses, reis e homens

[Contém spoilers] 

O cinema indiano está repleto de obras preciosas sobre poder, destino, sacrifício, glória e queda, e Baahubali, lançado em 2015, é uma delas. No ano em que a primeira parte da duologia completa 10 anos, nada mais justo que relembrar aos fãs e apresentar aos recém-chegados no universo do cinema hindi os principais pontos que fizeram dessa obra monumental um marco das produções indianas. 

Embora encharcado de efeitos digitais e grandiloquência visual, Baahubali é essencialmente um mito. Um mito no sentido clássico, como os da Índia antiga, da Grécia ou da própria tradição cristã: uma narrativa que tenta expressar em forma dramática a estrutura da realidade, a hierarquia do ser, o conflito entre o dever e o desejo, entre o herói e a ordem cósmica.

O herói de Baahubali não é um rebelde moderno ou um anti-herói: ele é, ao contrário, um símbolo da vocação humana à realeza espiritual, o homem que aceita o peso do destino, o sacrifício pelo povo, a restauração da legitimidade.

Baahubali: The Beginning e Baahubali: The Conclusion  

Em oposição à boa parte do cinema americano atual, o indiano ainda conserva, em obras como essa, a consciência mítica de que o poder é um dever e que a grandeza exige sacrifício. 

Foto: reprodução/Arka Media Works 

No reino de Mahishmati, a rainha-mãe escolhe seu sobrinho adotivo em vez de seu filho para ser o novo rei, desencadeando a hostilidade inevitável entre os dois príncipes. Quando o rei escolhido rejeita o trono por amor, uma trama de manipulação e suspeitas mal interpretadas levam a seu assassinato cruel. 

Escondido até a vida adulta, seu único filho e herdeiro retorna para resgatar sua mãe e vingar seu pai, o verdadeiro rei. 

É a história do príncipe herdeiro de Mahishmati, Mahendra Baahubali Sivudu (Prabhas), que acompanhamos na primeira parte da história, Baahubali: O início (2015)

Já em Baahubali: A Conclusão (2017), finalmente conhecemos os acontecimentos que precedem o nascimento de Mahendra e a morte de seu pai, Amarendra Baahubali (também interpretado por Prabhas).  

Quando Mahendra Sivudu descobre sua herança, começa a buscar respostas. Sua história é justaposta a eventos passados que se desenrolam no Reino de Mahishmati. O filme segue a rivalidade entre os irmãos Amarendra e Bhallaladeva (Rana Daggubati), este último conspira contra o primeiro, levando à sua morte por Kattappa, servo fiel do reino.   

Ao descobrir que seu pai foi brutalmente assassinado por Bhallaladeva, Sivudu levanta um exército para derrotá-lo e libertar sua mãe do cativeiro e seu povo da tirania de seu tio. 

 

Influências mitológicas

O diretor do filme, S. S. Rajamouli, já declarou em várias entrevistas que cresceu ouvindo e lendo o Mahabharata (um dos dois principais textos Smriti e épicos sânscritos da Índia antiga), o Ramayana (épico sânscrito reverenciado no hinduísmo) e as lendas de Shivaji (rei e herói fundador do Império Marata).  Ele queria criar uma narrativa com a força moral e estética dos épicos, mas com personagens originais. 

Foto: reprodução/Arka Media Works 

Assim, o filme não é uma adaptação direta de um conto específico da mitologia hindu, mas é profundamente inspirado pelo imaginário épico e mitológico da Índia. O longa não apenas conta uma história de poder, herança e amor: ele evoca a memória mítica de uma civilização inteira.

Cada personagem central na trama encarna um arquétipo dos dois maiores poemas épicos da tradição indiana. 

Amarendra Baahubali é o herói virtuoso, sábio e compassivo, uma síntese de Rama (do Ramayana) e Yudhishthira (do Mahabharata). 

Foto: reprodução/Arka Media Works 

Bhallaladeva é o irmão ambicioso e invejoso, eco de Duryodhana, o antagonista do Mahabharata.

