Produzida por Renato Côrtes, Flor do Deserto é uma canção sobre saudade e afetos, e um presente de Luz à sua companheira
A artista gaúcha Luz Dorneles lança neste Dia dos Namorados (12) seu novo single, Flor do Deserto. Disponível em todas as plataformas digitais, a faixa inaugura uma nova fase na trajetória musical da artista, aproximando-se da música popular brasileira contemporânea a partir de uma sonoridade mais íntima e cinematográfica.
A composição, letra, harmonia, voz e violão de Flor do Deserto são assinadas por Luz Dorneles. A música conta ainda com participação de Henrique Eskova no baixo, Igor Amatuzzi no saxofone e do produtor Renato Côrtes nas guitarras e beats.
Foto: divulgação/Luz Dorneles
Segundo Luz, a faixa representa também uma mudança sonora de seus últimos lançamentos, seguindo referências pessoais da cantora como os Gilsons, Liniker, Luedji Luna e Letícia Fialho.
A inspiração para a canção se deu durante uma viagem da companheira da artista, que foi ao deserto de Socotra, um arquipélago localizado no Iêmen, e enviou à Luz uma fotografia da chamada “flor do deserto”. O impacto simbólico da imagem foi o que deu origem à composição.
Foto: divulgação/Luz Dorneles
“Pouca gente conhece o deserto de Socotra. Quando a Gabi, minha companheira,estava por lá, ela me enviou uma fotografia da flor do deserto. Imediatamente, me emocionei. Percebi que meu amor é mesmo uma flor, que embeleza e encanta inclusive meus dias mais áridos. Essa é definitivamente uma canção pra ela. É meupresente de dia das namoradas”, comenta Luz sobre sua nova música.
Ouça Flor do Deserto:
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Série que retorna em 2026 ganha reforços de peso em nova leva. Primeira temporada chega à TV Globo em julho
Debora Bloch e Taís Araújo voltarão a contracenar juntas após protagonizarem uma das rivalidades mais comentadas do remake de Vale Tudo (2025). As atrizes estão entre os reforços confirmados para a segunda temporada de Pablo e Luisão, série criada por Paulo Vieira para o Globoplay. As informações são da Coluna Play, do jornal O Globo. Por enquanto, não há mais detalhes a respeito dos personagens que cada uma das atrizes interpretarão na nova leva.
Foto: divulgação/Manoella Mello/Globoplay
A produção está preparando novas histórias e participações especiais que prometem ampliar o universo da dupla vivida por Otávio Muller e Ailton Graça. Além de Debora e Taís, o elenco de reforços conta com Welder Rodrigues, Walderez de Barros e Pedro Wagner, chamado para interpretar um caminhoneiro. Já Paulo Américo aparecerá como um amigo dos protagonistas. No elenco fixo, seguem Dira Paes, João Pedro Martins e Yves Miguel.
Uma das tramas já confirmadas para a segunda temporada envolve a saga da mudança de Luisão para a Amazônia, prometendo levar a dupla a situações ainda mais improváveis e divertidas.
Foto: divulgação/Manoella Mello/Globoplay
Enquanto os novos episódios não chegam, a primeira temporada já tem exibição prevista na TV Globo a partir de 7 de julho. Gravada em 2024 e narrada pelo próprio Paulo Vieira, que interpreta ele mesmo enquanto conduz as histórias dos personagens, a comédia acompanha as aventuras de dois amigos, cujos nomes dão título à série, em situações inusitadas e cheias de humor. A produção aborda temas como família, amizade, valores e esperança de forma leve e bem-humorada, e contou na primeira temporada com participações de nomes como Miguel Falabella, Marcelo Adnet, Lima Duarte e Rafael Vitti.
O sucesso foi imediato e retumbante. Desde sua estreia, em 22 de maio de 2025, a série se tornou a produção original mais vista do Globoplay, superando clássicos como Tapas e Beijos e A Grande Família. No fim de semana de 7 e 8 de junho do mesmo ano, chegou a liderar a audiência da plataforma, superando até Vale Tudo, principal aposta do Grupo Globo nas comemorações dos 60 anos da emissora. Foi justamente esse desempenho fora do comum que abriu caminho para a renovação.
A segunda temporada chegará ao Globoplay ainda em 2026, mas a plataforma ainda não divulgou a data exata de estreia dos novos episódios.
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Fugindo dos clichês dramáticos do cinema LGBTQIA+, longa-metragem belga foca na autodescoberta e aceitação
[Contém spoiler]
O cinema é repleto de clichês sobre as dores e as delícias do primeiro amor. No entanto, o público ainda está acostumado a ver narrativas deste tipo ocupadas majoritariamente por casais heterossexuais. Sem a pretensão de ser genial ou revolucionário, o longa Young Hearts (2025) entrega uma história de romance adolescente queer que merece e precisa ser contada.
Foto: reprodução/Prime Video
Ambientado no interior da Bélgica, o filme acompanha Elias (Lou Goossens), um jovem de 14 anos que leva uma vida pacata ao lado da família e dos amigos de escola. Tudo muda com a chegada de seu novo vizinho, Alexander (Marius De Saeger), um menino vindo da capital que, desde o início, demonstra estar bem confortável com a sua própria sexualidade. À medida que eles passam as tardes juntos, se desenrola uma jornada de autodescoberta que é retratada com muita sensibilidade.
Um filme de conforto
Foto: reprodução/Polar Bear
Dirigido pelo estreante Anthony Schatteman, o roteiro se destaca justamente por não apelar para tragédias ou dramatizar exageradamente o sofrimento na descoberta da sexualidade – um tema muito comum nos dramas LGBTQIA+. Em vez de focar a homofobia agressiva por parte da comunidade ao seu entorno, a produção prefere explorar os conflitos internos de Elias, que se vê pressionado pela heteronormatividade de uma cidade pequena.
Embora o personagem enfrente um estranhamento inicial por parte dos colegas de escola, o que o faz se afastar de Alexander por um tempo, as pessoas ao seu redor não reagem mal à ideia deles ficarem juntos, tratando com naturalidade o sentimento de se apaixonar pela primeira vez.
Laços familiares
Foto: reprodução/Polar Bear
Young Hearts também explora com maturidade questões familiares, como a relação distante entre o protagonista e seu pai, um cantor que se tornou uma celebridade local e parece focado demais em sua carreira. No entanto, o grande ponto de virada emocional do filme se dá a partir do laço entre Elias e seu avô. É ele quem acolhe o neto, compartilha sua sabedoria e dá o empurrãozinho final para que Elias se aceite e crie coragem para se declarar para Alexander.
Sutileza em cena
Foto: reprodução/Polar Bear
Um dos pontos altos do filme está na atuação do elenco principal. Com performances comoventes, Lou Goossens e Marius De Saeger conseguem transmitir as angústias da adolescência de forma sutil. Graças a química dos atores, o relacionamento entre os personagens é construído de forma orgânica e doce.
Mesmo com um desfecho muito acelerado, Young Hearts entrega uma mensagem otimista e necessária sobre aceitação familiar e identidade. É uma escolha certeira para quem busca um filme de conforto com uma história sensível e acolhedora.
A produção já está disponível através do catálogo do Filmelier+, que também pode ser acessado como um canal adicional em diversas plataformas de streaming.
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Produção é estrelada por Arianne Botelho, Micael Borges e Carla Dias e promete impressionar
Próximo drama vertical do Globoplay, Então é Amor? tem estreia prevista para 16 de junho e acompanhará a história de Rosa (Arianne Botelho) e Vicente (Micael Borges), dois amigos de infância de realidades muito diferentes que crescem com a certeza de que foram feitos um para o outro. O elenco da trama ainda conta com Cristiana Oliveira, Carla Diaz, Deo Garcez e Wagner Santisteban.
Antes mesmo da estreia, a produção já passou por uma mudança significativa: o título original Minha Amada Empregada, Patrão do Meu Coração foi substituído por Então é Amor? numa tentativa de fugir do padrão genérico que costuma marcar produções do formato. A plataforma buscou se distanciar de nomes considerados repetitivos dentro do universo dos microdramas voltados ao consumo em dispositivos móveis.
