Best-seller terá adaptação em série e promete levar o universo de The Kindred’s Curse para novos públicos
Os fãs de romantasia têm um novo motivo para comemorar, Despertar da Chama Eterna, primeiro volume da saga The Kindred’s Curse, de Penn Cole, será adaptado para televisão. O projeto, intitulado Everflame, está em desenvolvimento pela 20th Television para o Hulu, com lançamento previsto no Disney+ em mercados internacionais.
A série literária, que já ultrapassa três milhões de cópias vendidas, se tornou um dos maiores fenômenos recentes do gênero.
Qual a história de O Despertar da Chama Eterna?
Foto: reprodução/Editora Arqueiro
Publicada originalmente de forma independente em 2023, a obra se passa em um mundo colonizado por deuses e governado por seus cruéis e mágicos Descendentes, de onde a curandeira DiemBellator sonha escapar da vida sufocante em sua humilde aldeia.
O desaparecimento repentino de sua mãe e a descoberta de um segredo perigoso sobre o passado dela lhe dão uma chance inesperada de se infiltrar no sombrio mundo da realeza dos Descendentes e desvendar os mistérios que sua mãe deixou para trás.
Herdeiro do rei, o príncipe Luther observa cada movimento de Diem, e uma aliança mortal está determinada a recrutá-la para a guerra civil iminente. Em meio a tantos riscos, ela precisará dominar as regras do amor, do poder e da política para proteger sua família e toda a humanidade.
Foto: reprodução/Editora Arqueiro
A adaptação terá Heidi Cole McAdams como showrunner, roteirista e produtora executiva. Penn Cole usou seuInstagrampara confirmar o projeto e detalhar como chegou até ele. No texto, Cole contou que se reuniu com diversos produtores e estúdios antes de fechar o acordo, e que tinha uma lista mental de critérios para se sentir segura ao entregar seus personagens a outra pessoa.
“Quando me encontrei com a Heidi, ela acertou cada item da minha lista nos primeiros dez minutos, sem qualquer estímulo da minha parte. Soube imediatamente que a saga estava em boas mãos”, escreveu a autora.
Ela também aproveitou para revelar que vem trabalhando nos bastidores com Heidi há mais de um ano e que tem participação ativa no processo: “Assistir Heidi mergulhar nesses personagens, adicionando profundidade que o ponto de vista em primeira pessoa do livro não permite, tem sido uma alegria”.
Foto: reprodução/Editora Arqueiro
Embora ainda não haja informações sobre elenco ou previsão de estreia, o anúncio reforça o espaço cada vez maior que as romantasias ocupam em Hollywood. Além da série, a autora também confirmou recentemente o lançamento de Burn of the Everflame, quarto livro e desfecho da saga, previsto para setembro deste ano.
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Produção faz parte da campanha A Resposta Somos Nós, do movimento indígena, e estreia dia 14 de abril
da por povos indígenas e comunidades quilombolas – herdeiros de uma luta ancestral que sempre batalhou contra o fim do mundo – para defender o território e o futuro. Em meio ao caos, uma jornalista (Alice Braga) se aventura profundamente no território, determinada a contar essa história para o mundo. Mais do que uma obra de ficção, Vitória Régia é um manifesto político, no qual o movimento indígena brasileiro assume o protagonismo na linha de frente das batalhas climáticas globais.
Pedro Inoue, diretor criativo e produtor executivo do curta, enaltece o papel de destaque dado aos indígenas para a concepção da história: “Eles são os verdadeiros super-heróis do nosso tempo: falam com árvores, montanhas e rios. Alguém da gente sabe fazer isso? Se tem alguém que precisa da nossa atenção, apoio e respeito, são eles que estão na primeira linha da batalha para salvar as florestas, os rios, e o futuro. E fazem isso há mais de 500 anos: Se tem alguém que sabe sobre o fim do mundo, são eles”.
Foto: divulgação/assessoria: Lucas Souza
Para Alice Braga, fazer parte da obra foi mais do que uma decisão profissional, foi uma parceria inevitável movida por seus ideais: “O desejo de usar a ficção para ampliar uma escuta que já existe e ajudar essas vozes a chegarem mais longe. Os povos indígenas, enquanto guardiões da floresta, são também os guardiões do futuro. Então fazer esse filme foi colocar meu trabalho a serviço de algo que eu acredito e me mobiliza profundamente”.
Toya Manchineri, coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), ressalta que a ambientação é uma peça central da história. “No filme, a Amazônia não é pano de fundo, é território vivo, em disputa, onde democracia, soberania e futuro climático se tornam inseparáveis. A partir disso, o filme coloca uma pergunta central: quem decide o destino de territórios estratégicos, e a serviço de quais interesses? E quais são as consequências dessas decisões no longo prazo?”, questiona.
Dinamam Tuxá, coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), conta que o filme explicita tensões vividas pelos povos indígenas que já existem na realidade e que condensam projetos opostos no país. “De um lado, a lógica da exploração predatória, acelerada e orientada pelo lucro imediato. Do outro, a defesa de ecossistemas que regulam o clima e sustentam a vida. O que está em disputa não é apenas território. É poder, é soberania e é o lugar do Brasil no mundo. É um filme sobre escolhas”, ressalta. “Um lembrete de que democracias não são garantias permanentes – e de que territórios não são mercadorias”.
Dinamam enfatiza que o curta nasceu com o objetivo de dar visibilidade às pautas territoriais, sociais e climáticas que os povos indígenas têm defendido continuamente ao longo do tempo. “É nesse contexto que, no Acampamento Terra Livre (ATL) deste ano, afirmamos: ‘nosso futuro não está à venda’. Porque nossos territórios, nossos corpos e a natureza, da qual fazemos parte, não podem ser comprados.”
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Clássico de Jane Austen ganha nova versão com Daisy Edgar-Jones no papel principal
A Focus Features confirmou a data de estreia da nova adaptação de Razão e Sensibilidade, romance clássico de Jane Austen. O longa chega aos cinemas no dia 11 de setembro de 2026, reacendendo o interesse por uma das histórias mais marcantes da literatura inglesa.
