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BITE ME: Renné Rapp lança novo álbum

O trabalho conta com 12 faixas, inclusive singles lançados anteriormente

A aclamada cantora norte-americana, Reneé Rapp, lança seu segundo álbum de estúdio, intitulado BITE ME, nesta sexta-feira, 1 de agosto. Em comemoração ao lançamento, Rapp também fará um show especial de lançamento do álbum, no Warsaw, Brooklyn, na noite de hoje.

A cantora fez uma performance incrível da faixa de destaque, Sky, pela primeira vez no The Late Show with Stephen Colbert, na noite da última  quinta-feira (31) Além disso, Reneé dará início à sua turnê norte-americana, no dia 23 de setembro, no Red Rocks Amphitheatre, no Colorado. Essa será sua maior turnê até hoje, passando por 16 cidades e grandes arenas, como o icônico Madison Square Garden, em Nova Iorque.

BITE ME é um álbum cru e vulnerável, que fala sobre assumir a  própria narrativa. Assim como a própria Rapp, o disco cria uma comunidade para a expressão pessoal sem filtros. A obra conta com 12 faixas, incluindo os singles Mad, Why Is She Still Here? e Leave Me Alone, que foram divulgados anteriormente e causaram grande comoção entre os fãs.

No início do verão, a cantora lançou o site BITE.ME, em que foram reveladas diversas pistas sobre o álbum, que ainda não havia sido anunciado. Nas semanas seguintes, a internet foi tomada por teorias e indícios ligados ao projeto, como a tatuagem Bite Me nos lábios de Reneé e até postagens de nomes como Paris Hilton, Charlize Theron, Monica Lewinsky, Gabby Windey, entre outros.

Foto: reprodução/Stage Right Secrets

Desde o início da campanha, a expectativa em torno do disco cresceu exponencialmente a cada novo lançamento. Em maio, Rapp apresentou o single Leave Me Alone ao vivo pela primeira vez, durante o American Music Awards 2025. Poucas semanas depois, ela lançou o segundo single, Mad, com performance ao vivo no dia do lançamento, durante o Summer Concert Series, do Today Show.

Essa nova e empolgante fase marca o primeiro lançamento musical de Reneé Rapp desde 2023, quando colaborou com a artista vencedora do GRAMMY, Megan Thee Stallion, no hit Not My Fault, presente na trilha sonora oficial do filme Meninas Malvadas, da Paramount — no qual Rapp também reprisou seu icônico papel como Regina George. A canção rendeu a Rapp o maior número de reproduções no primeiro dia de lançamento no Spotify até então, além de uma performance lendária das duas artistas no Saturday Night Live.

Ainda em 2023, a cantora lançou seu primeiro álbum de estúdio, Snow Angel, que conquistou a maior estreia em vendas de uma artista feminina nos EUA naquele ano. No outono, ela embarcou na turnê Snow Hard Feelings, uma série de shows esgotados com grande demanda, incluindo quatro noites em Nova York e uma apresentação em Los Angeles, no lendário Greek Theatre. Agora, com o lançamento de seu segundo álbum, Reneé Rapp está pronta para alcançar novos patamares em sua carreira nessa nova era.

 

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Leia também: Especial | Conheça Reneé Rapp

 

Texto revisado por Kaylanne Faustino

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Vinte anos depois, programa de Lázaro Ramos ganha nova temporada

Apresentado pelo ator, a 16ª temporada de Espelho tem previsão de estreia para 2026

 

Duas décadas desde a estreia e quatro anos após o encerramento de suas atividades, o programa de entrevistas Espelho, apresentado pelo ator e ativista Lázaro Ramos, retomou as gravações no Rio de Janeiro. Exibido pelo Canal Brasil, os novos episódios voltam a abordar temas já discutidos anteriormente, como imprensa e narrativas negras, infância e ancestralidade e a memória preta no cinema.