A história da trama
Foto: Divulgação/Ricardo Bufolin/Globoplay
Filha da funcionária dos Valmori, Rosa cresceu na casa da família e se tornou melhor amiga de Vicente. A amizade entre os dois resistiu às diferenças sociais que marcavam suas trajetórias, mas foi interrompida quando ele se mudou para Londres para estudar. A distância fez com que perdessem o contato ao longo dos anos, enquanto seguiam caminhos completamente diferentes.
Já adulta, Rosa continuou ligada aos Valmori. Apesar do sonho de se tornar paisagista, ela deixou seus projetos em segundo plano para assumir o trabalho da mãe na residência, em retribuição à família. Enquanto isso, do outro lado do oceano, Vicente construiu uma nova vida, sem nunca se esquecer da amiga que marcou sua infância.
Ao decidir voltar ao Brasil, ele se vê novamente frente a frente com Rosa, reacendendo a paixão e a conexão adormecida por tantos anos de distância. O reencontro, porém, acontece em meio a diversos obstáculos, incluindo a presença de Liz (Carla Diaz), noiva de Vicente, que chega determinada a proteger seu relacionamento e afastar Rosa, fazendo de tudo para prejudicá-la. O papel de Liz exigiu o uso de cadeira de rodas nas cenas, característica totalmente inédita na trajetória profissional de Carla Diaz. Para incorporar a antagonista, Carla também mudou o visual e retornou ao cabelo loiro especialmente para viver a vilã. Criada por Gustavo Reiz, com direção de Marcelo Zambelli e produção da Formata, Então é Amor? aposta em uma história repleta de romance, reencontros e sentimentos que resistem ao tempo.
Desafios e reencontros
Foto: Divulgação/Ricardo Bufolin/Globoplay
Em coletiva de imprensa realizada na última quinta (11), Carla Diaz celebrou sua primeira vilã em novelas e a sua estreia em produções verticais. “É a primeira vilã de novela, acho que mais tradicional, porque até então eu tinha feito personagens que eram vilãs, só que em outros segmentos, baseados em casos reais. Interpretar uma vilã é muito prazeroso. Ela tem a liberdade que a mocinha não tem, tem camadas, ela tem contradições, ela fala o que pensa e tem aquele humor ácido, então, como atriz isso é um grande presente. O público pode odiar a personagem, mas pode amar vê-la em cena“, disse ela. A atriz também definiu a personagem com entusiasmo: “A Liz é intensa, cheia de camadas e muito diferente de tudo o que já fiz“.
Foto: Divulgação/Ricardo Bufolin/Globoplay
A novela ainda marca o reencontro de Carla Diaz com Cristiana Oliveira. As duas já trabalharam juntas em produções como O Clone (2001) e A Terra Prometida (2016) e agora voltam a dividir cenas na nova aposta do Globoplay. Estreante em dramas verticais, Cristiana interpreta Marta, mãe do protagonista, Vicente, na trama. A atriz comentou sobre o desafio de atuar no novo formato: “Eu sou muito expressiva e tive que me conter muito na emoção O Zambelli (Diretor) ficava ‘Cristiana, menos’. É um prazer ter essa possibilidade em um mundo de multitelas. Nós, veteranos, podemos nos atualizar trabalhando em projetos assim“. Ela também refletiu sobre alcançar novas gerações: “Eu sou muito conhecida pela geração 40+, os 40 menos às vezes não sabem quem eu sou. Quer dizer, sabem por outros motivos ou pela internet, mas, em termos de teledramaturgia, não. Então, falar com a geração Z, fazer esse formato novo, foi uma experiência e tanto“.
Os protagonistas
Foto: Divulgação/Ricardo Bufolin/Globoplay
Micael Borges, também estreante no formato, contou o que chamou sua atenção no personagem Vicente: “Eu amei fazer o Vicente porque é um cara leve. Ele tem suas questões internas, tem as suas questões com a família, principalmente com o pai. Ele volta para resolver uma questão e acaba tendo que resolver outras“. O ator ainda destacou os principais desafios da novela vertical: “Fazer esse novo formato foi um grande desafio, não só pra mim, mas pra todo mundo, acho que tanto os atores como a equipe. A gente tá se adaptando a esse novo comportamento de consumo de conteúdo. Na novela vertical, a gente tem que conseguir expor e trazer toda a intenção do personagem em um tempo mais curto“.
Foto: Divulgação/Ricardo Bufolin/Globoplay
A protagonista, Arianne Botelho, compartilhou da mesma dificuldade: “Eu tive muita dificuldade de me conter. Às vezes eu queria abrir mais e não ficaria bem no vertical. Mas fiquei muito presa no roteiro da novela, e até falei com o texto. Essa novela tem muitas surpresas, vai surpreender muito o público“.
Complexidade da trama: Melodrama clássico em velocidade moderna
Foto: Reprodução/ Isabella Pinheiro/ Gshow
Os atores também destacaram a profundidade da trama, que promete não ficar na superfície e abordar personagens bastante complexos mesmo em um formato compacto: “Apesar de ter essa rapidez de microdrama, nossos personagens não são superficiais. Apesar de rápidas, as reações são todas verdadeiras. É uma forma nova de encontrar os personagens, mas carregada de muita verdade“, afirmou Micael Borges.
Para o autor Gustavo Reiz, Então é amor? é a obra que mais explorou sua capacidade artística e a essência do melodrama raiz: “Os personagens tem mais camadas e os conflitos são aprofundados em uma estrutura mais compacta“, revelou, ressaltando a aposta em mais densidade, camadas e complexidade capazes de capturar o interesse tanto do público moderno quanto dos mais defensores da teledramaturgia clássica, em resgate aos enredos de Janete Clair e do verdadeiro folhetim.
Foto: Divulgação/Ricardo Bufolin/GloboplayAlém de Liz, a trama apresenta outro vilão: Frederico (Wagner Santisteban), homem de confiança do grande empresário Marco Antônio (Deo Garcez), que fará de tudo para ganhar a aprovação do chefe e não esconde a inveja que sente do herdeiro Vicente. Segundo o ator, condensar todo um melodrama em um formato rápido sem perder a densidade é o grande desafio para ele:“Tudo tem sentido, nada ali está de bobeira. Todas as cenas são épicas. Então é um desafio pra todo mundo condensar isso sem ficar artificial, fake“.
Para o diretor Marcelo Zambelli, a narrativa já nasce estruturada para o novo formato mais rápido, e a maior dificuldade foi acertar as emoções: “Condensar uma história com todos os ingredientes de um folhetim em 50 capítulos de um minuto e meio a dois minutos é um desafio. Mas o próprio texto já vem estruturado para esse formato, e a edição também ajuda a dar mais dinâmica. A maior dificuldade não foi ajustar o folhetim ao novo formato, mas acertar as emoções dentro desse projeto. Você precisa ser muito assertivo, porque não há espaço para barriga nem para tramas paralelas“, afirma.
Então é Amor? é uma novela original Globoplay, com 51 capítulos de até dois minutos, e sua estreia está marcada para 16 de junho.
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Eles não eram os protagonistas, mas conquistaram o público com química, emoção e romances inesquecíveis
Nem só de protagonistas se faz uma dizi de sucesso. Em muitas produções turcas, os casais secundários acabam se tornando tão ou até mais queridos que os romances principais, conquistando fãs com histórias leves, trágicas ou cheias de química inesperada.
No clima do Dia dos Namorados, o Entretê relembra alguns casais secundários de dizis que marcaram suas tramas e seguem sendo lembrados até hoje.
Cemal e Demet (Arafta)
Foto: reprodução/Kanal 7
Em Arafta (tradução livre: Entre Mundos, 2025), Cemal e Demet formam um dos casais secundários mais comentados da trama e conquistaram rapidamente o público com a química intensa entre os personagens.
Na série, Cemal (Çağrı Baylan) é irmão de Ateş, enquanto Demet (Ilay Karataş) é a irmã de Nezir, o maior inimigo da família Karahan. O romance entre famílias rivais já nasce proibido, e a grande química entre eles se tornou um destaque da dizi.