Foto: reprodução/Arka Media Works 

Devasena é a figura feminina firme, devota, mas não submissa, lembrando Sita (do Ramayana), porém com maior autonomia. 

Foto: reprodução/Arka Media Works 

E Sivagami, a rainha-mãe, remete às matriarcas desses poemas, mulheres de poder moral que, às vezes, erram ao tentar equilibrar justiça e afeto.

Foto: reprodução/Arka Media Works 

A ideia do filme se baseia em uma história aleatória que o pai de Rajamouli lhe contou sobre Sivagami, uma mulher que carrega um bebê nas mãos enquanto atravessa um rio, e alguns anos depois sobre Kattappa. 

Seu fascínio pelos contos de Amar Chitra Katha (editora indiana de quadrinhos baseados em lendas religiosas, épicos, figuras históricas, contos populares e histórias culturais da Índia) e Chandamama (clássica revista infantil indiana que publicava histórias mitológicas e folclóricas) alimentou ainda mais seu interesse pela história. 

Cenas emblemáticas na trama 

A duologia possui várias cenas com simbologias que emocionam, e com razão, porque o espectador está vendo representado, ali, o drama da alma humana diante de algo superior. 

Foto: reprodução/Arka Media Works 

Ainda no primeiro filme, uma sequência mostra uma estátua de Bhallaladeva sendo erguida pelos escravos. A imagem do povo exausto e da opressão sendo monumentalizada é quase uma pintura viva sobre o poder que se alimenta da servidão.

A forma como Rajamouli filma, a escala colossal, o uso da música (composta por M. M. Keeravani), o ouro da estátua refletindo o sol, transforma uma cena de ação em ato ritualístico e simbólico.

Quando Baahubali surge e ajuda a erguer a estátua com as próprias mãos, rompendo a lógica da dominação, é um momento de reversão mítica: o herói devolve ao povo esperança, ainda que de forma momentânea. O gesto, ajudando os oprimidos a erguerem o peso que os esmagava, é uma figura do rei justo, que não reina sobre os homens, mas com os homens. 

A cena não é apenas bonita, é um tratado visual sobre autoridade, idolatria e libertação, quase uma crítica à divinização dos tiranos, algo recorrente na história da humanidade.

Foto: reprodução/Arka Media Works 

No segundo filme, a sequência da morte de Amarendra Baahubali é, talvez, o ápice trágico da saga, não por ser violenta, mas por ser plena de consciência moral.

Quando Kattappa, seu mestre e servo leal, é forçado a matá-lo, não há grito, não há revolta, há aceitação e nobreza. Ele não morre como vítima: morre como rei, um rei que nunca pôde sentar no trono que era seu por direito. 

Ao se ajoelhar, apoiando-se na espada, ele cumpre o seu próprio ideal de reinado: servir Mahishmati até o último instante. A postura, o olhar sereno, suas últimas palavras, “Salve Mahishmati”, emocionam não por mostrar a queda de um herói, mas por mostrar a entrega daquele que se oferece em sacrifício para restaurar a ordem.

 

E o gesto de não culpar Kattappa ou a rainha-mãe é o que o coloca acima de todos: ele vence o ódio pela misericórdia.

A estética como linguagem espiritual

Baahubali é uma epopeia em forma de cinema, e o que o diferencia dos filmes ocidentais contemporâneos não é apenas a estética, é a alma. O que alguns chamam de exagero é o modo indiano de lidar com o sagrado: eles não o escondem sob o verniz psicológico ou o realismo burguês, eles o celebram.

Foto: reprodução/Arka Media Works 

Essa grandiosidade – as multidões, os gestos, as danças, as cores – é a expressão visível de uma hierarquia invisível. A Índia apresenta em muitas produções uma consciência, mesmo que difusa, de que o mundo visível é sustentado por potências espirituais. Seu cinema não imita a aparência da realidade, ele imita o drama do ser. 

O filme é construído com uma reverência estética que beira o sagrado. Cada plano é pensado como um ícone: cores, tecidos, arquitetura, gestos, tudo é simbólico.