Sob a perspectiva atual dos novos convidados, a 16ª temporada fará uma comparação entre os diálogos contemporâneos e os registros anteriores, reapresentando trechos de entrevistas passadas. Entre os novos entrevistados estão nomes como os atores Tony Ramos e Andrea Beltrão, os jornalistas Gilberto Porcidonio, Zileide Silva e Eliane Alves, o rapper Xamã e a cantora Ebony

Entre 2006 e 2021, Espelho contou com mais de 300 episódios ao longo de 15 temporadas. Lázaro Ramos entrevistou personalidades como Fernanda Montenegro, Criolo, Glória Maria (1949-2023), Lewis Hamilton, Iza, Adriana Esteves, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, entre outros. Durante as conversas, os convidados compartilham histórias e maneiras de ver o mundo, trazendo discussões sobre democracia, educação e cultura, sob a ótica da diversidade.

Espelho – 20 anos depois tem previsão de estreia para o primeiro semestre de 2026. Enquanto isso, que tal maratonar as entrevistas antigas, disponíveis no Youtube? 

Dica do Entretê

 

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Leia também: 1984: obra de George Orwell ganha versão em áudio nas vozes de Lázaro Ramos e Mateus Solano

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura @_itsbrinis

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Emma Cline, Roger Zelazny e outros autores estão entre os lançamentos da Intrínseca em agosto

De suspenses surpreendentes a romances docinhos, a editora tem novidades para todos os gostos

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Luedji Luna inicia a turnê Um Mar Pra Cada Um, Antes Que A Terra Acabe

A cantora confirmou shows em Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte. Mais datas da turnê  serão divulgadas

Em um 2025 agitado com o lançamento de dois álbuns de estúdio e uma série de shows em homenagem à Sade, a cantora baiana Luedji Luna inicia a turnê Um Mar Pra Cada Um, Antes Que A Terra Acabe contemplando os seus trabalhos mais recentes. O espetáculo já tem data para passar em diferentes cidades brasileiras e contará com participação especial.

A turnê teve início em julho com show gratuito no festival Latinidades, em Brasília, e seguirá para Buíque, em Pernambuco, além de Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte. Outras cidades também deverão receber a turnê, mas ainda não há mais detalhes.

As apresentações nas capitais paulista e carioca ainda contarão com a participação especial da cantora Tali, com quem a baiana colaborou na faixa Salty, do álbum Um Mar Pra Cada Um.

A turnê representa as novas fases de Luna e é o resultado do encontro entre os elementos presentes nos dois últimos álbuns da artista.

A colaboração com Seu Jorge, Apocalipse, e Gênesis, parceria com o maestro Ubiratan Marques, são algumas das faixas presentes no repertório da nova tour.

 

Confira as datas confirmadas:

02/08 – Festival Pernambuco Meu País – Buíque/PE (Gratuito)

03/08 – Concha Acústica UFPE – Recife/PE (vendas abertas)

09/08 – Vivo Rio – Rio de Janeiro/RJ (vendas abertas)

15/08 – Espaço Unimed – São Paulo/SP (vendas abertas)

13/09Em breve

11/10Em breve

25/10 – Concha Acústica TCA – Salvador/BA (vendas abertas)

29/10Em breve

12/12 Em breve

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Leia mais: Entrevista | Com alma pop e coração aberto, Bruno Gadiol vive expectativa para lançamento do novo álbum

Texto revisado por Larissa Couto

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Chappell Roan retorna com novo single The Subway

Música foi apresentada pela primeira vez durante show em 2024. Esse é o terceiro single da cantora após o sucesso do primeiro álbum de estúdio

A cantora estadunidense Chappell Roan lançou nesta sexta (1) o videoclipe do seu novo single The Subway. Nos últimos dias, pôsteres foram vistos pelas ruas de Nova York com pistas sobre o lançamento da música, aumentando a expectativa dos fãs. 

Produzida ao lado de Dan Nigro, com quem trabalha desde 2018, The Subway aborda o fim de um relacionamento e o processo para superar a perda da pessoa amada. No videoclipe, dirigido por Amber Grace Johnson, Chappell aparece com longos cabelos ruivos e canta sobre esperar ansiosamente pelo dia em que a sua ex-namorada será “apenas uma garota no metrô”.

A canção foi apresentada pela primeira vez em junho de 2024 no festival Governors Ball, quando a cantora de 26 anos surpreendeu todo mundo vestida de Estátua da Liberdade. Desde então, os fãs ansiavam pela versão em estúdio da música, lançada na noite dessa quinta (31). 