Cemal Ahlatlı é interpretado por Çağrı Baylan,ator e modelo turco vencedor do Top Model of Turkey em 2023. Aos 21 anos, ele fez sua estreia na televisão justamente na série. Já Demet Keseroğlu é vivida pela atriz İlay Karataş, que vem ganhando destaque como um dos nomes em ascensão da nova geração.
Iso e Fadime (Taşacak Bu Deniz)
Foto: reprodução/Dizilah
Não tem como conhecer Taşacak Bu Deniz (tradução livre: Este Mar Vai Transbordar, 2025) sem ouvir falar de IsFad. O casal, que tem dominado os comentários sobre a série e ganhado cada vez mais espaço na narrativa, nasceu de um encontro inesperado de dois atores que não integram o elenco principal, mas ganharam alta notoriedade.
Interpretados por Erdem Şanlı e Zeynep Atılgan, Iso e Fadime vivem a trope favorita de qualquer um que ama grandes histórias de romance: de inimigos mortais a amantes, eles têm um casamento de fachada e ainda lidam, constantemente, com o clichê de só ter uma cama. É a fórmula secreta para o sucesso.
O que realmente destaca os dois, porém, é a química gigante entre os atores, que ganharam também fama por trás das telas. O casal foi chamado para estrelar diversas campanhas publicitárias, além de comparecer a eventos representando a dizi mais assistida da temporada.
Tahir e Feride (Sevdiğim Sensin)
Foto: reprodução/Star TV
A primeira temporada de Sevdiğim Sensin (tradução livre: Você é Quem Eu Amo, 2026) foi um sucesso. Além do casal principal conquistar o coração dos fãs, outra dupla se destacou pela dinâmica inesperada e química forte.
A relação que começou por circunstâncias e obrigações avançou para um vínculo profundo e cheio de emoção. Tahir Aldur (Cihat Süvarioğlu) vive marcado por segredos do passado, crises de epilepsia e pela busca incessante para descobrir a verdade sobre a sua origem e a identidade de seu pai.
Já Feride (Rojbin Erden) é urbana, instruída e determinada. A personagem carrega sensibilidade e se torna um ponto de equilíbrio na vida turbulenta de Tahir. A química entre os dois foi crescendo em momentos de vulnerabilidade que fortaleceram os sentimentos do casal.
Sinan e Yasemin (Amor de Aluguel)
Foto: reprodução/Gominho é Sobrenome!
Em Amor de Aluguel (Kiralık Aşk, 2015), Sinan é o melhor amigo de Ömer e um dos personagens que traz leveza e momentos de comédia para a trama. Desde o início da série, ele se envolve emocionalmente com Yasemin, formando um dos casais secundários mais comentados pelos fãs.
A dinâmica dos dois chama atenção pelos contrastes: enquanto Sinan é carismático, divertido e responsável por momentos de alívio cômico, ele também surpreende com conselhos maduros e inesperadamente sensatos em momentos importantes da história. Yasemin, por sua vez, complementa essa relação com uma personalidade mais intensa e emocional, criando uma interação que divide opiniões entre os telespectadores da dizi.
Engin e Piril (Será Isso Amor?)
Foto: reprodução/Dizilah
Em Será Isso Amor? (Sen Çal Kapımı, 2023),Engin, interpretado por Çağrı Çıtanak, é o melhor amigo de Serkan e um dos personagens mais carismáticos da história. Piril, vivida por Başak Gümülcinelioğlu, é uma arquiteta talentosa e amiga próxima da equipe.
A relação dos dois evolui ao longo da trama de forma natural, passando de amizade para um relacionamento sólido que culmina em casamento e na formação de uma família com filhos. Essa construção gradual conquista o público e reforça a sintonia entre o casal.
A dupla se destaca pelo equilíbrio entre leveza, humor e momentos emocionais, sendo uma das mais queridas da produção.
Ozan Dinçer e Deniz Koparan (Sr. Errado)
Foto: reprodução/Fox
Um amor de infância que se torna uma grande história de paixão. Quando se reencontram, Ozan Dinçer e Deniz Koparan vivem um dos relacionamentos mais queridos de Sr. Errado (Bay Yanlış, 2020).
Ozan Dinçer, interpretado por Serkay Tütüncü, é um chef de cozinha talentoso e de bom coração, mas que nunca encontrou a mulher certa. Deniz Koparan, vivida pela atriz Cemre Gümeli, é advogada, muito inteligente, bem-sucedida, mas extremamente focada na carreira e fechada para o amor.
Quando o homem romântico e a mulher fria se encontram, nasce uma história de amor capaz de descongelar o coração de Deniz. Ambos se aproximam por meio da convivência do casal principal, e o relacionamento deles evolui de forma leve, cômica e apaixonante.
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Filme dirigido por Daniel Lieff adapta o best-seller de Vitor Martins em uma narrativa sensível sobre amor, autoestima e coragem para ser quem se é
[Contém spoiler]
Adaptado do romance homônimo de Vitor Martins, Quinze Dias acompanha Felipe (Miguel Lallo), um adolescente gordo que vê nas férias escolares uma oportunidade de escapar do bullying e passar alguns dias em paz com seus livros, filmes e séries. Seus planos, porém, mudam completamente quando Caio (Diego Lira) vai passar 15 dias hospedado em sua casa. O que começa como um pesadelo logo se transforma em uma jornada de autodescoberta, amizade e amor.
Em um momento no qual tantas narrativas LGBTQIAPN+ ainda são construídas a partir da dor, da rejeição ou da tragédia, Quinze Dias escolhe um caminho diferente. O filme não ignora a gordofobia, a homofobia ou as inseguranças que acompanham seus protagonistas, mas se recusa a fazer delas o destino final da história. Há algo profundamente bonito em assistir a personagens queer simplesmente vivendo, descobrindo quem são e se permitindo ser felizes.
Foto: reprodução/Papo de Cinema
Grande parte desse encanto está na forma como Daniel Lieff traduz o universo interno de Felipe para a tela. A narrativa frequentemente mergulha em sua imaginação, utilizando referências cinematográficas e momentos lúdicos que transformam seus pensamentos em parte da linguagem visual do filme. Essas escolhas não existem apenas para embelezar a narrativa, elas ajudam o público a compreender quem Felipe é quando ninguém está olhando. Através das fantasias românticas, devaneios e referências à cultura pop, o filme constrói um retrato afetuoso de um adolescente que encontra na ficção um refúgio para suportar uma realidade muitas vezes cruel.
E a realidade realmente foi cruel com Felipe. O roteiro acerta ao mostrar que as feridas deixadas pelo bullying permanecem mesmo quando os agressores não estão por perto. As constantes piadas autodepreciativas feitas pelo protagonista revelam alguém que internalizou muitos dos insultos que ouviu durante anos. Felipe não apenas acredita que os outros o enxergam de forma negativa, ele próprio passou a repetir essas ideias para si mesmo, ainda que faça terapia com a personagem de Olivia Araujo.
Foto: reprodução/AdoroCinema
É justamente por isso que a relação com Caio funciona tão bem. O romance é construído com delicadeza, humor e uma sensação constante de descoberta. Não se trata apenas de dois garotos se apaixonando, mas de dois jovens aprendendo a enxergar a si mesmos de outra maneira. Aos poucos, Felipe começa a perceber que pode ser mais do que as palavras cruéis que ouviu durante toda a vida. Ao ser visto com carinho por alguém que admira, ele passa a questionar a imagem negativa que construiu de si mesmo.
Já Caio vive uma jornada diferente, mas igualmente emocionante. Enquanto Felipe busca acreditar no próprio valor, Caio precisa encontrar coragem para existir plenamente. O personagem carrega o peso de permanecer escondido dentro do armário, reprimindo partes importantes de quem é por medo da rejeição dos pais, interpretados por Mariana Santos e Silvio Guindane. Conforme sua relação com Felipe se fortalece, ele começa a compreender que alguns sentimentos são bonitos demais para serem escondidos. O amor deixa de ser algo a ser temido e se transforma em motivo para enfrentar seus próprios receios.