À frente do elenco está Daisy Edgar-Jones (Normal People, 2020), conhecida por trabalhos recentes no cinema e na televisão, que assume o papel central na trama. A produção ainda reúne nomes como George MacKay (Capitão Fantástico, 2016), Caitriona Balfe (Outlander, 2014-2026), Frank Dillane (Harry Potter e o Enigma do Príncipe, 2009), Esmé Creed-Miles (The Sandman 2022-2025)e Fiona Shaw (Enola Holmes, 2020). A direção é assinada por Georgia Oakley (Blue Jean, 2022), que deve imprimir um olhar contemporâneo à narrativa de época.
Foto: reprodução/X @CodigoNerdBR
Publicado originalmente em 1811, o romance marcou a estreia literária de Austen – ainda que, à época, tenha sido lançado de forma anônima, sob a assinatura A Lady. A obra começou a ser escrita ainda na juventude da autora, nos anos 1790, e integra o conjunto de romances que consolidaram seu nome como um dos mais importantes da literatura do século XIX.
A história acompanha as irmãs Elinor e Marianne Dashwood, jovens que enfrentam as expectativas sociais e as limitações impostas à sua posição após a morte do pai. Enquanto buscam estabilidade e afeto em meio às regras rígidas da aristocracia inglesa, as duas representam visões opostas sobre o amor e a vida: Elinor é guiada pela razão e pelo senso de dever, enquanto Marianne se entrega à intensidade dos sentimentos e à espontaneidade.
Foto: reprodução/Instagram @leiturasdafran_
Ambientado entre o campo inglês e os salões da alta sociedade londrina, o livro combina romance e crítica social ao retratar as dinâmicas de classe, interesses e convenções que moldavam os relacionamentos da época. Mesmo situado em um período de transformações políticas na Europa, o enredo mantém o foco nas experiências íntimas de suas protagonistas, especialmente nos dilemas entre emoção e prudência.
Ao longo dos anos, Razão e Sensibilidade foi adaptado diversas vezes para o cinema, o teatro e a televisão, reafirmando sua relevância cultural. A nova versão chega com a proposta de revisitar esse universo sob uma perspectiva atual, apresentando a história a uma nova geração de espectadores.
Foto: reprodução/O Vício
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Filme chega aos cinemas brasileiros no dia 30 de abril
A Crunchyroll e a Sony Pictures revelaram o novo trailer cheio de ação de That Time I Got Reincarnated as a Slime O Filme: Lágrimas Do Mar Azul-Celeste. O longa estreia nos cinemas do Brasil em 30 de abril.
Foto: divulgação/Crunchyroll
O filme acompanha Rimuru e seus companheiros que, após concluírem a cerimônia de abertura da Federação do Reino dos Demônios Tempest, são convidados pela Imperatriz Celestial Elmesia, da grande nação élfica — a Dinastia Mágica de Thalion —, para visitar sua ilha resort privada.
Enquanto o grupo aproveita um breve período de descanso, uma mulher misteriosa chamada Yura surge. Um novo incidente começa a se desenrolar tendo como pano de fundo o imensurável mar azul-celeste.
O anime That Time I Got Reincarnated as a Slime estreou em 2018, e conta a história de Minami Satoru, um homem comum de 37 anos que morre e reencarna como a criatura mais banal imaginável: um slime. A quarta temporada da série estreou na Crunchyroll em abril de 2026.
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Prepare-se para reviravoltas chocantes, traições e uma missão global implacável para impedir os avanços da Manticore
O trailer oficial e a data de estreia da segunda temporada de Citadel foram divulgados nesta quarta (22). Todos os sete episódios da nova fase serão lançados no dia 6 de maio, com exclusividade no streaming.
A trama dá continuidade à história de Mason Kane (Richard Madden), Nadia Sinh (Priyanka Chopra Jonas) e Bernard Orlick (Stanley Tucci). Os três agentes de elite são puxados de volta à ação após a destruição de sua agência original pela Manticore, uma rede apoiada por famílias poderosas.
Diante de uma nova ameaça, o grupo precisa recrutar uma equipe inédita de agentes para uma missão de escala global, enfrentando riscos elevados e incertezas sobre em quem confiar.
A segunda temporada mantémLesley Manville e Ashleigh Cummings no elenco e introduz novos atores. As adições incluem Jack Reynor como Hutch, Matt Berry como Franke Sharpe, Lina El Arabi como Celine, além de Merle Dandridge, Rayna Vallandingham e o ator brasileiro Gabriel Leone.
Citadel é uma produção do Amazon MGM Studios e da AGBO, dos Irmãos Russo. David Weil atua como showrunner, diretor e produtor executivo.
A produção executiva é assinada por Anthony Russo, Angela Russo-Otstot e Scott Nemes, com Joe Russo e Greg Yaitanes atuando também como diretores e produtores executivos, ao lado de equipes da Midnight Radio e outros produtores associados. A série estará disponível exclusivamente no Prime Video.
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A autora bateu um papo com a gente e contou sobre como transformou a própria vivência em uma aventura cheia de magia, lendas ancestrais e, claro, a melhor comida do mundo!
Se você acha que a cultura japonesa e a Amazônia não têm nada a ver uma com a outra, prepare-se para mudar de ideia! Em Flauta de Bambu, a escritora Giu Yukari Murakami nos apresenta Aiko, uma adolescente nipo-brasileira que vive no Pará e precisa lidar com os dilemas clássicos da idade – tipo bullying e problemas em casa –, enquanto embarca em uma jornada mágica ligada ao passado de sua avó.
Nesta entrevista exclusiva, Giu abre o coração sobre como a sua própria identidade nipo-amazônica inspirou a criação desse universo incrível. Ela fala sobre a lenda do Akai Ito (o famoso fio vermelho do destino, mas com um twist!), a importância das avós como guardiãs de memórias e até dá uns spoilers dos seus próximos projetos, que incluem de tudo: desde criaturas folclóricas até uma vibe Sakura Card Captors em Belém. Vem conferir esse papo que é pura “pororoca” cultural:
Foto: divulgação/Giu Yukari Murakami
Entretetizei: Giu, seu livro mistura elementos da Amazônia e da cultura japonesa. Em que momento você percebeu que essas duas partes da sua identidade podiam se encontrar na sua escrita?