Em entrevista ao podcast Las Culturistas, Chappell chegou a falar sobre a dificuldade em gravar a canção, afirmando que algumas músicas funcionam melhor ao vivo.

Pelas redes sociais, ela compartilhou sobre o orgulho que sente da música e brincou sobre ter “arrancado os cabelos tentando descobrir como a canção deveria soar musicalmente, visualmente e emocionalmente”.

Esse é o terceiro single da cantora após o primeiro álbum de estúdio The Rise and Fall of a Midwest Princess, lançado em 2023. Com hits, como Femininomenon e Pink Pony Club, o projeto rendeu grande destaque à Roan, que levou o prêmio de Melhor Artista Revelação no Grammy deste ano.

Em 2024, ela retornou com o sucesso Good Luck, Babe! e, um ano depois, lançou The Giver, com uma pegada inclinada para o country. Chappell trabalha no seu segundo álbum de estúdio e, apesar de não ter divulgado mais informações, os três singles deverão estar presentes no próximo trabalho da artista. 

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Leia mais: Laufey dança pelas ruas do Japão em novo clipe de Lover Girl

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

 

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Especial | Ney Matogrosso, voz, corpo e liberdade

Ney Matogrosso mescla arte, coragem e liberdade em mais de cinco décadas de história na música brasileira. Um símbolo de resistência como poucos!

Hoje é dia de celebrar a vida de Ney Matogrosso! Presente no cenário artístico brasileiro há mais de três décadas, ele é mais do que um cantor: é arte, forma, luz e poesia. Ney é um exemplo de resistência cultural, artística e de afirmação de identidade; seu trabalho atravessa fronteiras, mobiliza multidões e levanta questões importantes sobre liberdade, presença e enfrentamento contra a opressão, em diferentes períodos da história do Brasil. Dono de uma performance incomparável, transgressora e inovadora, Ney moldou sua carreira rompendo padrões. Pensando nisso, o Entretetizei preparou um especial sobre esse ícone da música brasileira. Estão preparados?

Da infância nômade ao nascimento de um ícone
Foto:reprodução/GettyImages

Ney de Souza Pereira, mais conhecido como Ney Matogrosso, nasceu em Bela Vista, município localizado no sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai, no dia 1° de agosto de 1941. É um cantor, intérprete, dançarino, ator e diretor consagrado. Hoje, um dos maiores nomes da música brasileira!

Filho de militar, Ney viveu uma infância nômade, mudando de cidade com bastante frequência, o que o impedia de criar raízes. O nome artístico veio da própria família: seu pai tinha Matogrosso no nome, sendo também uma homenagem ao seu estado de nascimento. Ney só adotou oficialmente esse sobrenome em 1971, quando se mudou de vez para São Paulo. Desde cedo, já demonstrava seus dotes artísticos: cantava, pintava e interpretava. Chamava a atenção de todos e deixava evidente sua veia artística já bastante afiada para a idade. Teve uma infância e adolescência marcadas pela solidão, se sentia incompreendido e diferente dos outros meninos: “sempre fui uma criança solitária. Gostava de ser daquela maneira, como gosto de ser até hoje. Enquanto meus amiguinhos estavam brincando lá fora, eu estava desenhando”, contou o cantor em entrevista ao jornal O Globo. 

Aos 18 anos, assumiu sua bissexualidade, deixou a casa da família e ingressou na aeronáutica. Gostava de ler sobre teatro e música, mas estava perdido quanto à profissão. Desistiu da carreira militar e, por um tempo, morou em Brasília, na casa do primo. Anos depois, participou de um festival universitário e chegou a formar uma banda. Concentrou-se então no teatro, decidindo se profissionalizar na área. Deixou Brasília e mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1966, onde passou a viver da confecção e venda de artesanato em couro. Viveu como hippie, criando seus próprios looks, acessórios e artefatos – uma estética que mais tarde marcaria sua identidade artística.

