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Cine BBB estreia hoje e leva histórias regionais para o centro do horário nobre

Telefilmes produzidos em diferentes regiões do país chegam à programação da TV Globo no horário da Tela Quente, com estreia de Caju, meu amigo

A partir de hoje, 19 de janeiro, o público da TV Globo passa a conhecer histórias que celebram a diversidade cultural do país por meio do projeto Telefilmes Regionais, que ganha uma nova janela de exibição em 2026. As produções, no formato de ficção e com até 50 minutos de duração, foram gravadas em sete estados brasileiros: Bahia, Espírito Santo, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito Federal.

As obras serão exibidas dentro do Cine BBB, no horário da Tela Quente. Para abrir a programação, brothers e público acompanham Caju, Meu Amigo, produção da RBS ambientada no Rio Grande do Sul e situada no período pós-enchente de 2024. Protagonizado por Vitória Strada e Liane Venturella, o telefilme acompanha a conexão inesperada entre duas mulheres de origens e trajetórias distintas, unidas pelo amor por um cachorro, e retrata uma vivência cada vez mais presente nos lares brasileiros: a relação entre humanos e seus pets.

Criados em parceria com afiliadas e regionais da TV Globo, os telefilmes são retratos autênticos das tradições, sotaques e expressões culturais de diferentes regiões do país, contando com equipes e elenco formados por talentos locais. A proposta vai além da representação geográfica e se ancora na escuta dos territórios, transformando realidades locais em narrativas capazes de dialogar com o Brasil inteiro ao ocuparem uma vitrine de alcance nacional como o Cine BBB.

Para Gabriel Jacome, diretor de gestão e conteúdo da TV Globo, o projeto é parte central da estratégia da emissora para produzir e exibir histórias do Brasil para brasileiros.

“O Brasil é diverso e profundamente criativo. Ao produzir telefilmes com equipe e elenco local, colocamos essas identidades no centro da narrativa, gerando impacto cultural, conexão genuína com o público e novas oportunidades para talentos regionais brilharem em escala nacional. São histórias que nascem do olhar específico de uma região, mas dialogam com o país inteiro, mostrando que a potência narrativa brasileira está presente em todos os lugares, em cada cidade, em cada voz”, afirma.

Além de reforçar o compromisso da Globo com o fortalecimento do audiovisual brasileiro e de dar visibilidade a histórias e talentos regionais, a iniciativa estimula a economia criativa, promove a diversidade e aproxima ainda mais a emissora das comunidades locais.

Foto: divulgação/Globo Filmes

“Ao produzir filmes em diferentes regiões do país e exibi-los em rede nacional, ampliamos a representatividade na tela e apresentamos o Brasil ao próprio Brasil. São histórias próximas, afetivas e verdadeiras, que dialogam com o público e reforçam o papel da TV aberta como espaço de encontro e reconhecimento”, destaca Verônica Nunes, gerente de curadoria e conteúdo da TV Globo.

Conheça os telefilmes que serão exibidos em 2026

Caju, Meu Amigo (RS)
Um ano depois da grande enchente em Porto Alegre, Rafaela descobre que o cachorro que ela adotou durante aquele caos, o vira-lata Caju, pode não ser tão “seu” assim. Nice, a última moradora de um abrigo prestes a fechar, aparece numa reportagem dizendo ter perdido tudo: a mãe, a casa e seu cachorro, Pingo, que é idêntico a Caju. Mexida, Rafaela procura a mulher para tirar a história a limpo. Quando o vira-latas foge, as duas mulheres se unem para encontrá-lo e percebem que o bichinho foi responsável por gerar laços que nem a enchente consegue levar embora.

É Quase Verdade (ES)
Para não perder a casa da família, uma talentosa artista plástica engana toda uma cidade com uma farsa montada acidentalmente, criando situações inusitadas para sustentar a mentira.

Mandioca Frita (DF)
Dirley, um motorista de ônibus rabugento e solitário, tem sua rotina transformada ao conhecer Julio, um idoso desmemoriado que surge misteriosamente em seu ônibus. O encontro se transforma em uma jornada divertida e afetiva pela cidade.

Meu Avô Stanislau (PR)
Um adolescente gamer é levado ao interior do Paraná e acaba criando uma conexão inesperada com o avô ao ajudar na organização de uma festa tradicional da comunidade ucraniana.

Nossa Vizinhança (SP)
Uma repórter investiga um incêndio que matou um amigo e descobre um esquema de corrupção que ameaça sua carreira e segurança.

Sonho de Arrocha (BA)
Um garoto de 12 anos sonha em se tornar cantor de arrocha e encontra apoio na música para unir passado, presente e futuro de sua família.

Teste para Cardíaco (PA)
Após um infarto, uma família de feirantes em Belém precisa lidar com conflitos antigos quando dois irmãos gêmeos se reencontram.

Um Dia Extraordinário (SC)
O surgimento de um agroglifo provoca o reencontro de irmãos afastados e transforma a rotina de uma família no interior de Santa Catarina.

 

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Leia também: Notícias do Mundo Turco – 12/01 a 17/01 

 

Texto revisado por Cristiane Amarante

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Cultura turca Notícias

Joy Awards 2026: atores turcos dominam o “lavender carpet” e provam influência global

Atores turcos brilham no Joy Awards 2026, em Riyadh, entre tapete lavanda, looks deslumbrantes e o anúncio do retorno de Pınar Deniz às dizis em 2026

Este ano, o Joy Awards 2026, realizado no dia 17 de janeiro, em Riyadh (Arábia Saudita), chamou a atenção não só pelo prestígio internacional, mas pela presença marcante de atores e atrizes turcos, um reflexo claro de como novelas e séries da Turquia têm ultrapassado fronteiras e conquistado novos públicos, inclusive no mundo árabe.

Com um tapete vermelho batizado de lavender carpet, o evento reuniu talentos de diferentes países, premiou produções de diversas mídias e ainda transformou moda e estilo em parte essencial da noite. 