Giu Yukari Murakami: Esse momento aconteceu de forma muito natural durante o próprio processo de escrita. Eu sempre tive um fascínio pela cultura japonesa porque em muitos aspectos ela fazia parte da minha rotina em casa: desde palavras usadas no dia a dia, festivais de que participava com minha família e, especialmente, a comida. Mas, ao mesmo tempo, sentia que faltava algo, que era justamente a minha cultura paraense, a minha vivência na Amazônia, que também era um tema que sentia falta de ver em histórias de aventura.
Por muito tempo, pensei que existia uma divisão entre essas bagagens culturais. Não via como podia ser alguém amazônida paraense e alguém nipo-descendente ao mesmo tempo. Mas percebi que não existe separação quando existe intersecção. Quando comecei a escrever Flauta de Bambu e criei a personagem Aiko, tudo fez sentido. Vi que escrever personagens nipo-brasileiros com uma vivência nortista casava perfeitamente comigo, porque eu estava incluída no grupo desses personagens. A própria estética do livro traz muito essa ideia do encontro das águas do rio amazônico, onde Aiko vive, com o mar, por onde vieram os seus avós. É uma metáfora para identidades que não se anulam, mas coexistem e criam algo novo a partir dessa intersecção.
A partir dessa sensação de encontrar meu lugar, o que transferi para Aiko em determinado momento da narrativa, eu notei que podia ser não só nipo-brasileira ou paraense, mas podia carregar uma bagagem cultural nipo-amazônica, que é muito singular. Ser nipo-amazônica é viver em um estado constante de “pororoca” cultural. Muitas vezes, a identidade nipo-brasileira é retratada sob uma ótica muito ligada ao Sudeste, mas a vivência no Norte tem uma identidade própria e também um rico contexto histórico, já que existiu uma forte influência da imigração. Por exemplo, algo que também retrato no livro: Tomé-Açu, uma cidade no interior do Pará, já foi a segunda maior colônia de japoneses no Brasil! A influência nikkei na cidade foi tão grande que ajudou a alavancar a economia local.
E: A Aiko é uma adolescente nipo-brasileira que enfrenta bullying e conflitos familiares. Como foi construir essa personagem? Tem algo de pessoal aí?
GYM: Sendo sincera, apesar de Aiko ter uma personalidade diferente da minha, eu me coloquei um pouco nela, sim. Eu gostaria de ser tão destemida e, por vezes, teimosa e impetuosa como ela. A impetuosidade e a teimosia nessa fase são comuns, e nem sempre é desrespeito. É um reflexo de como a criança e o adolescente estão desenvolvendo suas individualidades. Bem, Aiko é assim. Eu já era mais contida, então, vivências pessoais envolvendo bullying, racismo e conflitos familiares eram enfrentados de forma diferente por mim.
O bullying tem muita relação sobre como ela e o melhor amigo, Nilo, não se encaixam nos padrões de certos grupos de amizade. Eles não seguem uma moda específica, nem gostam necessariamente de esportes convencionais na escola. Aiko ama beisebol, o que era muito comum em nikkeis nortistas, enquanto Nilo é apaixonado por estudar cultura, religiões e curiosidades históricas. Mas o bacana disso é que apesar de não seguirem essas tendências, eles têm um ao outro.
Na superfície, é isso: uma sensação de desencaixe em grupos sociais. Mas no fundo, também tem relação com o sentimento de Aiko de estar “entre mundos, entre-lugar”. O bullying e as brigas constantes dos pais são peças que só tornam ainda mais difícil para ela encontrar o melhor encaixe do quebra-cabeça que é a própria noção de pertencimento.
Ao escrever a Aiko, mergulhei nas minhas próprias memórias de crescer em Belém com o que considero a melhor comida do mundo!; de ter sido uma criança e adolescente um pouco deslocada, navegando pelas expectativas de ser nipo-brasileira e pela realidade de ser alguém no Norte do país. Cresci ouvindo que as pessoas de fora da nossa região não sabiam que andávamos vestidos, tínhamos celular e que não éramos devorados por jacarés aleatórios, por exemplo. Cresci com a ideia de que ninguém nos respeitava, que não tínhamos o direito de sonhar. Em paralelo, também já ouvi na infância piadas sobre “Xing-Ling”, sobre todo avião ser para me buscar e levar minha família para longe.
É curioso e gratificante pensar que hoje em dia estou tendo a oportunidade de falar abertamente sobre isso em uma entrevista e que existem pessoas sempre sensíveis e gentis que perguntam sobre essas peculiaridades. Não vejo nada invasivo nisso, pelo contrário. É o que entendo ser empatia mesmo.
Construir Aiko e escrevê-la foi como abraçar meu eu-chibi (pequena). Eu e Aiko encontramos e reencontramos juntas o significado de estar em um entre-lugar e, finalmente, se orgulhar muito disso!
E: A batchan Masumi tem um papel muito forte na história, especialmente como guardiã de memórias. Como você vê o papel das avós na construção da identidade dentro das famílias nipo-brasileiras?
GYM: Essa é uma das perguntas mais lindas que já recebi! Em quase todas as minhas histórias, vovôs e vovós têm um papel extremamente importante para a vida dos protagonistas. Eu tento colocá-los como pontes vivas entre mundos, entre tempos diferentes que, se não fosse por eles, seriam esquecidos. Noto que é uma tendência, inclusive, narrativa, colocar as batchans e jichans em papéis de exímios contadores de história ou de resgate ancestral. Noto muito mais no audiovisual, e não é coincidência.
Isso porque a geração dos pais (nisseis) muitas vezes está focada na adaptação e na sobrevivência prática em uma sociedade que tenta entender sua dualidade nikkei. Nesse compasso entre os pais e filhos (ou filhos e netos), existe um afastamento da cultura ancestral. Já os avós ocupam esse lugar da memória afetiva. A Masumi-san, em Flauta de Bambu, reflete muito isso: ela é quem detém o conhecimento que a Aiko ainda não sabe que precisa. Ela não entrega apenas uma missão ou um objeto mágico, ela entrega uma herança.