A música e a coreografia de batalha lembram o teatro-dança clássico indiano (Kathakali, Bharatanatyam), no qual cada movimento tem um significado moral.

Foto: reprodução/Arka Media Works 

Rajamouli trabalha com a ideia de que o cinema pode ser o novo templo, e o espectador, o novo devoto. 

Baahubali – The Epic 

Em celebração aos 10 anos de lançamento do primeiro filme, diretor e estúdio se uniram mais uma vez para lançar uma nova edição de Baahubali. 

The Epic reúne The Beginning e The Conclusion numa edição única, revisitando a jornada que mudou o cinema indiano. O filme estreia nesta sexta-feira (31) em cinemas do mundo todo. Confira o trailer: 

 

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Leia também: Especial | Do romance às críticas sociais: o cinema indiano pode ser sua nova obsessão  

 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

 

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Entrevista Entrevistas Notícias

Entrevista | Priscilla Reis fala sobre carreira e as conexões que a arte proporciona

A atriz relembrou o início no teatro e compartilhou experiências marcantes  

Carioca da gema e dona de uma essência que não nega suas raízes, Priscilla Reis vem se destacando em suas participações e protagonismos em produções audiovisuais. Entre novelas, filmes, séries e webséries, a atriz coleciona personagens que ganharam o coração do público. 

Conhecida por sua autenticidade, Priscilla transita entre diversos gêneros e formatos, mostrando sua versatilidade e entrega aos novos desafios em produções como Lúcia McCartney (2016), A Porta ao Lado (2022), Stupid Wife (2022), Todo Dia a Mesma Noite (2023) e também integra o elenco da segunda temporada de Amor da Minha Vida (2024), série original do Disney+.

A artista ganhou projeção ao protagonizar a websérie Stupid Wife, onde deu vida à Luiza, personagem marcada por sua complexidade, profundidade e atitudes que dividiram opiniões do público. Com esta protagonista, Priscilla foi indicada em premiações que reconhecem artistas e produções do audiovisual brasileiro e em 2023 conquistou o título de Melhor Atriz no Apulia Web Fest, na Itália.

Em entrevista ao Entretetizei, Priscilla falou um pouco sobre sua carreira, processos artísticos e as relações que constrói com suas personagens.

Entretetizei: Você começou a atuar muito jovem, fazendo escolinha de teatro e se apresentando em escolas pelo Rio de Janeiro. Conta um pouco sobre essa experiência.

Priscilla Reis: Eu comecei no teatro quando tinha uns 12,13 anos e fiz cursos no Tablado com a Sura Berditchevsky e na CAL com a Thelma Lopes. Meu pai tinha uma loja de produtos esotéricos em um shopping do Rio e descobriu o projeto Sonho Cultural, da Luciana Coutinho, e eu comecei a participar. No projeto, apresentamos peças infantis em escolas municipais do estado do Rio [de Janeiro]. Foi uma experiência incrível poder levar teatro e cultura para tantas crianças, incentivar o lado lúdico delas – e também o meu. Fui muito feliz! Depois de um tempo participei de uma outra companhia de teatro onde apresentamos a peça Mulan em um teatro em Copacabana. Eu já amava, mesmo que criança, passar meus finais de semana trabalhando como atriz, era muito gostoso ver a reação do público com meu personagem Chifu. Viver essas experiências desde nova foi muito incrível.

E: Você já morou em 32 países trabalhando como modelo. De alguma forma, essa vivência multicultural exerce influência na sua carreira como atriz?

PR: Com certeza! A oportunidade que tive de ver o mundo com meus próprios olhos me trouxe muitas referências de comportamentos, culturas e valores. Cada país em que morei tem suas particularidades e, principalmente, as experiências pessoais que vivi, saindo de casa tão nova e precisando amadurecer e me virar sozinha tão rápido, me deram estofo de vida. Tudo isso me ajuda muito hoje na construção das minhas personagens, na hora de ler um roteiro e entender as nuances de cada história.