 

Foto: reprodução/annahar
Turcos brilham entre as celebridades internacionais

Entre os nomes que se destacaram na noite estiveram:

  • Hande Erçel virou um dos assuntos mais comentados do evento com sua presença e com um momento especial no palco.
  • Pınar Deniz surpreendeu com um novo visual e anunciou, durante o evento, que está voltando às dizis em 2026, um anúncio que dominou as redes sociais dos fãs.
  • Barış Arduç, sempre elegante, manteve presença marcante no tapete.
  • Meryem Uzerli, Hazal Kaya, Halit Ergenç e outros nomes demostram a força dos talentos turcos no cenário global.
  • Kaan Urgancıoğlu também marcou presença no evento, chamando atenção por reaparecer em um grande tapete vermelho após um período longe de cerimônias internacionais. Colega de elenco de Pınar Deniz na premiada série Yargı, o ator teve sua participação bastante comentada nas redes sociais, reforçando a nostalgia do público e a força da dupla que conquistou fãs ao redor do mundo.

A participação desses artistas ilustra bem a expansão das produções turcas para além da própria Turquia, com impacto cultural e audiovisual em mercados de língua árabe e internacionalmente. 

Looks que deram o que falar no lavender carpet

E claro, não faltaram momentos fashion que roubaram a cena no tapete:

Hande Erçel chamou atenção pela elegância e pela forma como se expressou no palco, inclusive escolhendo começar parte de sua fala em árabe um gesto que foi amplamente compartilhado nas redes sociais e elogiado pelos fãs.

Pınar Deniz, após um período longe das câmeras por conta da maternidade, surgiu com um novo visual moderno e uma presença impecável na lavanda do tapete seu look com tecidos fluidos e estilo refinado foi assunto entre fashionistas e fãs.

Hazal Kaya e Meryem Uzerli protagonizaram um momento descontraído e carismático no red carpet, evidenciando a amizade entre as estrelas e reforçando a vibe calorosa dos talentos turcos.

No lado masculino, nomes como Barış Arduç e Halit Ergenç representaram a elegância com looks clássicos e sofisticados, mostrando que os atores turcos não apenas brilham nas telas, mas também nas passarelas de eventos internacionais.

Foto: reprodução/Joy Awards
Pınar Deniz anuncia retorno às dizis e redes vibram

Um dos highlights da noite foi a declaração de Pınar Deniz sobre seu retorno à televisão em 2026. Após ficar um tempo afastada dos sets por ter se tornado mãe, ela confirmou que está pronta para voltar às dizis, gerando entusiasmo imediato entre os fãs nas redes sociais.

Foto: reprodução/mynet magazin

O anúncio foi acompanhado por reações positivas de seguidores que elogiaram o novo visual e a confiança de Deniz ao compartilhar seus planos profissionais no evento.

O Joy Awards 2026 e a presença turca: mais que moda, uma influência cultural

O Joy Awards, agora uma das cerimônias mais assistidas da região, consolidou mais um ano sua posição no calendário do entretenimento global e a presença turca foi um dos pontos altos da edição 2026. Além dos looks e estilos impressionantes, os talentos turcos mostraram que representatividade e impacto cultural caminham lado a lado com a expansão internacional das novelas e séries turcas.

Foto: reprodução/turkiyetoday

No fim das contas, moda, cinema, drama e cultura pop se misturaram no tapete lavanda de Riyadh e os astros turcos provaram mais uma vez que seu brilho vai muito além das telas. 

 

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Leia também: Notícias do Mundo Turco – 12/01 a 17/01 

 

Texto revisado por Cristiane Amarante

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Namorado coreano ou acessório de feed? O Tokenismo que transformou homens em troféus de estética

A febre do reality Meu Namorado Coreano, na Netflix, e a busca desenfreada por um romance de k-drama mostram como a obsessão por estética desumaniza os parceiros e coloca muitas mulheres em situações de perigo fora das telas

Se você vive no TikTok ou no Instagram, já deve ter cruzado com o vídeo de alguma brasileira vivendo o sonho coreano. É sempre a mesma estética: luz suave, café fofo em Seul e um namorado que parece ter saído diretamente de um casting da Netflix, mas a realidade é que o consumo de cultura coreana no Brasil virou um negócio que vai muito além de gostar de música ou de séries. 

Criamos um padrão no qual o homem coreano virou o objetivo final de consumo. Não é mais sobre quem o cara é, mas sobre o que ele representa no seu feed, virou quase um item de colecionador, uma prova de que você venceu na vida por ter seu próprio protagonista de k-drama em casa. Essa busca incessante por uma validação externa através do outro transforma o relacionamento em uma vitrine, em que o afeto é a última coisa que importa, enquanto o engajamento dita as regras do jogo amoroso.

O problema é que, nessa busca pelo clique perfeito, o homem asiático acaba sendo transformado em um objeto. É isso que chamamos de tokenismo no namoro. Sabe quando uma marca coloca uma pessoa só para dizer que é diversa? Pois é, tem muita mulher fazendo isso nos relacionamentos. O parceiro vira um token, um acessório de lifestyle que serve para validar a imagem da mulher como alguém moderna e antenada. Quando você decide que só quer namorar alguém de uma nacionalidade específica, você para de ver a pessoa e começa a ver apenas uma embalagem, e isso, além de ser bizarro com o homem, cria uma bolha de ilusão que estoura feio quando a realidade bate à porta. A desumanização ocorre no momento em que a individualidade dele é sufocada por um estereótipo, impedindo que qualquer conexão genuína floresça além da superfície visual.

E não dá para ignorar o lado sombrio dessa história. Enquanto a gente foca na fofura dos vídeos, tem um perigo real rolando nos bastidores. Muita gente confunde a ficção com a vida real e acaba baixando a guarda para golpistas ou situações abusivas. A Coreia do Sul das telas é linda, mas a Coreia real tem problemas pesados de machismo e crimes digitais. Achar que todo coreano é um príncipe encantado é o primeiro passo para cair em ciladas que podem custar caro, tanto para o bolso quanto para a segurança pessoal. O oppa do k-drama não existe, e buscar ele a qualquer custo pode ser uma das decisões mais arriscadas da sua vida, ignorando estatísticas alarmantes de violência doméstica e golpes internacionais, que crescem justamente na sombra dessa idealização.

