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De BTS à De Repente 30: confira tudo que chega ao streaming em março

O catálogo do mês promete produções para todos os gostos

Para o mês de março, o streaming anunciou quase 40 produções que chegam ao catálogo a partir da semana que vem.De comédias românticas clássicas, como De Repente 30 e E Se Fosse Verdade, ao documentário inédito do comeback do BTS e One Piece, a Netflix traz uma diversidade de títulos para todos os públicos aproveitarem. Confira a lista completa.

Séries

Vladimir (5/3)

Quando uma professora de inglês fica obcecada pelo novo colega de trabalho, seu casamento e carreira ficam em risco.

Um Amor Que Ilumina (6/3)

Apaixonados na adolescência, dois jovens se reencontram depois de dez anos e confrontam suas dores, aprendizados e desafios.

Namorado por Assinatura (6/3) 

Mi-rae (Jisoo) está tão esgotada com o trabalho que o amor nem passa por sua cabeça. Mas um serviço virtual de simulação de namoro desperta seus sentimentos.

One Piece: Rumo à Grand Line – Temporada 2 (10/3)

Luffy e o Bando dos Chapéus de Palha zarpam rumo à lendária Grand Line, mas encontram terras impressionantes e novos perigos pelo caminho. 

O Homem do Castelo Alto – Temporadas 1 a 4 (11/3)

Em um mundo onde a Alemanha Nazista e o Japão Imperial vencem a Segunda Guerra e controlam os EUA, uma mulher assiste a um filme que a inspira a resistir.

One Tree Hill: Lances da Vida – Temporadas 1 a 8 (11/3)

Foto: reprodução/Cinebuzz

Craque do basquete na escola, Nathan sofre com a chegada do novato Lucas, que além de rival no time, também é seu meio-irmão.

Virgin River – Temporada 7 (12/3) 

Foto: divulgação/Netflix

Recém-casados, Mel e Jack tentam adotar um bebê. Antigos amores perdem a chama. Novas ameaças desafiam Virgin River.

Emergência Radioativa (18/3) 

Foto: divulgação/Netflix

Inspirada no acidente com o Césio-137 em Goiânia, esta minissérie acompanha físicos e médicos em uma corrida contra o tempo para conter um desastre radiológico e salvar milhares de vidas.

A Primeira Vez – Temporada 4 (18/3)

Foto: divulgação/Netflix

Na Colômbia dos anos 1980, Camilo, Eva e seus amigos enfrentam o caos, o amor e os problemas da vida adulta. Será que essa amizade indestrutível resiste às dificuldades?

Filmes

Karate Kid (1/3) 

Foto: reprodução/Recreio

Na China, Dre precisa se defender de um bully na escola e procura um mestre em artes marciais. Refilmagem do clássico de 1984.

O Último dos Moicanos (1/3) 

Foto: reprodução/Netflix

Na época colonial, um homem inglês criado por povos nativos nos EUA se apaixona pela filha de um coronel britânico e acaba envolvido no sangrento conflito imperial.

Comer Rezar Amar (1/3) 

Foto: reprodução/Bruna Cosenza

Liz decide recomeçar sua vida depois do divórcio e viaja pelo mundo em busca de boa comida, espiritualidade e amor verdadeiro.

Máquina de Guerra (6/3)

Foto: divulgação/Netflix

Na última etapa da seleção para os Rangers do exército americano, um treinamento de uma tropa de elite se transforma em uma verdadeira luta pela sobrevivência.

Parque Lezama (6/3)

Foto: divulgação/Netflix

Um ex-militante comunista e um homem que não gosta de conflitos fazem uma amizade improvável no banco de um parque, onde dividem histórias de vida com humor e emoção.

Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice (6/3)

Décadas depois de invocar o nada confiável fantasma dizendo seu nome três vezes, Lydia Deetz precisa da ajuda dele para salvar a filha adolescente.

Os Fantasmas se Divertem (6/3)

Foto: reprodução/O Mundo Autista – UAI

Um jovem casal de fantasmas retorna à sua casa após o acidente que causou sua morte e pede ajuda a uma entidade maluca para amedrontar os novos moradores.

Coringa: Delírio a Dois (13/3)

Internados no mesmo hospital psiquiátrico, um palhaço niilista e uma mulher encontram o amor. As fantasias dos dois criam uma violenta e sombria desventura musical.

A Hora do Rush (13/3)

Foto: reprodução/Rolling Stone Brasil

Um policial de Los Angeles concorda em ficar de olho em um investigador que veio de Hong Kong para solucionar o sequestro da filha do embaixador chinês.

