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Especial | Quem é Maisie Peters, cantora que desembarca no Brasil em abril

Entenda a trajetória da compositora que conquistou as paradas do Reino Unido e celebra a nova fase de sua carreira com um show intimista no palco do Cine Joia

Maisie Peters já não é mais apenas uma promessa do indie-pop britânico. Se você acompanha as tendências musicais dos últimos anos, talvez seu nome já tenha atravessado a sua timeline. Celebrada por sua escrita e um estilo que transita entre o folk e o pop, a cantora está prestes a realizar sua primeira performance em solo nacional. Pensando nisso, o Entretetizei preparou um especial para você mergulhar na discografia da artista.

O início de tudo
Maisie Peters em 2018
Foto: reprodução/Ten Eighty Magazine

Filha de um professor de geografia e uma comunicadora, Maisie Peters não cresceu em uma família musical. Natural de Steyning, uma pequena cidade na Inglaterra, seu interesse pela música despertou aos 12 anos de forma natural: ela pegou o violão de uma amiga emprestado para um projeto escolar e acabou compondo suas primeiras canções.

Ainda na adolescência, aos 15 anos, ela começou a se apresentar nas ruas de Brighton e publicar composições autorais e covers no YouTube, construindo sua primeira base de fãs digital.

Inspirada por nomes como Taylor Swift, Lily Allen e Sara Bareilles, lançou de forma independente seu primeiro single, Place We Were Made, em 2017. A letra é uma carta aberta à sua cidade natal e captura aquele momento agridoce da vida em que os amigos começam a seguir caminhos diferentes.

O lançamento de estreia chamou atenção nos círculos de indie-pop locais. O sucesso foi tanto que, no início de 2018, a faixa foi escolhida pela BBC Radio como a música da semana, colocando a artista no radar da indústria musical britânica.

A mudança para Londres e o desafio da pandemia
Maisie Peters para divulgação do EP Dressed Too Nice For a Jacket (2018)
Foto: reprodução/Euphoria Zine

Após se formar na escola, Maisie deu um importante passo em sua carreira: mudou-se para Londres e assinou um contrato com a Atlantic Records. Pela gravadora, lançou dois EPs: Dressed Too Nice For a Jacket (2018) e It’s Your Bed Babe, It’s Your Funeral (2019). Esses trabalhos são marcados por suas letras confessionais, repletas de sarcasmo e metáforas sobre desilusões amorosas e amadurecimento.

Em 2020, ela estava pronta para levar sua música a um novo patamar. Ela havia sido anunciada como o ato de abertura da turnê europeia de Niall Horan, o que a apresentaria a novos públicos. No entanto, a pandemia interrompeu os planos, forçando o cancelamento dos shows. Longe dos palcos, Maisie utilizou esse período de introspecção para refinar sua narrativa e trabalhar no que viria a ser seu álbum de estreia.

O apadrinhamento de Ed Sheeran e You Signed Up For This
Maisie Peters e Ed Sheeran
Foto: reprodução/BBC

No início de 2021, Maisie foi anunciada como a nova aposta da Gingerbread Man Records, gravadora fundada por Ed Sheeran. A parceria foi a realização de um sonho para a artista, que sempre citou Sheeran como um de seus ídolos. O cantor se tornou um amigo e mentor, coescrevendo faixas de destaque no álbum de estreia da cantora, como Hollow, Boy e Psycho. Essa proximidade artística rendeu frutos também nos palcos, quando Maisie foi o ato de abertura da turnê europeia Mathematics Tour.

A consolidação dessa fase veio com o álbum You Signed Up For This (2021), que estreou em segundo lugar na parada oficial do Reino Unido. O trabalho explora temáticas diversas, com letras que transitam entre o sarcasmo e a vulnerabilidade. O disco é um retrato do início da vida adulta, equilibrando a origem folk de Maisie com elementos do pop. Faixas como John Hughes Movie exemplificam essa transição, trazendo referências cinematográficas para falar da romantização do amor, enquanto Brooklyn narra momentos mais familiares, como uma viagem feita com sua irmã gêmea, Ellen, pelos Estados Unidos.