Secos e Molhados: o divisor de águas 
Foto: divulgação/Continental

O grupo Secos e Molhados, formado em 1973, foi um marco para a história da música brasileira. Com dois discos lançados entre 1973 e 1974 e mais de um milhão e meio de cópias vendidas, a banda conquistou o país com suas performances inovadoras e sonoridades únicas. O visual andrógino, o corpo seminu exposto sem receio algum, o rosto pintado e a presença apoteótica de Ney no palco o transformaram no símbolo do grupo. Foi um fenômeno sem precedentes. Canções como Sangue Latino, O Vira e Rosa de Hiroshima se tornaram clássicos inesquecíveis que são ouvidos até os dias de hoje por diversas gerações. Porém, enquanto o sucesso do grupo aumentava, as tensões e as intrigas entre seus integrantes só aumentavam. A troca de empresário do grupo foi o estopim para que Ney saísse de vez da banda. “Quando fomos para o México, íamos entrar em estúdio para gravar o segundo disco. Chegando lá, nosso empresário simplesmente não apareceu! Cobramos João Ricardo, o líder da banda, e ele deu uma desculpa meio esfarrapada. Depois disseram que não havia mais nada para fazer, e ainda tinha a questão que os compositores ganhavam mais que a gente e era isso e pronto, não aceitei ”, relembrou Ney em entrevista.

Carreira solo e transgressão
Foto: divulgação/Anderson Carvalho

Em 1974, começava uma nova fase com o lançamento de seu primeiro disco solo, Água do Céu-Pássaro, também conhecido como O Homem de Neanderthal, cuja capa o mostrava com pintura corporal, vestido com pêlos de macaco, chifres e pulseiras de dentes de boi, apresentando pioneirismo dentro de um movimento social, marca de sua carreira vanguardista, com músicas com sons de floresta, macacos, ventanias, água corrente e pássaros. Uma verdadeira fuga para a natureza, um mergulho na floresta, nada conservador. Em Açúcar Candy, Ney chega até a simular um orgasmo! A faixa América do Sul chegou a ganhar um clipe no programa da Globo, o Fantástico. Com colaborações de nomes como Aldir Blanc, João Bosco, Sueli Costa e Milton Nascimento, o disco era político e poético, profundamente vanguardista. Ele chegou realmente quebrando paradigmas e marcando época.

Em 1976, por fim, veio o reconhecimento popular com o disco Bandido. A canção icônica Bandido Corazón, composta por Rita Lee, tornou-se um grande sucesso atemporal na voz de Ney, mesclando o espanhol caribenho com o português e sua voz única. Outras faixas de destaques foram Trepa no Coqueiro, Gaivota de Gilberto Gil, Mulheres de Atenas de Chico Buarque e Augusto Boal, entre outras. Nessa época, Ney escandalizava o Brasil, parava tudo por meio de sua arte, chocava a sociedade e se tornava um ícone com seu espetáculo ousado e revolucionário e uma performance de tirar o fôlego. Aqui ele mostrou para que veio realmente, não só para chocar e escandalizar com suas performances ousadas, mas também para misturar o popular com o erudito, instigar e seduzir, mesclando gêneros latinos como bolero, mambo e salsa com ritmos brasileiros como o brega. Ney desafiava o machismo, peitava a homofobia e alcançava um público cada vez maior por meio de sua potência. Sua resistência política estava cada vez mais evidente, trazendo um ato de coragem e sedução perigosa  jamais vista. Por isso ele se tornou um ícone nacional, não é mesmo?

Nos discos seguintes, como Pecado (1977) e Feitiço (1978), seguiu misturando gêneros com sofisticação. Regravou Sangue Latino, flertou com o rock, tango, bossa nova, frevo e até com a era disco. Não Existe Pecado ao Sul do Equador estourou e foi parar na trilha da novela Pecado Rasgado, da Rede Globo.

Já em Seu Tipo, de 1979, Ney subiu ao palco pela primeira vez sem fantasia, rosto limpo. Aqui ele revelou de vez sua verdadeira essência. O disco transita entre samba, bossa nova, choro, forró e MPB, mesclando cada ritmo em um jeito todo dele de ser, com uma versatilidade única e inovadora. É um álbum humano, emotivo, maduro. Aqui ele se encontra e encontra seu público. O repertório foi puxado pela faixa título, bem como outra regravação de Tom Jobim, Falando de Amor, e canções como Dor Medonha e Ardente. Mais direto e transgressor do que nunca!