E se Fosse Verdade (13/3)

Foto: divulgação/Netflix

Um arquiteto viúvo se muda para um novo apartamento e descobre que o local é assombrado pelo espírito da antiga moradora: uma médica que não se lembra como morreu.

De Repente 30 (15/3)

Foto: divulgação/Netflix

Humilhada por colegas de escola na sua festa de 13 anos, Jenna Rink faz um pedido: ter 30 anos. Ao acordar no outro dia, ela descobre que o pedido virou realidade.

Lady Bird – A Hora de Voar (18/3)

Uma estudante enfrenta os desafios do amor, da família e da autodescoberta enquanto sonha em entrar em uma faculdade bem longe da cidade onde vive.

Vidas Passadas (20/3)

Décadas depois de perderem o contato, dois amigos de infância com uma conexão profunda não sabem o que será dessa amizade ao se reencontrarem na vida adulta.

Peaky Blinders: O Homem Imortal (20/3)

Por ordem dos Peaky Blinders: Thomas Shelby precisa voltar e encarar sua missão mais explosiva até agora neste filme épico de Steven Knight.

Adoráveis Mulheres (26/3)

Determinada a conquistar um espaço só seu bem no meio dos anos 1860, uma escritora relembra os muitos momentos que passou com suas três irmãs e um grande amigo.

Hairspray – Em Busca da Fama (27/3)

Foto: reprodução/Plano Crítico

Em 1962, a ambiciosa Tracy Turnblad tenta se integrar à vida de Baltimore, uma cidade dividida pelo preconceito social, por meio da dança.

Jurassic Park – trilogia completa (31/3)

Foto: reprodução/Ingresso.com

Dinossauros clonados estão à solta e atacam os visitantes de um parque temático secreto neste clássico que mistura ciência, ação e suspense de tirar o fôlego.

Documentários e especiais

A Origem dos Red Hot Chili Peppers: Nosso Irmão Hillel (20/3)

Foto: divulgação/Netflix

Este documentário revisita os primeiros anos do Red Hot Chili Peppers e a influência decisiva do guitarrista original da banda, Hillel Slovak.

BTS: O Reencontro (27/3)

Foto: reprodução/Netflix

Eles voltaram! Neste documentário com acesso inédito ao grupo, que inicia uma nova era, o BTS se reúne em Los Angeles para gravar o álbum Arirang

The Groove Under the Groove – os Sons de Paulinho da Costa (em breve)

Foto: divulgação/Netflix

O documentário apresenta a trajetória do percussionista brasileiro Paulinho da Costa, que gravou com Michael Jackson e participou de alguns dos maiores sucessos da música pop mundial.

Eventos ao vivo

The Actor Awards Presented by SAG–AFTRA (1/3) 

Foto: divulgação/Netflix

Kristen Bell apresenta as maiores estrelas do cinema e da TV, que iluminam o palco da 32ª edição do SAG Awards, direto de Los Angeles. (Evento ao vivo em inglês)

BTS THE COMEBACK LIVE | ARIRANG (21/3) 

Foto: reprodução/Netflix

O BTS está de volta! O icônico grupo retorna ao palco para apresentar sucessos lendários e revelar músicas inéditas.

Crianças e Família

Tá Chovendo Hambúrguer (1/3)

O inventor Flint Lockwood cria uma máquina que faz chover comida. Mas sua deliciosa invenção está prestes a provocar uma gigantesca indigestão.

O Poderoso Chefinho (1/3)

Um garoto se vê no meio de uma conspiração corporativa graças ao irmão mais novo, um bebê que muda completamente de personalidade assim que os pais viram as costas.

Angry Birds: O Filme (1/3)

Condenado a fazer aulas de controle da raiva, Red vira herói treinando seus colegas para libertar sua fúria interior e enfrentar porcos que invadiram sua ilha.

O Espanta Tubarões (7/3)

Foto: reprodução/IMDb

Uma mentira inocente faz um peixinho se tornar herói por acidente. Mas, quando a verdade aparece, ele busca proteção se unindo a Lenny, um grande tubarão branco.

Sesame Street: De Volta à Vila Sésamo: Volume 2 (9/3) 

Foto: divulgação/Netflix

Dragões mágicos, bicicletas voadoras e muito mais! Com mentes curiosas e corações cheios de carinho, a turminha da Vila Sésamo solta a imaginação.