O fenômeno Meu Namorado Coreano: quando o entretenimento transforma o fetiche cultural em roteiro de audiência

O lançamento do reality Meu Namorado Coreano, na Netflix, chegou para provar que a gente ama ver o circo pegar fogo quando a fantasia encontra a realidade. O programa acompanha brasileiras que atravessam o mundo para encontrar caras que conheceram pela internet. O sucesso é garantido porque ele foca no contraste incômodo: de um lado, a expectativa de um romance perfeito, do outro, o perrengue do dia a dia. O caso da Luanny e do Si-wan no programa é o exemplo perfeito. O público queria ver beijo na chuva e flores, mas recebeu traição, cobranças financeiras e o drama de esconder um filho para não ser rejeitada pela sogra coreana. Essa quebra de expectativa é um balde de água fria necessário para quem acha que a vida em Seul é um videoclipe de K-pop constante, revelando que os problemas de um relacionamento não mudam só porque o CEP do casal atravessou o oceano.

Essa dinâmica prova que o reality não é exatamente sobre amor, mas sobre a tentativa de validar uma estética que está na moda. Com Nicole Bahls e João Guilherme comentando as cenas, o programa serve como um mecanismo para rir dos absurdos. Ele deixa claro que, sem o filtro da câmera, o príncipe é um homem comum, muitas vezes perdido no meio de diferenças culturais pesadas e pressões familiares que a gente nem imagina. Na prática, fica o aviso: a nacionalidade de alguém não é selo de bom caráter nem de estabilidade emocional, é apenas um detalhe que virou marketing pessoal para quem quer vender uma vida de sonhos nas redes sociais. A produção da Netflix acaba explorando essa carência de drama coreano do público para gerar picos de audiência baseados no choque entre o sonho e a realidade nua e crua.

O engajamento gerado pelo programa também reflete uma sede de voyeurismo sobre a vida alheia. O público não assiste apenas para torcer pelo casal, mas para comparar as suas próprias expectativas com a falha da realidade. Ver uma brasileira lidando com o machismo estrutural de uma família coreana tradicional quebra o encanto, mas, ao mesmo tempo, alimenta o debate sobre até onde se vai por uma estética. O reality acaba funcionando como um laboratório social em que a mercadoria principal não é o afeto, mas a curiosidade sobre se o produto coreano entrega o que a propaganda do drama coreano prometeu. Se a relação não tem base real, não há passaporte que salve o casal do fracasso iminente, e o programa faz questão de mostrar cada rachadura nesse espelho idealizado.

A desumanização pelo fetiche: quando a personalidade do parceiro vale menos que o passaporte e a aparência

O tal do tokenismo nos relacionamentos é quando o seu namorado coreano vira o acessório da vez. Sabe aquela bolsa de luxo que todo mundo quer mostrar? Para muita gente, o namorado virou isso. O teste para saber se você caiu nessa é o seguinte: se esse mesmo cara fosse um brasileiro comum, com os mesmos defeitos e o mesmo salário, você ainda estaria com ele? Se o interesse diminui quando você tira o fator Coreia, então você não está apaixonada pelo homem, mas pelo que ele representa no seu círculo social. É o namorado servindo de troféu para ganhar biscoito na internet e provar que você é uma fã de k-drama de elite. Essa objetificação é perversa porque reduz um ser humano a uma funcionalidade estética, como se fosse uma extensão da decoração da casa ou do feed da parceira.

Nessa dinâmica, a mulher apaga quem o cara é de verdade. Vemos com frequência perfis em que o namorado é filmado o tempo todo, em momentos que deveriam ser privados, só para servir de conteúdo. Se o cara está comendo, dormindo ou rindo, há uma câmera na cara dele com uma música de fundo. Ele vira um boneco de exposição. Se por acaso ele demonstra personalidade própria – como ficar irritado, ter uma opinião política diferente ou simplesmente não querer ser filmado –, rola uma frustração imediata. A mulher sente que o produto veio com defeito, porque ele parou de agir como o personagem que ela criou na cabeça dela e começou a agir como um ser humano real, com vontade própria e cansaço. Essa cobrança por uma performance constante desgasta qualquer possibilidade de carinho autêntico.

O pior é que isso mata qualquer chance de o casal ter uma conexão real. Se a admiração é só pela casca, o relacionamento fica vazio de significado. O homem percebe que ele é substituível por qualquer outro que tenha os mesmos traços étnicos e que aceite participar dos vídeos. Ninguém aguenta ser amado por cota ou por fetiche por muito tempo. Isso gera um cansaço emocional imenso, porque o cara sente que não pode ser ele mesmo; precisa ser o oppa da audiência da namorada. É uma forma de racismo disfarçada de elogio que retira toda a humanidade e a profundidade do parceiro, transformando a relação em uma vitrine fria, onde o sentimento foi trocado por curtidas e visualizações vazias.

Red flags e segurança digital: como sacar que o seu oppa virtual é um golpista profissional

Nessa empolgação de achar o namorado perfeito, muita mulher acaba ignorando sinais vermelhos que estão gritando na cara. Tem muito criminoso por aí que já entendeu o hype e cria perfis falsos só para atrair brasileiras carentes de romance. Eles seguem um roteiro decorado, geralmente fingindo ser médicos em missões de paz, militares ou empresários de sucesso na Coreia. O objetivo é criar um vínculo emocional rápido para depois atacar o seu bolso com histórias tristes. Não dá para ser ingênua: o mundo dos apps de namoro é um campo minado e o fetiche cultural te deixa cega para os perigos óbvios. A vulnerabilidade emocional criada pela solidão e pela idealização é o combustível perfeito para que esses predadores operem com facilidade.

Dá uma olhada nessa lista de red flags (sinais de alerta) para não ser a próxima vítima de um golpe do drama coreano:

  • O perfil de revista: as fotos são boas demais, parecem de catálogo de moda ou ensaio profissional. Se o cara é perfeito demais e você não consegue achar fotos dele em situações comuns, desconfie na hora. Golpistas roubam fotos de modelos coreanos pouco conhecidos aqui.
  • A internet ruim: ele sempre tem uma desculpa para não fazer chamadas de vídeo. Diz que o quartel não permite ou que a câmera quebrou. Se ele não mostra o rosto ao vivo em poucos dias, ele não existe, é a regra básica da segurança digital.
  • Amor instantâneo: ele diz que te ama em uma semana e já planeja casamento. Isso chama love bombing. É uma tática para te deixar viciada na atenção dele e fazer você aceitar qualquer pedido absurdo depois sob a desculpa do futuro dos dois.
  • O papo de dinheiro: de repente, ele quer te mandar um presente caro, mas diz que o pacote ficou preso na alfândega e você precisa pagar uma taxa. Ou pior: ele sofre um acidente e precisa de dinheiro com urgência. Nunca faça transferências para quem você nunca encontrou pessoalmente.
  • Sumiço das redes reais: ele foge de te mostrar o Instagram pessoal com comentários de amigos reais. Se ele só quer falar por WhatsApp ou Telegram – onde é mais fácil apagar rastro –, o alerta tem que ser máximo.