Miguel Lallo e Diego Lira sustentam essa trajetória com uma química extremamente natural. Os dois convencem tanto nos momentos de romance quanto nas cenas mais leves e engraçadas, criando uma dinâmica divertida, carismática e genuinamente encantadora. O filme entende que o amor adolescente é feito de olhares demorados, constrangimentos, piadas bobas e descobertas inesperadas, e seus protagonistas conseguem transmitir tudo isso com enorme autenticidade.
Foto: reprodução/Omelete
Outro aspecto interessante do roteiro é a maneira como ele brinca com as aparências. Durante boa parte da história, Felipe acredita conhecer exatamente quem Caio é. Popular, leitor de fantasia, jogador de futebol, fã de videogames e aparentemente seguro de si, ele parece se encaixar perfeitamente no estereótipo do garoto hétero inalcançável.
No entanto, conforme a convivência avança, novas camadas começam a surgir. Caio ouve Lady Gaga, demonstra interesse por moda, mantém uma amizade com suas amigas lésbicas Beca (Mika Soeiro) e Melissa (Bel Moreira), e exibe pequenas características que desafiam a imagem que Felipe havia construído dele. Quando a revelação finalmente acontece, ela funciona como um importante ponto de virada para a narrativa e para o próprio Felipe, que percebe o quanto havia reduzido Caio a uma série de suposições.
O filme lembra que pessoas raramente cabem nos rótulos que criamos para elas. E, de forma bastante simbólica, Felipe – que passou a vida sendo julgado pela própria aparência – acaba percebendo que também estava enxergando Caio através de estereótipos.
Foto: reprodução/AdoroCinema
A excelente trilha sonora entende exatamente quem são seus personagens. Nomes como Jão, Duda Beat, Marina Sena, ANAVITÓRIA e Billie Eilish estão presentes, fazendo com que a trilha sonora acompanhe cada etapa da aproximação entre Felipe e Caio com uma naturalidade impressionante. Ao mesmo tempo, a presença de artistas como Pabllo Vittar, Liniker e Johnny Hooker e Romero Ferro e Reddy ajuda a construir um universo cultural reconhecível para muitos espectadores LGBTQIAPN+, o que fortalece a sensação de pertencimento que permeia toda a narrativa. Não são músicas escolhidas apenas para preencher silêncios: elas dialogam com os sentimentos dos personagens e ajudam a transformar momentos já emocionantes em cenas memoráveis.
A marcação dos dias é um dos recursos mais criativos do longa. Surgindo nos lugares mais inesperados, a contagem do tempo se integra ao tom leve e imaginativo da narrativa sem jamais parecer artificial. Mais do que situar o espectador, ela reforça uma ideia que atravessa toda a história: não é o tempo que determina a importância de uma relação, mas a intensidade com que ela é vivida. Afinal, para algumas mudanças, 15 dias bastam.
Foto: reprodução/Omelete
Se existe uma ressalva, ela está no desenvolvimento do núcleo familiar de Caio. A presença da homofobia através da figura de sua mãe e a indiferença do pai estabelece um conflito importante para a narrativa, mas acaba recebendo menos aprofundamento do que merecia. A resolução relativamente rápida dessa questão transmite a sensação de que faltaram algumas camadas para explorar um tema tão complexo.
Se o núcleo familiar de Caio deixa a sensação de que poderia ter sido mais explorado, o mesmo não pode ser dito da relação entre Felipe e sua mãe. Débora Falabella entrega uma Rita carismática, divertida e extremamente afetuosa, construindo uma personagem que foge dos modelos tradicionais de maternidade sem perder o acolhimento característico da figura materna. Mãe solo, artista e cheia de personalidade, Rita incentiva o filho a ocupar o mundo sem pedir desculpas por quem é.
Foto: reprodução/O GLOBO
Mais do que uma mãe, ela se apresenta como uma parceira de vida para Felipe. Os dois compartilham piadas internas, confidenciam segredos e cultivam tradições que ajudam a tornar a casa um espaço de pertencimento. Das quartas-feiras dedicadas aos musicais ao hábito de interpretar as mensagens deixadas pela avó através dos biscoitos da sorte, o filme constrói um ambiente doméstico repleto de afeto.
Em um longa que fala tanto sobre encontrar lugares seguros para existir, a casa de Felipe se torna uma das representações mais bonitas dessa ideia. Não apenas pelos cenários aconchegantes ou pelos objetos que revelam a personalidade de seus moradores, mas pela relação genuína de carinho, respeito e amizade construída entre mãe e filho.
Portanto, a maior qualidade de Quinze Dias é entender que histórias LGBTQIAPN+ não precisam provar sua relevância através do sofrimento. Existe valor em narrativas sobre resistência, mas também existe valor em histórias sobre felicidade. Ao colocar dois jovens no centro de um romance doce, divertido e repleto de afeto, o filme oferece ao público algo que ainda é raro: a oportunidade de sonhar.
Quinze Dias deixa o coração quentinho porque entende que representatividade não é apenas mostrar pessoas queer sobrevivendo ao mundo. É também permitir que elas amem, sejam amadas e tenham finais felizes. E, às vezes, isso é exatamente o que precisamos ver.
O filme estreia nos cinemas brasileiros em 18 de junho.
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Seleção de títulos do Grupo Editorial Record reúne comédias românticas, romances LGBTQIAPN+, clássicos da literatura e histórias de segundas chances
O Dia dos Namorados costuma ser marcado por demonstrações de carinho que vão de presentes tradicionais a experiências compartilhadas. Entre as opções para celebrar a data, os livros seguem como uma alternativa para quem deseja presentear ou se emocionar com boas histórias de amor.
No catálogo da Record, romances contemporâneos, comédias românticas, narrativas LGBTQIAPN+ e clássicos da literatura brasileira compõem uma seleção de leituras para diferentes perfis de leitores. A seguir, conheça alguns dos romances que integram essa seleção e exploram o amor sob diferentes perspectivas.
Camisa Onze (2026), de Vanessa Reis
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei
Publicada sob o selo Verus, a narrativa acompanha a trajetória de Ana Romário e Bebeto, dois personagens conectados desde a infância pelo futebol e pelas memórias das Copas do Mundo. Enquanto Ana construiu uma carreira internacional como jogadora, Bebeto seguiu um caminho mais discreto como fisioterapeuta.
Anos depois, o retorno de Ana ao Brasil, motivado por questionamentos profissionais e pessoais, promove o reencontro entre os dois. Em meio a lembranças, laços familiares e sentimentos que resistiram ao tempo, o romance explora temas como destino, amadurecimento e segundas chances.
O Amor Está no Ar (2026), de B.K. Borison
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei
B.K. Borison apresenta a história de Aiden, apresentador de um popular programa de rádio em Baltimore dedicado a aconselhamentos amorosos. Apesar da fama construída em torno do romance, ele já não acredita em finais felizes e mantém sua imagem pública baseada nessa contradição.
A situação muda quando uma menina decide expor a vida amorosa da mãe durante uma transmissão. Lucie, que estava satisfeita com sua vida de solteira, passa a ser alvo da curiosidade do público e acaba participando de um quadro criado para ajudá-la a encontrar um novo amor. Enquanto os ouvintes acompanham a busca pelo pretendente ideal, a aproximação entre Lucie e Aiden revela uma conexão inesperada nos bastidores da rádio.
Duologia Laranja-forte (2026), de Elayne Baeta
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei
Reunindo os romances O Amor Não é Óbvio e Coisas Óbvias Sobre o Amor, o box celebra uma das histórias LGBTQIAPN+ de maior destaque da literatura nacional recente. Com mais de 240 mil exemplares vendidos, a autora Elayne Baeta conquistou uma ampla base de leitores com personagens marcantes e narrativas sobre descoberta, amadurecimento e afeto.
No primeiro volume, O Amor Não é Óbvio, Íris Pêssego tenta entender o motivo do término entre Cadu Sena, sua paixão platônica, e Camila Dourado. A busca por respostas a leva a um universo de mistérios, novas amizades e questionamentos sobre sentimentos, especialmente após a chegada de Édra Norr.