Trolls (31/3)

A Princesa Poppy e o rabugento Tronco embarcam em uma grande aventura! Eles precisam salvar os companheiros Trolls que foram capturados por Berguens famintos.

Cine Gibi: Turma da Mônica CineGibi (31/3)

Foto: reprodução/HBO Max

Mônica e a turminha descobrem um projetor mágico que transforma as travessuras do bairro em filmes de animação com aventuras épicas.

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Leia também: Guerra das Rosas: novela turca estreia em março com triângulo amoroso

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Cinema Música Notícias

Trilha sonora e documentário sobre Paul McCartney são lançados nesta sexta, 27

Álbum do filme, que traz imagens raras de arquivo da carreira do cantor, tem 12 músicas e mixagens inéditas, incluindo hits de Paul e da banda Wings, formada nos anos 1970

A trilha sonora do documentário Paul McCartney: Man on the Run foi lançada oficialmente nesta sexta-feira (27). Dirigido por Morgan Neville, o filme explora o renascimento criativo do cantor britânico após o fim dos Beatles.

Intitulada Man on the Run – Music from the Motion Picture Soundtrack, a trilha sonora reúne clássicos atemporais, grandes sucessos e faixas essenciais de Paul McCartney e da banda Wings, criada nos anos 1970. 

O projeto conta com 12 faixas, incluindo Arrow Through Me (Rough Mix), uma mixagem preliminar inédita das sessões de 1979 do álbum Back to the Egg, e Live And Let Die (Rockshow), do filme-concerto Rockshow (1980). O álbum também inclui uma terceira faixa inédita, Gotta Sing Gotta Dance, originalmente apresentada no especial de TV The James Paul McCartney TV Special, em 1973.

Tanto a trilha sonora quanto o documentário foram lançados nesta sexta-feira. O filme apresenta imagens raras de arquivo, fotografias de Linda McCartney, entrevistas com Paul, Linda, Mary e Stella McCartney, integrantes dos Wings, Sean Ono Lennon, Mick Jagger e Chrissie Hynde.

A direção criativa de arte ficou a cargo de Paul McCartney e Aubrey “Po” Powell, do estúdio Hipgnosis, responsável por oito álbuns do Wings, incluindo Band on the Run, Venus and Mars, Wings Over America, Wings Greatest e a antologia WINGS (2025). O design foi desenvolvido por Peter Curzon, do Storm Studios.

O diretor Morgan Neville explicou que buscou “analisar a trajetória quase impossível de Paul sob a longa sombra dos Beatles” e contar a história do cantor correndo em direção “à sua própria voz, sua própria família, sua própria vida”.

“Esta trilha sonora é um retrato dessa jornada contada por meio da música. Cada canção representa um impulso criativo de quem Paul era naquele momento. Era através da música que Paul falava, não apenas para o mundo, mas para si mesmo. Temos a sorte de poder acompanhar”, disse.

O documentário é produzido pela Tremolo, em associação com MPL Communications e Polygram Entertainment, e estará disponível no Prime Video a partir desta sexta-feira. 

Confira as faixas de Man on the Run – Music from the Motion Picture Soundtrack:

Wings – Silly Love Songs (Demo)

Paul McCartney – That Would Be Something (2011 Remaster)

Paul e Linda McCartney – Long Haired Lady (2012 Remaster)

Paul e Linda McCartney – Too Many People (2012 Remaster)

Paul McCartney e Wings – Big Barn Bed (2018 Remaster)

Paul McCartney – Gotta Sing Gotta Dance

Wings – Live and Let Die (Rockshow)

Paul McCartney e Wings – Band on the Run (2010 Remaster)

Wings – Arrow Through Me (Rough Mix)

Wings – Mull of Kintyre (2016 Remaster)

Paul McCartney – Coming Up (2011 Remaster)

Paul McCartney e Wings – Let Me Roll It (2010 Remaster)

 

E aí, o que acharam da trilha sonora? Conta para a gente nas redes sociais do Entretê! E nos siga no X, Facebook e Instagram para não perder nenhuma novidade do mundo do entretenimento.

Leia também: The Drama: Zendaya e Robert Pattinson encaram um segredo à beira do altar

 

Texto revisado por Gabriela Fachin

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Comportamento Cultura Notícias

BAFTA: pessoas negras têm o direito de se incomodar com racismo

A reação ao insulto involuntário durante a cerimônia revela que a comunidade negra ainda carrega sozinha o fardo do racismo

No último domingo (22), ocorreu a 79ª edição do BAFTA, a cerimônia de premiação da academia britânica de cinema. Apesar de grandes surpresas nas categorias principais – como Ryan Coogler ter se tornado a primeira pessoa negra a vencer a categoria de Melhor Roteiro Original na história da premiação –, o momento mais comentado da noite não teve nada a ver com cinema.