The Good Witch e a conquista de grandes arenas
Maisie Peters em divulgação do álbum The Good Witch (2023)
Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Após consolidar seu nome no cenário pop, Maisie não deu sinais de que pretendia desacelerar. O intervalo entre 2022 e o início de 2023 foi marcado por uma extensa agenda de shows, percorrendo palcos nos Estados Unidos, Europa, Ásia e Oceania. A vivência na estrada serviu como base para o seu segundo álbum, The Good Witch (2023), que aborda a retomada do controle de sua própria narrativa e o resgate da autoconfiança após o fim de um relacionamento.

A sonoridade do disco reflete o novo momento de sua carreira: o som é ainda mais pop, influenciado pela experiência da cantora ao performar para públicos cada vez maiores. Narrativamente, ela explora a complexidade dos sentimentos pós-término, abordando as inseguranças e a comparação com outras pessoas em faixas como o single Body Better. O álbum também abre espaço para celebrações da vida profissional e pessoal, como a faixa The Band and I, que documenta a jornada de sua banda durante a primeira grande turnê pela América do Norte.

The Good Witch estreou no topo das paradas do Reino Unido, tornando Maisie a artista feminina solo mais jovem a alcançar o número um em quase uma década. O sucesso abriu portas ainda maiores: a cantora foi convidada para ser o ato de abertura em turnês de estádios, incluindo shows do Coldplay e a histórica The Eras Tour, de Taylor Swift.

Florescence e a estreia no Brasil
Maisie Peters em divulgação para o álbum Florescence
Foto: reprodução/Why Now

Agora, Maisie Peters está pronta para iniciar uma nova era com o álbum Florescence, previsto para o dia 15 de maio. O projeto consolida a transição da cantora para uma sonoridade mais madura e orgânica, resultado de um período de pausa na carreira. Gravado com a produção de Ian Fitchuk, vencedor do Grammy e colaborador de nomes como Beyoncé e Kacey Musgraves, o disco de 15 faixas marca também a estreia de Maisie como coprodutora.

As faixas já reveladas antecipam um trabalho que equilibra vulnerabilidade e autoconhecimento. As letras exploram a estabilidade em um relacionamento saudável com um antigo amor (Audrey Hepburn), e, ao mesmo tempo, as dificuldades de seguir em frente após um término (You You You). O álbum ainda irá contar com colaborações de grandes nomes da indústria musical, como Julia Michaels e Marcus Mumford.

O single mais recente, My Regards, traz um lado mais confiante e possessivo da artista. A faixa ganhou um videoclipe estrelado por Benito Skinner (Muito Esforçado, 2025) e dirigido pela comediante britânica Amelia Dimoldenberg. A estética visual dessa fase traz referências diretas da cultura pop inglesa, com o trailer do álbum dialogando com a comédia romântica Gatos, Fios Dentais e Amassos (2008).

Para celebrar o lançamento do terceiro álbum, Maisie anunciou a turnê Before the Bloom, focada em shows mais intimistas. Após passar pela Austrália, Europa e América do Norte, a cantora fará sua aguardada estreia na América Latina. O Brasil receberá uma apresentação única em São Paulo, no Cine Joia, no dia 25 de abril, sábado. Os ingressos para o evento já podem ser encontrados na plataforma Sympla.

 

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Leia também: Zayn anuncia turnê mundial

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Entretenimento Livros

ROMANCES PARA CELEBRAR O VALENTINE’S DAY

Em comemoração ao Valentine’s Day, a Editora Verus apresenta os lançamentos do mês de Fevereiro

O Valentine’s Day é o convite perfeito para se apaixonar, seja por alguém especial ou por uma boa história. Para celebrar a data mais romântica do ano, a Editora Verus reúne lançamentos de fevereiro que prometem aquecer corações, provocar suspiros e reafirmar o poder dos romances em todas as suas formas.

Entre encontros improváveis, emoções intensas e personagens cativantes, as novidades do mês são um prato cheio para quem acredita que o amor sempre vale a leitura.