Resistência na ditadura
Foto: divulgação/Marcos Hermes

Durante a ditadura militar, sua arte foi afrontada pelo moralismo. Foi ameaçado várias vezes pelo regime por causa de suas performances ousadas e sem medo. Sem camisa, maquiado, com roupas coladas e uma performance andrógina que desafiava a sociedade e o moralismo da época, Ney peitava os padrões e por isso, foi ameaçado, vigiado e censurado. Nesse período, lançou seus maiores sucessos: Homem com H; Vida, Vida; Pro Dia Nascer Feliz; Vereda Tropical; Amor Objeto; Por Debaixo dos Panos; Tanto Amar, entre tantos outros hits que atravessaram gerações. Muitas tentativas de proibição falharam, pois os netos dos generais eram fãs de Ney.Ainda assim, muitas músicas como Pasárgada, Tristeza Militar e Tem Gente com Fome foram proibidas. Ele chegou a ser ameaçado de morte por cartas anônimas e vigiado por agentes do governo. Em Brasília, em 1974, tentaram impedir um show seu por causa de um peito nu. Ele se recusou a vestir a camisa, bateu de frente e o espetáculo seguiu. “Me odiavam por que eu era diferente”, afirmou o cantor em entrevista ao programa Fim de Expediente da Rádio CBN, em 2022. Foi um período turbulento, mas pelo qual passou e enfrentou com braveza, com postura e dignidade, sem perder sua ousadia e alegria. Conseguiu mostrar para todos o seu exemplo de liberdade transgressora, sua arte e música de forma bonita e enriquecedora. Corajoso, insubmisso e autêntico, como sempre foi em toda sua vida.

Vida pessoal e amores
Foto: reprodução/Ana Carolina Fernandes/AEPasta

Ney sempre foi uma pessoa reservada e discreta quanto à sua vida pessoal, preferindo exaltar sua carreira em vez de expor seus relacionamentos amorosos. Para ele, idade é apenas um conceito abstrato. Aos 83 anos, segue cheio de energia e entusiasmo, viajando pelo Brasil com sua turnê Homem com H. “Já tive todas as experiências possíveis com drogas e realizei minha sexualidade plenamente”, contou em entrevista à revista Veja. Bem resolvido e ativo, Ney é um exemplo raro de vitalidade e coragem. Nascido em uma família espírita, nunca foi praticante da religião, identificando-se na juventude com o catolicismo. Chegou a fazer a primeira comunhão, mas, atualmente, não segue nenhuma crença. “Não tenho religião, tenho entendimento espiritual. Mesmo o daime (chá de manifestação religiosa), quando tomei, não fui atrás de religião. Queria me conhecer. Respeito todas as religiões, religião é mais que uma igreja.” Afirmou à revista Veja digital, em 2023.

Em sua trajetória, Ney viveu três amores que jamais esqueceu: Zé, o cantor Cazuza e o médico Marco de Maria; todos, infelizmente, morreram vítimas da Aids. “Eles receberam o diagnóstico na mesma época. Cazuza morreu e, dois dias depois, foi a vez de Marco, em 1990. Era um período muito diferente de hoje, as pessoas tinham até medo de encostar em alguém com AIDS. Fui levar Marco ao médico e não queriam que usássemos o elevador. Ia visitar o Cazuza e massageava seus pés quando já não conseguia se levantar.” Relembrou o cantor em entrevista à revista Veja digital sobre todo esse período conturbado de sua vida.

Todos tiveram um significado imenso e marcaram profundamente a sua alma, foram parceiros de vida, alma e coração. A relação com Marco foi a mais duradoura: foram 13 anos de amor, carinho, cuidado e parceria. Mesmo após o término, Ney cuidou dele até a sua morte, em 1990. Marco foi o único parceiro com quem o cantor morou junto. Discretos, os dois evitavam holofotes e raramente era mencionado pelo artista em entrevistas. Ney vive sua vida com intensidade e coragem, carregando consigo a saudade de seus amores. Ainda assim, mostra-se mais ativo, forte e resiliente do que nunca, transformando suas experiências em arte e mantendo viva a chama que o torna um dos artistas mais autênticos e inspiradores do Brasil! Um ícone inspirador dentro e fora dos palcos!