Ainda no começo da cerimônia, quando os atores Michael B. Jordan e Delroy Lindo, ambos indicados ao Oscar pelo filme Pecadores (2025), subiram ao palco para apresentar a primeira categoria da noite, injúrias raciais foram gritadas por alguém na plateia. 

Diante do silêncio absoluto do público presente e dos olhares atentos de milhares de pessoas assistindo de casa, Delroy apenas continuou a ler o teleprompter, sem que nenhum dos dois se permitisse uma reação além de uma breve pausa.

O esclarecimento veio depois: John Davidson, um dos indicados da noite, tem síndrome de Tourette, um distúrbio neuropsiquiátrico caracterizado por tiques motores ou vocais. Além dos sintomas mais comuns, uma menor parcela de pacientes também pode sofrer com coprolalia, quando usam palavras obscenas e expressões inapropriadas de forma completamente involuntária e incontrolável.

Foto: reprodução/Ingresso.com
Coprolalia e a responsabilização de pessoas com deficiência

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a coprolalia não diz respeito a uma “falta de filtro” que, como tal, apenas revelaria pensamentos próprios da pessoa com a deficiência. A condição se aproxima mais de um pensamento intrusivo fisicamente incapaz de ser contido e que leva a pessoa a falar a coisa mais inapropriada em uma dada situação.

Eu quero que as pessoas saibam e entendam que meus tiques não têm absolutamente nada a ver com o que eu penso, sinto ou acredito”, explicou Davidson em entrevista à revista Variety após o BAFTA. “É uma falha neurológica involuntária. Meus tiques não são intencionais, não são uma escolha e não refletem meus valores.

O que vocês me ouvem gritando é literalmente a última coisa no mundo que eu acredito; é o oposto do que eu acredito”, continuou. “A palavra mais ofensiva que eu disse na cerimônia, por exemplo, é uma que eu jamais usaria e condenaria completamente se eu não tivesse Tourette.

Foto: reprodução/Rolling Stone Brasil

É importante ressaltar que o momento com Michael e Delroy não foi o único tique de Davidson na cerimônia, que durante a abertura já tinha gritado outras palavras ofensivas.

O entendimento e o acolhimento de pessoas com uma deficiência como Tourette, cujos comportamentos fogem do próprio controle, são inegociáveis, assim como a desculpa e a empatia com as pessoas ofendidas e vitimizadas pelos tiques também são, uma vez que, apesar do que as redes sociais parecem acreditar, pedir desculpas não é o mesmo que admitir intencionalidade.

Segundo a Variety, inclusive, Davidson está em contato com representantes de Pecadores (2025) para poder pedir desculpas aos atores pessoalmente, afinal, uma violência – intencional ou não, fruto de uma deficiência ou não – ainda é uma violência

O que é esperado de pessoas negras

Nós gostaríamos de agradecer Michael e Delroy por sua incrível dignidade e profissionalismo”, dizia a nota oficial do BAFTA, postada um dia após a cerimônia. Nas redes sociais, centenas de pessoas decidiram, antes mesmo que qualquer um dos dois comentasse o assunto, que expressar qualquer emoção além de compreensão imediata seria capacitismo. Muitos ainda disseram que Davidson não devia desculpas a ninguém, e que Michael e Delroy deviam apenas entender.

Parece controverso dizer isso, mas pessoas negras têm o direito de se incomodar com racismo. Em um dos maiores palcos do entretenimento, sob holofotes e olhares de centenas de milhares de pessoas, assistindo do teatro ou do sofá de casa, Jordan e Delroy, dois homens negros que celebram o sucesso de um filme que tematiza justamente a história de pessoas negras e a violência racial nos Estados Unidos, foram vítimas de racismo em uma situação humilhante e de profunda exposição pública.

Foto: reprodução/Variety

Chega a ser de mau gosto que o BAFTA elogie a dignidade dos dois, quando essa mesma dignidade foi violada naquele momento com o uso de um insulto que, independentemente de quem o esteja dizendo, é tão sensível para negros estadunidenses. 

Existe uma expectativa velada nesta nota e na reação de todos que correram para policiar a reação dos dois de que pessoas negras devem sempre demonstrar compreensão e estar dispostas a ignorar experiências de racismo. O que parece é que precisamos ter uma capacidade ilimitada de empatia, ainda que esse mesmo sentimento raras vezes nos seja concedido.