Levar essas dicas a sério é o que separa um sonho de um pesadelo jurídico e financeiro. Não ignore o seu instinto só porque o cara é bonito ou coreano. A segurança digital é coisa séria e, no momento em que você coloca a sua vida ou o seu dinheiro na mão de um desconhecido do outro lado do mundo, você está assumindo um risco imenso. Se ele não prova quem é de forma natural e transparente, a sua única decisão sensata deve ser o bloqueio imediato e sem chances de retorno, antes que o prejuízo emocional e material se torne irreparável.

O risco da fantasia: como a busca por personagens de ficção expõe mulheres a perigos reais na Coreia do Sul

Achar que a Coreia do Sul é um k-drama gigante é um erro que pode custar a sua integridade física. O Consulado em São Paulo vive alertando sobre golpes, mas o buraco é mais embaixo. Tem mulher perdendo economias de uma vida inteira – tipo R$ 50 mil ou mais – para perfis fakes de atores. A vontade de viver um romance cinematográfico desliga o senso crítico. A pessoa acredita piamente que é a escolhida de um coreano misterioso e acaba entregando tudo o que tem. Trata-se de uma exploração emocional cruel que usa a cultura Hallyu como isca para atrair vítimas desavisadas, projetando no desconhecido as virtudes de seus personagens favoritos e ignorando a logística básica de segurança.

Mas o perigo não é só financeiro. Quando uma brasileira viaja sozinha para a Coreia para encontrar alguém que só conhece pela tela, ela entra em uma situação de vulnerabilidade total. Lá, não fala a língua, não conhece as leis e está totalmente dependente da boa vontade do homem que foi encontrar. A Coreia tem problemas estruturais sérios com o crime de molka, câmeras escondidas em lugares privados para filmar mulheres. Além disso, existe um movimento machista forte e grupos de ódio na internet que pregam a misoginia. Achar que todo mundo lá é o mocinho da novela é ignorar a realidade de um país que, como qualquer outro, também abriga pessoas perigosas.

O caso da fã brasileira detida em Seul por perseguir o Jungkook, do BTS, é o exemplo extremo de como a obsessão destrói a vida. A pessoa perde a noção do que é certo e do que é errado e acaba com problemas graves com a polícia, em um sistema legal que não brinca em serviço. Viajar por amor é lindo, mas viajar por uma ilusão estética é pedir para ter problemas. Se você não tem certeza absoluta de quem é a pessoa e não tem um plano de segurança independente, você não está indo para um drama coreano, está entrando em um filme de suspense com grandes chances de um final nada feliz e traumático, capaz de deixar marcas para o resto da vida.

O impacto do Soft Power na criação de expectativas irreais e na marginalização do homem asiático real

A Coreia do Sul foi mestre em vender uma imagem higienizada de seus homens através do Soft Power, criando uma imagem de homens sensíveis, estilosos e perfeitos. Isso foi ótimo para quebrar preconceitos antigos, mas criou um novo problema: a hipersexualização e a idealização. O homem asiático parou de ser invisível para virar um objeto de desejo baseado em um padrão impossível de alcançar para qualquer mortal. Ninguém consegue ser o tempo todo o cara que chora ouvindo poesia e faz declarações épicas sob a neve. Essa pressão de ter que ser um personagem para ser aceito pelas mulheres ocidentais é péssima para os homens reais, que acabam se sentindo insuficientes diante de uma régua ficcional.

Isso afeta diretamente como as mulheres se relacionam com eles. Na hora de procurar um parceiro, muita gente ignora o básico: compatibilidade de valores e planos para o futuro. Se o cara não se encaixa no que você viu na TV, ele é descartado como um produto com defeito. Isso impede que se crie uma intimidade de verdade, pois a relação já nasce baseada em uma exigência de performance. O relacionamento vira uma vitrine em que a mulher exibe o namorado para as amigas, mas, dentro de casa, ela nem sabe do que o cara realmente gosta. Ele é o troféu de uma conquista cultural, e não um parceiro de vida que tem o direito de ter dias ruins, falar besteira e ser uma pessoa comum.

Essa busca cega pela estética também ignora as tensões que os jovens de lá vivem. Eles lidam com uma pressão absurda por sucesso e trabalho, o que muitas vezes os deixa exaustos e sem paciência para dramas românticos exagerados. Quando a brasileira chega com a expectativa lá no alto e encontra um cara cansado e focado na carreira, o choque é grande. O relacionamento acaba porque nunca houve uma conexão entre duas pessoas, mas sim entre uma fã e uma ideia que ela tinha sobre um país que ela só conhecia por episódios de 60 minutos. A frustração é o destino final de quem tenta namorar um roteiro de televisão em vez de um ser humano de carne e osso.

O assédio no Bom Retiro: quando a caça pelo oppa invade a vida real dos moradores de São Paulo

Essa obsessão não fica só nos aplicativos; ela transbordou para as ruas de São Paulo, especificamente para o bairro do Bom Retiro. O local, que é o coração da comunidade coreana na cidade, virou palco de um comportamento invasivo de muitas mulheres que vão até lá com o objetivo explícito de caçar um namorado coreano. Moradores relatam situações de assédio constante, nas quais rapazes que estão apenas indo trabalhar ou almoçar são parados para fotos sem consentimento ou abordados de forma agressiva por estranhas que acham que estão em uma cena de k-drama no meio da rua José Paulino. É o turismo do fetiche invadindo o espaço de quem só quer viver sua rotina em paz.