E: O conceito de Akai Ito, o fio vermelho do destino, aparece na narrativa. O que te fez trazer esse símbolo pra história?
GYM: Akai Ito sempre me fascinou. Escuto sobre essa lenda desde criança. Em Flauta de Bambu, porém, eu tento dar um significado diferente para o tradicional sentido romântico que é sempre divulgado em animes e k-dramas, j-dramas ou c-dramas. Eu trouxe esse símbolo para representar a persistência da memória e do afeto, apesar das rupturas causadas pelo tempo e pela distância.
Em Flauta de Bambu, o fio vermelho é o que conecta a batchan Masumi à sua amiga Kimiko, perdida durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Usei esse elemento para mostrar que, embora o oceano e as décadas pareçam separar as pessoas, existe uma ligação invisível que resiste e que se entrelaça com a história da própria Aiko, por isso ela tem vários sonhos com emaranhados de fios e com as próprias batchan e Kimiko.
Foto: reprodução/Rocco
E: A pororoca entra como uma inspiração importante no livro. Como esse fenômeno ajudou a construir o clima e o simbolismo da narrativa?
GYM: A pororoca realmente é um símbolo importantíssimo, não só o componente estético. Do tupi pororoka, o fenômeno remete ao estrondo entre as águas do rio e do mar, e, no livro, serve de metáfora perfeita para a experiência nikkei na Amazônia: o encontro do rio doce, que é a nossa vivência local, com a água salgada do oceano, que representa a nossa ancestralidade que veio por navios.
No livro, a pororoca mostra que esse encontro de identidades pode ser barulhento, impactante, mas sempre transformador. As águas não se anulam, mas passam a coexistir em um novo estado de movimento ou “pertencimento”.
SPOILER: Para a Aiko, a pororoca é o próprio caminho. Através da música da flauta de bambu, ela usa da pororoca como uma abertura de portais entre os dois mundos. A pororoca ajudou a construir um ambiente onde a natureza é viva e mágica.
E: A flauta de bambu é um elemento bem marcante na história. De onde veio a ideia desse objeto e o que ele representa pra você?
GYM: Confesso que não pensei muito racionalmente sobre a escolha. Eu queria que fosse um instrumento musical para ligar a batchan e sua melhor amiga de uma forma que ambas sentissem a presença da outra de maneira invisível. A flauta de bambu parecia o encaixe perfeito por ser um instrumento discreto, mas que tem notas muito doces. Poderia ser, de fato, uma flauta doce de plástico, mas o bambu me parecia ser o material que ligava as duas personagens ao Japão, terra natal delas, além de que Kimiko quem confeccionou as flautinhas. Não seria possível se fosse um instrumento de plástico ou metal.
Depois da escolha, passei a ouvir mais músicas com o instrumento e me apaixonei por Touching Heartdo músico Eric Chiryoku. Foi a música que mais me inspirou em Flauta de Bambu, tanto que está na playlist que fiz do livro.
E: O livro trata de temas bem atuais, como bullying e conflitos familiares. Como foi equilibrar isso com os elementos mais simbólicos e históricos da história?
GYM: Equilibrar os temas mais sensíveis com os tropos de aventura nunca é fácil, especialmente quando escrevemos para o público infantojuvenil. Penso que os temas acabam sendo explorados com diferentes níveis de profundidade conforme a necessidade da cena.
Mas apesar de Flauta de Bambuexplorar um pouco da rotina de Aiko e Nilo nessas questões mais sensíveis, ao mesmo tempo, não quis que a história deles fosse sobre isso. É uma aventura, que tem como propósito divertir. O ensinamento vem nas entrelinhas e espero que fique no subconsciente. É mostrar para Aiko que ela não é insuficiente e nem menos que ninguém e, ao mesmo tempo, mostrar que ela é capaz de enfrentar um dragão feroz no meio de sua missão para encontrar a melhor amiga de sua avó.
E: A narrativa também toca em acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, na história da Masumi e da Kimiko. Como foi construir essa parte mais histórica?
GYM: Foquei mais no tema da diáspora, do deslocamento e do trauma. Não quis focar na dor coletiva que é sempre frequente quando falamos de guerra, afinal, famílias e cidades inteiras são devastadas. Mas para dar a base emocional para a história, precisei realmente focar na dor individual da batchan Masumi e de Kimiko e, apesar desse trauma, também quis mostrar que há esperanças de que nossas conexões nunca se percam em momentos como esse, seja conexões entre pessoas ou entre a gente e nosso furusato, nossa terra natal.
E: Seus textos já foram publicados em inglês e japonês. Você sente que sua escrita muda dependendo do idioma ou do público?
GYM: Eu escrevo primeiramente em português e depois traduzo para o inglês. Não consigo deixar minha tendência a usar “égua”, “te arreda” e outras expressões paraenses. Também tenho dificuldade de traduzir alguns termos de koronia-go (língua da colônia), que é como se chama a adaptação da linguagem dos nikkeis.
A escrita em inglês direta poderia me fazer perder essa identidade que tanto preservo. Eu prefiro, nesse caso, ser traduzida, que foi o que ocorreu na maioria dos casos. Em alguns casos, eu mesma me traduzi e pedi revisão. Em outros, como no caso da revista japonesa Rikka Zine, escrevi em português, traduzi para o inglês e posteriormente os próprios editores traduziram para o japonês.
E: Esse livro traz muito da sua vivência amazônida e nipo-brasileira. O que você ainda tem vontade de explorar nas próximas histórias?
GYM: Eu tenho muitos projetos! (risos). A maioria se passa no Pará ou na Amazônia, trazendo referências nipo-brasileiras. Alguns dos meus projetos incluem ainda a mistura de encantarias e criaturas autorais amazônicas e a mitologia japonesa. Alguns incluem a mistura de encantarias e criaturas autorais amazônicas com a mitologia japonesa, geralmente no gênero de fantasia. Outros, de ficção científica, exploram o racismo amarelo e o pertencimento.