Em comentário à Vanity Fair, Delroy disse que ele e Michael “fizeram o que tinham que fazer” no momento, mas que gostaria que alguém do BAFTA tivesse entrado em contato com eles depois. Outros portais disseram que Jordan teria se sentido enojado por ser submetido ao racismo na cerimônia – rumor que também foi recebido com críticas nas redes sociais.

O racismo sofrido nunca parece ser suficiente para justificar uma reação e o silêncio é sempre elogiado, como se existisse um mérito em fingir que nada aconteceu e permitir que pessoas brancas continuem confortáveis às custas de uma violência apagada. Os dois podiam ter decidido sair do palco e se recusado a continuar a apresentar a categoria e não teriam menos dignidade ou seriam menos profissionais por isso. 

Contudo, o racismo não se limitou ao uso da injúria, também se estendeu à postura voluntária das instituições que falharam em proteger seus artistas e garantiram que o momento fosse transmitido na televisão.

Reincidência da violência

Assim como em todos os anos, o BAFTA foi transmitido este domingo com duas horas de delay e, dias antes da cerimônia, foi revelado que a BBC, emissora que sedia a premiação, estaria em alerta para evitar discursos políticos. O comentário é consequência das recentes manifestações pró-Palestina e em oposição à política contra imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante cerimônias de premiação.

Vimos o resultado disso quando os cineastas Wale Davies e Akinola Davies Jr. subiram ao palco para receber o prêmio de Melhor Diretor ou Roteirista Estreante, pelo filme My Father’s Shadow (2025). Durante o discurso, Akinola dedicou o prêmio aos imigrantes e a todos “aqueles sob ocupação, ditadura, perseguição e aqueles experienciando genocídio” e fechou sua fala dizendo “Palestina livre”.

Foto: reprodução/Variety

Duas horas depois, contudo, essa parte do seu discurso foi cortada da transmissão oficial na BBC que, ao mesmo tempo, optou por manter o momento em que Davidson grita a ofensa racista. Segundo alguns jornais, a escolha aconteceu mesmo após representantes da Warner Bros pedirem diretamente que a emissora cortasse o momento antes de levar a cerimônia ao ar.

A decisão da produtora de cortar um discurso político contra o genocídio do povo palestino, mas de deixar um momento de violência racial, é curiosa, para dizer o mínimo, e o resultado é a reincidência do racismo sofrido por Michael e Delroy, além de dar espaço para o capacitismo e a ignorância sobre o Tourette de Davidson, expondo todos os três a escrutínio e humilhação uma segunda vez – agora definitiva.

Na entrevista à Variety, Davison comentou que o BAFTA garantiu que qualquer tique causado pela coprolalia seria cortado da transmissão e, mesmo indicado nas principais categorias da noite, o artista foi colocado em uma cadeira a mais de 40 fileiras de distância do palco, procurando evitar expor outros presentes. 

Eu lembro que tinha um microfone bem na minha frente e, em retrospectiva, eu preciso me perguntar se isso era inteligente, tão perto de onde eu estava sentado, sabendo que eu poderia ter um tique”, revelou. 

Como se tudo isso já não fosse o bastante, a inteligência artificial do Google usou a injúria racial na manchete do incidente e incentivou usuários a “see more about n******”. A empresa logo emitiu um comunicado pedindo desculpas e retirou a notícia do ar.

Será que sabemos lidar com racismo?

No fim, percebemos que o fardo do racismo ainda é de responsabilidade exclusiva de pessoas não brancas e que um simples pedido de desculpas deve remediar e anular como uma situação, por mais não intencional que possa ter sido, nos fez sentir.

A violência, a humilhação e a desumanização são todas segundo plano quando o primeiro instinto do público é justificar a injúria, não oferecer acolhimento ou ouvir as pessoas afetadas. Quando a declaração do BAFTA elogia o silêncio, ela antecipa e condena qualquer possível reação que os dois possam vir a ter.

Seus sentimentos escapam em rumores e fofocas, mas ninguém parece entender que, para pessoas negras assistindo de casa, ver dois homens sofrerem racismo em um palco como o BAFTA e não terem o direito de reagir, além de breves segundos de pausa para recuperar o fôlego, é apenas um lembrete de que não podemos agir como humanos se quisermos ser reconhecidos como tal. 

Foto: reprodução/Rolling Stone

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Leia também: “Era só uma piada”: como Hollywood ajudou a normalizar o racismo recreativo

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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