Já em Coisas Óbvias Sobre o Amor, a trama avança três anos. Separadas pelas mudanças da vida adulta, Édra e Íris seguem caminhos diferentes até que um convite para um casamento as coloca frente a frente novamente. Os reencontros, as lembranças e os sentimentos não resolvidos fazem com que ambas precisem lidar com escolhas que ficaram em aberto.
Declaração de Amor (2024), de Carlos Drummond de Andrade
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei
O livro reúne poemas dedicados ao amor escritos por Drummond. Organizada por seus netos, Luis Mauricio Graña Drummond e Pedro Augusto Graña Drummond, em parceria com Edmílson Caminha, estudioso da obra do autor, a edição retorna às livrarias revista, ampliada e em capa dura.
A publicação inclui seis poemas acrescentados a partir do livro Poesia Errante: A Essa Altura da Vida, Amor – Eu Digo, Canção de Namorados, Nossa História de Amor, Papinho Lírico no Dia dos Namorados e Quero Sentir.
Espresso Fantasma (2024), de Thiago Valente
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei
Nesta história, Thiago Valente transporta os leitores para o universo de uma cafeteria temática dedicada aos filmes de terror. Conhecido pelos biscoitos em formato de fantasma e pelas sobremesas inspiradas em clássicos do gênero, o estabelecimento se tornou um ponto de encontro da comunidade LGBTQIAPN+ na cidade de São Paulo.
No centro da história estão Renan, confeiteiro do café, e Gustavo, atendente e companheiro de vida. O cotidiano do casal é interrompido quando frequentadores do local começam a desaparecer sem explicação. Diante da situação, os dois decidem investigar por conta própria o que está acontecendo, descobrindo que o perigo pode estar mais próximo do que imaginavam. Misturando romance, mistério e humor, a obra apresenta uma narrativa acolhedora e cheia de suspense.
A História por Trás de Cada Beijo (2025), de Natalie Gerhardt
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei
Nesta narrativa, o leitor acompanhará a trajetória de Clarissa, uma jovem jornalista que acredita ter construído a vida perfeita: um relacionamento estável, o emprego dos sonhos em uma grande revista feminina e um apartamento em Ipanema, próximo ao trabalho e à praia.
A aparente estabilidade, porém, é interrompida por um término inesperado. Enquanto tenta lidar com a nova realidade, Clarissa cria um blog sob o pseudônimo Drama Queen para compartilhar suas experiências e frustrações. O que começa como um espaço de desabafo rapidamente ganha popularidade, atraindo a atenção de leitores e, também, de sua própria chefe, que passa a procurar a misteriosa autora para integrá-la à equipe da revista.
Entre a vida de solteira, antigas paixões e a possibilidade de reinventar a própria trajetória, Clarissa precisa decidir até onde está disposta a ir para assumir sua verdadeira identidade.
Nossa Grande Chance (2025), de Felipe Cabral
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei
Escrito por Felipe Cabral, autor de O Primeiro Beijo de Romeu (2021), Nossa Grande Chance combina romance, humor e reflexões sobre amadurecimento, identidade e recomeços.
A trama acompanha Patrick, roteirista e escritor que, próximo dos 40 anos, enfrenta um momento de incertezas pessoais e profissionais. Sua rotina muda quando seu único livro, Os Meninos de Icaraí, passa a ser cotado para uma adaptação musical. Em meio aos preparativos do projeto, Patrick conhece Júnior, de 23 anos, por meio de um aplicativo de relacionamento. Apesar de um primeiro encontro desastroso, os dois continuam cruzando seus caminhos.
À medida que os ensaios avançam, as fronteiras entre ficção e realidade começam a se misturar. Mesmo com as inseguranças, Patrick se vê diante da possibilidade de reescrever não apenas sua obra, mas também a própria vida.
Mesa para Dois (2026), de Laura Dickerman
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei
Laura Dickerman constrói uma comédia romântica no pós-pandemia marcada pela rivalidade entre dois profissionais do mercado editorial. Rebecca Blume e Ben Heath compartilham o mesmo espaço de trabalho e, mesmo sem se conhecerem pessoalmente, desenvolvem uma relação repleta de provocações trocadas por meio de bilhetes deixados em um cacto que dividem no escritório.
A convivência se intensifica quando ambos são encarregados de trabalhar na biografia póstuma de um escritor renomado. Durante a pesquisa, Rebecca descobre uma inesperada ligação entre sua mãe, Jane, e o autor falecido, o que transforma completamente os rumos do projeto.
Enquanto o presente é marcado por conflitos, segredos e aproximações inesperadas, a narrativa também retorna à década de 1980 para acompanhar a trajetória de Jane e Rose, duas mulheres determinadas a construir suas carreiras no mercado editorial.
Com qual dessas histórias você pretende presentear o seu amor no Dia dos Namorados? Compartilhe com a gente através das nossas redes sociais – Instagram,FacebookeX – e, se você gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!
Muitas transformações aconteceram para o amor e os relacionamentos ao longo dos anos, o que se reflete também na maneira como eles são retratados no audiovisual
O Dia dos Namorados chegou e, com ele, as relações amorosas se tornam uma pauta ainda maior. Seja com as comédias românticas no top 10 dos streamings ou as decorações de coração enfeitando seu restaurante favorito, essa data traz o amor para o centro das discussões e, nessa conversa, não tem como não pensar em filmes e séries que souberam representar com fidelidade esse tema universal.
O audiovisual sempre retratou relacionamentos amorosos sabendo que histórias onde o amor é o foco principal, ou até uma parte menor da trama, interessam a muita gente. Existe essa animação inquestionável em torcer por aquele casal fictício que nós sabemos que seria perfeito junto, ou muitas vezes sonhar que aquele romance perfeito pudesse ser real para a gente também, né?
Mas a maneira como essa retratação do amor acontece sofreu diversas alterações ao longo das décadas, seguindo as mudanças da sociedade em que vivemos. Quando os casais e as formas de se relacionar mudam, as produções se transformam também, acompanhando esse ritmo das novas gerações até chegar aos dias de hoje.
Por isso, quando se trata de amor, não existe fórmula única para construir os romances que vemos na TV, mas é possível separar as cinco principais mudanças que inovaram as relações dentro das séries e filmes até aqui.
Fim do “felizes para sempre”?
Histórias de amor clássicas como Diário de Uma Paixão (2004) cumprem o papel fundamental de mostrar aqueles relacionamentos que superam tudo. Quando não se tem aprovação familiar e as circunstâncias não conspiram a favor, e mesmo assim os protagonistas conseguem ficar juntos no final. Apesar de triste, é lindo ver a representação de duas pessoas tão apaixonadas terminando casadas e envelhecendo juntas, mesmo quando o tempo e as circunstâncias da vida parecem lutar pelo oposto.
Foto: reprodução/Warner
Mas esta retratação do amor idealizado de almas gêmeas e, principalmente, do casamento como ponto-chave e objetivo principal perdeu espaço com o passar dos anos. Conforme o matrimônio deixou para trás seu aspecto unicamente de “feliz para sempre” com as mudanças da sociedade, esse enredo no audiovisual também mudou.
Hoje, o foco costuma estar muito mais no amadurecimento emocional das personagens, no amor-próprio e na autodescoberta. O amor deixou de ser o único objetivo, até porque se em uma história atual as personagens tivessem todos seus problemas consertados por meio de um relacionamento, ficaria a sensação de que falta algo, porque na vida real não é isso que acontece.
Considerar que o casal feliz é aquele que se provou unido apesar das adversidades da história, e que conseguiu crescer individualmente tanto quanto em conjunto se torna muito mais atrativo na atualidade. É justamente com esse tipo de pensamento que surgiram histórias fortes e envolventes protagonizadas por e para as novas gerações.
Foto: reprodução/Netflix
Séries de romance como Heartstopper (2022) ganham grande destaque entre os jovens como produções atuais que passam longe dos temas clássicos de casamento e “felizes para sempre”. Em vez disso, a trama dá espaço a temas de amadurecimento, autodescoberta e como navegar diferentes relacionamentos quando o amor verdadeiro não conserta questões como amor próprio e saúde mental, jornadas que precisam ser trilhadas também de maneira individual.