Não escrevo apenas sobre essas temáticas, mas são de fato a maioria dos meus projetos.
Para adiantar uns spoilers, tenho um middle-grade estilo Sakura Card Captors que se junta a Guerreiras do K-pop em Belém por causa de um tropeço. Esse projeto já está em fase final de escrita. Meu outro projeto pronto inclui uma adolescente mais velha, ansiosa pelo vestibular e que tem poderes extraordinários como boa parte de descendentes de imigrantes no Pará: ela sente demais o que os outros sentem e acaba sendo inclinada a fazer o que desejam. São projetos de públicos distintos, mas gosto de transitar entre eles.
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Protagonista de Arafta, İlsu Demirci comenta cenas intensas e a repercussão da novela no Brasil
İlsu Demirci é uma jovem atriz e modelo turca de 21 anos, nascida em Antalya, que vem se destacando no mundo das novelas turcas. Antes de começar a atuar, ela venceu o concurso de beleza Miss Mediterranean 2023, fato que abriu portas para sua presença na mídia. Seu primeiro trabalho como atriz foi na dizi Kan Çiçekleri (tradução livre: Flores de Sangue), no papel de Berfin. O projeto foi um sucesso, com destaque para o Brasil, e deu à atriz, a oportunidade de ficar conhecida mundialmente.
Após a estreia marcante, İlsu Demirci foi confirmada como protagonista de Arafta (tradução livre: No Limbo), dizi que estreou em 2025 e está prestes a encerrar sua primeira temporada, em abril de 2026. Na novela, ela é Mercan Yıldırım, personagem intensa e emocionalmente complexa, que vive conflitos familiares e pessoais enquanto tenta encontrar seu próprio caminho. Ao longo da história, ela se envolve em uma relação marcada por altos e baixos com Ateş (Emin Günenç), seu par romântico, formando o casal central da trama. Em entrevista exclusiva ao Entretetizei, İlsu comenta sobre Arafta:
“Certamente, quando li sobre a personagem… achei-a muito próxima de mim. Pois uma voz interior realmente dizia que eu deveria interpretar a personagem Mercan. Fui atraída por ela sem motivo no início. Depois, quando fizemos a audição no escritório e a interpretamos, eu disse: Eu sou Mercan. […] acho que as coisas resultaram positivamente para mim. Isso é algo relacionado ao sentimento e… A acreditar em si mesma”, comentou.
Créditos: reprodução/ilsudemircii & volkansitt via Instagram
Além disso, a atriz também comentou sobre seu parceiro de cena – já entrevistado pelo Entretetizei (veja aqui), Emin Günenç, o qual divide cenas intensas: “Quando nos conhecemos, os personagens também acabavam de se conhecer na história. Isso foi muito realista para nós. Nós também estávamos começando a nos conhecer. […] Depois nos abrimos, viramos amigos e nos unimos. Posteriormente, é claro, as cenas de amor entre Ateş e Mercan começaram a parecer mais real. Nós fazemos o nosso melhor. Temos uma amizade muito boa, por isso… ficamos felizes se conseguimos transmitir essas cenas para vocês. Espero que continue sempre assim”.
Créditos: reprodução/araftadizi via Instagram
Ao longo da entrevista, também fizeram parte temas como cenas mais marcantes, sonhos de carreira e um momento especial de İlsu Demirci testando seu português durante uma pergunta sobre o Brasil. Quer conferir a entrevista completa? Veja a seguir:
Agradecimentos: Ann Zara Asakawa e Paty Olcoski
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Histórias que romperam tabus, emocionaram o público e abriram caminho para novas narrativas no horário nobre da televisão brasileira
As novelas brasileiras têm, cada vez mais, aberto espaço para abarcar e representar a diversidade sexual e de gênero em suas tramas, trazendo profundidade, densidade e complexidade para as histórias de casais LGBTQIAPN+. Quebrando tabus, preconceitos e estereótipos, essas narrativas em novelas se tornam mais visíveis e passam a conquistar o espaço que sempre mereceram na teledramaturgia nacional.
Ao longo das décadas, essa representação passou por uma transformação significativa, saiu do apagamento completo e da censura , atravessou períodos de hiperssexualização e, hoje, caminha em direção a uma pluralidade e representatividade mais respeitosa e bem construída. Atualmente, as novelas exploram essas histórias com mais sensibilidade, humanidade e realismo.
Um exemplo recente é o casal Lorena e Juquinha da novela Três Graças (2025). A relação entre elas tem sido representada com respeito, amor e dignidade, algo pelo qual a comunidade LGBTQIAPN+ lutou por muitos anos para ver no horário nobre da maior emissora do país. Com cenas de afeto mais explícitas, beijos prolongados e demonstrações de intimidade mais intensas tratadas com a mesma naturalidade dada a casais heteronormativos, a trama marca uma importante quebra de barreiras históricas. E é nesse contexto que o Entretetizei preparou uma lista de casais LGBTQIAPN+ que marcaram o público e ajudaram a abrir caminho para que histórias como a de Loquinha existissem e alcançassem tanto sucesso atualmente. Confira:
Clara e Rafaela – Mulheres Apaixonadas (2003)
Foto: divulgação/AcervoGlobo
Começar essa lista sem mencionar Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) é um desserviço total e seria um grande erro. O casal se tornou um verdadeiro marco lá no início dos anos 2000, sendo o primeiro a representar um romance jovem de um casal LGBTQIAPN+ na TV brasileira e em horário nobre. A história foi conduzida com sensibilidade, respeito e afeto, abordando temas como aceitação e preconceito. O relacionamento entre elas começa como uma amizade, mas à medida que a história avança, as duas estudantes se descobrem apaixonadas uma pela a outra, evoluindo para um romance. Ao longo do folhetim, elas enfrentam grandes dramas como a resistência da família e os ataques homofóbicos dos colegas do colégio. No capítulo final da novela, elas protagonizaram um rápido selinho ao encenarem uma releitura da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare na escola.