Ney no cinema
Foto: Reprodução/Instagram @jesuitabarbosa

Neste ano, Ney teve sua vida retratada na cinebiografia, Homem com H, um tremendo sucesso de público e crítica. O ator Jesuíta Barbosa interpretou Ney com intensidade, força e coragem, dando vida a todas as fases de sua carreira e também a aspectos de sua vida pessoal, incluindo seu relacionamento com Marco: “Eu me descontrolei duas vezes com esse filme. Eles eram tão convincentes que eu tive uma coisa assim…” relatou o artista em entrevista coletiva sobre o filme. Foi uma catarse de emoções. O filme arrebatou os corações dos fãs de todo o Brasil e está disponível para assistir a qualquer momento na plataforma Netflix. Quem não assistiu, não pode perder tempo!

Um patrimônio cultural vivo
Foto: Reprodução/Leo Avessa

Ney Matogrosso construiu uma carreira sólida sendo ele mesmo, com brilho, ousadia, poder e inteligência. Rompeu com o machismo, enfrentou barreiras, não precisou levantar bandeiras.Sempre foi a própria bandeira! Libertário, criativo, sem medo algum de ser quem é, um artista como poucos. Enfrentou a censura com beleza e arte. Tornou-se um símbolo de liberdade, não só sexual ou estética, mas liberdade de ser e criar. Aos mais de 80 anos, Ney segue sendo um ícone vivo da música brasileira, imortal, cantando, performando e reinventando. Não é exagero dizer que ele é um patrimônio cultural do Brasil. Um artista que marcou o passado, vive intensamente o presente e continua inspirando o futuro. Sua trajetória prova que seu corpo, sua música, sua história é arte pura e arte é, acima de tudo, resistência e liberdade!

E aí, gostou de saber mais sobre esse grande ícone brasileiro? Conta para gente nas redes sociais do Entretê! Nos siga no X, no Facebook e no Instagram e não perca as novidades.

 

Leia também: Jesuíta Barbosa: conheça o ator por trás de Ney Matogrosso no filme Homem com H

Crítica: Homem com H honra com o sucesso a carreira de um maiores nomes da música brasileira  

 

 Texto revisado por Angela Maziero Santana

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Entrevista | Lívia Gaudêncio, roteirista da série de Raul Seixas, celebra 25 anos de uma arte feita de coragem e escuta

A atriz, diretora e dramaturga fala sobre bastidores, sua trajetória e da leveza de transformar ideias densas em histórias que acolhem e provocam

Boas histórias não faltam na trajetória de Lívia Gaudêncio. Atriz, roteirista, diretora, dramaturga e mãe, ela soma 25 anos entre palco e câmera, sendo 15 deles também dedicados à escrita. Mineira de origem e inquieta, enxerga a arte como um território fértil para escuta, provocação e transformação. Assim como Raul Seixas, cuja história ajudou a contar na série Raul Seixas: Eu Sou, sendo a única mulher na equipe de roteiristas.

Lívia acredita no poder de traduzir ideias complexas com leveza e uma linguagem acessível. A cada nova criação, ela reafirma que provocar reflexão também pode ser um gesto despretensioso. E, também, profundamente corajoso.

Foi exatamente com o tema da coragem que, curiosamente, Lívia sonhou certa vez. A canção Por Quem os Sinos Dobram (1979), que fala sobre a coragem de assumir o que se pensa e o que se faz, não era das mais marcantes para ela até então, mas acabou ganhando outro significado. 

“Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que você pensa e faz”, canta Raul em um dos versos que, hoje, parecem ecoar na própria trajetória da artista. Como na música, Lívia tem se guiado pela ousadia de transformar pensamento em ação. Seja no palco, no set ou na escrita, a cada novo projeto ela reafirma que coragem não é só impulso. É a essência e escolha.