E: A sua presença nas redes sociais era discreta até protagonizar Stupid Wife. Com o sucesso da série, isso mudou bastante. Como foi para você lidar com essa virada?

PR: Olha! (risos) Ainda é um aprendizado lidar com essa virada. Hoje entendi que minha rede social virou parte do meu trabalho, então, sem dúvida, seleciono muito mais tudo o que posto. Tenho um olhar mais cuidadoso e direcionado. Mas confesso que, às vezes, sinto falta de compartilhar posts mais familiares ou, quando somos anônimos, algo genérico, sabe? Sem a necessidade constante de pensar em números e engajamento (risos). Mas claro que o suporte e tudo isso que venho conquistando nas redes é muito maravilhoso e surreal, não consigo nem dimensionar.

Foto: divulgação/Juan Ribeiro

E: Suas personagens mais recentes carregam um caráter representativo muito forte. Qual é a sensação de assumir a responsabilidade de transmitir essas histórias para o público?

PR: Me sinto muito honrada por poder dar vida, como atriz, a personagens tão diferentes de mim em todos os aspectos. E, sem dúvida, esse é um dos meus maiores propósitos na profissão: interpretar personagens que tenham uma missão, que provoquem reflexões e questionem a nossa sociedade. A função da arte, seja ela qual for, pra mim, é exatamente essa.

E: A Luiza era uma personagem muito complexa e vivia dilemas muito íntimos e delicados. Como foi seu processo e preparação emocional para acessar essas emoções e abraçar essa personagem com tanta profundidade?

PR: A minha personagem Luiza veio em 2022, quando ainda sentíamos os efeitos da pandemia e, na minha vida pessoal, eu também estava passando por grandes desafios. Acho que tudo isso me ajudou a entender certas dores da Luiza. Eu adoro trabalhar com música, ela me inspira muito na criação das minhas personagens. E, sem dúvida, conforme a série foi ao ar, a troca com o público através das cartas e das DMs me ajudou demais na construção dela. Fui pegando detalhes que as pessoas dividiam comigo e acrescentando às camadas da personagem. Foi um processo muito vivo e afetivo.

E: Você participou de Todo Dia a Mesma Noite, minissérie que revisita o trágico incêndio na Boate Kiss. Qual o impacto disso na sua vida pessoal e profissional?

PR: Uau! Foi muito intenso. Primeiro, pela proximidade das vítimas com a minha idade. Me fez pensar muito em todas as vezes que fui a shows, boates… e em como estamos vulneráveis nesses espaços. Lembro que fizemos a preparação de elenco para a cena do incêndio no mesmo dia do aniversário da minha mãe. Saí daquela preparação profundamente mexida, pensando em todas as vítimas e, ao mesmo tempo, ali comemorando o “aniversário de vida” da minha mãe. Foi uma sensação muito contraditória. Ao mesmo tempo, fiquei muito feliz, enquanto atriz, por fazer parte de uma série com um propósito tão importante: justiça. Um projeto que reabre o debate sobre o caso. Percebi que muitas pessoas nem sabiam que o julgamento ainda não tinha acontecido. E, claro, foi também uma honra profissional. Tive a oportunidade de trabalhar com pessoas que admiro muito, como a diretora Julia Rezende e os atores Thelmo Fernandes, Débora Lamm, Otto Jr., Paulo Gorgulho, entre outros atores que tanto me ensinam.

E: Recentemente você assumiu o papel de Clara na nova produção da Boleia. A personagem é bem diferente de tudo que você já fez até aqui. Você encontrou algum desafio para se aproximar dela e torná-la tão autêntica?

PR: Olha, eu tô apaixonada pela Clara. Cada página que leio no roteiro ressoa como uma mensagem pessoal, é como se, em vários momentos, ela falasse diretamente comigo. Mas, sem dúvida, o maior desafio tem sido aprender Muay Thai. Eu nunca tinha feito luta antes. Venho de uma consciência corporal ligada à yoga e à dança, e é completamente diferente. Estou me redescobrindo fisicamente para dar conta dessa personagem.