O que parece uma admiração inofensiva é, na verdade, um desrespeito com a rotina de quem vive ali. Jovens coreano-brasileiros reclamam que são tratados como atrações turísticas ou pets de fotos para o Instagram. Esse tipo de abordagem reforça a ideia do tokenismo: o homem não é visto como um cidadão paulistano comum, mas como um representante de uma estética que a mulher quer consumir. Esse assédio cria um clima de desconforto na comunidade, em que muitos passam a evitar certos horários ou locais para não ter de lidar com abordagens baseadas apenas em sua etnia. A liberdade de ir e vir desses rapazes acaba sendo cerceada por uma fantasia alheia.

A implicação prática disso é a criação de um abismo entre as comunidades. Em vez de uma integração cultural saudável, o que vemos é uma exploração visual. Quando grupos de fãs cercam rapazes asiáticos no metrô ou em praças de alimentação esperando que eles performem a fofura dos ídolos de K-pop, elas estão ignorando a individualidade daqueles homens. Eles não são personagens; são pessoas reais que, muitas vezes, nem consomem a cultura que as fãs tanto amam. Tratar o Bom Retiro como um parque temático de homens é a prova definitiva de que o fetiche passou de todos os limites éticos e sociais, tornando-se uma prática de microagressão cotidiana.

Além do oppa: o assédio e a hipersexualização que as mulheres asiáticas sofrem nesse cenário

Enquanto o foco está no fetiche pelo namorado coreano, as mulheres asiáticas – sejam elas coreanas, descendentes ou de outras etnias  – acabam sendo vítimas colaterais desse mesmo clima de idealização tóxica. Elas sofrem o oposto do príncipe sensível: são jogadas no estereótipo da mulher submissa, da boneca ou do fetiche exótico para consumo masculino. Esse fenômeno, conhecido como Yellow Fever (Febre Amarela), desumaniza a mulher asiática tanto quanto o tokenismo faz com os homens, mas com uma carga de violência de gênero e objetificação sexual muito mais pesada. A ideia de que elas são mais fáceis de controlar ou de que devem agir de forma infantilizada é uma herança racista que o consumo superficial de k-dramas só ajuda a reforçar.

@hey_popster

já ouviu falar em #yellowfever? ⚡️ #fetichizacao #mulheramarela #asiatica #asian

♬ original sound – POPSTER

Nas redes sociais e nas ruas, mulheres asiáticas brasileiras têm se organizado para denunciar como esse assédio acontece. Elas relatam abordagens invasivas em que homens brancos ou de outras etnias as tratam como se fossem personagens de anime, ignorando sua inteligência, sua carreira e sua personalidade real. O assédio no ambiente de trabalho e em aplicativos de namoro é constante, com mensagens que já partem de pressupostos sexuais baseados na etnia. Essa luta por serem vistas como indivíduos, e não como uma categoria estética de pornografia ou submissão, é um dos pontos mais críticos do debate sobre o consumo de cultura asiática no Brasil atual, exigindo uma postura ativa de quem se diz fã da cultura.

Você consome cultura ou consome pessoas? o limite ético entre a admiração e a exploração

Curtir k-drama e k-pop é mara, mas usar uma pessoa para completar sua estética de rede social é passar do limite da sanidade. Quando você seleciona um parceiro baseado puramente na nacionalidade dele para fechar o feed, você está consumindo o cara como se fosse uma mercadoria de prateleira. É um racismo que parece elogioso, mas que no fundo diz: eu só gosto de você porque você é coreano. Isso retira do homem o direito de ser ele mesmo, de ter falhas e de ser comum. É uma relação baseada em utilidade de imagem, não em afeto genuíno que suporte os desafios do tempo.

Para saber se você está sendo ética, olhe para o seu relacionamento hoje de forma nua e crua. Você admira as ideias dele? Você gosta do jeito que ele trata as pessoas ou do humor dele? Ou você só gosta de postar fotos com ele e ouvir os comentários das pessoas sobre como você é sortuda? Se o status de namorar um coreano vale mais do que a companhia do homem em si, você está no terreno perigoso do tokenismo. E a conta disso chega rápido: ou ele se sente usado e cai fora, ou você se frustra porque a vida real nunca vai ter câmera lenta e trilha sonora perfeita. Ninguém consegue sustentar uma máscara de personagem para sempre, e a queda dessa máscara costuma ser dolorosa para ambos os lados.

 

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Leia também: Filmes, K-drama, séries, documentários e animes: confira os principais lançamentos do streaming em janeiro – Entretetizei

Texto revisado por Kaylanne Faustino

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Salvar o mundo nunca foi tão estranho: Boa Sorte, Divirta-Se, Não Morra estreia em abril

Comédia de ação com ficção científica traz Sam Rockwell e elenco estrelado para uma missão fora do comum

A Paris Filmes divulgou os primeiros materiais oficiais de Boa Sorte, Divirta-Se, Não Morra (Good Luck, Have Fun, Don’t Die), nova comédia de ação com elementos de ficção científica. O longa chega aos cinemas brasileiros em 9 de abril de 2026. Veja o trailer a seguir:

Dirigido por Gore Verbinski, conhecido por sucessos como O Chamado (2002) e Piratas do Caribe (2003), o filme apresenta uma história inusitada: um homem afirma vir do futuro e decide fazer os clientes de uma tradicional lanchonete de Los Angeles reféns, alegando que precisa recrutar pessoas improváveis para uma missão capaz de salvar o mundo. Entre tensão, humor e caos, a trama mistura ação acelerada com ficção científica e situações absurdas.

O elenco é um dos grandes destaques da produção. Sam Rockwell (À espera de um milagre, Jojo Rabbit) lidera o time, acompanhado por Haley Lu Richardson (The White Lotus), Michael Peña (All Her Fault), Zazie Beetz (Deadpool), Juno Temple (Ted Lasso), entre outros nomes de peso. A diversidade do elenco reforça o tom excêntrico e imprevisível da narrativa, apostando em personagens fora do óbvio para conduzir a missão central do filme.

O roteiro é assinado por Matthew Robinson (Amor e Monstros), enquanto a produção fica a cargo do próprio Gore Verbinski, ao lado de Robert Kulzer (Resident Evil) e Erwin Stoff (Doce Novembro). Este projeto marca o retorno de Verbinski ao cinema com uma proposta autoral que combina humor ácido e ação estilizada, características que marcaram parte de sua filmografia.