Seis Meses Para Casar – Kosuke Ohashi
Fonte: divulgação/Entretetizei

Com mais de 100 mil exemplares vendidos só no Japão, o romance de estreia Seis Meses

Seis Meses Para Casar, do autor Kosuke Ohashi, conta a história de Sayaka Kuroki após descobrir a traição de seu futuro marido.

Faltando três meses para o casamento, que está marcado para seu aniversário de trinta anos, e logo após pedir demissão para cuidar da cerimônia, Sayaka Kuroki descobre que está sendo traída e que seu noivo, Kazuya, não quer mais nada com ela.

Com os poucos ienes que tem na conta, uma ressaca e um restinho de dignidade, Sayaka vai até a editora da revista em que trabalhava para pedir seu emprego de volta. Porém o cargo já está ocupado, e a única alternativa é passar para outro departamento, com um chefe autocentrado que adora se exibir… e que exige que ela se case em seis meses enquanto escreve reportagens sobre konkatsu, a arte da busca por um marido.

Leve e divertido, Seis meses para casar explora as peculiaridades do konkatsu e da vida no Japão enquanto prova que o inesperado, o improvável, o quase impossível também pode acontecer.

Your name. Another Side: Earthbound – Arata Kanoh
Fonte: divulgação/Entretetizei

Após ganhar 17 prêmios internacionais com a adaptação de Your Name, Arata Kanoh retorna com a mágica e emocionante história sob novos pontos de vista na pacata cidade de Itomori. 

Pelas perspectivas de Taki no corpo de Mitsuha, do amigo dela, Teshi, do pai, Toshiki, e da perspicaz irmã mais nova, Yotsuha, Another Side: Earthbound se aprofunda nesses personagens tão carismáticos e amplia o cenário de Itomori, mostrando o impacto dos acontecimentos com Taki e Mitsuha nos demais habitantes da cidade e expandindo o universo de your name.

Hathor e o Príncipe – J. J. McAvoy
Fonte: divulgação/Entretetizei

Uma jovem determinada a sair da sombra da irmã. Um príncipe que não é nada do que ela sonhou. Um romance profundo que surge de incessantes provocações.

O sonho de Hathor se realiza quando a rainha anuncia que apresentará seu sobrinho – nada mais, nada menos que um príncipe – durante o evento social de uma semana no Castelo Belclere, dos Du Bell. Mas a possibilidade de fazer parte da família real desmorona quando Hathor se depara com o príncipe Wilhelm Augustus – que, de realeza, só tem o título.

Uma rivalidade cheia de provocações pode acabar dando lugar a um romance verdadeiro, e Hathor precisará lutar por seu final feliz, apesar das expectativas da sociedade. Em meio a bailes – e sentimentos – grandiosos, os últimos eventos da temporada prometem ser os mais românticos e chocantes de todos.

Com protagonismo negro, Hathor e o Príncipe, de J. J. McAvoy, promete ser uma leitura envolvente para os fãs desse segmento.

Risco de colisão (Um romance da série Corações Velozes) – Amanda Weaver
Fonte: divulgação/Entretetizei

Depois do sucesso de No limite da velocidade, a autora Amanda Weaver lança Risco de colisão (Vol. 2), novo livro de romance esportivo e picante.

No mundo veloz da Fórmula 1, não há espaço para distrações. Mas, em meio aos holofotes e à chama que insiste em reacender entre uma relações-públicas e um piloto, o amor pode ser a maior distração de todas…

Ele quebra todas as regras que ela criou.

Ao aceitar trabalhar com uma nova escuderia de Fórmula 1, Violet descobre que Chase acabou de assumir como piloto da equipe. Ela promete não se deixar levar por um cara tão charmoso e irritante, mas o fato é que ele tem o rosto perfeito para promover a imagem da equipe.

Com as carreiras de ambos em jogo, Violet vai levantar a bandeira vermelha para essa atração ou, enfim, deixar o amor seguir sua rota?