Saiba um pouco mais sobre o processo de construção da personagem.

Foto: reprodução/Instagram @priscilareis_

E: E a pergunta que não quer calar: Quem vai ficar com Clara?

PR: Ahhhh… (risos) isso vocês vão descobrir no primeiro episódio da terceira temporada. Mas, na minha opinião, o coração da Clara já tem dona.

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Leia também: Entrevista | Anna Akisue fala de sua trajetória artística e reflete sobre a importância da representatividade amarela

 

Texto revisado por Gabriela Fachin

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Cultura Cultura asiática Cultura pop Especiais Música Notícias

Especial | Lara Raj redefine as referências do pop ao não apagar sua identidade

Artista queer de origem indiana, Lara mostra como não é preciso abrir mão de sua identidade para conquistar seus sonhos

O talento e o carisma que Lara Raj transborda desde que foi descoberta pelos idealizadores do reality Dream Academy (2023) tornam difícil pensar que hoje (3) ela esteja fazendo somente 20 anos. Há poucos meses, Lara celebrava seu primeiro ano desde o debut com o grupo feminino KATSEYE, com o qual já conquistou um VMA e a atenção de todo o mundo pop. 

Mas, ainda que sua confiança sequestre os nossos olhares nos palcos, é a sua profunda e autêntica humanidade fora deles que nos conquista. Para além dos figurinos icônicos, dos vídeos e das performances – que são, indiscutivelmente, maravilhosas –, é na rotina com os fãs, na expressão de sua cultura e identidade que ela se torna ainda mais inspiradora.

Dream Academy

Lara Rajagopalan nasceu em Connecticut, nos Estados Unidos, e é de uma família de imigrantes indianos de etnia tâmil. Sua mãe era professora de dança, então Lara e sua irmã mais velha, Rhea Raj, jamais conheceram um mundo do qual música e arte não fizessem parte.

Ainda adolescente, ela participou de um comercial do Girls Opportunity Alliance, uma iniciativa da Fundação Obama que fomenta o empoderamento de meninas através da educação. Antes de ser encontrada pelos produtores do Dream Academy (2023), Lara também já tinha conquistado um certo destaque nas redes sociais com vídeos compondo músicas e fazendo covers.

O reality, que começou como um projeto de trainees tradicional, reuniu meninas de diferentes lugares no mundo para formar um grupo global com a mesma estrutura consolidada pela indústria de K-pop. Após dois anos de treinamento, contudo, o programa se tornou um reality de sobrevivência em que 20 meninas deviam competir pelas seis vagas no grupo que hoje é conhecido como KATSEYE.

Lara é introduzida no final do terceiro episódio do documentário Pop Star Academy: KATSEYE (2024), que explora os bastidores do Dream Academy (2023). Sua chegada no programa se dá de forma bastante dramática e no momento em que os produtores buscavam mais vocalistas entre as competidoras. “Lara tem uma confiança que pode ser muito desconcertante,” explicou uma das diretoras do projeto. “Nós precisávamos disso”.

A escolha se provou muito certa, porque, do início ao fim da competição, Lara se destacou no voto popular e foi uma das favoritas até finalmente ser escolhida para compor o grupo.

Foto: reprodução/The Nod
Identidade

Do colar com o símbolo Om, que no hinduísmo representa o som primordial da criação do universo, ao bindi, um ponto colocado no lugar do chakra Ajna (terceiro olho) como símbolo da conexão espiritual da prática hinduísta, Lara Raj sempre carrega sua história e cultura consigo.

No documentário, Lara comenta que seus pais sempre tiveram orgulho de sua cultura e que incentivaram ela e sua irmã a abraçarem a origem sul-asiática, e é esse mesmo orgulho que ela tenta incentivar, normalizando símbolos e visuais que por muito tempo foram vistos com estigma.

Foto: reprodução/Vogue India

Em uma entrevista para a Teen Vogue, Lara compartilhou o desejo de ajudar a integrar sua cultura como declarações de moda e ajudar outras meninas como ela a se expressarem com orgulho de onde vieram: “Não é algo que elas devam ser zoadas por usar. Eu sempre fui ridicularizada e quero mudar isso”.