Jennifer e Eleonora – Senhora do Destino (2005)
Foto: Reprodução/Gianna Carvalho/Globo
O relacionamento entre a médica Eleonora (Mylla Christie) e a estudante Jenifer (Bárbara Borges) trouxe à tona discussões sobre o amor, preconceito e a aceitação em uma das novelas mais populares da teledramaturgia nacional. Eleonora enfrenta dificuldades para assumir sua homossexualidade para a família, especialmente diante do pai, Sebastião (Nelson Xavier), um conservador fervoroso e que não aceitava o fato de sua única filha ter se apaixonado por uma mulher. Ao longo da trama, o casal conquistou o apelo e a torcida do público e, ao fim da novela, terminam juntas, felizes, formando uma família ao adotarem uma criança, o que provocou diversos debates sobre adoções de crianças realizadas por casais homoafetivos na época.
Marina e Marcela – Amor e Revolução (2011-2012)
Foto: Reprodução/Lourival Ribeiro/Sbt
Protagonistas do primeiro beijo entre duas mulheres na televisão brasileira, Marina (Giselle Tigre) e Marcela (Luciana Vendramini) tiveram a ajuda do público para conquistarem um final feliz no folhetim do SBT. Na época, a emissora lançou uma enquete para decidir o destino da personagem Marina e 82% do público votou a favor de um desfecho positivo para o casal. A história das duas caiu no gosto popular e chegou a ter um spin-off, lançado em 2025, mais de dez anos após o desfecho da trama. A narrativa do casal fez elevar os índices de audiência da novela, que chegou a alcançar recorde no capítulo que apresentou o beijo entre elas. “As personagens nos surpreenderam de um jeito que nunca imaginamos. Eu e Gisele fomos arrebatadas pelo carinho do público, não fazíamos ideia da força dos fã-clubes, das mensagens, do amor que chegava de todos os cantos do país”, contou Luciana Vendramini, intérprete de Marcela na trama, em entrevista ao Portal Léo Dias.
Clara e Marina– Em Família (2014)
Foto: Reprodução/Inês Lampreia/Globo
O casal Clarina, como apelidado pelos fãs, conquistou o grande público e uma grande base de fãs fiéis e apaixonados. Na trama, a relação entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Muller), começa com uma amizade que, aos poucos, se torna algo profundo, bonito e verdadeiro. Clara nunca havia se apaixonado por uma mulher antes e passa por um momento de auto descoberta e reflexão, enfrentando o dilema de estar casada enquanto desenvolve sentimentos pela fotógrafa que a deixa confusa e dividida. Clara reprime seus sentimentos enquanto o marido passa por problemas de saúde. Marina se esforça para conquistá-la e consegue. Cansado das brigas por causa da fotógrafa, Cadu (Reynaldo Gianecchini) pede a separação e vai morar na casa de uma amiga. Com o fim do casamento, Clara, enfim, assume o romance com Marina e se entrega à paixão, que é aprovada pelo filho Ivan (Vitor Figueiredo). No fim da trama, Cadu acaba ficando com a pianista Verônica (Helena Ranaldi) e os dois são padrinhos do casamento de Clara e Marina, que terminam a novela felizes e casadas, reforçando a ideia que quando se tem amor, ele sempre vence no final.
Félix e Niko – Amor à Vida (2013)
Foto: Reprodução/Globo
Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano) formaram um casal icônico que marcou época na novela Amor à Vida. Eles protagonizaram o primeiro beijo gay masculino na TV Globo, consolidando um marco importante na teledramaturgia brasileira. A relação evoluiu de uma amizade super fofa e leve entre os dois para uma união estável entre o vilão mais amado do Brasil e o carismático cozinheiro. Niko surgiu na vida de Félix em uma fase de profunda transformação do personagem. Renegado pela família após as atrocidades que ele cometeu durante a trama serem reveladas, ele precisou se abrigar na casa de Márcia (Elizabeth Savalla), onde aprendeu a se tornar mais humano, íntegro e leal, além de descobrir novas formas de viver por meio de atos de bondade. Nesse contexto, a aproximação com o chef Niko, que aos poucos, conseguiu despertar o lado bom e sensível de Félix e contribuiu para a reconciliação com sua mãe, Pilar (Susana Vieira), é fundamental. Após ser traído por Eron (Marcello Anthony), o chef parecia não acreditar mais no amor, até reconhecer em Félix a possibilidade de um recomeço e de um companheiro ideal para o resto de sua vida. Félix, por sua vez, relutou inicialmente com a ideia do romance e demorou a admitir que sentia algo mais profundo por Niko. Ainda assim, no fim, prevaleceu o amor e o afeto entre os dois. Na reta final da novela, eles conquistam o esperado final feliz, criam os filhos juntos em uma casa de praia e passam a cuidar de César (Antonio Fagundes), pai de Félix, formando uma linda família. O casal se tornou uma verdadeira febre entre o público brasileiro e permanece até hoje como um dos romances mais marcantes da televisão.
André e Tolentino – Liberdade, Liberdade (2016)
Foto: Reprodução/Felipe Monteiro/Gshow
A novela das 23h de época da Globo deixou o público estarrecido e impactado com o casal interpretado por Ricardo Pereira e Caio Blat, que protagonizaram a primeira cena de sexo entre dois homens na TV aberta brasileira. Infelizmente aqui, o final não foi feliz. “Se algum crime cometi, foi ter amado demais”. Esta foi a última frase dita por André (Caio Blat) antes de sua execução. O irmão de criação de Joaquina (Andreia Horta) foi condenado ao enforcamento, sob acusação de sodomia. Ambientada em um período onde a relação entre dois homens era considerada crime, a trama mostra a condenação e morte do personagem. Ainda assim, isso não tira o marco que foi. O casal viveu um lindo e intenso romance que surgiu da amizade entre dois homens completamente diferentes.