Imperfeição como elogio
Especialmente a partir dos anos 90, as séries e filmes começaram a buscar uma retratação mais real de seus personagens, acompanhando as mudanças da sociedade. Como exemplo, à medida que os casamentos perdiam sua qualidade de inquebrável, os divórcios se tornaram pauta cada vez mais comum na TV.
Personagens como Rachel, de Friends (1994), que começam sua história já com uma fuga do próprio casamento e lidam com as dificuldades do mundo real de ascensão lenta na carreira ou tentativas falhas de relacionamento, representam uma nova onda de histórias que trazem personagens mais reais, que erram e acertam tanto na vida quanto no amor, e esse tipo de retratação se tornou uma receita de grande sucesso.
Foto: reprodução/HBO Max
Narrativas mais reais e cruas de personagens imperfeitas continuam sendo as preferidas de muitos porque são identificáveis. Essas personagens encontram o amor de maneira mais verdadeira, em meio a tentativas, términos, desencontros, dúvidas e voltas.
E apesar de ser uma delícia assistir aquele filme clichê de amor mesmo sabendo que aquilo nunca aconteceria na realidade, existe também um grande prazer em acompanhar episódios de um casal feito por personagens que têm defeitos, mas que conseguem encontrar o equilíbrio que os torna perfeitos juntos, ao final.
Foto: reprodução/Warner Bros
Nessa mesma onda de mostrar personagens verdadeiras, as séries e filmes mais atuais equilibram junto com o amor outro tema específico cada vez mais falado: a saúde mental. Uma pauta tão importante e presente dos dias de hoje, não teria como ela ficar de fora das histórias contadas pelo audiovisual também.
Quando se quer retratar um relacionamento amoroso identificável, é cada vez mais comum que questões como traumas, ansiedade e a própria ida à terapia sejam integradas ao desenvolvimento dos personagens e de suas relações, à medida que essas dificuldades estão cada vez mais intrínsecas ao dia a dia da maioria das pessoas, seja diretamente ou como um assunto comentado.
Séries de amor como Young Royals (2021) são exemplos que souberam retratar muito bem cenas de terapia. Nelas, você como público sente o alívio em ver o príncipe Wilhelm admitindo em voz alta os dilemas que geram nele tanta ansiedade e impedem seu maior desejo de estar junto de Simon, por quem ele é apaixonado.
Foto: reprodução/Netflix
Além da mensagem positiva sobre a importância de buscar ajuda, é enriquecedor para a narrativa assistir a uma personagem tratar questões que estão interferindo diretamente em sua felicidade e seu relacionamento de maneira tão aberta e construtiva para a trama.
Independência feminina
Outra pauta importantíssima que foi ganhando destaque com o passar dos anos é a independência feminina, e nas séries e filmes isso não foi diferente. A divisão em papéis de gênero saíram de moda nos relacionamentos do audiovisual, e que bom!
As protagonistas femininas desde os anos 90 para cá já não existem mais apenas pelo amor do outro, pelo beijo perfeito ou o casamento ideal. Elas têm suas próprias metas, sonhos e individualidade, sendo cada vez mais comum ver tramas onde o relacionamento amoroso entra como bônus na vida de uma personagem que é independente e busca coisas para si, muito mais do que o amor ser aquilo que conserta tudo na vida da mulher, como em histórias de antes.
O consentimento também se torna uma pauta cada vez mais valorizada nas narrativas. Seja de maneira naturalizada e sutil, com uma única pergunta de permissão, ou mais enfatizado, é cada vez mais presente entre casais em séries e filmes que suas cenas de intimidade tenham essa “pausa” para garantir o consentimento de prosseguir.
Foto: reprodução/Prime Video
Além desse fato não se restringir às histórias heterossexuais, o que é ótimo, ele também se torna um fator relevante em séries virais do momento, como a famosa Off Campus: Amores Improváveis (2026), que trata o consentir como algo importante e bastante sexy, o que gera vários debates positivos e necessários sobre o tema para fora das telas.
Novas formas de se relacionar
As formas de construção das relações amorosas também sofreram diversas mudanças dos filmes de amor clássicos até as narrativas de hoje. Enredos como os romances que começam como uma relação sem compromisso ou que o casal se conhece por aplicativos de relacionamentos são cada vez mais comuns para refletir as mudanças na construção de relacionamentos hoje.
Existem diversas maneiras já muito conhecidas e amadas de se construir um romance: da amizade ao amor ou da rivalidade ao amor, de um namoro falso que se transforma em sentimentos verdadeiros até as clássicas tramas de “aposta”. As fórmulas de execução de uma história de amor sempre foram várias, com muitas sendo apenas reformuladas com o passar do tempo para se adaptar aos novos costumes da sociedade, como ter a internet mais presente na narrativa.
Foto: reprodução/Crave
Rivalidade Ardente (Heated Rivalry – 2025) é grande exemplo de uma série atual que virou febre mundial sabendo executar uma receita perfeita de rivalidade que se torna amor (rivals with benefits), em que se tem uma relação que começa sem compromissos, como é tão comum atualmente, mas que floresce em um forte e honesto amor entre Shane e Ilya, em uma trama que se passa ao longo dos dez anos de encontros escondidos desse casal em sua primeira temporada.
Foto: reprodução/Netflix
Por isso, seja com os amigos Alex e Poppy em De Férias com Você (2026) ou os namorados de mentira Lara Jean e Peter Kavinsky de Para Todos os Garotos que Já Amei (2018), as comédias românticas estão sempre renovando em seus começos e suas tramas, para dançar conforme a música e respeitar as novidades de uma sociedade que sempre se atualiza. Mas, em meio a tantas mudanças divertidas de enredo, nós sabemos que o final permanece o mesmo: amor na certa.
Foto: reprodução/Netflix
A diversidade nas telas
Não teria como terminar essa lista sem falar de um tema tão atual, necessário e que cresce cada vez mais nos romances do audiovisual. A representação de diferentes formas de relacionamentos, gêneros e sexualidades se concretiza cada vez mais nas telas para demonstrar a diversidade que existe e merece espaço também nos filmes e séries que amamos.
Foto: reprodução/FX
São anos de lutas e conquistas que permitiram que casais não-heteronormativos e a comunidade LGBTQIAPN+ como um todo protagonizem os novos, e cada vez mais em alta, romances do audiovisual. O que começou com filmes como O Segredo de Brokeback Mountain (2005), que na sua época foi considerado disruptivo,hoje tem uma grande variedade de histórias, em séries modernas como Sex Education (2019), Adultos (2025) e Entrevista com o Vampiro (2022),ou filmes como o novo Quinze Dias (2026), e muitos mais títulos conquistando o coração de fãs de todas as idades.
Foto: reprodução/Netflix
Com enredos emocionantes de paixão e desejo, ou de relacionamentos divertidos e mais leves, é ótimo ver o gênero das comédias românticas abrindo espaço para narrativas mais diversas, em um momento mais acolhedor, criativo e abrangente do audiovisual, sem precisar também que essas histórias de amor tão importantes acabem só em tragédias, como era mais comum antes, o que reflete também uma sociedade de avanços para mais inclusão e amor.
Foto: reprodução/Manequim Filmes
Do “felizes para sempre” à diversidade na tela, a retratação do amor no audiovisual passou por diversas fases ao longo de tantos anos de produções amadas. Os filmes e séries mudam em suas tramas e personagens de acordo com a sociedade em que vivemos, e isso não significa que os clássicos não tenham mais espaço nas listas de favoritos.
Significa que as novas histórias, com suas pautas de inclusão, igualdade e até saúde mental, chegam para agregar com formas de amor mais saudáveis, mas também sem perder a sensação reconfortante de assistir os romances clichês que a gente tanto ama e que não poderiam faltar nesse Dia dos Namorados!
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No Japão, os hikikomori são frequentemente tratados como curiosidade cultural, mas talvez sejam um sintoma extremo de algo maior: o esgotamento de viver em uma sociedade de cobrança permanente
Sabe aquela sensação que sentimos às vezes de querer sumir? Desligar o celular, fechar as cortinas e simplesmente… não estar? Em um mundo que nos cobra performance o tempo todo – na escola, no trabalho, nas redes sociais, na vida amorosa –, essa vontade de desaparecer pode ser mais comum do que imaginamos. Mas, e se essa vontade se tornasse uma realidade extrema, um estilo de vida que dura anos, ou até décadas? No Japão, esse fenômeno tem nome: hikikomori.