Sua firmeza em manter sua cultura evidente é inspiradora para qualquer pessoa não-branca. Quando pensamos no mundo da música pop, vemos muitos artistas racializados que foram forçados a apagar ou eufemizar sua identidade para caber nos espaços que meios de comunicação e indústrias cediam a eles. Antes, a condição para existir no entretenimento sendo uma pessoa não-branca era abrir mão de si próprio para se aproximar de um padrão europeu cristão.

O cantor Zayn, inglês de pais paquistaneses, já falou em entrevistas como sua identidade sul-asiática era enxergada como um empecilho que os produtores teriam que superar. Além disso, a escolha inicial de atribuir a um homem muçulmano uma persona misteriosa e reservada, somado ao fato de ele não poder comentar sua cultura com profundidade, apenas reforçou estereótipos e preconceitos islamofóbicos e racistas durante seu tempo no One Direction.

Em um mundo que sempre reservou a pessoas não-brancas um lugar de deferência permeado pelo encolhimento e sempre secundário, Lara domina os espaços que frequenta sem nunca diminuir quem é e inspira outras pessoas racializadas a enxergarem sua cultura como motivo de orgulho, nunca de vergonha.

Foto: reprodução/The Daily Guardian

Sua honestidade com a própria identidade também foi o que levou Lara a se assumir uma mulher queer no começo do ano. Conversando com seus fãs no aplicativo Weverse, Lara disse que percebeu sentir atração por qualquer gênero quando ainda era criança.

“Eu achei importante compartilhar essa parte de mim”, explicou a artista em uma entrevista. “Acho que não há representação suficiente, especialmente no espaço em que estamos, especialmente sendo indiana. Tudo isso junto me fez sentir que realmente precisava compartilhar em algum momento. Ser queer e gostar de mulheres sempre foi uma parte muito importante da minha identidade, algo de que sempre me orgulhei e tive certeza durante toda a minha vida.”

Lara ainda comentou que, no KATSEYE, “tudo o que queremos é ajudar vocês e inspirá-los a serem vocês mesmos”.

É interessante pensar como, crescendo nos Estados Unidos, Lara tinha poucas referências de meninas sul-asiáticas ocupando os lugares que, desde pequena, ela sonhava em conquistar. Hoje, completando seus 20 anos, ela equilibra a responsabilidade de representar sua comunidade e a expressão de sua própria individualidade, redefinindo os padrões e o que costumávamos tomar como referência na música pop. 

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz 

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Cultura pop Música Notícias

Filme sobre a Superturnê, show de Jão, chega ao YouTube

Superturnê – A Primeira e a Última Noite, estreia exclusivamente na plataforma no aniversário do cantor

Em novembro, o cantor Jão comemora o seu trigésimo primeiro aniversário, mas quem ganha o presente somos nós! Enquanto o artista segue em pausa na carreira, o YouTube se une à Universal Music Brasil para presentear os fãs do ídolo pop com o lançamento do filme-concerto Superturnê – A Primeira e a Última Noite

O longa, apresentado originalmente em março nos cinemas brasileiros, chegará à plataforma com uma faixa inédita que não integrava a versão exibida nas telonas. Gravado no Allianz Parque, em São Paulo, o material traz os registros dos três shows esgotados realizados por Jão que levaram mais de 140 mil pessoas ao estádio , além de revelar os bastidores da realização dessa megaprodução, marco na carreira do cantor. 

Trailer do lançamento da Superturnê nos cinemas

Além disso, o registro audiovisual apresenta momentos da estreia, do encerramento, das emocionantes trocas entre o artista e o público, com entrevistas e cenas que revelam a intensidade desse capítulo da música pop nacional.

Superturnê – A Primeira e a Última Noite, é uma produção U.F.O, com direção de Jão e Malu Alves, e estará disponível no YouTube no dia três de novembro, às 20h. 

 

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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