Lica e Samantha – Malhação: Viva a Diferença (2017-2018)
Foto: Reprodução/Globo
Aqui temos o primeiro romance sáfico teen em Malhação. Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovanna Grigio) viveram um romance fofo e repleto de descobertas durante a adolescência em Malhação: Viva a Diferença (2017) e se tornaram um verdadeiro fenômeno. A temporada foi tão marcante que rendeu um spin-off chamado As Five, disponível no Globoplay, onde as duas meninas se descobrem em fases diferentes da vida. O romance entre as duas revelava uma paixão intensa enquanto elas lidavam com as diferenças e a diversidade sexual. O beijo entre as duas meninas na novelinha teen roubou a cena e marcou o primeiro beijo gay de Malhação em seus mais de 20 anos de história. A delicadeza e a sensibilidade entre elas conquistou uma legião de fãs, apelidados de Limantha.
Clara e Helena, Vai Na Fé
Foto: Reprodução/Globo
Clara (Regiane Alves) é uma mulher que, inicialmente, vive um casamento infeliz com Theo (Emílio Dantas), um homem controlador e abusivo. Helena (Priscila Stenman) é uma personal-trainer bem-sucedida, segura de si e determinada, que conhece Clara na academia do prédio, quando esta decide voltar a se exercitar para tentar resgatar a autoestima destruída por Theo. As duas se tornam amigas, confidentes e, com o tempo, se descobrem apaixonadas uma pela outra. Com a ajuda de Helena, Clara se torna uma mulher mais confiante e forte, tomando coragem para enfrentar o marido tóxico e a relação das duas fica cada vez mais estreita. O fandom Clarena fez barulho, com fãs fervorosos que se mobilizaram nas redes sociais, os telespectadores ainda reclamaram quando os beijos das personagens foram censurados pela direção da Globo e fizeram campanhas para que o gesto de carinho fosse exibido normalmente, gerando debates sobre representatividade e respeito.
Kelvin e Ramiro – Terra e Paixão (2023)
Foto: Reprodução/Paulo Belonte/Globo
Desde as primeiras cenas, Kelmiro, como são conhecidos entre os fãs do casal, mostraram uma excelente química, sintonia e afeto genuíno, algo que chamou a atenção do público e conquistou os corações dos telespectadores. Kelvin (Diego Martins) e Ramiro (Amaury Lorenzo) foram um dos casais mais shippados da novela Terra e Paixão. Ramiro, inicialmente é apresentado na trama como um matador, frio e violento, um assassino que mata pessoas a mando de seu patrão, Antônio La Selva (Tony Ramos). A raiva do público foi instantânea, mas aos poucos, a verdadeira história por trás de toda essa vilania foi sendo contada e o Brasil foi se afeiçoando pelo capanga, entendendo suas convicções e o seu jeito. Mostrou-se que por trás de tudo aquilo, existia um homem magoado, frustrado e com um coração imenso, tudo isso graças a presença de Kelvin, que investe nele sem dó e medo. Mesmo se esquivando e sem graça, Ramiro vai se deixando levar pelas cantadas e apertãozinhos e começa a gostar do rapaz. Os dois se tornam parceiros, confidentes, e a relação vai se estreitando aos poucos, com declarações de amizade, afeto e demonstrações de carinho. O casal virou uma verdadeira febre nas redes sociais e teve direito a um beijão na reta final da novela; um grande marco para a representatividade Lgbtqiapn+ na televisão brasileira, o público em geral amou a história e torceu fervorosamente por eles. No final, chegaram a se casar com uma festa digna de protagonistas, algo que era impensável até certo tempo atrás. Foi histórico e inesquecível.
Jania e Otilia – Guerreiros do Sol (2025)
Foto: Reprodução/Globo
O casal interpretado por Alinne Moraes e Alice Carvalho conquistou o público com uma história sensível, delicada e cheia de intensidade na novela Guerreiros do Sol. Ao longo da trama, as personagens enfrentam inúmeros obstáculos e vivem um romance marcado por idas e vindas, ambientado entre as décadas de 1920 e 1930, período em que uma relação como a delas era vista como proibida. Em meio aos perigos do cangaço, o amor das duas resiste mesmo diante das dificuldades do caminho. A química avassaladora entre as atrizes, aliada a cenas carregadas de emoção, amor intenso e uma narrativa envolvente, fez com que o público torcesse fervorosamente por um desfecho feliz e digno. No último capítulo, após um longo período separadas, acontece um reencontro quente e cheio de amor super marcante entre elas. Otilia volta para a fazenda e as duas finalmente conquistam o final feliz tão esperado por quem acompanhou o romance. “Pela primeira vez na TV um casal sáfico é coprotagonista e tem final feliz, além de importância na trama. Que doideira fazer parte disso”, afirmou Alice Carvalho, intérprete de Otilia na novela. O casal era pura poesia, arte e intensidade com uma narrativa sensível, potente e bonita que merece ser apreciada e que se firma como um marco de representatividade e emoção na teledramaturgia brasileira.
E aí, gostou de relembrar esses casais maravilhosos e tão representativos? Conta para gente nas redes sociais do Entretê! Nos siga no X, no Facebook e no Instagram e não perca as novidades.
Em celebração ao aniversário da autora de Jane Eyre, o Clube do Livro do Entretê revisita a trajetória de uma das vozes mais marcantes da literatura inglesa e seu impacto na atualidade
No dia 21 de abril, leitores ao redor do mundo celebram o nascimento de Charlotte Brontë, uma autora cuja voz permanece atual até hoje. Sua obra mais conhecida, Jane Eyre (1847), não apenas conquistou gerações, mas também ajudou a transformar a forma como as mulheres passaram a ser representadas na literatura.
Foto: reprodução/Poetry Foundation
Mais do que um clássico, o romance permanece atual ao abordar temas como autonomia, desejo, moralidade e pertencimento. Em um cenário literário que frequentemente limitava as vozes femininas, Brontë criou personagens que não apenas existiam – elas questionavam, escolhiam e resistiam.
Uma voz à frente do seu tempo
Nascida em 1816, na região de Yorkshire, Charlotte cresceu em um ambiente marcado por contrastes: de um lado, o incentivo à leitura; de outro, uma sucessão de perdas familiares que atravessaram sua infância. Filha de um pastor anglicano, ela perdeu a mãe ainda muito jovem e, pouco depois, viu duas irmãs mais velhas morrerem após passarem por um internato cujas condições eram duras e insalubres.