À primeira vista, os hikikomori podem parecer uma curiosidade exótica, algo distante da nossa realidade ocidental. Afinal, estamos falando de jovens e adultos que se isolam completamente do mundo exterior, trancados em seus quartos, evitando qualquer tipo de contato social. Mas, ao mergulharmos mais fundo nessa história, descobrimos que o fenômeno é muito mais do que uma peculiaridade cultural japonesa,é um espelho, um sintoma extremo de um mal-estar que, de diferentes formas, assombra a nossa geração: o esgotamento de viver sob a pressão constante de uma sociedade que cobra perfeição, sucesso e produtividade sem fim. Vem com a gente desvendar esse mistério e entender o que o silêncio desses quartos pode nos ensinar sobre nós mesmos.
O que é exatamente um hikikomori? Desvendando o fenômeno do isolamento extremo
Imagine passar dias, meses, anos, ou até mesmo décadas, sem sair do seu quarto. Sem ir à escola, sem trabalhar, sem encontrar amigos, sem sequer conversar com a própria família, a não ser em breves interações. Essa é a realidade de um hikikomori. O termo, que pode ser traduzido como “estar recluso” ou “estar confinado”, foi cunhado no Japão para descrever indivíduos que se isolam socialmente por um período prolongado (geralmente seis meses ou mais), evitando a escola, o trabalho e qualquer forma de interação social, exceto, talvez, com membros da família imediata. E mesmo essas interações podem ser mínimas ou inexistentes.
Não estamos falando de uma timidez extrema ou de um período de introspecção. O Hikikomori é um isolamento severo, uma fuga completa do mundo exterior. Esses indivíduos passam o tempo jogando videogames, navegando na internet, lendo mangás ou assistindo animes, mas tudo dentro dos limites do seu espaço seguro. A alimentação é muitas vezes deixada na porta do quarto pelos pais, e a higiene pessoal pode ser negligenciada. É um mergulho profundo em um universo particular, onde o tempo parece parar e as expectativas do mundo exterior são silenciadas.
Embora o fenômeno tenha sido inicialmente identificado no Japão, casos semelhantes de isolamento social extremo têm sido observados em outras partes do mundo, o que sugere que as raízes do hikikomori podem ser mais universais do que se pensa. Mas o que leva alguém a escolher essa vida de reclusão? É uma doença? Uma escolha? Uma consequência da sociedade moderna? A resposta, como quase tudo na vida, é complexa e multifacetada.
Foto: reprodução/japan wiki
As raízes desse desaparecimento: por que tantos jovens escolhem se isolar?
Para entender os hikikomori, precisamos olhar para o contexto em que eles surgem. No Japão, a pressão social é imensa desde cedo. A busca pela perfeição acadêmica, a competitividade no mercado de trabalho, a expectativa de seguir um caminho tradicional e a forte cultura de conformidade podem ser esmagadoras. O fracasso, ou o medo dele, é um fardo pesado.
Muitos hikikomori relatam que o isolamento começou após experiências negativas na escola, como bullying, dificuldades acadêmicas ou a incapacidade de se encaixar nos grupos sociais. A vergonha de não atender às expectativas, de não ser “bom o suficiente”, pode levar a um ciclo vicioso de auto isolamento. Em vez de enfrentar a pressão e o julgamento, essas pessoas escolhem se retirar, criando um refúgio onde não precisam lidar com as exigências do mundo.
Além disso, a estrutura familiar japonesa, que muitas vezes oferece um suporte financeiro e emocional prolongado aos filhos, pode, paradoxalmente, facilitar o isolamento. Os pais, por amor e preocupação, acabam sustentando os filhos hikikomori por anos, sem conseguir quebrar o ciclo de reclusão. É uma situação delicada, onde o desejo de proteger pode acabar perpetuando o problema.
Mas não é só no Japão que vemos essa pressão. Em nossa própria sociedade, a busca incessante por sucesso, a comparação constante nas redes sociais e a cultura do “sempre ocupado” também geram esgotamento mental e emocional. A diferença é que, talvez, no Japão, essa pressão seja ainda mais intensa e as saídas para lidar com a situação sejam mais limitadas, levando a formas mais extremas de retirada.
Foto: reprodução/japan wiki
O cotidiano de um hikikomori: como é viver sem sair do quarto?
Se você está imaginando uma vida de tédio e inatividade, pode se surpreender. Embora o isolamento seja a característica central, o cotidiano de um hikikomori pode variar bastante. Muitos passam horas a fio na internet, mergulhados em jogos online, redes sociais ou fóruns. Para alguns, a internet se torna a única janela para o mundo, um espaço onde podem interagir anonimamente, sem o peso das expectativas sociais.
Outros se dedicam a hobbies dentro de casa, como ler mangás, assistir animes, desenhar, escrever ou aprender novas habilidades online. Há relatos de hikikomori que se tornaram programadores autodidatas, artistas talentosos ou especialistas em áreas específicas, tudo dentro dos limites de seus quartos. O tempo, que para nós é um recurso escasso, para eles é abundante, permitindo uma imersão profunda em seus interesses.
No entanto, a falta de rotina e de contato com a luz do sol pode levar a problemas de saúde física e mental. Distúrbios do sono são comuns, com muitos hikikomori trocando o dia pela noite. A alimentação pode ser desequilibrada, e a falta de exercícios físicos é uma constante. A saúde mental também é um desafio, com muitos apresentando sintomas de depressão, ansiedade social e outros transtornos. É uma vida de paradoxos: liberdade para ser quem quiser, mas aprisionado pelas próprias paredes.
Foto: reprodução/japan wiki
O papel da família: amor, culpa e a busca por soluções
Para as famílias de hikikomori, a situação é de partir o coração. Muitos pais se sentem culpados, sem saber onde erraram ou como ajudar seus filhos. A vergonha social associada ao fenômeno no Japão muitas vezes impede que busquem ajuda externa, mantendo o problema em segredo. Eles tentam de tudo: conversas, súplicas, ameaças, mas muitas vezes se deparam com uma resistência intransponível.
Existem organizações no Japão que oferecem apoio a essas famílias, com grupos de pais que compartilham suas experiências e buscam estratégias para lidar com a situação. Há também agências de aluguel de irmãs ou agências de aluguel de amigos, onde profissionais tentam estabelecer um vínculo com o hikikomori para incentivá-lo a sair do isolamento. É um trabalho lento e delicado, que exige muita paciência e empatia.
O objetivo não é forçar o hikikomori a voltar para a sociedade de uma vez, mas sim criar pequenas pontes, incentivar o contato gradual e, acima de tudo, mostrar que há esperança e que não estão sozinhos. É um lembrete de que, por trás do isolamento, existe um ser humano que sofre e que precisa de ajuda, mesmo que não consiga pedir.
Foto: reprodução/japan wiki
Hikikomori na cultura pop: espelhos e reflexões em animes e mangás
Não é surpresa que um fenômeno tão marcante como o hikikomori tenha encontrado seu caminho na cultura pop japonesa. Animes e mangás frequentemente exploram o tema, oferecendo diferentes perspectivas e, por vezes, humanizam esses personagens que, na vida real, são tão incompreendidos. Essa representação na mídia pode ser uma forma de os próprios hikikomori se sentirem vistos, e para o público em geral, uma maneira de entender melhor a complexidade do problema.
Um dos exemplos mais famosos é o anime Welcome to the N.H.K. (2022), que segue a vida de Tatsuhiro Satō, um hikikomori que acredita ser vítima de uma conspiração. A série aborda de forma crua e, por vezes, cômica, as dificuldades do isolamento, a ansiedade social e a busca por um sentido na vida. Outro exemplo é Re:ZERO – Starting Life in Another World (2016), onde o protagonista Subaru Natsuki é um hikikomori que é transportado para um mundo de fantasia, onde precisa superar seus medos e inseguranças para sobreviver.