Boa Sorte, Divirta-Se, Não Morra promete ser uma das estreias mais curiosas e ousadas do primeiro semestre de 2026, apostando em um elenco afiado, direção experiente e uma premissa que brinca com o fim do mundo sem perder o senso de diversão.

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Texto revisado por Kaylanne Faustino

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Especial | Chainsaw Man e o desconforto de ler personagens quebrados

Por que o rótulo de mangá de incel não dá conta da obra de Tatsuki Fujimoto?

[Contém spoilers]

Desde sua estreia na revista Shonen Jump, Chainsaw Man (2018) se consolidou como uma das obras mais incômodas e debatidas da produção japonesa recente. Violento, caótico e emocionalmente instável, o trabalho de Tatsuki Fujimoto provoca reações extremas justamente por se recusar a oferecer conforto ao leitor. 

Seus personagens agem de forma errática, seus conflitos são atravessados por traumas e suas imagens frequentemente desafiam leituras simplificadas. Não é surpreendente, portanto, que a obra tenha se tornado alvo de interpretações conflitantes – algumas atentas às camadas de crítica social que ela constrói, outras mais apressadas em enquadrá-la em rótulos prontos.

Foto: reprodução/Anime 21

É nesse cenário que surge, com frequência crescente, a pergunta: Chainsaw Man é uma obra de incel? A questão costuma ser impulsionada por memes, leituras rápidas ou pelo desconforto diante da forma crua com que Denji expressa seus desejos mais imediatos. No entanto, reduzir a obra a esse rótulo não apenas empobrece o debate, como ignora a complexidade narrativa que Fujimoto desenvolve ao longo da história. 

Mangás e animes ganham o significado que os leitores atribuem a eles, e isso é um fato. Há quem enxergue misoginia onde outros percebem crítica social; há quem veja apenas desejo sexual onde outros identificam um retrato de abandono e sobrevivência. 

Foto: reprodução/Letras & CIA

Entretanto, interpretação não é um território isento de responsabilidade. Quando uma leitura transforma vulnerabilidade em ideologia de ódio ou utiliza a ficção para legitimar preconceitos, ela deixa de ser apenas uma opinião. Nesse sentido, Chainsaw Man (2018) não é uma obra de incel: esse significado é atribuído por determinados leitores, mas não corresponde às escolhas temáticas, simbólicas e narrativas que Tatsuki Fujimoto constrói ao longo de sua obra.

O que, afinal, é incel?

O termo vem de involuntary celibate (tradução livre: celibatário involuntário), um movimento digital formado por homens que se consideram rejeitados sexualmente e transformam essa frustração em ideologia de ódio contra mulheres. Mais do que a ausência de experiências sexuais, trata-se de um fenômeno ligado à radicalização online, à misoginia e à crença de que afeto e validação são direitos negados injustamente. 

Essa dinâmica ganhou visibilidade recentemente com a premiada minissérie Adolescência (2025), da Netflix, que expõe como a violência juvenil, a masculinidade tóxica, o bullying, a saúde mental fragilizada e a influência da chamada machosfera se entrelaçam na formação de jovens em crise. A série mostra como a falta de diálogo familiar, a pressão social e a busca por pertencimento encontram terreno fértil em ambientes digitais marcados por discursos extremistas, revelando que a radicalização não nasce do desejo em si, mas da incapacidade de elaborá-lo emocionalmente.

Foto: reprodução/Netflix

É justamente nesse ponto que muitas leituras escorregam. Ao transformar carência, insegurança ou desejo em sinônimo de ideologia incel, ignora-se o que produções como Adolescência (2025) evidenciam: o problema não é sentir falta de afeto, mas sim quando essa falta é instrumentalizada por discursos que legitimam preconceito e violência.

Foto: reprodução/Netflix

No caso de Chainsaw Man (2018), a confusão surge porque Denji é, de fato, movido por necessidades básicas – comida, contato físico e reconhecimento – e as expressa de forma crua. No entanto, isso não o aproxima do imaginário incel. Ao contrário: revela um garoto moldado pela miséria extrema, pela negligência e pela ausência total de educação emocional. Sua trajetória não constrói ressentimento ideológico contra mulheres, mas expõe as consequências de crescer sem cuidado, sem escuta e sem referências afetivas, deslocando o foco do ódio para o trauma.

Por que reduzir Denji a incel é ignorar a narrativa?

A estrutura de Chainsaw Man não valida qualquer fantasia masculina de revanche ou vitimização. Denji não odeia mulheres, não projeta nelas seu sofrimento e tampouco transforma suas frustrações em ideologia. Seus desejos são simples porque sua vida sempre foi simples demais: ele quer carinho, porque nunca recebeu; quer atenção, porque sempre foi invisível; quer proximidade, porque cresceu sozinho. Nada disso é político, é sobrevivência emocional.

Foto: reprodução/Critical Hits

O mundo que o cerca – violento, burocrático e predatório – o empurra para relações onde ele está sempre em desvantagem. Sua vulnerabilidade não é uma postura, é uma marca deixada por anos de negligência e abuso. É aí que a crítica social de Fujimoto se destaca: Denji não é um jovem ressentido, mas alguém emocionalmente faminto, disposto a confundir qualquer migalha de afeto com amor verdadeiro – e toda vez que ele se aproxima disso, a narrativa o arranca de volta para o vazio. Assim, reduzir Denji à figura do incel é ignorar a lógica interna da obra e, principalmente, o peso do trauma que molda a sua subjetividade. 

Foto: reprodução/Critical Hits

Um dos momentos mais cruciais – e com frequência ignorado por quem assistiu apenas a primeira temporada do anime e resume a obra ao garoto obcecado em tocar peitos – é a revelação do que há atrás da porta. Ali não existe violência ideológica ou ódio reprimido, mas uma memória insuportável: Denji, ainda criança, matou o próprio pai alcoólatra em legítima defesa. A porta funciona como uma barreira psíquica construída para que ele pudesse continuar existindo sem ruir. É a partir dela que Fujimoto critica os mecanismos sociais que produzem sujeitos emocionalmente destruídos.