Esse contexto de luto constante e isolamento não ficou restrito à vida pessoal, ele atravessou sua escrita de forma profunda. Ao lado das irmãs Emily Brontë (1818-1848) e Anne Brontë (1820-1849), Charlotte encontrou na imaginação uma forma de expandir os limites daquele cotidiano restrito.
Foto: reprodução/Adoro Cinema
Ainda na infância, as irmãs criaram universos ficcionais complexos, com geografia própria, disputas políticas e personagens recorrentes. Essas histórias eram registradas em cadernos minúsculos, escritos com letras quase imperceptíveis – um exercício contínuo de criação que funcionava como um verdadeiro laboratório literário doméstico. Essa prática intensa ajuda a compreender a densidade emocional e a força dramática que marcariam suas obras anos depois.
Jane Eyre e a revolução silenciosa
Quando publicou Jane Eyre, em 1847, sob o pseudônimo Currer Bell, Charlotte Brontë apresentou ao público uma protagonista que desafiava as convenções da época. A história acompanha uma jovem órfã, sem recursos e aparentemente comum, que constrói sua trajetória com base em princípios próprios, inclusive ao se apaixonar pelo enigmático Sr. Rochester.
Foto: reprodução/Clube de Literatura Clássica
Misturando elementos do romance gótico com um forte realismo psicológico, a obra vai além de uma narrativa romântica. Trata-se de uma crítica às limitações impostas às mulheres e às estruturas sociais do século XIX.
Foto: divulgação/Martin Claret/Entretetizei
Jane não se encaixa no modelo passivo frequentemente atribuído às personagens femininas daquele período. Ela sente intensamente, enfrenta dilemas morais e, acima de tudo, toma decisões – algo que, à época, soava profundamente disruptivo.
O peso de ser mulher no século XIX
A publicação das obras das irmãs Brontë aconteceu em um contexto em que mulheres escritoras eram frequentemente recebidas com desconfiança. Para contornar esse cenário, Charlotte, Emily e Anne optaram por assinar seus trabalhos com pseudônimos masculinos: Currer, Ellis e Acton Bell.
Foto: reprodução/History
Longe de ser um detalhe, essa escolha revela as barreiras estruturais enfrentadas por mulheres no campo literário. Ainda assim, suas narrativas não buscavam suavizar temas ou se adequar a expectativas: eram histórias intensas, atravessadas por conflitos morais, emoções extremas e personagens complexos.
Foto: reprodução/Instagram @trechosdelivros
Nesse sentido, Charlotte Brontë não apenas conquistou espaço, ela ajudou a transformá-lo. Ao colocar a experiência feminina no centro da narrativa, deu forma a uma escrita marcada pela interioridade, pela força emocional e por uma perspectiva até então pouco explorada na literatura inglesa.
Em Jane Eyre, essa ruptura se manifesta também na forma. A narrativa em primeira pessoa aproxima o leitor da protagonista de maneira direta, criando uma conexão íntima com seus pensamentos, dilemas e desejos, um recurso que intensifica o impacto emocional da obra.
Foto: reprodução/Instagram @trechosdelivros
Ao mesmo tempo, Brontë dialoga com a tradição do romance gótico, mas a ressignifica. Elementos como a atmosfera carregada de Thornfield Hall, os segredos que atravessam a narrativa e a figura perturbadora de Bertha Mason não funcionam apenas como recurso de suspense: eles refletem tensões sociais e psicológicas profundas.
Foto: reprodução/Instagram @rafaelnobrestudio
O gótico, aqui, deixa de ser apenas cenário e passa a operar como linguagem, uma forma de expressar angústias, repressões e conflitos internos, especialmente aqueles impostos às mulheres em uma sociedade rigidamente estruturada. Ao trazer esse imaginário para um contexto mais realista e doméstico, Brontë contribuiu para renovar o gênero, aproximando-o da experiência cotidiana e ampliando suas possibilidades.
Foto: reprodução/Instagram @canyayinlari
Não por acaso, essa simbologia segue sendo revisitada em diferentes linguagens artísticas. Um exemplo contemporâneo é a canção Madwoman in the Attic, da banda Blackbriar, inspirada na figura da louca no sótão. Ao recuperar a história de Bertha Mason, a música reforça como os conflitos presentes em Jane Eyre permanecem vivos e continuam encontrando novas formas de expressão.
Um legado que atravessa gerações
A trajetória das irmãs Brontë também foi marcada por perdas precoces. Emily Brontë e Anne Brontë morreram poucos anos após a publicação de suas obras, enquanto Charlotte viveu o suficiente para acompanhar o crescimento do reconhecimento literário e contribuir para a consolidação do legado familiar.
Foto: reprodução/Dark Blog
Sua própria história, no entanto, também seria interrompida de forma abrupta. Charlotte Brontë morreu em 1855, aos 38 anos, durante a gestação de seu primeiro filho, menos de um ano após o casamento. À época, a causa registrada foi tuberculose – uma doença que já havia atingido outros membros da família –, mas análises posteriores apontam que seu quadro pode ter sido agravado por complicações severas da gravidez, que a deixaram extremamente debilitada.
Com o passar do tempo, a história das três irmãs – frequentemente associada à imagem de jovens geniais isoladas – ajudou a construir um imaginário quase lendário em torno de seus nomes. No entanto, por trás dessa narrativa, havia disciplina, leitura constante e um compromisso rigoroso com a escrita.
Décadas depois, Jane Eyre continua sendo revisitado, adaptado e reinterpretado, mantendo-se relevante ao dialogar com questões que ainda atravessam a experiência contemporânea.
Foto: reprodução/MUBI
Celebrar Charlotte Brontë é, portanto, reconhecer não apenas sua contribuição para a literatura, mas também a potência de histórias que se recusam a ser esquecidas. Em cada página, sua escrita reafirma que, mesmo em silêncio, algumas vozes são capazes de atravessar gerações.
Foto: reprodução/Literatura Inglesa Brasil
Você se aventuraria pelos mistérios de Thornfield Hall para celebrar o aniversário de Charlotte Brontë? Compartilhe com a gente através das nossas redes sociais – Instagram,FacebookeX – e, se você gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!
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