Foto: reprodução/suco de mangá
Essas obras não apenas entretêm, mas também provocam reflexão. Elas mostram que os hikikomori não são apenas “preguiçosos” ou “antissociais”, mas indivíduos complexos, com suas próprias histórias, traumas e desejos. A cultura pop, nesse sentido, atua como um importante veículo para desmistificar o fenômeno e gerar empatia, mostrando que, por trás das paredes do quarto, existe um universo de sentimentos e lutas.
O sintoma de um esgotamento global: a geração que não quer mais ser cobrada
Embora o hikikomori seja um fenômeno predominantemente japonês, a sua essência – o esgotamento de viver em uma sociedade de cobrança permanente – ressoa em muitas partes do mundo. A nossa geração, em particular, parece estar exausta. Exausta da pressão para ser perfeita, para ter uma carreira brilhante, para estar sempre feliz e para postar a vida ideal nas redes sociais.
Quantas vezes você já sentiu a vontade de simplesmente sumir, de se desconectar de tudo e de todos? De não ter que responder a e-mails, de não ter que se preocupar com o próximo prazo, de não ter que manter uma imagem impecável? Essa “fadiga da performance” é um reflexo da sociedade em que vivemos, onde o valor de uma pessoa é muitas vezes medido pela sua produtividade e pelo seu sucesso externo.
Os hikikomori são, talvez, a manifestação mais extrema dessa fadiga. Eles escolheram a reclusão como uma forma de protesto silencioso, uma maneira de dizer “não” a um sistema que os esgota. E, embora o isolamento extremo não seja a solução, a sua existência nos força a questionar: o que a nossa sociedade está fazendo que leva tantos a querer desaparecer? O que podemos aprender com essa geração que, ao se retirar, nos mostra a urgência de repensar valores e prioridades?
Foto: reprodução/japan wiki
O que podemos aprender com os hikikomori? Lições de resiliência e autenticidade
Ao invés de ver os hikikomori apenas como um problema a ser resolvido, podemos encará-los como mensageiros, trazendo à tona questões importantes sobre a saúde mental, a pressão social e a busca por um sentido na vida. A sua existência nos lembra que a felicidade não está necessariamente na busca incessante por sucesso externo, mas na capacidade de encontrar paz interior, de construir relacionamentos autênticos e de aceitar as nossas próprias imperfeições.
Eles nos ensinam sobre a importância de desacelerar, de se desconectar quando necessário e de priorizar o bem-estar mental. Mostram que está tudo bem quando não estamos bem, e que pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, mas de coragem. A resiliência não é nunca cair, mas ter a capacidade de se levantar, mesmo que seja um passo de cada vez, e de encontrar um novo caminho, mesmo que seja diferente do que a sociedade espera.
Em última análise, a história dos hikikomori é um convite à reflexão. Um convite para questionarmos as pressões que nos cercam, para valorizarmos a nossa saúde mental e para construirmos uma sociedade mais empática e acolhedora, na qual a vulnerabilidade seja vista como força, e não como motivo para desaparecer. Que a curiosidade sobre esses “desaparecidos” nos inspire a olhar para dentro de nós mesmos e para o mundo ao nosso redor com mais compaixão e compreensão.
Foto: reprodução/japan wiki
A complexidade do mundo digital: refúgio ou armadilha?
É impossível falar sobre o cotidiano dos hikikomori sem mencionar o papel central da internet e dos jogos eletrônicos. Para muitos, o mundo digital se torna um refúgio, um espaço onde podem interagir sem o peso do julgamento social. Em jogos online, por exemplo, eles podem assumir avatares, construir identidades e se relacionar com outras pessoas de forma anônima, sem a necessidade de contato físico ou de lidar com as complexidades das interações sociais “reais”. Essa liberdade e o senso de pertencimento encontrados em comunidades virtuais podem ser extremamente atraentes para quem se sente excluído ou sobrecarregado pelo mundo exterior.
No entanto, o mundo digital também pode se tornar uma armadilha. O uso excessivo da internet e dos jogos pode agravar o isolamento, dificultando ainda mais o retorno à vida social. A linha entre o refúgio e a dependência pode ser tênue, e muitos hikikomori acabam desenvolvendo transtornos, o que complica ainda mais a sua situação. É um paradoxo: a ferramenta que oferece uma forma de conexão também pode ser a que mais os aprisiona.
Além disso, a exposição constante a conteúdos online, muitas vezes idealizados ou irreais, pode intensificar a sensação de inadequação e a pressão para ser perfeito. As redes sociais, em particular, podem ser um gatilho para a ansiedade e a depressão, ao mostrar uma realidade editada e filtrada que contrasta com a vida reclusa do hikikomori. A comparação constante com a “vida perfeita” dos outros pode reforçar a crença de que eles não são bons o suficiente, perpetuando o ciclo de isolamento.
O impacto silencioso: consequências para o indivíduo e para a sociedade
O isolamento prolongado dos hikikomori tem consequências profundas, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Para o hikikomori, a falta de interação social e de estímulos externos pode levar a um declínio das habilidades sociais, dificuldades de comunicação e um aumento da ansiedade em situações sociais. A saúde física também é afetada, com problemas como obesidade, desnutrição, falta de vitamina D e distúrbios do sono. A saúde mental é um dos maiores desafios, muitos desenvolvendo depressão, transtornos de ansiedade, fobias sociais e, em alguns casos, pensamentos suicidas.
Para a sociedade, o fenômeno hikikomori representa uma perda significativa de potencial humano. Jovens e adultos que poderiam estar contribuindo para a economia, para a cultura e para o desenvolvimento social estão isolados, sem conseguir participar ativamente da vida em comunidade. No Japão, o envelhecimento da população hikikomori é uma preocupação crescente, muitos pais idosos cuidam de filhos adultos que nunca trabalharam e não têm perspectivas de independência. Essa situação gera um ciclo de dependência e preocupação que afeta não apenas as famílias, mas também o sistema de saúde e previdência social.
Além disso, o estigma social em torno do hikikomori dificulta a busca por ajuda e reintegração. Muitos se sentem envergonhados e temem o julgamento da sociedade, o que os leva a se isolar ainda mais. É um problema complexo, que exige uma abordagem multifacetada, que combine apoio psicológico, social e familiar, além de políticas públicas que visem à prevenção e à reintegração.
A luz no fim do túnel: caminhos para a reintegração e a esperança
Apesar da complexidade e da gravidade do fenômeno hikikomori, existem caminhos para a reintegração e a esperança. O primeiro passo é o reconhecimento do problema e a busca por ajuda profissional. No Japão, existem clínicas especializadas, terapeutas e assistentes sociais que trabalham com hikikomori e suas famílias, oferecendo apoio psicológico, terapia ocupacional e programas de reintegração social.
O processo de reintegração é gradual e exige muita paciência. Começa com pequenos passos, como estabelecer uma rotina diária, melhorar a higiene pessoal, interagir com a família e, aos poucos, expandir o círculo social. A terapia individual e em grupo pode ajudar o hikikomori a lidar com a ansiedade social, a desenvolver habilidades de comunicação e a reconstruir a autoestima. Programas de treinamento profissional e de inserção no mercado de trabalho também são importantes para que eles possam conquistar sua independência e se sentir úteis novamente.
Histórias de sucesso, embora desafiadoras, existem. Muitos hikikomori conseguem superar o isolamento e retomar suas vidas, encontrando novos propósitos e construindo relacionamentos significativos. Essas histórias são um lembrete de que, mesmo nas situações mais extremas, a esperança e a capacidade de superação humana são poderosas. Elas nos mostram que, com o apoio certo e a determinação, é possível encontrar a luz no fim do túnel e recomeçar, mesmo depois de um longo período de escuridão.
Que a curiosidade sobre esses “desaparecidos” nos inspire a olhar para dentro de nós e para o mundo ao nosso redor com mais compaixão e compreensão. E que, ao invés de nos escondermos, possamos encontrar a coragem de nos conectar, de sermos vulneráveis e de construirmos uma sociedade onde ninguém precise desaparecer para encontrar paz.
Você já conhecia o Hikikomori? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade do mundo do entretenimento!
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