Desta maneira, sua voz autoral já vinha ganhando espaço no audiovisual, com histórias que atravessam o feminino em diferentes dimensões. No cinema e no teatro, a artista tem construído uma carreira plural, marcada por projetos sensíveis e corajosos. É dela a criação da websérie Steam Girls (2022), sobre meninas na ciência, e do curta Lembranças de Barcelona (2011), que trata do feminicídio. 

Em breve, lança Onde Está Você Agora?, filme que roteiriza, codirige e protagoniza, e que trata de luto gestacional e Alzheimer (dois temas ainda pouco tratados no audiovisual) com uma equipe formada majoritariamente por mulheres.

À frente da Gautu Filmes e da premiada Companhia O Trem, Lívia Gaudêncio constrói uma trajetória marcada por propósito, afeto e pluralidade. Com repertório autoral e olhar afiado, ela constrói uma carreira que desafia estigmas e aposta na potência da narrativa como ferramenta de transformação, reafirmando que contar histórias também é um ato de coragem. 

Foto: reprodução/Matheus Soriedem

Em entrevista ao Entretê, ela fala um pouco mais sobre o sonho com a música Por Quem os Sinos Dobram, comenta sobre a série Raul Seixas: Eu sou, e compartilha sobre criação autoral no cinema, a potência do feminino nas artes e a leveza que existe até nos temas mais difíceis. Confira!

Entretetizei: Você tem uma trajetória que transita entre atuação, roteiro, direção e produção. Em que momento você entendeu que queria contar histórias não só com o corpo e a voz, mas também escrevendo, como roteirista?

Lívia: Acho que fazer de tudo um pouco é um impulso natural da minha vontade de criar. Vou dando corpo às ideias à medida que vem a necessidade de materializá-las. Aos 12 anos, produzi minha primeira peça de teatro na escola, onde adaptei um texto do Monteiro Lobato, dirigi minhas colegas em cena e fui a narradora, como Narizinho. E como escrevo desde sempre, tive dificuldade em reconhecer quando me tornei uma profissional da área. Sinto que a minha escrita vai amadurecendo com o passar do tempo, mas eu me cobro muito e nunca paro de estudar. 

E: Você está comemorando 15 anos de carreira como roteirista e 25 como atriz, e justamente agora assina a série sobre Raul Seixas, sendo a única mulher na equipe. Como foi essa imersão nesse universo predominantemente masculino?

L: Tive sorte de encontrar colegas generosos e trabalhar em uma sala de roteiro com relações bastante horizontais e respeitosas.

E: A série sobre Raul Seixas estreou cercada de expectativas, e você teve a missão de ajudar a dar forma a essa história tão intensa. Como foi o processo de transformar a vida dele em dramaturgia, equilibrando o mito e o humano? Teve alguma escolha de roteiro que te marcou especialmente?

L: O processo de retratar a complexidade do Raul veio predominantemente dos limites e fusões entre a persona artística que ele criou e o artista por trás da criação. Há momentos em que estes contornos ficam completamente delineados e outros momentos que não é possível mais distinguir um do outro. E talvez esta tenha sido a falha do herói e onde Raul se perdeu. A escolha de roteiro que mais me tocou foi uma sequência simbólica do episódio três, desenvolvida por mim, quando o primeiro casamento de Raul está ruindo. Ele participa de um ritual iniciático e sente a aliança queimar em seu dedo, então o teto se abre e ele vê uma estrela-cadente cruzar o céu, como um sinal de fim e recomeço. Ao final do episódio, ele chega em casa e não encontra a esposa e a filha. Então cai uma chuva torrencial dentro de casa ao som da música Medo da Chuva (1974). É de arrepiar.

Foto: reprodução/Matheus Soriedem

E: Você mergulhou na vida e na obra de Raul Seixas; um artista conhecido por desafiar regras e misturar poesia com provocação. Em algum momento desse processo, sentiu que havia um Raul dentro de você também? Alguma afinidade criativa, inquietação ou rebeldia que te conectasse a ele como artista?