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Leia também: Fevereiro na Intrínseca: o que chega às livrarias este mês

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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Cinema Crítica Notícias

Crítica | Dois Procuradores e a justiça esmagada pelo totalitarismo

O longa mais recente de Sergei Loznitsa expõe a violência institucionalizada durante o Grande Terror

[Contém spoiler] 

Dois Procuradores (2025) é um filme austero, denso e profundamente incômodo, que mergulha o espectador na engrenagem opressiva do regime stalinista. Dirigido por Sergei Loznitsa (Babi Yar. Contexto, 2021), o longa abandona qualquer traço de sentimentalismo para construir uma narrativa fria e meticulosa sobre o funcionamento da injustiça quando ela se torna política de Estado.

Foto: divulgação/Retrato Filmes

Ambientado na União Soviética de 1937, durante o chamado Grande Terror, o filme se insere em um dos períodos mais violentos da história do regime de Stalin. Diferentemente da repressão praticada nos anos de Lênin – ainda vinculada à guerra civil e à consolidação do poder bolchevique –, o Grande Terror marca o momento em que a violência deixa de ser um meio e passa a existir como fim. Não se trata mais de punir culpados, mas de produzir culpados, instaurando um sistema paranóico no qual ninguém está realmente seguro.

Foto: divulgação/Retrato Filmes

A trama acompanha o jovem promotor recém-nomeado Alexander Kornyev (Aleksandr Kuznetsov), que, ao entrar em contato com uma carta escrita pelo prisioneiro político Stepniak (Alexander Georgijewitsch Filippenko), decide investigar possíveis abusos cometidos pela polícia secreta, a NKVD. A partir desse gesto aparentemente simples, o filme revela o abismo entre a legalidade formal e a realidade brutal do totalitarismo. O protagonista acredita na lei, mas logo percebe que ela opera apenas como fachada, um instrumento de legitimação do poder, não de justiça.

Loznitsa expõe com rigor a autonomia quase absoluta da NKVD, herdeira direta da Cheka revolucionária, cujos agentes atuam acima de qualquer instância legal. O filme não retrata a repressão apenas como instrumento político, mas como um mecanismo que passa a existir por si só, típico do Grande Terror stalinista, quando a violência se converte em procedimento administrativo. O Estado não reage a ameaças reais: ele as fabrica. Todos que tentam identificar ou denunciar essas distorções tornam-se, inevitavelmente, novos alvos do sistema.

Foto: divulgação/Retrato Filmes

A encenação acompanha essa lógica implacável. Planos longos, diálogos contidos e uma mise-en-scène (tradução livre: colocar em cena) rigorosa constroem uma atmosfera de claustrofobia e paralisia moral. A quase total ausência de trilha sonora intensifica o silêncio opressor que domina os corredores do poder, tornando cada deslocamento do personagem principal um exercício de tensão e expectativa. Não há espaço para heroísmo: o sistema é maior, mais forte e absolutamente indiferente à moral individual.

A atuação contida de Aleksandr Kuznetsov como o jovem promotor acompanha com maestria o clima do longa. Sua interpretação evita explosões emocionais ou gestos excessivos, apostando em um corpo rígido, em olhares breves e em uma dicção controlada que traduzem a tentativa constante de se manter dentro da norma. Essa contenção não reduz o impacto dramático, ao contrário, evidencia o conflito interno de um personagem que acredita na racionalidade da lei e se recusa, por mais tempo do que deveria, a aceitar sua falência. 

Foto: divulgação/Retrato Filmes

O elenco ao redor atua na mesma chave, compondo figuras quase burocráticas, mais próximas de engrenagens do sistema do que de indivíduos plenamente formados, uma escolha que reforça a desumanização progressiva imposta pelo regime.

Foto: divulgação/Retrato Filmes

O filme se destaca justamente por sua recusa em oferecer catarse. O longa não busca confortar o público, mas confrontá-lo. O jovem promotor não funciona como herói, mas sim como símbolo de uma crença ingênua na possibilidade de justiça dentro de um regime que não admite fissuras. Sua trajetória é marcada por um processo lento e devastador de desilusão, conduzido sem explosões dramáticas, apenas pela frieza dos procedimentos burocráticos.