Foto: reprodução/Critical Hits

No capítulo 82, quando Makima força Denji a abrir a porta após ele estar abalado pela morte de Aki e Power, o protagonista não encara apenas uma verdade reprimida, mas o colapso da vida frágil que tentou construir a partir do apagamento do próprio trauma. Nesse contexto, sua carência não se configura como entitlement afetivo – termo associado à crença de que alguém merece, por direito, reconhecimento ou afeto sem necessariamente construí-los –, mas como o resultado de uma subjetividade marcada pela privação. Denji nunca aprendeu a desejar de forma segura porque jamais teve acesso a vínculos estáveis, escuta contínua ou qualquer forma consistente de proteção.

Foto: reprodução/Critical Hits
Makima, Denji e a crítica ao controle

Makima não é manipuladora apenas porque Denji a percebe assim, ela o é porque encarna literalmente o Demônio do Controle. Dominar é a sua natureza e ela o faz com precisão calculada. Sua agência não depende da visão masculina ou das expectativas do protagonista: ela age a partir de objetivos próprios e de um poder que existe independentemente do olhar alheio.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Já Denji não é manipulado por ser um incel, mas por ser um adolescente emocionalmente debilitado, isolado e carente de afeto. Makima explora cada fissura psicológica dele como parte de um projeto maior: destruir sua humanidade para revelar o verdadeiro Chainsaw Man, o demônio que ela idolatra. A dinâmica entre os dois não é uma fantasia masculina de poder, é uma exposição brutal de como relações abusivas e estruturas autoritárias capturam indivíduos vulneráveis.

Foto: reprodução/Crunchyroll

O interesse de Makima jamais recai sobre Denji enquanto sujeito. Ela o despreza, o desumaniza ao ponto de torná-lo seu cachorro e só o mantém por perto porque ele é o hospedeiro de Pochita. Seu afeto é uma simulação meticulosa, uma estratégia para manter o controle total sobre o Chainsaw Man, afinal ele é um dos meios para que ela possa colocar em prática o seu plano.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Contudo, seu projeto de mundo perfeito nasce de um paradoxo: Makima deseja conexão, amor e família, mas só consegue se aproximar dos outros pela via da dominação absoluta. Ao planejar usar o Chainsaw Man para eliminar os demônios da guerra, fome, morte e sofrimento, ela busca mais do que livrar a humanidade da dor, ela quer criar um mundo onde todos sejam como ela: imortais e protegidos, mas completamente desprovidos de liberdade. É uma utopia autoritária, em que o fim do sofrimento exige o apagamento da escolha.

Foto: reprodução/Critical Hits

Nesse contexto, Denji não é o sujeito desejante que oprime, mas o corpo instrumentalizado, reduzido a recipiente. A violência da relação não nasce da carência dele, mas do modo como ela é usada e distorcida por alguém incapaz de diferenciar controle de amor e poder de afeto.

O que emerge quando deixamos o rótulo e encaramos a obra

Chainsaw Man (2018) é sujo, caótico e visceral, mas, ao mesmo tempo, profundamente humano. Rotulá-lo como um mangá de incel não é apenas uma leitura preguiçosa, mas uma recusa em encarar o que a obra efetivamente propõe. Trata-se de uma tentativa de achatar um texto complexo para que ele caiba na lógica simplificadora de um meme.

Foto: reprodução/MyAnimeList

É verdade que toda obra ganha novos sentidos conforme o leitor quer, mas existe um limite: algumas interpretações simplesmente desmoronam quando colocadas diante da densidade do próprio material. Fujimoto constrói uma narrativa sobre controle, trauma, solidão, violência estrutural, precariedade e desumanização dentro de um mundo que perdeu qualquer promessa de sentido. Nada disso é acidental.

Foto: reprodução/Crunchyroll

A tragédia de Denji não nasce do ressentimento, mas da precariedade. Sua batalha é contra o vazio que o atravessa, contra a fome, a miséria, o abandono e a impossibilidade de ser amado em um mundo que o trata como descartável. Reduzir essa trajetória à caricatura de um ressentimento masculino é ignorar o núcleo emocional da história e desviar o olhar do que ela expõe com mais contundência: a forma como estruturas de poder operam pela exploração da fragilidade, transformando sujeitos vulneráveis em instrumentos.

Fazer isso é perder a crítica que sangra de cada página. É recusar ver que, por trás do gore, das piadas e do caos, existe uma obra que pergunta o tempo todo: quem tem poder, quem está submetido a ele e o que resta de nós depois disso?

Foto: reprodução/MyAnimeList

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Leia também: Quando elas escrevem: por que personagens femininas criadas por mangakás mulheres são tão diferentes?

 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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Cultura Musicais Notícias Teatro

Shrek – O Musical apresenta figurino de Fabi Bang e Myra Ruiz como Fiona

Atrizes vão se revezar no papel da icônica princesa ogra em espetáculo no Teatro Renault em curtíssima temporada; ingressos já estão à venda

As estrelas do teatro musical Fabi Bang e Myra Ruiz já estão sentindo na pele o que será viver Fiona, a icônica princesa de Shrek – O Musical. O Instituto Artium de Cultura apresentou o figurino das atrizes para o espetáculo que entra em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo, em 15 de abril, para uma breve temporada de três meses.

As atrizes revezam o papel de Fiona nessa história de amor e aventura, que tem o ator e cantor Tiago Abravanel no papel do Ogro mais amado do cinema e, agora, dos palcos.

Assinado por Ligia Rocha, o figurino de Fiona foi inspirado nos desenhos originais do britânico Tim Hatley, criados para as montagens internacionais de Shrek – O Musical. A figurinista explica que cada detalhe foi pensado, das texturas dos tecidos aos tons de verde, para sustentar a transformação da personagem em cena e acompanhar as exigências de movimento ao longo do espetáculo.

Trabalhar o figurino de Fiona é um exercício de dualidade. Precisamos unir a delicadeza da princesa à robustez da ogra, preservando a agilidade necessária para as cenas. Beber na fonte dos desenhos de Tim Hatley foi fundamental para garantir que o público brasileiro tenha a mesma experiência visual impactante da Broadway, mas com o toque e a excelência da nossa produção local”, conta Ligia Rocha.

Foto: divulgação/Jairo Goldflus e Gabriel Pinho

A montagem que será levada aos palcos do Teatro Renault pelo Instituto Artium de Cultura é feita em coprodução com o Atelier de Cultura, os mesmos responsáveis pelo fenômeno de bilheteria Wicked, e tem a direção-geral de Gustavo Barchilon.

