Categorias
Notícias Resenhas Séries

Crítica | Talvez Too Much, nova série de Lena Dunham, seja, de fato, demais

Com atuações e trilha sonora de destaque, a produção entrega uma história de amor contemporânea, mas peca em alguns pontos

Too Much, a nova aposta de comédia romântica da Netflix, estreou em julho deste ano e rapidamente alcançou o Top 10 Global da plataforma, mas logo dividiu opiniões. Enquanto críticos elogiaram a abordagem sensível da série, o público parece não ter sido totalmente cativado.

Na trama, Jessica (Megan Stalter) é uma produtora nova-iorquina que vive uma das fases mais turbulentas da sua vida. Após o término de um relacionamento de seis anos, ela volta a morar com sua família e fica obcecada em acompanhar, pelas redes sociais, a vida de Wendy Jones (Emily Ratajkowski) — uma influenciadora digital que é a nova namorada de Zev (Michael Zegen), seu ex. 

Tudo muda quando uma oportunidade de emprego a leva para Londres, do outro lado do mundo. Lá, ela se apaixona por Felix (Will Sharpe), um artista britânico excêntrico e eles precisam navegar os choques culturais e a bagagem emocional que ambos trazem ao relacionamento.

Jessica e Zev em Too Much (2025)
Foto: reprodução/Netflix

A minissérie de dez episódios é mais uma criação de Lena Dunham, a mente por trás de Girls (2012). Como nos trabalhos anteriores da autora, sua intenção é clara: contar histórias realistas que refletem as vivências de uma geração. Entretanto, Too Much é mais pessoal, com um caráter semi-autobiográfico, ainda que não totalmente fiel aos fatos, o que é exatamente um dos triunfos da produção.

Assim como sua protagonista, Lena viveu um relacionamento de longa data com o produtor musical Jack Antonoff, conhecido por colaborar com artistas pop como Taylor Swift, Lorde e Sabrina Carpenter. Dois meses após o término, Jack engatou um namoro com a modelo Carlotta Kohl. Apesar de ambos afirmarem que continuam amigos, ela confessou, em entrevista ao The Cut, em 2018, ter dificuldade para lidar com o novo relacionamento de Antonoff. “Eu achei que eu estava meio que provando que as garotas estranhas poderiam ser amadas também. Mas agora ele está namorando alguém comum, que parece como as garotas devem parecer”.

Na série, Jessica é assombrada pelas memórias de seu relacionamento com Zev, que criticava seu gosto musical, seu senso de humor e seu corpo. É quase impossível assistir e não reparar nas similaridades físicas e de comportamento com o produtor musical. No entanto, Lena confirmou para a Vanity Fair que o personagem não é baseado em apenas uma pessoa. “Aquele ex-namorado é praticamente uma mistura de todos os ex que eu tive, ou que uma amiga teve”, disse a autora.

Já Felix parece ter sido inspirado pelo marido de Dunham, Luis Felber, que também assina a criação da história. O par se conheceu em 2021, quando a atriz esteve na Inglaterra para um compromisso de trabalho. Assim como o personagem de Will Sharpe, Felber também é um músico indie britânico. 

Megan Stalter e Lena Dunham em Too Much (2025)
Foto: reprodução/Netflix

A trilha sonora é um dos destaques, com músicas que casam perfeitamente com as escolhas narrativas da série e contribuem para a atmosfera das cenas. Outro pilar é, sem dúvidas, o elenco. A produção conta com nomes de peso como Rhea Perlman (Matilda, 1996), Naomi Watts (Cidade dos Sonhos, 2001) e a própria criadora da série, que interpreta a irmã da protagonista. Ainda há participações especiais de Jessica Alba (Quarteto Fantástico, 2005), Kit Harington (Game of Thrones, 2011), Andrew Scott (Fleabag, 2016) e Rita Ora.

A química entre Megan Stalter (Medíocres, 2021) e Will Sharpe (The White Lotus, 2021) é inegável. Os protagonistas são complexos, bem construídos e cheios de camadas. Embora grande parte da história gire em torno da relação dos dois, eles ainda possuem narrativas individuais que ajudam a humanizar os personagens.

Megan Stalter e Will Sharpe como Jessica e Felix em Too Much (2025)
Foto: reprodução/Netflix

Desde o início de Too Much, fica claro que o relacionamento que vamos acompanhar está longe de ser perfeito. Tanto Felix quanto Jessica demonstram sinais de alerta de que talvez aquele não seja o momento ideal para ficarem juntos: ela ainda não superou o término conturbado com o ex-namorado, que agora está noivo, e ele tem o hábito de viver romances que não duram mais do que alguns meses. 

A cada episódio, a relação entre os dois vai ficando mais séria, mas os espectadores ainda não têm todas as respostas — não sabemos em quais circunstâncias a vida de Jessica descarrilou em Nova York. O ponto de catarse da série é, com certeza, o quinto episódio, Pink Valentine, em que, por meio de uma série de flashbacks, entendemos como o relacionamento da produtora com Zev se desenrolou. 

Esse deveria ser um ponto de virada da história, mas não é isso que acontece. A relação entre os dois continua sendo colocada a prova, com uma sucessão de situações absurdas que se arrastam até o último minuto, na tentativa de criar um efeito cômico. Tudo isso atinge o limite no episódio final, que parece correr para encerrar a história sem nenhuma ponta solta.  

Talvez Too Much não entregue o desfecho que o público espera, deixando uma sensação agridoce ou até mesmo de frustração. Mas  esse pode ser justamente o ponto de Lena Dunham: nem tudo na vida tem um final redondinho e perfeito.

 

Gostou da série? Conta pra gente nas redes sociais do Entretê — Facebook, Instagram e X — e nos siga para não perder nenhuma novidade!

Leia também: Crítica | Final de Round 6: memorável ou esquecível?

 

Texto revisado por Kaylanne Faustino

plugins premium WordPress

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Acesse nossa política de privacidade atualizada e nossos termos de uso e qualquer dúvida fique à vontade para nos perguntar!