Foto: divulgação/Retrato Filmes

O desfecho, no qual o próprio promotor é preso por ter levado sua investigação longe demais, não surge como reviravolta, mas como consequência lógica. No universo retratado por Loznitsa, pensar juridicamente já é um gesto subversivo. A lei só é tolerada enquanto instrumento de obediência; quando levada a sério, torna-se uma ameaça ao sistema que a proclama.

Em termos críticos, o ritmo deliberadamente lento pode afastar parte do público habituado a narrativas mais dinâmicas. Ainda assim, essa escolha estética se revela coerente com a proposta do filme: fazer o espectador sentir o peso da burocracia, do medo e da estagnação moral que definem a experiência do totalitarismo.

Dois Procuradores (2025) é um filme político no sentido mais profundo da palavra. Ao revisitar um período histórico específico, Sergei Loznitsa constrói uma reflexão inquietantemente atual sobre a fragilidade da justiça quando submetida ao autoritarismo. Trata-se de uma obra rigorosa, desconfortável e necessária, que exige atenção e reflexão – e que permanece ecoando muito depois do último plano.

Foto: divulgação/Retrato Filmes

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Texto revisado por Alexia Friedmann

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Comportamento Cultura Notícias

Carnaval é trabalho, memória e protagonismo periférico

Como as escolas de samba transformam cultura comunitária em espetáculo, sustento e narrativa social

Para muita gente, o Carnaval dura poucos dias. Para as comunidades que constroem os desfiles, ele ocupa o ano inteiro. Longe de ser apenas festa, a maior celebração popular do país é também motor econômico, espaço de formação artística e território de narrativa periférica. Nos barracões e quadras das escolas de samba, o espetáculo começa meses antes de chegar à avenida e envolve uma cadeia de trabalho que sustenta milhares de pessoas. 

Foto: reprodução/Victor Carnevale

Costureiras, aderecistas, escultores, soldadores, marceneiros, carnavalescos, coreógrafos, ritmistas e compositores atuam como equipes de uma superprodução cultural a céu aberto. Cada alegoria exige engenharia, cada fantasia envolve técnica e acabamento, cada comissão de frente nasce de pesquisa e conceito. O Carnaval, nesse contexto, é uma indústria criativa comunitária com impacto real na renda e na vida de quem participa. Em territórios onde o acesso ao mercado formal é muitas vezes limitado, o samba constrói oportunidade. Há transmissão de conhecimento entre gerações, algo que vai além do desfile e fortalece a identidade cultural.

Se o cinema e a televisão frequentemente ignoraram histórias periféricas ou as retrataram de forma reduzida, as escolas de samba fizeram o caminho inverso: transformaram a memória social em espetáculo grandioso. Os desfiles funcionam, na prática, como cinema ao vivo: com roteiro, trilha sonora, direção de arte, figurino e narrativa temática.

Foto: reprodução/Lua

Os enredos colocam no centro da cena temas que durante décadas ficaram à margem do entretenimento tradicional: ancestralidade, injustiça social, culturas originárias, religiões de matriz africana, líderes populares e heróis invisibilizados. A avenida se torna palco de revisão histórica e afirmação simbólica. É dramaturgia em movimento. Storytelling com bateria.

Nesse processo, a comunidade não é apenas plateia, é autora. O espetáculo não é importado: é produzido coletivamente aqui. Cada desfile carrega assinatura de território, memória e trabalho compartilhado.

Foto: reprodução/Vozes da Comunidade

Para quem quer ir além da avenida e entender com mais profundidade como o Carnaval se constrói como arte, memória e força comunitária, alguns documentários e livros ajudam a ampliar esse olhar. Obras como Fevereiros (2017) e Samba On Your Feet (2005) revelam bastidores, raízes e impactos culturais do samba e das escolas, enquanto leituras como o romance Um Defeito de Cor (2006), de Ana Maria Gonçalves (que atravessou a avenida em 2024 com a Portela) e o livro-reportagem Uma História do Samba (2017), de Lira Neto, mostram como essa narrativa coletiva se forma ao longo do tempo, entre território, identidade e criação popular.

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

 

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