A história acompanha Shrek e seu inseparável parceiro, o Burro Falante, em uma jornada repleta de humor, música e aventura, desafiando preconceitos e mostrando que todos merecem um final feliz, mesmo fora dos padrões tradicionais dos contos de fadas.

Shrek é uma história sobre quebrar moldes, e ter Fabi e Myra se revezando no papel de Fiona é a personificação desse talento sem fronteiras. A montagem no Teatro Renault não é apenas uma reprodução, é uma celebração da grandiosidade técnica que o teatro musical brasileiro alcançou. Estamos unindo o humor ácido e o coração gigante dessa história para criar um espetáculo que conversa com todas as gerações”, afirma Barchilon.

Carlos Cavalcanti, presidente do Instituto Artium, reconhecido por trazer ao país montagens da Broadway com elevado padrão de qualidade, garante que o público vai se surpreender e se encantar com Shrek.

Vamos manter a essência e as referências dessa história que encantou o mundo, mas vamos além. O público brasileiro pode esperar uma produção grandiosa, com belos figurinos e cenografia, soluções criativas de cena e efeitos especiais que marcam nossas produções”, diz Cavalcanti.

Os ingressos para Shrek – O Musical já estão disponíveis e podem ser adquiridos pelo site ticketsforfun.com.br ou diretamente na bilheteria do Teatro Renault, sem cobrança de taxa de conveniência.

Ansioso para ver essa dupla nos palcos novamente? Conta pra gente e siga o Entretetizei nas redes sociais – Facebook, Instagram e X – para não perder as novidades do mundo do entretenimento.

 

Leia também: Companhia do Latão faz temporada no Rio de Janeiro com espetáculos Experimento H e Losango Cáqui

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

 

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Cultura turca Notícias

Novela turca I Am Mother chega ao Brasil e promete emocionar

Depois do sucesso de Força de Mulher e Chamas do Destino, a Record TV traz I Am Mother, nova novela turca com a atriz Özge Özpirinçci, que promete emocionar o público brasileiro

Segundo o portal Léo Dias, na coluna de Flávio Ricco, a novela turca Sandık Kokusu, conhecida internacionalmente como I Am Mother (2023), acaba de ter seus direitos adquiridos pela Record TV, que se consolida como a nova casa das produções turcas no país. A trama chega após o sucesso de Força de Mulher (2017) e Chamas do Destino (2020), reforçando o fenômeno que transformou as novelas turcas em sensação global.

Foto: reprodução/RECORD

A história gira em torno de uma mulher que, vítima de um casamento abusivo, perde o filho para o pai. A protagonista é Özge Özpirinçci, atriz já bastante conhecida do público brasileiro, que promete trazer intensidade e emoção à narrativa.

Foto: reprodução/@ozpirincci

As turcas souberam fazer direitinho a lição de casa e se tornaram a grande sensação dos tempos atuais”, escreve Flávio Ricco, destacando que agora existe uma disputa intensa pelo conteúdo turco em todo o mundo.

O fenômeno não é apenas nacional: novelas turcas vêm conquistando públicos na América Latina, Europa e Ásia, seguindo a tradição que antes era dominada por produções mexicanas, colombianas e brasileiras. A Record TV aposta em I Am Mother para manter o sucesso da programação internacional, oferecendo aos espectadores histórias emocionantes, com personagens fortes e enredos envolventes.

Foto: reprodução/Unimado

Com previsão de estreia ainda para o primeiro semestre de 2026, a novela já chega cercada de expectativa, pronta para reforçar o poder das produções turcas no Brasil.

E você, vai acompanhar a novela? Conta pra gente aqui no Entretê, e nos acompanhe também nas redes sociais – Instagram, Facebook e X – para ficar por dentro de outras notícias do mundo do entretenimento.

 

Leia também: Notícias do Mundo Turco – 12/01 a 17/01 

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Entretenimento Música Notícias

Sofia Cordeiro estreia o emocionante single Esquecer de Mim

Ex-The Voice Kids e estrela de Chama a Bebel e Chuteira Preta, Sofia Cordeiro apresenta seu terceiro single pela Midas Music

O que acontece quando o tempo passa para um, mas o outro continua estático nas memórias? É sobre esse hiato emocional que a cantora Sofia Cordeiro reflete em seu mais novo lançamento, Esquecer de Mim. A canção, que já está disponível em todas as plataformas digitais pelo selo e gravadora Midas Music, é uma confissão vulnerável sobre a dificuldade de seguir em frente.

Ouça o novo single:

Composta por Jef Souza, a faixa narra o peso da ausência e a angústia de sentir que se está desaparecendo da memória de alguém que ainda ocupa um espaço central em nossa vida; esse outro alguém simplesmente decidiu seguir em frente. “É sobre sentir a ausência da pessoa em cada canto e reviver memórias que ainda ecoam na sua vida”, conta Sofia.

É sobre ter medo de desaparecer da memória de alguém que você ainda ama. A música fala desse lugar onde a gente ainda espera por alguém, mesmo sabendo que o outro já seguiu“, revela a cantora.

Foto: divulgação/Instagram @sofíacordeirooficial

A sonoridade da canção foi desenhada para espelhar a fragilidade da letra. A faixa aposta no minimalismo: começa apenas com a voz de Sofia acompanhada por um piano delicado. À medida que a letra se aprofunda na dor da saudade, arranjos de cordas entram gradualmente, ampliando a emoção que acompanha o crescimento do sentimento.

O single abre os lançamentos de Sofia Cordeiro em 2026, marcando seu terceiro trabalho pela gravadora Midas Music, com produção de Fernando De Gino e Serginho Fouad. Mais do que uma canção, a faixa é um mergulho na vulnerabilidade humana. Com o coração aberto, Sofia não esconde o entusiasmo com o novo projeto: “Estou muito animada para que o público finalmente escute essa música. Minha expectativa é que as pessoas se emocionem e que, de alguma forma, essa mensagem possa tocá-las profundamente“, finaliza a artista.

Curtiu essa novidade da Sofia Cordeiro? Conta pra gente! Siga o Entretetizei nas redes sociais – FacebookInstagram X – e não perca as novidades do mundo do entretenimento.

Leia também: Atrizes negras que fundaram as bases do teatro e do cinema brasileiros

Texto revisado por Angela Maziero Santana

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