L: Sempre fui fã do Raul e cheguei a ter um sonho bastante marcante ao som de Por quem os Sinos dobram, que fala sobre ter coragem de assumir o que pensa e faz para ir além. E nem era uma música muito marcante para mim na época. Eu me identifico muito com ele. Na minha família, sou chamada de “ovelha negra” justamente por questionar paradigmas e seguir meu caminho de acordo com meus próprios valores. Nas devidas proporções, eu me vejo também na rebeldia e anarquismo do Raul. Mas ser uma mulher rebelde é muito diferente de ser um homem rebelde. Nunca senti que podia ser tão livre ou irresponsável quanto ele foi. Também me identifico com a busca existencial do Raul, com seu misticismo e a visão sincrética do mundo. Ele mistura cristianismo com Crowley, Bhagavad Gita e disco voador. Acho primordial que as minhas obras artísticas façam o público refletir e, assim como o Raul, adoro colocar ideias complexas de forma despretensiosa e com linguagem simples. Faço isso inclusive nas minhas dramaturgias infantis. Em Princesa Falalinda Sem Papas na Língua (2019), por exemplo, falo de silenciamento feminino para as crianças através de um conto de fadas repaginado.

Foto: reprodução/Matheus Soriedem

E: Em seus projetos, como Steam Girls, Lembranças de Barcelona e Onde está você agora?, você explora experiências e perspectivas femininas. Como essas abordagens nasceram em você como criadora, e por que considera importante dar voz a essas experiências nas suas histórias?

L: Quando me tornei mãe, fui arrebatada pela constatação de ser uma mulher neste mundo desigual. Foi como se todos os meus questionamentos sobre as opressões, que vivencio e observo, tivessem caído sobre a minha cabeça e me obrigado a fazer alguma coisa com isso. Encontrei nas criações artísticas uma vazão para a minha indignação e passei a ter uma abordagem propositadamente feminista nas minhas histórias. Às vezes, são provocações explícitas e às vezes são quase subliminares, mas estão sempre lá.

E: Você contou recentemente que descobriu que suas avós faziam teatro na igreja, mas não seguiram por questões culturais. Como foi para você receber essa informação, e de que maneira isso se conecta ou não com sua própria visão sobre a arte?

L: Poder ser artista profissionalmente é honrar este desejo que existia nas minhas avós, mas honrar principalmente a minha própria escolha. Ser artista no Brasil hoje é resistência. Existem dificuldades práticas que impedem muita gente de fazer esta escolha, como também muitos estigmas políticos envolvidos. 

Será que se minhas avós pudessem escolher qualquer profissão, como hoje as mulheres teoricamente podem, elas teriam seguido com o teatro?

E: Em outras entrevistas, você já falou sobre a disparidade salarial entre homens e mulheres no audiovisual e sobre os obstáculos que as roteiristas ainda enfrentam. Mas, se você pudesse reescrever os bastidores desse mercado como num roteiro (com personagens, conflitos e viradas), que mudanças estruturais você colocaria na trama para garantir protagonismo real às mulheres na criação?

L: Acho que a primeira coisa seria a construção de um universo utópico onde todas as pessoas têm as mesmas oportunidades e onde não exista discriminação de gênero, classe, cor, religião… Metade dos conflitos narrativos não existiriam (risos). Então poderíamos nos aprofundar em questões metafísicas, ambientais, poéticas e mais universais.

E: Ao olhar para essa trajetória múltipla, como atriz, roteirista, diretora e mulher, o que você diria hoje para aquela Lívia que sonhava em viver de arte? E o que te move a continuar contando histórias, mesmo diante de desafios?

L: É clichê, mas eu diria: “Vai ser difícil, mas vai ser possível. Quando acabar a coragem, vai com medo mesmo. Confia que o universo faz o resto!” 

O que me move a continuar criando histórias é a pulsão de vida que experimento durante os processos de criação. É assim que transcendo as limitações e banalidades cotidianas e sinto o extraordinário acontecer. Não consigo viver de outra forma.

Você já assistiu Raul Seixas: Eu Sou, a série do Globoplay sobre o eterno Maluco Beleza? Conta para gente nas redes sociais do Entretê! E nos siga no X, no Facebook e no Instagram para não perder as novidades.

 

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Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj

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